"A Libertação da Mulher na China"

03/07/2018

  

A história provou que a libertação da mulher na China — a mulher estando de igual para igual com os homens — começou com a Revolução Democrática, mas só será terminada na Revolução Socialista.

 

O que é a Revolução Democrática? É uma revolução para derrubar o regime feudal de uma classe latifundiária, uma revolução com participação do povo em massa sob a liderança de um partido político. Seu começo foi na China em 1911, quando uma monarquia foi derrubada, o imperador — o maior latifundiário de todo o país — foi destronado, e a aristocracia foi dispersa. Mas esta revolução não estava terminada até 1949, quando a terra de todos os latifundiários foi confiscada. Camponeses e latifundiários eram hostis uns aos outros. Os primeiros participaram do movimento revolucionário de 1927, e apenas após um grande período de luta de classes, conseguiram derrubar os últimos.

 

O que a derrubada da classe latifundiária tem a ver com a luta pela libertação da mulher? Na primavera de 1927, nosso grande líder, o Presidente Mao Tsé-tung nos deu de forma clara a explanação correta: “A autoridade política dos latifundiários é a espinha dorsal de todos os outros sistemas de autoridade. Com isso derrubado, a autoridade do clã, a autoridade religiosa e a autoridade do marido, tudo começa a cambalear… Em relação à autoridade do marido, isto sempre foi mais fraco entre os camponeses pobres, tendo em vista que, por necessidades econômicas, as mulheres têm que fazer mais trabalho manual do que as mulheres das classes mais ricas e, portanto, têm mais voz e maior poder de decisão nos assuntos familiares. Com o aumento da falência da economia rural nos últimos anos, a base para a dominação dos homens sobre as mulheres já foi enfraquecida. Com a ascensão do movimento camponês, as mulheres em muitos lugares já começaram a organizar associações de mulheres rurais; a oportunidade chegou para elas de se levantarem, e a autoridade do marido está ficando cada dia mais frágil. Em uma palavra, todo o sistema e a ideologia patriarcal-feudal está cambaleando com o crescimento do poder dos camponeses". Não é necessário dizer que antes da Revolução Democrática, as mulheres na China, a partir de sua posição social, eram de diversas formas, oprimidas e exploradas. As mulheres das classes mais ricas e mesmo a maioria das classes mais pobres se ocupavam em tarefas familiares e mantidas sem atividades profissionais. As mulheres que trabalhavam, principalmente as que faziam trabalho doméstico, recebiam salários muito baixos. De fato, muito poucas mulheres garantiam sua independência econômica! Enquanto isso, poucas meninas estavam matriculadas nas escolas. As mulheres formadas, em grande parte voltavam para suas casas, e apenas algumas se tornavam professoras em escolas primárias e escolas de ensino médio para meninas.

 

O ritmo do Movimento de Libertação Feminina acompanhou de perto o avanço da Revolução Democrática. A posição das mulheres na China aparentemente havia aumentado de nível a partir de 1930, às vésperas da guerra contra a agressão japonesa. Na época já haviam faculdades e até ensino médio onde a educação mista havia sido estabelecida. Mulheres formadas, e não poucas delas, eram empregadas como professoras, médicas e enfermeiras. A maioria das formadas em escolas missionárias cristãs e faculdades, entretanto, não se engajavam em nenhuma atividade profissional e permaneciam em suas famílias se tornando “vasos sociais”, um apelido da época para aqueles que se ocupavam de atividades sociais, mas não tinham uma profissão própria. Estas mulheres, casadas ou solteiras, livres dos costumes feudais, acabaram por serem brinquedos sociais e parasitas burguesas. Nesta época, haviam muitas mulheres trabalhando em indústrias têxteis, mas elas estavam sob exploração capitalista, recebendo baixos salários e sofrendo com a pobreza.

 

Ao fim da guerra contra a agressão e ocupação japonesa, o povo chinês sob a liderança do Partido Comunista da China acelerou o movimento revolucionário. Assim, um sem número de mulheres se engajaram em todos os tipos de trabalho revolucionário, algumas delas entrando em atividades militares. Haviam ganho sua independência econômica. Membros do Partido se dedicaram ao trabalho de propaganda, em aldeias e fábricas. Muitos sendo mulheres formadas no ensino médio. Ao fazer seu trabalho, haviam adquirido a mesma posição social dos homens. Eram bastante presentes na luta por reforma agrária, ajudaram a se livrar da concentração de terra por latifundiários, e eram avidamente dedicadas à várias tarefas, com o espírito abnegado por cumprir as ordens dadas pelo Partido. Foi sobre a base dessa Revolução Democrática que o povo chinês poderia e deu início à atual revolução socialista.

 

Quando em outubro de 1949, com a derrota das forças militares japonesas, a derrubada da ditadura de Chiang Kai-shek, com os agentes imperialistas estrangeiros se retirando, a República Popular da China foi proclamada, e nossa Revolução Democrática chegou à sua conclusão. A partir de então a nossa revolução socialista começou. No início do atual regime, o Ministério da Justiça e da Saúde Pública eram ocupados por duas mulheres. Muitas outras mulheres atuaram em serviços governamentais em Pequim, bem como nas províncias. Na administração de várias empresas de serviços públicos não faltavam quadros mulheres.

 

Dentro dos últimos vinte anos, mais e mais mulheres se alistavam no exército, marinha e aeronáutica. Voluntariamente entraram nestes serviços após terem passado nos exames físicos. Mais e mais mulheres se juntaram ao trabalho agrícola no campo, pastoreio, mineração, fundição, irrigação, comunicação, transporte, todos os tipos de fábricas, comércio, varejo, e vários outros serviços públicos. Desde 1966, o primeiro ano de nossa Revolução Cultural, que toma parte na Revolução Socialista, o número de mulheres médicas e enfermeiras aumentou. Em anos recentes, em algumas cidades grandes, foi dado trabalho para todas as mulheres com menos de 45 anos em fábricas, comércio, comunicação, transporte, e outros serviços para o povo. Pessoas com ensino médio completo, tanto homens quanto mulheres, foram alocadas para o trabalho na indústria, campo e no comércio. Qualquer coisa que homens podem fazer nestes trabalhos, as mulheres podem fazer igualmente. De um modo geral todas as mulheres que podem trabalhar, podem tomar qualquer lugar à frente de seu trabalho, sob o princípio de salário igual para trabalho igual. A grande maioria das mulheres chinesas já atingiram a sua independência económica.

 

No entanto, se perguntarmos se a luta pela libertação da mulher na China chegou ao seu fim, a resposta é definitivamente não. É verdade que o sistema latifundiário foi abolido há mais de vinte anos, mas muito da ideologia patriarcal-feudal foi ainda prevalece entre os camponeses e agricultores. Esta ideologia ainda faz acontecerem coisas perniciosas nos lugares rurais e em algumas das pequenas cidades. Somente quando a ideologia patriarcal-feudal for erradicada podemos esperar que a igualdade sexual seja plenamente estabelecida.

 

A fim de construir uma grande sociedade socialista, é necessário ter as amplas massas das mulheres engajadas na atividade produtiva. Com homens, mulheres devem receber salário igual para trabalho igual na produção. Hoje em nosso país, existem as comunas populares no campo onde as mulheres recebem salário menor do que o dos homens por trabalho igual na produção. Em certas aldeias, as ideias patriarcais ainda possuem influência. Proporcionalmente, existem mais homens do que mulheres que frequentam as escolas. Os pais pensam precisar que as meninas façam o trabalho doméstico. Alguns inclusive acham que as mulheres eventualmente se casariam e, portanto, não valeria a pena mandá-la para escola. Ademais, quando as mulheres estão para se casar, seus pais frequentemente pedem por uma certa quantia de dinheiro ou vários artigos da família do aspirante a marido. Assim, se afeta a liberdade do casamento. Por fim, como agricultores desejam aumentar a força de trabalho em suas famílias, o nascimento de um filho é esperado enquanto o de uma filha é considerado uma decepção.

 

Este desejo repetido por ter pelo menos um filho tem um efeito adverso sobre o controle da natalidade e nascimentos planejados. Uma mulher com muitas crianças a seu redor, naturalmente encontra muitas dificuldades em participar de qualquer trabalho produtivo. Outra coisa que impede o trabalho feminino é seu envolvimento no trabalho doméstico. Isto evita a plena participação, de coração, das mulheres nos serviços públicos.

 

Da situação atual, não é difícil entender que a verdadeira igualdade entre os sexos pode ser concretizada e a luta pela Libertação da Mulher terá fim quando, e apenas quando, liderado por um Partido político Marxista-Leninista, o processo de transformação social da sociedade como um todo estiver completo, quando a classe ou as classes exploradoras forem eliminadas, e quando a ideologia patriarcal-feudal e outras ideologias das sociedades de classes forem completamente extirpadas.

 

Texto de Soong Ching Ling, declarada Presidente de Honra da República Popular da China, publicado na Peking Review #6, Fev. 11, 1972

 

Tradução de Gabriel Duccini

 

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