A adesão à OTAN e as eleições presidenciais na Colômbia

22/06/2018

 

“Após as ilusões progressistas da última década, o cenário está posto para o povo latino americano. A derrubada dos governos de centro-esquerda continua na agenda das oligarquias locais e do imperialismo que vem perdendo influência no Oriente Médio e em outras regiões do mundo e devido a isso é obrigado a recolonizar a América Latina. Afastar a crescente influência da China na região também está na agenda do dia. É a famosa Doutrina Monroe mais presente do que nunca.” [1]

 

O narcopresidente Juan Manuel Santos representante dos ianques e da brutal elite rural, seguindo legado abominável de Álvaro Uribe vem mergulhando o país no caos. Como bom entreguista concede de bandeja as riquezas nacionais e bases militares para o seu senhor do norte e trabalha conjuntamente com este para a desestabilização da Venezuela. E a agora Juan Manuel Santos passa o bastão para Iván Duque continuar a levar o país à bancarrota.

 

No ano de 2006 o presidente militarista Álvaro Uribe demonstrou interesse em fazer parte da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas naquele momento o pedido foi recusado e motivo foi que a Colômbia “descumpria critérios geográficos”.

 

No dia 31 de maio o presidente colombiano Juan Manoel Santos se reuniu com a alta cúpula da OTAN em Bruxelas para firmar um acordo que coloca a Colômbia como “parceiro global” da aliança militar composta essencialmente pelos EUA, seu manda chuva, e quase todos os países da Europa. Com isso o país passa a ser o primeiro país da América Latina a compor a OTAN.

 

Primeiramente é claro que a adesão a OTAN por parte da Colômbia segue os interesses norte-americanos na região. Sabemos que já existe nessa nação uma massiva presença militar norte-americana, que dispõe de diversas bases em território colombiano, mas agora com a OTAN somado a eleição de Ivan Duque tudo vai se agravar.

 

As motivações por trás desse acordo nefasto para a América Latina:

 

- O país possui uma posição geográfica privilegiada, pois tem parte da sua costa direcionada para o Oceano Pacífico e parte para o Caribe. Na porção terrestre faz divisa com Brasil, Equador, Peru, Panamá e Venezuela. Isso faz com que uma Colômbia cada vez mais colonizada pelos EUA seja peça chave para o controle geopolítico ianque na região em sua empreitada de consolidar o seu poder militar na América do Sul.

 

- A desestabilização por vias militares da Revolução Bolivariana na Venezuela também está na agenda do dia.

 

- O controlar movimentos populares na cidade e no campo.

 

- Combater o narcotráfico - um velho pretexto.

 

As forças Armadas da Colômbia estão no segundo lugar em poderio militar na América Latina, atrás somente do Brasil. O orçamento militar da Colômbia é o maior da região, dedica 3,4% do PIB anual à defesa, frente a 1,3% do Brasil e 1% da Argentina em 2016 [2]. Esse gasto exorbitante soma-se a ajuda em equipamentos prestada pelos Estados Unidos. Sem contar Forças Armadas da Colômbia possui uma das mais hábeis atuações no plano terrestre da América do Sul devido a sua luta de décadas contra a atuação das guerrilhas como as FARC. Como o México a Colômbia desde os anos 80 vem sendo uma espécie de laboratório para a repressão de movimentos sociais, protestos, organizações, jornalistas, estudantes universitários etc. Sabemos que ao lado de Brasil e Filipinas a Colômbia possui uma das maiores taxas de assassinatos contra camponeses e conflitos agrários no mundo graças à atuação da violência reacionária das oligarquias rurais colombianas que como no Brasil estão no poder há centenas de anos.

 

Em resumo, devido a todos esses fatores a OTAN, leia-se EUA firmaram a integração da Colômbia na sua lista imunda de reféns.

 

Esse cenário de terra arrasada para os povos da América Latina encarnado pela OTAN e deixado pelo presidente Juan Manuel Santos terá segmento e aprofundamento na presidência do conservador Iván Duque. O candidato de extrema-direita do Centro Democrático Iván Duque Márquez foi eleito presidente da Colômbia nesse domingo 17 de maio e governará até 2022. Duque representa o que há de mais retrogrado na política colombiana, é um mero vassalo da oligarquia e fantoche do imperialismo, como o seu apoiador e ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e agora assumirá as rédeas do país que é o maior violador dos direitos humanos na América do Sul.

 

As abstenções no processo eleitoral atingiram o altíssimo numero de 48%, e entre aqueles que votaram temos 262.073 votos nulos e 795.510 votos em branco, sintoma da falência total da democracia burguesa.

 

Duque tem uma carreira política curta, possui dois mestrados na área de economia e gestão pela universidade de Washington e trabalhou por anos no Banco Interamericano de Desenvolvimento. Foi amplamente apoiado pelo mercado financeiro graças a suas propostas de campanha.

 

O vigarista e atual presidente Juan Manuel Santos parabenizou Duque pela vitória postando em sua pagina no Twitter: "Já liguei para Ivan Duque para parabenizá-lo e desejar boa sorte. Ofereci a ele toda a colaboração do governo para fazer uma transição ordenada e tranquila". Duque recebeu felicitações dos presidentes do Chile, Paraguai e Panamá, todos alinhados aos interesses norte-americanos.

 

Arrebatou a confiança da oligarquia ultra reacionária prometendo intervir no acordo de paz feito com as FARCs, considerando o governo de Juan Manuel Santos muito benevolente com os ex-guerrilheiros

 

Ambos acontecimentos, a questão da OTAN e a eleição de Iván Duque fazem parte de um mesmo contexto, um cenário mais desolador se avizinha para o povo latino americano em contraponto a isso a luta contra essa nova onda conservadora-liberal tende a escalar.

 

 

André de Lucas

 

Notas

[1] https://www.novacultura.info/single-post/2018/05/14/Conjuntura-atual-da-America-Latina

[2] http://www.nuevamayoria.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5465&Itemid=30

 

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