"Levar a cabo a luta contra o Revisionismo Moderno"

15/06/2018

 

Nós devemos levar a cabo diariamente a luta contra o revisionismo, adotando as táticas da tomada do poder em toda a extensão territorial. Certas ideias revisionistas estão firmemente enraizadas dentro do Partido. Devemos levar a cabo a luta contra estas. Estamos discutindo alguns pontos aqui.

 

A questão que tomou importância hoje na luta contra o revisionismo é o apoio dado pela liderança soviética à classe dominante reacionária da Índia. Eles anunciaram que darão à Índia uma ajuda de 600 crores durante o Quarto Plano Quinquenal. A ideia de que a ajuda soviética está fortalecendo a independência da Índia é extremamente errada. Porque não existe nenhuma análise de classes por detrás disso. Devemos colocar diante do povo claramente nossas visões contra esse apoio. Se o apoio é dado ao governo da Índia que está seguindo o caminho da cooperação com o imperialismo e com o feudalismo, são as classes reacionárias que são fortalecidas. Então a ajuda soviética não fortalece o movimento democrático da Índia, mas eleva a força das forças reacionárias em cooperação com o imperialismo norte-americano e os soviéticos. É a cooperação ianque-soviética do revisionismo moderno que estamos observando na Índia – uma associação perversa contra as lutas de libertação do povo no futuro. Estamos vendo em nossa experiência na Índia que a dominação dos grandes monopolistas existe na grande produção das grandes indústrias que cresceram no setor público com o auxílio soviético. Então o Estado não será capaz de controlar a força das empresas monopolistas através de indústrias públicas, são as empresas monopolistas que estão controlando a produção das indústrias do setor público. A nossa experiência é a mesma nos casos do aço e do petróleo.

 

A questão que se torna importante para nós hoje é o nacionalismo burguês. Esse nacionalismo é extremamente estreito e é o nacionalismo estreito que hoje constitui a maior arma da classe dominante. Essa arma que estão usando não apernas no caso da China, mas também em qualquer outra questão como no Paquistão, etc. Ao usarem a palavra de ordem de unidade nacional e outras consignas, querem preservar a exploração do capital monopolista. Devemos lembrar que o senso de unidade da Índia cresceu como resultado do movimento anti-imperialista. Conforme o Governo indiano re­aliza seu compromisso com o imperialismo, esse senso de unidade está sendo atacado em suas raízes. Há apenas um objetivo na raiz da palavra de ordem de unidade dada pela atual classe dominante, e essa é a unidade pela exploração do capital monopolista. Então essa consigna da unidade é reacionária e marxistas devem se opor a ela. A palavra de ordem – “Kashmir é uma parte inalienável da Índia” – é colocada pela classe dominante no interesse da pilhagem. Nenhum marxista pode apoiar essa palavra de ordem. É um dever essencial dos marxistas aceitar o direito à autodeterminação para qualquer nacionalidade. Sobre a questão de Kashmir, Nagas, etc., os marxistas devem expressar seu apoio em favor dos combatentes. A consciência de uma nova unidade virá no curso da própria luta contra esse governo da Índia do imperialismo, feudalismo e dos grandes monopolistas, e é no interesse da revolução que será necessário manter a Índia unida. Essa unidade será uma firme unidade. É dessa consciência da nacionalidade que houveram lutas no Sul da Índia contra a imposição do hinduísmo e 60 pessoas perderam suas vidas nesse ano de 1965. Então se a importância dessa luta for menosprezada, a classe operária se isolará das lutas das grandes massas. É no interesse da classe operária que os esforços para o desenvolvimento dessas nacionalidades devem ser apoiados.

 

“Estabelecer a análise de classes no movimento camponês”. Na atual etapa da revolução, todo o campesinato é aliado da classe operária, e esse campesinato é a maior força da Revolução Democrática Popular da Índia e tendo isso em mente, devemos avançar no movimento camponês. Mas todos os camponeses não pertencem à mesma classe. Existem principalmente quatro classes entre os camponeses – camponeses ricos, médios, pobres e sem terra – e há a classe do artesão rural. Há diferenças em sua consciência revolucionária e capacidade de trabalhar de acordo com as condições. Então os marxistas devem sempre tentar estabelecer a direção dos camponeses pobres e sem terra sobre todo o movimento camponês. O erro que é frequentemente feito quando se analisa o campesinato é determiná-lo a partir dos títulos de propriedade da terra. Isso é um erro perigoso. Deve ser analisado a partir do seu nível de vida e rendimentos. O movimento camponês se tornará militante à medida em que estabelecermos a direção dos camponeses pobres e sem terra sobre todo o movimento camponês. Deve-se lembrar que qualquer que seja a tática de luta aceita a partir do apoio do amplo campesinato, não pode nunca ser feita no sentido de qualquer aventureirismo.

 

Deve-se lembrar que em todos esses anos, nos baseando no apoio do não-campesinato, nós buscávamos achar as limitações do movimento camponês, e quando a repressão chegava nós pensávamos que devia haver algum aventureirismo. Deve se lembrar que nenhuma movimentação de camponeses por reivindicações básicas seguirá um caminho pacífico. Para uma análise de classes da organização camponesa e estabelecer a direção dos camponeses pobres e sem terra, deve-se dizer em termos de classe ao campesinato que nenhum dos seus problemas fundamentais podem ser resolvidos com a ajuda de qualquer lei desse governo reacionário. Mas isso não significa que não devemos aproveitar nenhum movimento legal. O trabalho de associações camponesas abertas será principalmente para organizar os movimentos em obter benefícios legais e mudanças legais. Então, entre as massas camponesas a tarefa principal e mais urgente do Partido será formar grupos do Partido e explicar o programa da revolução agrária e as táticas da tomada do poder. Através desse programa, os camponeses pobres e sem terra serão estabelecidos na direção do movimento camponês.

 

Desde 1959, o governo vem lançando violentos ataques a todo movimento democrático da Índia. Não demos direção a qualquer movimento ativo de resistência contra esses violentos ataques. Fizemos a convocatória pela resistência passiva em frente a esses ataques, como o protesto de luto após o movimento por comida, entre tantos exemplos. Temos que nos lembrar dos ensinamentos do camarada Mao Tsé-tung: “a mera resistência passiva contra a repressão cria uma cisão na unidade combatente das massas e invariavelmente leva ao caminho da rendição”. Então, na era atual, em qualquer movimento de massas, o movimento de resistência ativa terá que ser organizado. O programa de resistência a­tiva se tornou uma necessidade absoluta para qualquer movimento de massas. Sem esse programa, organizar qualquer movimen­to de massas hoje significa jogar as massas no desânimo. Como resultado da resistência passiva de 1959, não foi possível organizar qualquer protesto de massas pela demanda por comida em Calcutá nos anos de 1960 e 1961. Essa organização da resistência ativa irá despertar uma nova confiança nas mentes das massas e a onda de luta irá crescer. O que queremos dizer com resistência ativa? Primeiro, a preservação dos quadros. Para tal preservação de quadros, refúgios adequados e sistema de comunicação são necessários. Em segundo lugar, ensinar ao povo comum as técnicas de resistência, co­mo deitar no chão diante dos tiros, ou pegar ajuda com alguma barreira forte, formar barricadas, etc. Em terceiro lugar, os esforços de revidar qualquer ataque com a ajuda de grupos de quadros ativos, que foi descrito pelo camarada Mao Tsé-tung como “retaliação equivalente”. Na etapa inicial, em proporção a seus ataques, devemos ser capazes de revidar apenas alguns poucos ataques. Mas se mesmo um sucesso modesto for obtido em um caso, a propaganda extensa criará um novo entusiasmo entre as massas. Essas lutas de resistência ativa são possíveis nas cidades e no campo, em todo o lugar. Essa verdade foi comprovada no movimento de resistência dos negros nos Estados Unidos.

 

Não há uma ideia clara no Partido sobre a organização clandestina. Uma organização secreta não cresce apenas se uns poucos dirigentes estiverem na clandestina. Pelo contrário, esses mesmos dirigentes correm o perigo de se isolar das fileiras do Partido. Se dirigentes do Partido se tornarem clandestinos e trabalharem como líderes de organizações de massas legais, invariavelmente acabarão presos. Então, a direção clan­destina terá que avançar com o trabalho de construir um Partido secreto. Então, não é um fato que a tarefa de forjar um Partido secreto é apenas dos dirigentes clandestinos; todo membro do Partido deve trabalhar pela organização clandestina e através desses novos quadros do Partido as ligações do Partido com as massas serão estabelecidas. Apenas assim os dirigentes clandestinos serão capazes de trabalhar enquanto dirigentes. Então, nessa etapa, o principal apelo diante do Partido é que todo membro do Partido terá que formar um grupo ativista do Partido. Esses grupos ativistas terão que ser incitados com política revolucionária. A tarefa de formar grupos ativistas deverá ser a principal tarefa para todos os membros do Partido em todas as frentes. Em quanto tempo poderemos elevar tais ativistas a membros do Partido irá depender de quantos novos ativistas serão capazes de recrutar. Apenas assim, podemos conseguir um número grande de quadros do Partido que a polícia desconhece e desaparecerão todas as dificuldades dos dirigentes clandestinos em manter ligações com as fileiras do partido. Algumas ideias revisionistas entre nós, sobre questões políticas e organizacionais e organizações de massas, etc., foram apontadas aqui. Hoje os membros do Partido terão que voltar a pensar sobre o todo do movimento de massas. Ao estilo de nosso movimento, em nossas ideias organizacionais, em outras palavras, em quase toda esfera de nossas vidas, o revisionismo construiu seu ninho. Enquanto não conseguirmos eliminá-lo pela raiz, o no­vo partido revolucionário não pode ser construído; as possibilidades revolucionárias da Índia serão prejudicadas. A história não nos perdoará.

 

Por Charu Mazumdar, um dos 8 documentos históricos

 

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