Stalin: "Pelo Partido!"

24/05/2018

 

Desperta novamente no país o interesse pela vida política, e com es­te despertar a crise do nosso Partido chega ao fim. O Partido está por superar o ponto morto, para sair do torpor. A recente Conferência Geral foi um indicio manifesto do renascimento do Partido. O Partido, re­forçado com o desenvolvimento da revolução russa e esmagado com a sua queda, devia inevitavelmente recuperar-se com o despertar político do país. A ascensão nos ramos principais da indústria e o aumento dos lucros dos capitalistas, paralelamente à queda do salário real dos operários; o livre desenvolvimento das organizações econômicas e políticas da burguesia, paralelamente à supressão violenta dos organismos legais e i­legais do proletariado; a alta dos preços dos gêneros  de primeira necessidade e o aumento dos lucros dos grande latifundiários, paralelamente à ruína da economia camponesa; a penúria que se estendeu a uma nova po­pulação de mais de 25 milhões de pessoas, demonstrando a importância do “renovado” regime contrarrevolucionário: tudo isto não podia deixar de repercutir nas camadas trabalhadoras, principalmente na proletária, despertando nestas o interesse pela vida política. A conferência do Par­tido Operário Social-Democrata da Rússia, realizada em janeiro deste ano, é uma das provas evidentes desse despertar.

 

Mas o despertar dos intelectuais e dos corações não pode esgotar-se em si próprio, nas atuais condições deve levar infalivelmente a uma ação aberta de massas.

 

É necessário melhorar o nível de vida dos operários, é preciso elevar seus salários, diminuir a jornada de trabalho, é preciso mudar radicalmente a situação dos operários nas oficinas, nas fábricas, nas minas. Po­rém, como fazer tudo isso, senão mediante ações econômicas parciais e gerais, ainda proibidas?

 

É preciso conquistar o direito de lutar livremente contra os patrões, o direito de greve, de associação, de reunião, de palavra, de imprensa, etc: sem isto, a luta dos operários para melhorar seu padrão de vida será dificultada extremamente. Contudo, como fazer tudo isso, senão mediante ações econômicas parciais e gerais, ainda proibidas?

 

É preciso curar o país, doente de fome crônica, é preciso por fim ao atual estado de coisas, no qual dezenas de milhões de trabalhadores da terra são obrigados a ver-se periodicamente golpeados pela penúria, com todos seus horrores; é insensato ficar-se olhando sem fazer nada os pais e as mães famintos que, com lágrimas nos olhos, “vendem por preço irrisório” seus filhos e suas filhas! É preciso destruir pela raiz a rapace política financeira atual, que arruína a pobre economia camponesa e, em cada ano mau, joga inevitavelmente milhões de camponeses nos braços da penúria devastadora! É preciso salvar o país da miséria e da desmoralização! Mas pode-se talvez fazê-lo sem derrubar de alto a baixo todo todo o edifício do czarismo? E como derrubar o governo czarista, com todas suas sobrevivências feudais, senão por meio de um amplo mo­vimento revolucionário popular, sob a direção, que a história reconhece, do proletariado socialista?

 

Mas a fim de que as ações iminentes não sejam dispersivas e desordenadas, a fim de que o proletariado possa executar com honra a alta função de coordenar e dirigir as futuras ações, para tudo isso, além da consciência revolucionaria das amplas camadas populares e da consciência de classe do proletariado, é também necessária à existência de um partido proletário forte a maleável, capaz de coordenar esforços dos isolados organismos locais em um único esforço comum e orientar assim o movimento revolucionário de massas contra as principais fortalezas dos inimigos. Tornar eficiente o partido do proletariado, o Partido Operário Social-Democrata da Rússia: eis o que é particularmente necessário para que o proletariado possa com dignidade ir ao encontro das próximas ações revolucionárias.

 

A premente necessidade da solidez do Partido torna-se mais e­vidente com a aproximação das eleições para a IV Duma do Estado. Porém como tornar eficiente o Partido?

 

É necessário primeiro que tudo reforçar seus organismos locais. Fracionados em pequenos e pequeníssimos grupos, por um mar de desespero e desconfiança na causa, privados de forças intelectuais e, muitas vezes, desagregados pelos provocadores: quem não conhece este quadro pouco edificante dos nossos organismos locais?

 

Deve-se e pode-se por um parceiro nesta dispersão das nossas forças! O incipiente despertar das massas operárias, por um lado, e a conferência realizada recentemente, que é a manifestação desse despertar, por outro, tornam bem mais fácil liquidar essa dispersão. Façamos, pois, tudo quanto estiver ao nosso alcance para liquidar a dispersão orgânica! Que em todas as cidades e em todas as localidades industriais se unam todos os operários social-democratas, sem distinções de fração; se unam todos aqueles que acreditam na necessidade da existência do Partido Operário Social-Democrata ilegal da Rússia, se agrupem todos os organismos locais do Partido! Que as máquinas, as quais reúnem os operários em um único exército de explorados, que essas mesmas máquinas os unam em um único partido, formado por aqueles que se batem contra a exploração e a violência! Não há, porém, necessidade de se cuidar unicamente do número dos membros: nas atuais condições de trabalho isso pode também resultar perigoso. Tudo está na qualidade dos camaradas; é importante que os companheiros unidos nos organismos locais tenham influência, sejam conscientes da importância da causa a que servem e desenvolvam firmemente seu trabalho segundo a linha da social-democracia revolucionária. E que esses organismos locais, formados dessa maneira, não se fechem sobre si mesmos, intervenham assiduamente em todas as questões referentes à luta do proletariado, das mais “pequenas” e comuns até as maiores e “incomuns”, não deixem escapar a sua influência nem sequer um dos conflitos entre o trabalho e o capital, nem sequer um protesto das massas operárias contra as crueldades do governo czarista: não se deve jamais esquecer que só por esse meio se poderá obter o reforço e a cura dos organismos locais. Eis porque, entre outras coisas, estes devem possuir os laços mais vitais com os organismos operários legais de massa, com os sindicatos e com os círculos, e cooperar de todas as maneiras para seu desenvolvimento.

 

E não se preocupem os operários com a dificuldade e a complexidade das tarefas que, dada a falta de forças intelectuais, recaem totalmente sobre eles; é preciso desembaraçar-se de uma vez por todas da modéstia inútil e do inútil temor diante de um trabalho “incomum”; é preciso ter a coragem de preparar-se para complexos trabalhos partidários! Não será um grande mal se se cometa alguns erros: tropeça-se uma vez ou duas, e depois se toma o hábito de caminhar com desembaraço. Os Bebel não caem do céu, eles crescem somente de baixo, no curso do trabalho partidário em todos os seus campos...

 

Mas os organismos partidários, embora fortes e influentes, afastaram-se uns dos outros, não constituem ainda o Partido. Para que constituam, é preciso uni-los, soldá-los em um todo único, que viva uma só vida comum. Organismos locais separados, não apenas não ligados uns aos outros, mas ignorando a existência recíproca, organismos entregues com­pletamente a si mesmos, que agem por sua conta e risco e muitas vezes aplicam no trabalho duas linhas opostas: tudo isso constitui o conhecido quadro do método artesão no Partido. Ligar intimamente entre si os organismos locais e estreitá-los em torno do Comitê Central do Partido: isto precisamente significa romper com métodos artesanais e abrir caminho para a organização de um partido proletário. Um Comitê Central influente, que crie raízes vivas nos organismos locais, que informe sistematicamente estes últimos e os ligue intimamente entre si, um Comitê Central que intervenha sistematicamente em todas as ações gerais do proletariado, um Comitê Central que disponha, para uma ampla agitação política, de um jornal ilegal editado na Rússia: eis em que a direção deve orientar-se a obra de renovação e de reagrupamento do Partido. 

 

Não é necessário dizer que o Comitê Central por si, só não está em condições de executar essa tarefa difícil; os camaradas dos organismos locais não devem esquecer-se de que sem seu apoio sistemático das diversas localidades, o Comitê Central se transformará inevitavelmente em algo inútil e o Partido em uma ficção. Portanto, trabalho harmônico do centro e dos organismos locais: eis a condição necessária para renovar o Partido, eis o convite que dirigimos aos camaradas.

 

Então, camaradas, pelo Partido, pelo ilegal e ressurgido Partido Operário Social-Democrata da Rússia!

 

Viva o Partido Operário Social-Democrata Unido da Rússia!

 

 

O Comitê Central do P.O.S.D.R

Publicado em manifesto, em março de 1912

 

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