"Mulheres na Guerra Popular: passado, presente e futuro"

10/05/2018

 

Após o apelo à ação da Campanha Anuradha Ghandy em apoio ao feminismo proletário, estamos publicando um pequeno discurso escrito por um apoiador do RAH e pronunciado no evento do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, organizado pela Frente Militante Stonewall em Austin este ano. O feminismo proletário nasceu na luta de classes, na Guerra Popular, e em nosso movimento moderno devemos honrar nossas mártires e teóricas como a camarada Anuradha Ghandy e levar adiante essa luta. Dez anos após a sua morte, a memória e o espírito da camarada Anuradha Ghandy continuam vivos, na Guerra Popular na Índia e na luta comunista internacional. É este espírito que nos impulsiona agora para construir um movimento de mulheres militantes, que pode esmagar o inimigo de classe bem na barriga da besta imperialista.

 

Viva a luta das mulheres proletárias pela sua libertação!

 

Honra a camarada Anuradha Ghandy!

 

Avante no desenvolvimento de um movimento feminista proletário em todo o mundo!

 

A opressão das mulheres existe há tanto tempo em nosso mundo, e é tão difundida e generalizada em nossa sociedade, que parece quase natural, invencível, algo que só podemos melhorar ou administrar, mas nunca eliminar completamente. Os próprios capitalistas, quando reconhecem a opressão das mulheres, dizem-nos que é natural ou que devemos procurar apenas melhorar a representação das mulheres dentro da classe dominante e os seus bajuladores dentro do Estado. Ambos servem ao mesmo propósito: preservar a opressão das mulheres, continuar sua subjugação e domesticação e liquidar a revolução. Os capitalistas não podem acabar com a opressão das mulheres, e eles não a buscam porque são os únicos que se beneficiam dela. Mas isso não significa que esta não possa ser abolida em sua totalidade. A opressão das mulheres nasceu no alvorecer da sociedade de classes, quando surgiram as primeiras classes dominantes. No próprio estabelecimento da propriedade privada, as mulheres tornaram-se súditas, escravas domésticas ligadas ao lar e à reprodução, vinculadas ao trabalho penoso mais humilhante, à medida que os homens estabeleciam o controle sobre a produção e a propriedade. As mulheres tem sido oprimidas desde o momento em que a opressão nasceu neste mundo, e não podem ser verdadeiramente libertas até que a propriedade privada e a sociedade de classes definhem e sejam demolidas e, até que toda a humanidade alcance dignidade e liberdade sob o comunismo.

 

Embora isso pareça distante e inalcançável, sabemos que podemos alcançar isso e que, de fato, é a progressão natural da luta de classes. Para concretizar este mundo, devemos construir a revolução e entender que ela é a luta violenta entre as classes e nunca sucumbir a qualquer ilusão de que possa haver qualquer tipo de revolução pacífica. Na construção da revolução, o papel das mulheres deve ser entendido como essencial para o seu sucesso, como estratégico e não tático. Como disse o camarada Lênin, “a experiência de todos os movimentos de libertação mostrou que o sucesso de uma revolução depende do quanto as mulheres participam nela”. O Marxismo-Leninismo-Maoísmo nos ensina, sintetizando as lições de um século de luta de classes que a Guerra Popular Prolongada é a nossa estratégia universal para a tomada do poder do Estado. Para explicar melhor o papel das mulheres na guerra e no exército populares, abordarei brevemente esses conceitos.

 

O exército popular é um exército de um novo tipo. É totalmente diferente das forças militares burguesas a que associamos a palavra "exército". É, em suma, um exército político com uma face militar, que é sempre liderado pelo Partido e sua ideologia orientadora, nunca deixando a arma assumir o comando de suas decisões. Embora tenha oficiais e soldados, seus relacionamentos não são como os das forças burguesas. Os soldados podem criticar seus oficiais e os oficiais não recebem medalhas, nem privilégios especiais. O modo como envolve o inimigo também é completamente diferente: suas ações são ataques políticos sob a forma militar. Ele confia no inimigo como seu intendente, roubando armas e munição deste, e cativos são tratados de forma justa e toda tentativa é feita para conquistá-los para a revolução. Na guerra popular, a guerra é também de guerrilha e não de natureza convencional. Mas a maior diferença entre o exército popular e um exército burguês está no relacionamento com o povo. Um exército popular não é aquele que tira do povo, não é aquele que depende parasitariamente da sociedade em que opera. Um exército popular procura ser como peixe entre o oceano das massas, procurando unir-se a elas plenamente, suprindo suas necessidades e produzindo seus próprios suprimentos, pagando de maneira justa o que precisam do povo. O soldado popular é um verdadeiro servo do povo. Para ser absolutamente claro: o exército popular e seus soldados realizam a maioria do trabalho de massas durante a guerra popular. Eles produzem infraestrutura e agricultura para as pessoas dentro das áreas de base e as defendem das forças do Estado.

 

O papel das mulheres na guerra popular e no exército popular é de importância estratégica. A guerra popular provoca a transformação das mulheres e as mulheres trazem a transformação para o exército do povo. Elas não apenas dobram a quantidade de combatentes em potencial, como também melhoram a qualidade do trabalho do exército popular e, por sua vez, melhoram o desempenho dos outros soldados. As mulheres, de fato, participaram ativamente de todas as tentativas de revolução socialista, desde os primeiros golpes da Comuna de Paris até a vitória da Revolução de Outubro, as longas guerras da Revolução Chinesa e a guerra de todos os povos desde então. Entre qualquer segmento das massas, as mulheres são as mais oprimidas, e essa opressão se transforma em fúria na guerra popular, que é desencadeada sobre os burgueses e seus cães de corrida. No Peru, o PCP prestou especial atenção à condição das mulheres, que representariam quase metade do exército do povo e, eventualmente, 60% do Comitê Central – a maior quantidade de mulheres a ser representada no Comitê Central de qualquer partido comunista. Elas se tornaram soldadas e, na verdade, comandantes e oficiais, e aterrorizaram as forças burguesas, que fizeram muitas observações de que eram combatentes mais furiosas do que seus colegas homens. A influência de tais mulheres dentro do exército e do Partido não pode ser subestimada. Porque as mulheres entendem plenamente que as forças da reação apenas as trarão de volta à submissão, que a sua liberdade reside apenas no fim do caminho do socialismo para o comunismo, elas lutam ainda mais ferozmente, tanto pela revolução socialista, quanto para salvaguardar seus ganhos contra o revisionismo capitalista.

 

No Nepal, uma grande quantidade de mulheres se juntou ao exército popular, e todas representaram um ganho incomparável, tanto como soldadas, quanto como tiveram um grande papel em transformar sua natureza [1] em um verdadeiro exército popular. Em seus documentos, eles observam que as mulheres desempenharam um papel importante ao dar ao exército seu caráter de massa, assegurando que ele não fosse apenas ativo na luta, mas também na organização das massas e no engajamento no trabalho produtivo. As mulheres podiam se inserir mais facilmente entre as massas, integrando-se melhor nas famílias que residem nas áreas em que o exército popular estava. Eles tiraram a imagem masculina do exército, mostrando ao povo que era verdadeiramente uma força igualitária e tornando-o mais acessível.

 

No teatro de luta em si, as mulheres não eram menos valiosas. Elas são as mais tenazes combatentes, as mais ansiosas para a ofensiva e as mais resistentes à tortura. Descobriu-se que quando os homens deitavam as armas e desistiam, as mulheres continuavam a lutar. Elas eram menos propensas a deixarem uma vitória subir-lhes a cabeça e se esquivavam das derrotas, sendo mais pacientes e mantendo a compostura. Apesar de enfrentar o pensamento conservador entre alguns homens no partido e no exército, elas provaram que não eram menos capazes fisicamente do que seus colegas do sexo masculino, e como no Peru, elas eram uma força decisiva nos sucessos da guerra de seu povo.

 

As mulheres não só beneficiavam o exército popular, como também eram atraídas em grande número por outras organizações. No Nepal, uma pesquisa interna de mulheres no movimento descobriu que entre o Exército, o Partido e a Frente Única, as mulheres procuravam estar massivamente dentro do exército (cerca de 40% identificando-o como o campo ao qual mais se interessavam). No Peru, também podemos ver que as mulheres se juntaram ao exército popular em grande número e através do movimento popular, e há também um grande número de mulheres dentro do New Peoples Army nas Filipinas neste exato momento. Por que as mulheres são tão atraídas pela guerra popular e pelos exércitos populares? Há muitos aspectos da guerra popular que atraem as mulheres. É a natureza produtiva e compassiva do povo, é a natureza igualitária que permite às mulheres a chance de avançar, e a oportunidade de transformar sua fúria justa em seu inimigo de classe são alguns exemplos. A própria área de base, a capacidade de começar a nutrir os frutos da revolução e construir um mundo mais justo e livre, onde elas mesmas possam experimentar o início de sua libertação, é um grande apelo para as mulheres que lutam pela revolução. De maior apelo, no entanto, é o efeito que o exército popular e a guerra popular tem sobre as mulheres dentro e fora disso.

 

Violência e luta são as únicas maneiras pelas quais a mudança ocorre neste mundo. Isso é verdade para tudo, da física à sociedade. A guerra tem um efeito imediato sobre os participantes, e a natureza do exército do povo e da guerra popular transforma esses efeitos em transformações positivas. As mulheres são mudadas pela guerra popular tanto em essência quanto em forma. Onde elas não tinham confiança, onde elas foram feitas para obedecer e para se concentrarem em sua aparência e em seu desenvolvimento físico e ideológico, elas agora são liderança, são treinadas para serem soldadas eretas e armadas, capazes de lutar por longos períodos de tempo ou em rápida sucessão. Elas recebem uma educação política e o mesmo lugar para discutir com os homens ao seu redor, tanto em questões de luta de classes quanto de gênero. Onde antes seus espíritos foram anulados e calados, agora elas são rebeldes, furiosas e armadas. Há muito tempo as mulheres suportaram silenciosamente a violência privada e pública dos homens, e foram tornadas impotentes contra essa predação e humilhação pelas forças do Estado burguês. Durante a guerra popular, os mulherengos, abusadores e estupradores temem as mulheres maoístas, e aqueles que cometem atos de violência contra as mulheres são rapidamente punidos pelos tribunais populares. Especialmente no Nepal, notou-se que as mulheres que foram oprimidas pelo sistema feudal se transformaram total e completamente. Anteriormente, as mulheres trabalhavam da madrugada até o anoitecer em terras a que não tinham direito, as quais eram de propriedade exclusiva de seus maridos e só seriam passadas para seus filhos; nem lhes era permitido casar de novo após a morte de seus maridos. Após o início da guerra popular, essas mesmas mulheres aprenderam a plantar bombas-relógio, a ouvir a inteligência do inimigo e planejar ataques complicados contra forças reacionárias. Mulheres que antes eram analfabetas e confinadas à casa agora discutem questões complicadas de filosofia. Antes de enfrentarem o infindável trabalho penoso da vida feudal, a única saída era a vida urbana, que só oferecia o tráfico para a prostituição ou a escravização em fábricas clandestinas. Prostitutas que antes conheciam apenas as mais graves indignidades, a mais profunda humilhação e a mais grotesca violência foram libertadas e tornaram-se lutadoras dignas e poderosas, capazes de atacar o próprio Estado que as forçou a tal destituição e a obter uma morte digna a serviço do povo, que elas sejam celebradas tanto por seus camaradas quanto pelo povo. A guerra popular oferecia liberdade, uma nova e estimulante avenida para as mulheres jovens se desafiarem ao lado dos homens em igualdade de condições, para se mostrarem física e mentalmente. As mulheres tiveram, pela primeira vez, a oportunidade para uma vida digna e uma morte digna no serviço ao povo e, de fato, para toda a revolução mundial.

 

Essa mudança, no entanto, variou muito além das mulheres diretamente envolvidas na guerra popular. Esta teve um impacto dramático sobre as mulheres dentro das áreas de base também. Uma área de base é, em suma, uma área em que o Partido assumiu o controle total e do qual tenta construir o embrião de um novo Estado socialista. Essas condições dentro das áreas de base criam um terreno fértil para as mulheres se afirmarem e agirem de maneira que a opressão capitalista e feudal nunca permitem. No Nepal, descobriu-se que as mulheres começaram a arar campos agrícolas que não eram religiosamente permitidos e telhados que não eram culturalmente permitidos. Quando seus maridos eram mortos pela polícia, elas evitavam cerimônias tradicionais de viuvez e, em vez disso, imprimiam em jornais resoluções para vingar seus maridos na luta revolucionária. A vergonha e o estigma em torno do novo casamento após a viuvez também foram erodidos, e as mulheres começaram a se casar pela primeira vez com base no amor e no compromisso ideológico, e também divorciaram-se de homens que eram considerados traidores e inimigos da revolução. As mulheres não estavam mais tendo filhos sem planejar e, de fato, limitavam o número de filhos que tinham para poderem continuar suas atividades revolucionárias. Onde antes elas não tinham opções contra a poligamia, eram traídas pelos maridos e sofriam violência sexual, elas agora podiam encontrar dignidade através dos tribunais populares, e começaram a denunciar seus agressores. Antes as vítimas de estupro eram estigmatizadas, mas ao passo que os órgãos do novo poder popular se engajavam em campanhas de luta organizada contra o estupro, essa vergonha deu lugar a um profundo ódio de classe e a um ardente desejo de rebelião. As mulheres puderam assumir um papel ativo na formação do novo Estado, tanto em infraestrutura quanto em política, e a ausência de homens levou as mulheres a serem mais cooperativas e, ao lado da liderança do Partido, se engajaram em muitas obras coletivas, a exemplo da agricultura coletiva que melhorou a vida das pessoas e trouxe muitas famílias, incluindo aquelas cujos líderes masculinos eram reacionários, para o lado da revolução. Nas áreas de base, as mulheres começaram finalmente a compreender a dignidade.

 

Fora das áreas de base no Nepal, a guerra popular mudou radicalmente a vida das mulheres e sua forma de organização. Antes da guerra popular, o movimento feminista reformista não conseguiu fazer nada. Após o início da guerra popular, as organizações feministas começaram a abandonar a luta por reformas e começaram a agir, e da mesma forma as reacionárias ONGs e seus ativistas dissimulados foram expostos. As organizações feministas não mais discutiam a representação das mulheres no parlamento ou entre os burgueses. A origem fraudulenta de tais lutas foi exposta como contrarrevolucionária, e em vez disso foram organizadas manifestações violentas contra concursos de beleza e organizações se uniram para protestar contra a tortura e o assassinato de mulheres revolucionárias. Nas áreas urbanas, onde a guerra popular ainda não havia chegado, as mulheres começaram a se tornar mais conscientes e o movimento das mulheres começou a ver a classe como o elo fundamental para sua opressão. O mesmo ocorreu com o fracasso da reforma e da caridade no Peru, quando ativistas de ONGs foram expostos como delatores que vendiam revolucionários ao Estado, e como reformistas pediam o fim da luta armada em favor da participação nas eleições, mesmo quando o Estado se engajou em campanhas horríveis de violência e abate contra o povo. Tal reformismo é a traição da luta das mulheres, da luta pela libertação verdadeira e final. Ele liquida a fúria das mulheres naquela mansidão domesticada que a burguesia procura em todos os seus súditos, mas especialmente entre as mulheres. Uma bala revestida de açúcar ainda é uma bala e, diante da guerra popular, é óbvio para as massas e especialmente para as mulheres que tal capitulação as levará de volta aos grilhões.

 

Infelizmente, o próprio Partido Comunista do Nepal capitulou à ideologia capitalista emergindo dentro do movimento o que chamamos de revisionismo, e liquidou a guerra popular para se engajar na luta parlamentar. Quando o Partido entregou as armas, a condição das mulheres piorou imediatamente. Em sua própria propaganda, eles admitiram que as mulheres se envolveram menos no partido, que a luta das mulheres retrocedeu, e esses falsos “maoístas” começaram a falar da representação dentro do parlamento e da reforma contra a qual haviam se insurgido alguns anos antes. Quando o exército popular foi tirado das mulheres, elas perderam tudo pelo que lutaram e morreram. Nesta derrota, encontramos lições cruéis: em primeiro lugar, devemos nos precaver contra o revisionismo dentro de nosso movimento. O revisionismo transforma a nossa luta no seu oposto, transforma o partido do proletariado em partido do burguês, e o exército popular em cão de guarda dos capitalistas, a luta deve ser pela revolução não só pela reforma. A outra lição que podemos tirar disso e de outras falhas e derrotas é que as mulheres só podem ser emancipadas através da luta armada. Verdadeiramente, sem o exército popular, as pessoas (e especialmente as mulheres) não tem nada.

 

Em nosso atual movimento, devemos começar a construir essa luta aqui e agora. Não podemos ser enganadas por aqueles que nos dizem que o caminho para a nossa liberdade como mulheres está nas reformas, na representação, na cura comunitária. O único caminho para as mulheres é a violência revolucionária. Toda a nossa vida como mulheres fomos e somos intimidadas, domesticadas, amansadas e obrigadas a sermos recatadas. Nossos corpos não são nossos, e quaisquer preocupações de saúde física ou mental são secundadas pelo apelo estético e sexual, particularmente para os homens. Somos agredidas por amigos, por amantes, pela família e por estranhos, e nunca nos são verdadeiramente permitidos os meios para nos defender e atacar os que nos atacam. Nossos corpos são vistos como coisas a serem consumidas, usadas pelos outros, para serem compradas e vendidas em propagandas. A nós é negado o acesso a grande parte da força de trabalho, e as áreas em que esperamos existir são desvalorizadas. Quando compartilhamos espaços de trabalho com homens, somos desvalorizadas e pagas com salários menores do que os deles, e muitas vezes somos assediadas sexualmente e agredidas por nossos chefes e colegas de trabalho. As mulheres dos países oprimidos, negras e LGBTs enfrentam uma opressão tripla, sujeitas a mais violência e indignidades, empurradas para a prostituição e para fora da força de trabalho. Somos massacradas nas ruas, em nossas casas e até mesmo em nossas famílias. Quantas mulheres negras devem desaparecer, quantas lésbicas devem ser encontradas massacradas em suas casas, quantas meninas devem ser atacadas antes de descartarmos as mentiras vulgares do reformismo? Apesar dos supostos sucessos do feminismo burguês, ainda estamos em grande parte confinados à esfera doméstica, ainda carecemos de dignidade e autonomia. Nosso presidente é um estuprador. Nada que esses falsos "resistentes" e #bossbabes nos oferecem pode nos tirar dessa indignidade. Mas há um caminho a seguir para as mulheres. Reivindicar a violência revolucionária pode nos dar a nossa dignidade, a guerra popular pode nos dar uma direção correta para que nossa violência destrua esse mundo corrupto e bastardo e crie um novo. O socialismo em direção ao comunismo é o único caminho de liberdade para nós. A participação das mulheres na revolução é uma condição para o seu sucesso, e a condição para a emancipação das mulheres é a nossa participação na revolução, na guerra popular.

 

Há mais para recorrer do que exemplos históricos, ainda mais recentes do que a guerra popular no Nepal, que continuou no início dos anos 2000. Nas Filipinas, hoje, as mulheres compõem uma grande parte do New Peoples Army e também tem lugar dentro do Partido. As mulheres são celebradas dentro do NPA, e simplesmente checando o twitter ou facebook você pode ver mulheres sorridentes em trajes de batalha, mulheres determinadas treinando com AKs e ARs roubados, e vídeos de mulheres realizando discussões filosóficas e políticas. Um tweet recente ilustra muito claramente a visão das mulheres no NPA: “As mulheres que escolheram o caminho revolucionário - as novas mulheres - já se emanciparam. Elas não estão mais comprometidas com qualquer autoridade repressiva e, de fato, ganharam a liberdade de esmagá-las”. O texto está acompanhado por uma foto de uma mulher da NPA com uma AK em pé ao lado de um homem com uma RA. A partir de IWWD, ele foi twitado há apenas 6 dias atrás. Mas nem precisamos procurar tanto! Dentro do próprio nascimento de nosso movimento podemos ver essa luta começar a tomar forma. Na cidade do Kansas, o Comitê Feminista Proletário organizou, por cerca de um ano, aulas de autodefesa para todos, mas especificamente voltadas para as mulheres. As próprias organizadoras disseram que as mulheres levam isso mais a sério do que os homens e lutam com eles de forma mais cruel e treinam com mais regularidade. Em Los Angeles, hoje, no mesmo dia em que faço esta apresentação, a Red Guards Los Angeles anunciou a formação de suas próprias “Unidades de Defesa de Guerrilha Feminina” em uma declaração absolutamente inspiradora. Para citá-los bem diretamente:

 

“Com a participação dos Ovarian Psyco-Cycles, estaremos começando a Unidade de Defesa de Guerrilha Feminina Proletária de Boyle Heights, aberta a todos os gêneros, mas com um enfoque principal nas mulheres de nacionalidade oprimida do proletariado.

 

A unidade será uma parte de treinamento de autodefesa interna para mulheres, uma parte de treinamento de autodefesa externa (pública) para mulheres, uma parte de desenvolvimento político - todas unidas principalmente sob a filosofia de que somente através da vingança revolucionária / violência é possível para o proletariado, as mulheres e seus aliados serem transformados e emancipados do capitalismo, do patriarcado e do imperialismo.

 

O patriarcado não pode ser simplesmente desaprendido. Devemos literalmente nos armar e entrar em guerra contra o capitalismo dos EUA”.

 

Em nossa própria localidade, a Frente Militante de Stonewall reafirmou seu compromisso de levar a cabo uma violência revolucionária contra as forças do patriarcado capitalista. Mais concretamente, nossas camaradas aqui na Frente Revolucionária Estudantil - ATX iniciaram uma campanha absolutamente implacável contra um repulsivo agressor doméstico na faculdade, Morrisette. Elas trouxeram um grande escrutínio e atenção ao histórico de casos de violência doméstica e inspiraram as massas a realizar múltiplos grafites contra este agressor em particular e contra a UT por acobertá-lo. A liderança feminista proletária pediu pela violência revolucionária contra todos os agressores, e contra Morrissette em particular, expressando, em um inflamado discurso feito no campus da universidade, seu desejo de ver sua garganta esmagada pelo movimento de mulheres militantes. Estes são os nossos primeiros passos no caminho para o feminismo proletário, um feminismo que traz violência às forças do patriarcado capitalista, aos agressores e aos capitalistas que são, em última análise, responsáveis ​​por eles e que se beneficiam da subjugação das mulheres. Não devemos ser vacilantes quanto a esse assunto: precisamos começar a construir a guerra popular em tudo que fazemos. Para o feminismo proletário, as mulheres não merecem nada menos, nossa classe não merece nada menos que a derrubada violenta dos capitalistas, do patriarcado e da opressão nacional. Essas forças nos oprimem e nos exploram para o benefício de uns poucos, nos colocam um contra o outro como cães espancados para brigarmos entre nós e aceitarmos os patéticos pedaços de reforma que eles, com muita frequência, condescendem em nos lançar. Mas a fúria das mulheres, das mulheres da classe trabalhadora, é ilimitada. Nossa opressão nasceu no alvorecer da sociedade de classes e morrerá no nascimento do comunismo, com as mãos firmes ao redor de sua garganta. As mulheres não levantam nada menos do que a metade do céu, e devemos trazer toda a força contra os capitalistas em uma revolução violenta.

 

Vida longa à revolução!

 

Viva o feminismo proletário!

 

Texto escrito por Houston Revolutionary Association – A Marxist-Leninist-Maoist Collective, Houston, 12 de abril de 2018

 

Traduzido por F. Fernandes

 

 

Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

 

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