“Girón, Saigon e Damasco”

03/05/2018

 

Desde tempos imemoriais, a conquista e colonização de um povo implica a ocupação militar do território em que está estabelecido. Se esta ocupação não é dada pelo caminho das armas, não se pode dizer de conquista. Então entre conquista e ocupação há uma sinonímia completa.

 

Do ponto de vista do conquistador, o local, os bombardeios e os bloqueios encontram sua razão de ser se a ocupação militar for consumada. É o caso, por exemplo, do Afeganistão e do Iraque, ocupado por tropas dos Estados Unidos e de outros países imperialistas.


Na Líbia e na Síria, o esquema clássico foi repetido de certa forma. A diferença era que o exército invasor não veio formalmente dos países imperialistas. Eles eram soldados mercenários de diversas origens a serviço do imperialismo dos EUA e de seus aliados.

 

No caso líbio, o exército invasor mercenário conseguiu ocupar a terra, derrubar o governo nativo e impor um regime colonial. Mas na Síria a experiência não se repetiu. A tenaz resistência do presidente Bashar al-Assad e a assistência diplomática e militar russa, mesmo com tropas no terreno, impediram a queda do governo e uma nova colonização da Síria.

 

Essa resistência e a assistência diplomática e militar russa foram fatores determinantes na derrota do exército invasor. Derrotados e fugindo quase em desordem, as tropas mercenárias não conseguiram concluir com sucesso a ocupação militar iniciada vários anos antes.

 

Fracassada a reconquista e recolonização da Síria por meio de um exército mercenário, alcançar esses objetivos envolveria a participação direta dos Estados Unidos e seus aliados. Mas parece que não há condições mínimas para tal plano. E não apenas não existem condições para uma culminação bem-sucedida, mas também para tentar. E menos agora que a presença e a ajuda russas apóiam a estabilidade do governo de Al-Assad.

 

É a primeira grande derrota do imperialismo ianque desde a Guerra do Vietnã, consumada em abril de 1975, agora há 43 anos. E o segundo, se considerarmos a vitória cubana sobre o exército mercenário invasor a serviço dos Estados Unidos em Playa Girón, também em abril, mas em 1961, 57 anos atrás.


A vitória de Playa Giron e a libertação de Saigon mudaram o curso da história. E o mesmo pode ser dito de certa forma do triunfo sírio sobre os invasores mercenários a serviço dos Estados Unidos.

 

Porque a reconquista e a recolonização da Síria teriam dado asas ao propósito dos ianques, entre outros, de reconquistar e recolonizar o Irã, um objetivo que agora parece mais distante e complicado.

A vitória da Síria sobre os EUA não significa, porém, que eles vão cessar os ataques, os fins de novas invasões, as tentativas de desestabilização, financiamento e formação de oposição interna, o trabalho de estrangulamento econômico, a demonização de Al-Assad e seu governo.

 

Mas essa vitória reverteu favoravelmente ao anticolonialismo, a correlação de forças entre o centro e a periferia. E se a vitória na Síria é em si uma fonte de otimismo e alegria, mais ainda é a nova correlação de forças anunciada após esses eventos históricos em outro mês histórico de abril.


por Miguel Ángel Ferrer, economista mexicano e professor de economia política.

 

 

Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

 

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