Mao: "Opor-se à discriminação racial do imperialismo estadunidense"

11/05/2018

 

Um líder negro estadunidense que agora se refugia em Cuba, o Sr. Robert Williams, ex-Presidente do Monroe, Carolina do Norte, Seção da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, solicitou duas vezes este ano uma declaração em apoio à luta dos negros estadunidenses contra a discriminação racial. Desejo aproveitar esta oportunidade, em nome do povo chinês, para expressar nosso firme apoio aos negros dos Estados Unidos em sua luta contra a discriminação racial e pela liberdade e igualdade de direitos.

 

Há mais de 19 milhões de negros nos Estados Unidos, ou cerca de 11 por cento da população total. Sua posição na sociedade é de escravidão, opressão e discriminação. A esmagadora maioria dos negros é privada do seu direito de voto. No geral, são apenas os trabalhos mais exaustivos e desprezados que estão abertos a eles. Seus salários médios são apenas de um terço a metade em relação aos dos brancos. O índice de desemprego entre eles é o mais elevado. Em muitos estados, eles não podem ir à mesma escola, comer na mesma mesa ou viajar na mesma seção de um ônibus ou trem com os brancos. Os negros são frequentemente e arbitrariamente presos, espancados e assassinados por autoridades dos EUA em vários níveis, por membros da Ku Klux Klan e por outros racistas. Cerca de metade dos negros estadunidenses está concentrada em onze estados no sul dos Estados Unidos. Lá, a discriminação e o processo que eles sofrem são especialmente surpreendentes.

 

Os negros estão despertando e sua resistência está cada vez mais forte. Nos últimos anos, a luta de massas dos negros norte-americanos contra a discriminação racial e pela liberdade e igualdade de direitos tem se desenvolvido constantemente.

 

Em 1957, o povo negro em Little Rock, Arkansas, travou uma luta feroz contra o barramento de seus filhos das escolas públicas. As autoridades usaram a força armada contra eles, e daí resultou o incidente de Little Rock que chocou o mundo.

 

Em 1960, negros em mais de vinte estados realizavam manifestações em protesto contra a segregação racial em restaurantes, lojas e outros locais públicos.

 

Em 1961, os negros lançaram uma campanha chamada “cavaleiros da liberdade” para se opor à segregação racial nos transportes, uma campanha que rapidamente se estendeu a diversos estados.

 

Em 1962, o povo negro de Mississippi lutou pelo direito igual de se matricularem em faculdades e foram recebidos pelas autoridades com repressão que culminou em um banho de sangue.

 

Este ano, a luta dos negros estadunidenses começou no início de abril em Birmingham, Alabama. As massas negras desarmadas e de mãos vazias foram submetidas a prisões massivas e à repressão mais bárbara, simplesmente porque realizavam reuniões e desfiles contra a discriminação racial. Em 12 de junho, chegou-se a um extremo com o assassinato cruel de Medgar Evers, um líder do povo negro no Mississippi. As massas do povo negro, despertadas pela indignação e destemidas pela violência implacável, continuaram suas lutas de maneira ainda mais corajosa e, rapidamente, conquistaram o apoio do resto dos negros e de todos os estratos do povo em todo os Estados Unidos. Uma luta nacional gigantesca e vigorosa está acontecendo em quase todos os estados e cidades dos Estados Unidos, e a luta continua crescendo. Organizações do povo negro norte-americano decidiram iniciar uma “marcha da liberdade” em Washington a 28 de agosto, da qual participam 250 mil pessoas.

 

O rápido desenvolvimento da luta dos negros estadunidenses é uma manifestação do constante aumento da luta de classes e da luta nacional dentro dos Estados Unidos; tem causado ansiedade cada vez mais grave à camarilha do governo dos EUA. O governo Kennedy recorreu a táticas astutas de duas faces. Por um lado, continua conivente e a tomar parte na discriminação e perseguição aos negros; até envia tropas para reprimi-las. Por outro lado, está desfilando como defensor da “defesa dos direitos humanos” e da “proteção dos direitos civis dos negros”, está convocando o povo negro a exercer “contenção”, e está propondo ao Congresso a chamada “legislação dos direitos civis” em uma tentativa de entorpecer a vontade de lutar do povo negro e assim enganar as massas em todo o país. No entanto, essas táticas do governo Kennedy estão sendo reveladas cada vez mais para o povo. As atrocidades fascistas cometidas pelos imperialistas norte-americanos contra o povo negro escancararam a verdadeira natureza da chamada democracia e liberdade nos Estados Unidos e revelaram também a ligação interna entre as políticas reacionárias aplicadas pelo governo em seu país e suas políticas agressivas no exterior.

 

Faço um chamado aos operários, camponeses, intelectuais revolucionários, elementos esclarecidos da burguesia, e outros personagens também esclarecidos de todas as cores de pele do mundo, branco, preto, amarelo, marrom, etc., a se unirem para se opor à discriminação racial praticada pelo imperialismo estadunidense e apoiar os negros norte-americanos em sua luta contra a discriminação racial. Em última análise, uma luta nacional é uma questão de luta de classes. Nos Estados Unidos, é apenas a camarilha dirigente reacionária composta por brancos que oprime o povo negro. Eles não representam de maneira alguma os operários, agricultores, intelectuais revolucionários e outros setores esclarecidos que compõem a esmagadora maioria dos brancos. No momento, são os imperialistas, encabeçados pelos Estados Unidos, e seus partidários, os reacionários de diferentes países, que estão realizando a opressão, agressão e intimidação contra a esmagadora maioria das nações e povos do mundo. Eles são a minoria e nós somos a maioria. No máximo, eles representam menos de 10 por cento dos 3 bilhões de pessoas do mundo. Estou profundamente convencido de que, com o apoio de mais de 90 por cento dos povos do mundo, a luta justa dos negros estadunidenses certamente será vitoriosa. O sistema maligno do colonialismo e do imperialismo cresceu junto com a escravização dos negros e o comércio destes; certamente chegará ao fim com a completa emancipação do povo negro.

 

8 de agosto de 1963

 

Escrito por Mao Tsé-tung

 

Publicado originalmente no Peking Review No. 33, 1963.

 

Traduzido por I.G.D.

 

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