Fascismo rural e o banho de sangue de 2017

20/04/2018

 

A grilagem ampliada promovida por senhores de terras e grandes empresas transnacionais sobre terras pátrias, associada ao Golpe de Estado de 2016, foi a base sobre a qual se deram as condições para a condução de massacres contra camponeses e minorias nacionais no ano de 2017. Evidentemente, poderíamos também falar sobre o papel do reformismo nesse banho de sangue – sobre como a desmobilização favoreceu em última instância a atuação da pistolagem e dos paramilitares –, embora não seja nosso objetivo aqui.

 

Recentemente, a Comissão Pastoral da Terra divulgou lamentável notícia sobre o contexto da violência reacionária no campo – tão grave que acabou por figurar até mesmo em portais e jornalões da reação – com o seguinte título: “Assassinatos no campo batem novo recorde e atingem maior número desde 2003”. Já há algum tempo a página NOVACULTURA.info vinha acompanhando as denúncias feitas por organizações democráticas do campo e denunciando as arbitrariedades do baronato rural e seus braços armados oficiais e extraoficiais. Publicamos inclusive o artigo “Massacres contra os povos do campo em 2014-2017” como forma de fundamentar melhor tal contexto geral. [1] Mas a notícia da CPT vem acompanhada com um agravante: foram 70 lideranças e militantes do movimento camponês e das minorias nacionais executadas no ano de 2017, das quais 48 em massacres. Em razão da precariedade das denúncias, foram excluídos as dezenas de assassinados entre as populações tribais do Amazonas na ocasião do Massacre do Javari, o que faria o número de mortos em conflitos agrários disparar para mais de 90, superando inclusive o banho de sangue ocorrido no ano de 2003, quando 73 lideranças e militantes dos movimentos populares rurais foram executadas. Na notícia em questão, porém, a própria CPT reconhece que tais dados são claramente subnotificados, pois baseiam-se exclusivamente em investigações apoiadas em denúncias feitas ao movimento democrático, que estão muito longe de abranger a vastidão continental do Brasil rural e camponês onde militantes populares morrem como moscas, dilacerados pelos feudais.

 

A tendência do prosseguimento das arbitrariedades e da morte de mais brasileiros parece não estar se revertendo neste ano de 2018. O aumento da fome e da miséria nas regiões rurais, condicionados pela crise política e econômica nacional e pelos cortes sobre a já precária rede de proteção social sobre as populações rurais certamente não contribuem para tal. Lideranças e militantes já foram executadas neste ano nos estados do Pará, Bahia, Santa Catarina e Rondônia. Ameaças de massacres permanecem nos estados do Mato Grosso do Sul e Tocantins, e os despejos se ampliam Brasil adentro.

 

A ampliação das denúncias à guerra civil reacionária que se desenvolve contra o povo no campo e que tem se ampliado inclusive sobre as grandes cidades brasileiras será um compromisso dos amplos setores dos movimentos populares, e ainda maior em comparação com o ano de 2017. A necessidade de se romper com o cretinismo parlamentar e de se ater à luta de fato, séria, é ainda mais imperiosa.

 

 

 

[1] https://www.novacultura.info/single-post/2017/11/29/Massacres-contra-os-povos-do-campo-em-2014-2017

 

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