"A Revolução Chinesa e a Revolução Vietnamita"

10/04/2018

 

O triunfo da Revolução de Outubro na Rússia abalou o mundo inteiro. O marxismo-leninismo começou a propagar-se na China, um dos maiores países do mundo, que os imperialistas qualificavam com desprezo de “leão adormecido”.

 

No dia 1º de julho de 1921, em um pequeno quarto da luxuosa cidade de Xangai, 12 revolucionários – entre os quais se encontrava o camarada Mao Tsé-tung – reuniram-se para fundar o Partido Comunista Chinês, que contava então com 50 membros (parar um efetivo atual de 17 milhões). Desde então, os destinos da China começaram a mudar.

 

Após 28 anos de uma luta das mais heroicas sob a direção do Parido Comunista, tendo à cabeça o camarada Mao-Tsé-tung, o Exército de Libertação aniquilou mais de 8 milhões de homens das tropas de Chiang Kai-shek, equipadas pelos Estados Unidos e expulsou os imperialistas estadunidenses do território chinês. Em 1949, a República Popular da China viu a luz do dia.

 

Em 12 anos de edificação sob a direção do Partido Comunista da China, os 650 milhões de chineses rivalizando de ardor e trabalhando com abnegação, fizeram da China, anteriormente agrícola e atrasada, um país socialista poderoso.

 

Quarenta anos gloriosos, quarenta anos de vitórias. Numerosos camaradas escreveram sobre a grandiosa história do irmão Partido Comunista da China. Quanto a mim, queria apenas referir o seguinte:

 

O Vietnã e a China são dois países vizinhos, que há séculos têm relações estreitas entre si.

 

É evidente que existem igualmente laços particularmente estreitos entre a Revolução Chinesa e a Revolução Vietnamita.

 

- Foi por intermédio da China que a influência da Revolução de Outubro e o marxismo-leninismo se propagaram até ao Vietnã.

 

- Foi na China que foram organizadas, com a ajuda devotada dos camaradas chineses, a Associação da Juventude Revolucionária do Vietnã (1925), a Conferência de Unificação dos diferentes grupos comunistas do Vietnã em um partido marxista-leninista (1930), o primeiro Congresso do Parido Comunista Indochinês (1935).

 

- O esmagamento pela URSS dos militares japoneses no Nordeste contribuiu para a vitória da resistência chinesa, e a vitória da resistência chinesa criaram as condições favoráveis que permitiram a Revolução de Agosto triunfar no Vietnã.

 

- A partir de 1946, o Partido Comunista da China necessitou de conduzir uma luta contínua contra as tropas reacionárias de Chiang Kai-shek ajudadas pelos Estados Unidos (desde o início da guerra civil, os estadunidenses equiparam os 4 milhões e 300 mil homens de Chiang Kai-shek com armas modernas, além das que foram tiradas a um milhão de soldados japoneses). Em 1947, Chiang Kai-shek apoderou-se de Yenan. Em condições tão difíceis, o Partido Comunista e o povo chinês apoiaram nossa resistência nacional de todo o seu coração até à vitória total.

 

- Na hora atual, em conjunto com a União Soviética e os outros países irmãos, a China dá-nos uma assistência devotadas para nossa edificação do socialismo no Norte a fim de constituir uma base poderosa para a reunificação pacífica do país.

 

As relações existentes entre a Revolução Chinesa e a Revolução Vietnamita assenta em mil laços estabelecidos pelo dever, a gratidão e a afeição. Viva a gloriosa amizade que nos une!

 

Pessoalmente tive por duas vezes a honra de militar no seio do Partido Comunista Chinês.

 

Encontrando-me Kwang-Chou de 1924 a 1927, dedicava-me a seguir o movimento revolucionário no nosso país ao mesmo tempo que cumpria as tarefas confiadas pelo Parido Comunista Chinês. Na China, o movimento operário e camponês estava em plena efervescência. A partir de maio de 1925, rebentaram greves políticas em quase todas as grandes cidades. A mais importante foi a greve contra os imperialistas britânicos, em Hong Kong, na qual participaram mais de 250 mil operários e que durou 16 meses. O movimento camponês começava também a alargar-se, sobretudo em Yunan (graças ao trabalho de organização do camarada Mao-Tsé-tung) e em Kouang-tung (sob a direção do camarada Pung Bai). Para impulsionar o movimento camponês, o camarada Mao organizou cursos de formação de quadros de propaganda chamados a militar entre os camponeses nas 19 províncias do país.

 

Eu participava na tradução de documentos para o trabalho no pa­ís assim como na propaganda para o estrangeiro, isto é, escrevia artigos sobre o movimento operário e camponês para um jornal de língua inglesa.

 

A segunda vez que fui à China (fins de 1938), estava-se em plena resistência antijaponesa. Como soldado de 2ª classe do VII Exército de Marcha, eu assumia as funções de responsável do clube de uma unidade em Guilin. Em seguida, fui eleito secretário de célula do Partido (e encarregado, além disso, da escuta do rádio) de uma unidade em Hengyang...

 

(Assim, pude adquirir um pouco de experiência em matéria de edificação do Partido na URSS, em matéria de luta contra o capitalismo na França e contra os colonialistas e os feudais na China). Entretanto, os camaradas chineses ajudaram-me a estabelecer a ligação com o nosso país. O nosso Comitê Central enviou um camarada para se encontrar comigo em Long-tchau. Completamente deslastrado por um “amigo”, X. teve de regressar ao país antes da minha chegada a esta cidade.

 

Pouco depois, camaradas chineses conseguiram ajudar-me a estabelecer a ligação e a regressar ao país para continuar minhas atividades.

 

Desta maneira, os comunistas do mundo inteiro prosseguem um mesmo e nobre objetivo, unem-se estreitamente, e baseando-se no marxismo-leninismo e no internacionalismo proletário, estão ligados por uma afeição fraternal.

 

Aproveito esta ocasião para enviar em nome do Partido, do governo e do nosso povo, as minhas mais afetuosas e calorosas saudações ao grande Partido Comunista da China, tendo à cabeça o bem-amado camarada Mao Tsé-tung.

 

 

Artigo de Ho Chi Minh escrito por ocasião do 40º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês, em 1º de julho de 1961

 

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