"O Oriente é Vermelho, onde nasce o Sol"

31/03/2018

 

Um mês após a morte de Mao Tsé-tung, revisionistas, direitistas, camisas de pelúcia e burocratas liderados por Deng Xiaoping fizeram um golpe dentro do Partido Comunista Chinês. O foco de seu ataque foi a sede revolucionária liderada por Zhang Chunqiao e Jiang Qing, dois dos companheiros mais próximos de Mao, sendo esta última a esposa de Mao. A camarada Jiang, uma das heroínas não reconhecidas da revolução mundial, foi uma líder fundamental na Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP), que se concentrou no reino da arte, teatro e ópera. Imagine que sua revolução concedeu a você o poder de mudar as coisas, obliterar a misoginia nos outdoors, televisões e propagandas, imagine todos os seus filmes favoritos com o sexismo e os valores burgueses removidos; agora você começa a reconhecer a importância do trabalho cultural de Jiang. No entanto, o camarada Jiang não se limitou à esfera cultural. Em seus dias liderando a GRCP, ela faria muitas intervenções importantes em apoio aos trabalhadores revolucionários e contra velhas ideias, como a teoria da linhagem (nascida “vermelha”, nascida “branca”) mantida entre alguns dos Guardas Vermelhos.

 

Por sua lealdade ao presidente Mao e por seu compromisso em fazer a revolução, Jiang foi presa e julgada nos tribunais superiores - os revisionistas queriam sangue e não parariam até que a revolução fosse esmagada. Jiang permaneceu desafiante: proclamou em voz alta diante do mundo que “Fazer a revolução não é crime”. Quando ameaçada de execução, ela não temia a morte e estava preparada para morrer pela causa revolucionária do proletariado, afirmando “deixe o rei-macaco dar-lhe mais cabeças para cortar”. Enquanto os revisionistas ansiavam destruir e degradar o nome do Presidente Mao, sabiam que tinham de levar a cabo esta grande inversão da revolução sob o seu nome, ou as massas não teriam perdido tempo para esmagar os revisionistas em memória do seu grande timoneiro. Jiang reiterou este ponto afirmando “vocês estão tentando me destruir porque sabem que nunca poderão destruir o presidente Mao”, e diante das massas, quando os revisionistas exigiram que ela cedesse, sua resposta foi apenas “é mais glorioso ter minha cabeça cortada”. Desafiadora e rebelde até o fim, Jiang incorporou os princípios de continuar a revolução sob a ditadura do proletariado. Ela já estava no espírito do que emergiria mais tarde com o próprio maoísmo, ou marxismo-leninismo-maoísmo, que vê a Revolução Cultural não apenas como universal, mas essencial para o sucesso do projeto comunista, bem como a luta armada. VIDA LONGA A CAMARADA JIANG QING! CAMARADA JIANG QING, PRESENTE!

 

A arquiteta da guerra popular no Peru

Muitos camaradas invocam o nome de Gonzalo, mas sabem muito pouco sobre La Torre. Augusta La Torre, ou Camarada Norah, foi fundadora do Movimento Feminino Popular e coautora, em 1975, da obra-prima “Marxismo, Mariátegui e o Movimento de Mulheres”, texto que, mais do que qualquer outro, estabelece as bases para um feminismo revolucionário e proletário. Norah seria a segunda no comando do Partido Comunista do Peru (PCP). O Presidente Gonzalo, nos primeiros dias, foi apoiado e encorajado pela Camarada Norah para lançar a Guerra Popular. Alguns afirmam que Norah manteve uma linha mais firme no desenvolvimento da luta armada do que Gonzalo fez no período que antecedeu a Guerra Popular. O primeiro ataque de guerrilha do PCP, em 1980, foi liderado pela camarada Norah, após isso, ela conseguiu atravessar o país. A Guerra do Povo Peruano, liderada pelo Partido Comunista do Peru, foi diferente de qualquer outra revolução, em grande parte por causa de Norah. O PCP reivindicou a grande participação de mulheres desde o seu início, a queima das urnas que assinalou o início da Guerra Popular Prolongada, em 1980, foi iniciada e realizada por uma equipe de mulheres, com a ajuda de apenas um homem. Diferentemente de outros Partidos Comunistas, o Comitê Central do PCP era composto, majoritariamente, por mulheres. Muitos dos importantes ramos do Partido foram ocupados por mulheres, incluindo o Comando Metropolitano de Lima, em certo ponto dirigido por uma prisão feminina, que realizava assassinatos urbanos.

 

A camarada Norah deu sua vida à revolução e ao povo. Mesmo tendo nascido em uma família rica e possuidora de terras. Norah, bem como como seu irmão, sua mãe e seu pai, foram fiéis à causa do Partido fundado por Gonzalo e Norah. A família La Torre sacrificaria tudo pela revolução. Norah morreu em novembro de 1988. Assim, o marxismo-leninismo-maoísmo foi fundamental para a revolução no Peru, e a camarada Norah é uma das nossas mártires e heroínas mais amadas. VIDA LONGA A CAMARADA NORAH! CAMARADA NORAH, PRESENTE!

 

A soldada martirizada

Edith Lagos tinha 19 anos quando foi martirizada pelo Estado peruano em 2 de setembro de 1982. 30.000 pessoas marchariam em uma procissão em sua homenagem. Essas 30.000 pessoas constituíam aproximadamente 45% da população de Ayacucho, embora o governo tenha declarado ilegal comparecer ao seu funeral. O que forçaria tal resultado? Para começar, a morte da camarada Edith mostra plenamente o quanto as massas de populares amavam o Partido Comunista do Peru. Edith foi protagonista de um dos primeiros grandes casos criminais ligados a membros do partido. Ela era conhecida e admirada por vencer as acusações graças a uma equipe de advogados que também eram defensores da revolução.

 

A camarada Edith continuaria a liderar ações importantes, como o ataque à prisão de Ayacucho, em que a militante fez um buraco na parede e libertou todos os prisioneiros, incluindo seus camaradas capturados. No ataque, os guerrilheiros rebeldes liderados pela Camarada Edith capturaram muitas armas. A captura de armas foi a espinha dorsal dos primeiros dias da Guerra Popular Prolongada, que foi iniciada por mulheres com dinamite e não por homens treinados militarmente com armas de alta tecnologia. Nesse processo, vemos o reverso do modelo burguês de guerra, que promove uma ideologia sexista e antipopular e que depende de assegurar as normas sociais atrasadas do imperialismo. O Exército de Guerrilha Popular, por outro lado, transformou as massas em soldados e suas fileiras desarmadas em uma força poderosa que, em uma década, levou o governo à beira da derrota. Isto foi em grande parte devido aos esforços de mulheres soldadas e líderes como a camarada Edith.

 

Edith seria capturada e ferida com uma baioneta até a morte pelo Estado e o mundo perderia outra combatente da liberdade que, com apenas 19 anos, havia feito contribuições imortais para a revolução mundial. Ela vive em nossos corações como um exemplo do que realmente significa ser um soldado. VIDA LONGA A CAMARADA EDITH! CAMARADA EDITH, PRESENTE!

 

Neste dia

Neste dia, queremos reservar um tempo para honrar nossas camaradas mulheres que caíram. Estas são apenas três das melhores da nossa tradição e há muitos outras cujos nomes nunca foram registrados devido ao patriarcado, que ainda persiste dentro dos movimentos revolucionários e de esquerda. Devemos também aproveitar este momento para homenagear as camaradas mulheres que comandam nossas organizações e as povoam. Red Guards Austin, especialmente, possuem uma dívida de respeito às mulheres trabalhadoras neste dia, como uma organização com uma minoria de homens. Entendemos a necessidade urgente da guerra das mulheres. Para todas as mulheres da classe trabalhadora e para todas as camaradas mulheres, nós as saudamos!

 

VIDA LONGA AO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES TRABALHADORAS!

 

SAUDAÇÕES VERMELHAS!

 

Red Guards Austin

 

Nota do Red Guards Austin sobre o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras – 2017

 

Traduzido por F. Fernandes

 

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