Sobre a eleição de Putin

20/03/2018

No domingo dia 18 de março Wladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia com 76,6% dos votos. O índice de comparecimento às urnas por parte do povo russo foi massiva atingindo 67,98% do eleitorado de acordo com Comissão Eleitoral.

 

Aos 65 anos Putin obteve 56,2 milhões de votos, um recorde no período pós-soviético superando Dmitry Medvedev, que em 2008 conquistou 52,5 milhões de votos. É interessante notar que Putin recebeu amplo apoio da Crimeia arrebatando quase 1 milhão de votos nessa região.

 

Putin conquista a maior vitória em todos os anos que disputou a presidência, lembrando que o presidente russo governou o país de dezembro de 1999 à maio de 2008, em maio de 2012 foi eleito novamente e com resultado da presente eleição seguirá no poder até 2024, iniciando o seu quarto mandato.

 

Após ser reeleito, no seu discurso da vitória Putin afirmou que vai focar no crescimento econômico interno da Rússia, no desenvolvimento nas áreas da saúde, educação, produção industrial, infraestrutura e outros setores visando melhorar a condição de vida do cidadão russo. Mas que as questões de defesa e segurança também serão eixos importantes de seu novo mandato. O setor militar continua a ser controlado pela fração mais vinculada à Putin.

 

Sobre a política externa é provável que pouca coisa mude, principalmente em relação a tentativa de manutenção de um equilíbrio geopolítico que tem como uma de suas metas conter as agressões do imperialismo norte-americano. A forte tensão nas relações entre os dois países, que veio em crescente desde meados do segundo governo Putin (2004-2008), escancaram o recrudescimento das contradições entre Rússia e Estados Unidos. A hostilidade do Ocidente se manifesta desde sanções econômicas desferidas pelas potências ocidentais até a pressão militar exercida pela OTAN que cerca o território russo em um arco que vai do mar Báltico até as antigas regiões de influência da União Soviética na Ásia Central. Isso explica a hostilidade que a mídia ocidental, eterna aliada aos interesses dos países imperialistas ocidentais, nutre contra a figura de Wladimir Putin.

 

O papel da Rússia no Oriente Médio deve seguir no mesmo trilho dos anos anteriores, principalmente no que se refere à guerra da Síria e no estreitamento da aliança com o Irã. A relação com a China de Xi Jinping terá continuidade na esfera da política externa além do desenvolvimento da cooperação bilateral entre os dois países, carros chefe da integração euro-asiática que visa consolidar uma ordem multipolar e assim colocar contra à parede a hegemonia estadunidense unipolar.

 

Um mundo completamente influenciado por uma única potência, certamente não ajuda em nada às causas dos povos, a Rússia de Putin tem como horizonte minar os espaços do imperialismo norte-americano no cenário global, algo positivo para os povos oprimidos, no entanto, sem alimentar ilusões sabemos que Putin e os seus aliados representam uma fração política da burguesia russa que visa retomar os padrões de acumulação capitalistas normais, através do aumento dos investimentos em setores produtivos, regulamentação do sistema bancário e maior intervenção estatal na econômica.

 

por A. de Lucas.

 

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