Mao: "Como Yukong removeu as montanhas"

01/03/2018

O nosso Congresso foi um grande sucesso. Realizamos três pontos importantes. Primeiro, definimos a linha do Partido: mobilizar sem reservas as massas, expandir as forças populares de modo que, sob a direção do Partido, vençam os agressores japoneses, libertem todo o povo e fundem uma China de democracia nova. Segundo, aprovamos o novo Estatuto do Partido. Terceiro, elegemos o órgão dirigente do Partido, o Comitê Central. Agora, a nossa tarefa consiste em guiar a totalidade do Partido na realização da linha definida. O nosso Congresso foi um congresso de vitória, um congresso de unidade. Os delegados expressaram opiniões muito úteis sobre os três relatórios apresentados. Muitos camaradas procederam a uma autocrítica; aspirando à unidade, conseguiu-se a unidade pela autocrítica. O Congresso foi um modelo de unidade, de autocrítica e democracia no interior do Partido.

 

Terminados os trabalhos, muitos dos nossos camaradas retornarão aos seus postos ou dirigir-se-ão para as distintas frentes de combate. Para onde quer que vão, os camaradas devem propagar a linha do Congresso e, por intermédio dos membros do Partido, realizar um grande trabalho de explicação entre as massas populares.

 

Dando a conhecer essa linha, o nosso objetivo é dar a todo o Partido e a todo o povo a certeza do triunfo da revolução. E preciso, em primeiro lugar, elevar a consciência política dos elementos de vanguarda, fazer com que sejam resolutos, não temam sacrifícios, vençam todas as dificuldades, tudo para a vitória. Mas isso não chega; é preciso ainda que as grandes massas do nosso país ganhem consciência política, a fim de que combatam de boa vontade ao nosso lado pela conquista da vitória. É preciso que a totalidade do povo esteja convicta de que a China pertence ao povo chinês e não aos reacionários. Na China antiga contava-se uma fábula intitulada “Como Yukong Removeu as Montanhas”. Nessa fábula dizia-se que, em tempos que já lá vão, vivia na China Setentrional um velho chamado Yukong das Montanhas do Norte. Frente à sua casa, havia, no lado sul, duas grandes montanhas, Taiham e Van-vu, que lhe impediam a passagem. Dirigindo os seus filhos, Yukong decidiu-se a arrasar tais montanhas, a golpes de picareta. Vendo-os nesse trabalho, um outro velho, Tchi-sou, desatou a rir e disse-lhes:

 

“Que tolice! sozinhos, vocês nunca conseguirão arrasar essas duas montanhas!”, ao que Yukong respondeu:

 

“Quando eu morrer, ficarão os meus filhos; quando por sua vez eles morrerem, ficarão os meus netos, e assim se sucederão, infinitamente, as gerações. Quanto a estas duas montanhas, são muito altas mas já não podem crescer e, a cada golpe de picareta, tornam-se cada vez mais pequenas. Por que razão pois não acabaremos por arrasá-las?”

 

Refutados os pontos de vista errados de Tchi-sou, Yukong continuou, inabalável, a escavar dia após dia, o que comoveu os Céus que enviaram então dois anjos à Terra, para que carregassem às costas as duas montanhas. Hoje, há também duas grandes montanhas que pesam sobre o povo chinês: uma é o imperialismo e a outra, o feudalismo. Desde há muito que o Partido Comunista da China se decidiu a arrasá-las. Precisamos ser perseverantes e trabalhar sem descanso, pois também podemos chegar a comover os Céus. Para nós, os Céus não são senão as massas do povo chinês. Se elas se levantam em peso para escavar conosco, por que razão não haveríamos de acabar com essas duas montanhas?

 

Eis o que eu disse, ontem, a dois norte-americanos que partiam para os Estados Unidos: o governo norte-americano quer sabotar-nos e nós não permitiremos que o faça. Nós opomo-nos à sua política de apoio a Chiang Kai-shek contra o Partido Comunista da China. Não obstante, fazemos uma distinção, primeiro, entre o povo norte-americano e o governo norte-americano e, segundo, no seio da própria administração, entre aqueles que determinam a política e aqueles que são simples subordinados. E ainda acrescentei, aos norte-americanos: digam, aos que determinam a política no vosso governo, que lhes está proibido o acesso às nossas regiões libertadas porque a política norte-americana é de apoio a Chiang Kai-shek contra o Partido Comunista da China, e nós desconfiamos deles. Podem vir até cá desde que seja para combater os japoneses, mas, para isso, é necessário primeiro um acordo. Não permitiremos que bisbilhotem por toda a parte. Uma vez que Patrick J. Hurley se pronunciou publicamente contra toda a colaboração com o Partido Comunista da China, por que motivo pois haveriam de vir pavonear-se pelas nossas zonas libertadas?

 

A política do governo norte-americano de apoio a Chiang Kai-shek contra o Partido Comunista é uma prova da demência da reação norte-americana. Mas os intentos de todos os reacionários chineses e estrangeiros no sentido de levantar obstáculos à vitória do nosso povo estão condenados ao fracasso. No mundo de hoje, a democracia constitui a corrente principal e a reação, que é antidemocrática, constitui apenas uma contracorrente. Agora, a contracorrente reacionária tenta superar a corrente principal de independência nacional e democracia popular, mas jamais conseguirá transformar-se em corrente principal. As três grandes contradições do velho mundo, sublinhadas há muito por Stalin, subsistem ainda hoje: a primeira é a que existe, nos países imperialistas, entre o proletariado e a burguesia; a segunda é a que existe entre as diferentes potências imperialistas; a terceira, enfim, é a que opõe os povos das colônias e semicolônias às metrópoles imperialistas. Essas três contradições subsistem, tornaram-se até mais agudas e de maior amplitude. A contracorrente antissoviética, anticomunista e antidemocrática, que existe atualmente, será um dia vencida, exatamente porque subsistem e se desenvolvem essas três contradições.

 

Neste momento realizam-se dois congressos na China: o VI Congresso Nacional do Kuomintang e o VII Congresso do Partido Comunista da China. Os seus objetivos são radicalmente opostos: para um, trata-se de destruir o Partido Comunista e as forças democráticas da China e precipitar nas trevas o país; para o outro, trata-se de abater o imperialismo japonês e os seus lacaios, as forças feudais chinesas, edificar uma China de democracia nova e conduzir o país para a luz. Essas duas linhas combatem-se uma à outra. Nós estamos firmemente convencidos de que, guiado pelo Partido Comunista da China e pela linha traçada pelo VII Congresso do Partido, o nosso povo há de alcançar a vitória completa, e a linha contrarrevolucionária do Kuomintang inevitavelmente fracassará.

 

Discurso de encerramento pronunciado pelo camarada Mao Tsé-tung

no VII Congresso do Partido Comunista da China, em 11 de junho de 1945

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