"O dia que Stalin reivindicou Sandino"

10/02/2018

Augusto César Sandino, o “General dos homens livres”, liderou a vitória do povo da Nicarágua contra a invasão dos Estados Unidos em 1933. Em 2013, o site La Voz del Sandinismo, publicou informações de um documento que traz informações da oportunidade de quem Joseph Stálin, em reunião da Internacional Comunista defendeu Sandino das acusações feitas por comunistas mexicanos e estadunidenses. A fonte são os arquivos da Frente Farabundo Martí para Libertação Nacional (FMLN) e do Partido Comunista de El Salvador.

“... No dia 3 de fevereiro de 1930, o dirigente do Partido Comunista do México (PCM), Hernán Laborde, e seu grupo, convidaram o General Augusto César Sandino e seu Estado Maior para o Máximo, para se reunir com o Comitê Central do partido, para estabelecer as condições do apoio a solicitação feita pelo líder nicaraguense. Estiveram presentes além de Sandino e sua comitiva: Farabundo Martí (salvadorenho), Rubén Ardilla (colombiano), Tranquilino Jarquín (nicaraguense), membros do Comitê Continental da Liga Antiimperialista da América Latina e do Comitê “Tire as mãos da Nicarágua”.


O PCM declarou sua disposição de brindar sua solidariedade sempre que Sandino aceitar os pontos de vista do PCM para a realização de tarefas anti-imperialistas na América Latina. Esta atitude sectária do PCM se expressou também no seio do Partido Comunista dos Estados Unidos, que qualificou Sandino como “perigoso aventureiro pequeno burguês”.

 

Anos mais tarde, Luis Carlos Prestes, dirigente do Partido Comunista do Brasil, contava sobre a repercussão no seio do Comitê Executivo da Internacional Comunista que teve a declaração do chamado Comitê Colonial do PC americano: Ao tomar ciência dos fatos, Stalin solicitou uma reunião do Secretariado da IC e disse:


“Eu entendia que o General Augusto César Sandino é um patriota que defendia a seu país da invasão de tropas estrangeiras. Segundo parece estava equivocado. Conforme esta resolução, trata-se de um vulgar “aventureiro pequeno burguês”. Prosseguiu: “Camaradas: queremos saber, em nome do Partido Comunista da União Soviética, quem são os culpados por tão grave erro que cometemos”. Um dos dirigentes tratou de explicar: “Camarada Stalin, é que nos equivocamos a respeito de Sandino. Faz pouco tempo que soubemos que seu exército contava com apenas 400 homens e não milhares como acreditávamos”.


Stalin respondeu: “De maneira que é uma questão numérica. Então devo dizer-lhe camarada que quanto ao PC da URSS e da IC seguiremos considerando o General Sandino e seus heroicos companheiros como patriotas que defendem o seu país diante dos agressores estrangeiros e que, em nossa opinião, a decisão do comitê central do PC dos EUA é um erro grosseiro”.


Laborde, por iniciativa da IC que assim exigiu ao PCM, foi acusado de desonesto, de carecer de princípios e provada sua corrupção, foi expulso do Partido.

 

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