"O espectro do Black Power"

06/02/2018

 

Para

Ernesto Che Guevara

Ben Barka

Malcolm X

 

We could mourn them

                           but they don't want our tears.

We scorn death knowing

                    that we cannot be defeated.

 

Introdução

O Pan-africanismo tem sua origem na luta de libertação dos a­fro-americanos, expressando as aspirações de africanos e dos povos de descendência africana. Da primeira Conferência Pan-africana, realizada em Londres em 1900, até a quinta e última Conferência Pan-africana realizada em Manchester em 1945, os afro-americanos se mostraram a principal força dirigente do movimento. O Pan-Africanismo então guinou para a África, sua verdadeira casa, com a realização da Primeira Conferência dos Estados Africanos Independentes em Accra, em abril de 1958, e a Conferência do Povo de toda a África, em dezembro daquele mesmo ano.

 

O trabalho dos antigos pioneiros do Pan-africanismo tais como Sylvester Williams, Dr W.E.B. Du Bois, Marcus Garvey, e H. George Padmore, nenhum deles nascidos na África, se tornou uma parte separada da história africana. É significativo que dois deles, Dr. Du Bois e George Padmore, vieram morar em Gana sob meu convite. Dr. Du Bois morreu, como desejava, em solo africano, enquanto trabalhava em Accra na Enciclopédia Africana. Padmore tornou-se meu assessor em assuntos africanos, e gastou os últimos anos de sua vida em Gana, ajudando na luta revolucionária pela unidade africana e pelo socialismo.

 

As estreitas ligações estabelecidas entre os africanos e os povos descendentes da África por cerca de meio século de luta comum continua a nos inspirar e nos fortalecer. Pois, ainda que as formas externas de nossa luta possam mudar, na essência permanecem a mesma, uma luta até a morte contra a opressão, racismo e exploração.

 

A maior parte da África agora conquistou a independência política. Mas o imperialismo não desapareceu. O capital financeiro internacional, aparecendo agora na sua nova forma de neocolonialismo, busca manter e estender seus domínios sobre a vida econômica de nosso continente. Os imperialistas e neocolonialistas estão recorrendo a todo tipo de estratagema para garantir seus objetivos. Se aliaram com os elementos reacionários em nosso meio para organizar golpes militares e outras formas de ação direta em uma tentativa de travar o avanço da Revolução Africana. Ao mesmo tempo, estão trabalhando das formas mais traiçoeiras para minar nossa moral e desviar nossa atenção do principal propósito de nossa luta – a total libertação do continente africano, um governo de união de toda a África e o socialismo.

 

A Organização da Unidade Africana tornou-se praticamente i­nú­til co­mo resultado das maquinações dos neocolonialistas e seus fantoches. Assim, está sendo mantida como uma organização inócua na esperança de que se possa atrasar a formação de uma organização pan-africana verdadeiramente eficaz que levará à unificação política genuína. O incentivo está sendo dado à formação das organizações econômicas regionais africanas no conhecimento de que sem coesão política serão ineficazes e irão servir para fortalecer, e não enfraquecer, a exploração e dominação neocolonialista.

 

Toda forma de excentricidade está sendo usada para distrair e desviar de nosso propósito. Existe a conversa do “socialismo africano”, socialismo ára­be, socialismo democrático, socialismo muçulmano, e em último lugar, o “padrão pragmático de desenvolvimento”, e assim todos alegando que encontraram as soluções para nossos problemas.

Assim como existe apenas um socialismo verdadeiro, o socialismo científico, cujos princípios são universais e permanentes, existe a­penas um caminho para conquistar os objetivos revolucionários da Á­frica, de libertação, unificação política e socialismo. Se chega a este caminho pela luta armada. A época de discursos, conferências, soluções temporárias, por acordos está no passado.

 

 De forma semelhante, com o surgimento do Black Power nos Estados Unidos da América, o movimento de libertação dos afro-americanos se tornou militante, e armado. Mas, como na África, o movimento tem que estar atento, contra o inimigo interno, bem como o inimigo externo. Deve haver um cerramento de fileiras e um persistente esforço conjunto para levar a cabo a luta até uma conclusão vitoriosa.

 

O espectro do Black Power

Com uma força e poder de decisão que não podem mais se manter ocultos, o espectro do Black Power desceu sobre o mundo como um raio ca­indo do céu. Surgindo dos guetos, pântanos e campos de algodão dos Estados Unidos, agora assombra as ruas, assembleias legislativas e gabinetes su­periores e assim chocou e aterrorizou estadunidenses, fazendo com que apenas agora estejam começando a compreender seu significado pleno, o fato de que o Black Power, em outras manifestações, está em confronto com o imperialismo, colonialismo, neocolonialismo, exploração e agressão em várias partes do mundo.

 

Nos EUA, a “Questão Negra” tem sido uma discussão mais ou menos delicada desde que os primeiros escravos de África pousaram em James Town em 1619. Por três séculos e cinquenta anos, entretanto, o assunto das “revoltas de escravos” se tornou um tabu e foi eliminado dos livros didáticos. Nos últimos 30 anos, foram feitos esforços rigorosos para encobrir e obscurecer o problema real da Guerra Civil dos Estados Unidos: se a escravidão dos africanos deveria continuar ou não. De fato, não é mais considerado apropriado nos Estados Unidos mencionar a “Guerra Civil”. Algumas vezes se fazem referências delicadas à “guerra infeliz entre os Estados”.

 

Após a Guerra Civil, as 13ª, 14ª e 15ª Emendas da Constituição dos Estados Unidos aboliram a escravidão africana e garantiram direitos de cidadania aos homens livres. Imediatamente, a maioria dos Estados passaram leis anulando estes direitos e, em geral, a opinião pública de todo o país apoiaram suas ações. Alguns legisladores apontaram a injustiça e mesmo os perigos de seguir este rumo, e em 1875 o Congresso passou uma Lei de Direitos Civis moderada para os homens libertos. Contudo, em 1884, a Lei foi revogada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. E assim, ao longo dos anos, o povo de descendência africana vem pedindo, implorando, indo aos tribunais e protestando por “direitos” livremente garantidos a qualquer imigrante naturalizado.

 

À medida que os Estados Unidos ficavam mais ricos, mais poderoso e imperialista, enquanto se expandia e estendia sua influência e controle pela América Latina e as ilhas do Caribe, seu racismo, opressão e desprezo pelos povos africanos se tornou aceito como parte da cultura norte-americana.

 

A Revolução de Outubro da Rússia não penetrou nas massas dos afro-americanos. Alguns intelectuais, no entanto, a saudaram como um triunfo dos oprimidos e dos explorados, uma vitória proletária socialista. Alguns viajaram para a recém estabelecida União Soviética. Vários continuaram ali, e deram sua força e habilidade para construir o primeiro Estado socialista do mundo. Mas aqueles que retornaram não encontraram meios de aplicar o que haviam visto para a situação dos Estados Unidos. Enquanto isso, operários brancos estavam organizando agitações por melhores condições de trabalho. Mas até a organização do Comitê por Organização Industrial (CIO) e a Segunda Guerra Mundial, os negros americanos eram regularmente excluídos das organizações trabalhistas. A necessidade de aumentar a mão de obra durante este período encorajou a imigração do Sul de milhares de trabalhadores negros que se aglomeravam para cidades do Norte à procura de emprego, porém sem lugar para viver, a não ser em favelas em meio a condições muito piores do que os barracos rurais que haviam deixado no Sul.

 

Apesar do longo e incansável trabalho na educação e organização dos pioneiros dos “Direitos Civis”; apesar dos esforços diligentes dados por cidadãos afro-americanos dos Estados Unidos para educar seus filhos e do trabalho duro para alcançar a “aceitação” na sociedade americana, os negros americanos mantiveram-se apenas como estrangeiros excluídos em sua terra natal, a grande massa deles relegados da básica justiça humana.

 

 Isto é um fato que agora chama a atenção de todos aqueles que, ao longo dos anos, tiveram a partir de seu poder os meios de ordenar e moldar o mundo de acordo com seus interesses. Interesses brancos controlaram a riqueza econômica; interesses brancos foram capazes de estabelecer os padrões “morais” do qual os Estados Unidos devem viver; o Imperialismo interno bran­co fez todas as leis, regras e regulamentações. Este era o mundo moderno até, e durante toda a primeira metade do século XX.

 

A independência de Gana, conquistada em 6 de março de 1957, inaugurou a luta decisiva pela liberdade e independência de toda a África – a liberdade do jugo colonial e dominação dos ocupantes. Naquele dia, eu proclamei para o mundo que “a independência de Gana é sem sentido a não ser que se ligue à libertação total do continente africano”. Imediatamente o soar da batida dos tambores enviou esta mensagem para além dos rios, montanhas, florestas e planícies. As pessoas ouviram e a­gi­ram. Os movimentos de libertação ganharam força, e combatentes pela liberdade começaram a treinar. Um após o outro, novos Estados africanos surgiram, e acima do horizonte do mundo surgiu a Personalidade Africana. Chefes de Estado da África iam para a ONU; africanos vestiam orgulhosamente as regalias de sua terra ancestral; africanos se levantavam e falavam na tribuna do fórum mundial, e falavam por africanos e pelos povos de descendência africana onde quer que estivessem.

 

Eu vivenciei o impacto imediato nos despojados da África nos Estados Unidos – a dignidade negra poderia ser conquistada. A beleza negra era uma realidade. Eu sei como determinou e inspirou estudantes afro-americanos a sair de suas escolas do Sul e “sentar” naqueles lugares onde as leis e os costumes reservavam apenas para os “brancos”. Ouviram dizer quando estavam sendo arrastados para a prisão por policiais enfurecidos: “toda a África será libertada antes que aqui possamos pegar uma xícara de café ruim!”.

 

Os livros didáticos dos Estados Unidos fogem da discussão das revoltas escravas, ainda que rebeliões e insurreições formem uma parte considerável da história afro-americana. Sabemos como homens e mulheres negros e negras lutaram através dos pântanos da Louisiana, como os fazendeiros de Virginia se intimidaram diante do nome do revoltoso Nat Turner, como Harriet Tubman liderou bandos armados de escravos foragidos do Sul, e de sua fama como perspicaz atiradora. A maior revolta de escravos foi planejada e liderada por um homem branco cujo nome foi imortalizado em canção. Foi na ponte de Harpers Ferry que John Brown começou a Guerra Civil que levou inevitavelmente à libertação dos escravos.

 

 Os jovens afro-americanos que “sentaram”, nos últimos anos não cometeram nenhum ato de violência, e nem os vários estudantes brancos que, seguindo seu exemplo, saíram das Universidades do Norte para protestar contra o racismo, segregação e discriminação. Mas seus pedidos e apelos por justiça foram recebidos com violência, espancamentos selvagens e prisão. Alguns deles morreram na luta.

 

Então, em 18 de agosto de 1965, no gueto negro de Watts, na cidade de Los Angeles, os negros americanos pegaram em armas contra seus agressores. Desde então, praticamente toda cidade grande dos Estados Unidos viu armas, rifles e bombas nas mãos de homens negros que, a cada tiro disparado, estão defendendo seu direito de nascença. Desde 1966, o grito da rebelião tem sido “Black Power”.

 

O que é Black Power? Eu vejo nos Estados Unidos como parte da vanguarda da revolução mundial contra o capitalismo, imperialismo e o neocolonialismo que escravizou, explorou e oprimiu os povos em todo o mundo, e contra o qual as massas do mundo agora estão se revoltando. O Black Power é parte da rebelião mundial dos oprimidos contra o opressor, dos explorados contra o explorador. Atua em todo o continente africano, na América do Norte e do Sul, no Caribe, onde quer que os africanos e povos de descendência africana vivam. É ligado à luta pan-africana por unidade no continente Africano, e com todos aqueles que lutam para estabelecer uma sociedade socialista.

 

A análise da estrutura social dos Estados Unidos indica que os negros dali compreendem a base proletária do país. Sob suas costas, seu trabalho, suor, escravização e exploração, foi construída a riqueza, prosperidade e altos padrões de vida desfrutados nos Estados Unidos hoje. Até recentemente, os afro-americanos buscavam aliviar sua opressão, através da integração à maioria branca. Eles protestavam pelo fim da discriminação social e por “direitos iguais”, querendo ganhar acesso a escolas e faculdades, restaurantes, hotéis, e outros lugares de onde estavam excluídos. Eram estas as exigências do Movimento por Direitos Civis. Ainda assim, um número grande de afro-americanos não tinha emprego, moradia decente, e nem dinheiro para aproveitar os restaurantes, hotéis e piscinas reservadas para “apenas brancos”. O Movimento por Direitos Civis não falava pelas necessidades das massas afro-americanas.

 

Entretanto, se pensava que o apelo por direitos civis seria ouvido, porque a Constituição dos Estados Unidos, com suas várias emendas, apoia estas demandas. Ao invés disso, milhares de afro-americanos foram presos, intimidados, espancados, e alguns assassinados por protestarem por estes direitos garantidos pela Constituição.

 

As massas compreenderam instintivamente o significado e o objetivo do Black Power: os oprimidos e explorados não tem poder. Aqueles que tem poder tem tudo, aqueles sem poder não têm nada: se você não acredita em armas, você já está morto.

 

O Black Power dá aos afro-americanos dimensão inteiramente nova. É um movimento de vanguarda do povo negro, mas abre caminho para todas as massas oprimidas. Infelizmente os sindicatos são tão capitalistas no formato e objetivos quanto qualquer corporação milionária. E a maioria dos brancos operários especializados com suas casas bem mobiliadas, dois carros, televisões e grandes viagens são complacentes. Eles têm muito mais a “perder do que seus grilhões”. Mas existem massas brancas potencialmente revolucionárias nos EUA. Considerem a massa de “brancos pobres” nas colinas da Geórgia, Tennesee e as Carolinas, os agricultores brancos nas planícies de Alabama e Mississippi. Frequentemente se referem a estes como “lixo branco pobre”. Mas estes, também são despojados; frequentemente não tem esperanças. Mes­mo assim, “brancos pobres” e negros não podem ser marginalizados para sempre. Quando enxergam um caminho para eles, os oprimidos e explorados se revoltam. O Black Power guia o caminho; O Black Power já é uma ponta de lança.

 

Neste importante período histórico, quando a era da revolução popular armada está em curso na África, eu vejo próximo o triunfo do espírito humano, o colapso das forças da desumanização e o surgimento do glorioso esforço finalmente para libertar a humanidade da exploração, degradação e guerras desumanas e sem sentido. A velha África está desabando; a nova África está sendo construída.

 

Na África, pensamos que poderíamos conquistar a liberdade e independência, e nosso objetivo final de unidade e socialismo por meios pacíficos. Isto nos fez cair nas garras do neocolonialismo. Nós não poderíamos ser vitoriosos com métodos não-violentos. A mesma estrutura de poder que está bloqueando os esforços dos afro-americanos nos Estados Unidos também está agora bloqueando o caminho da África. O imperialismo, neocolonialismo, a os países ocupados e o racismo buscam nos abater e subjugarmo-nos novamente.

 

Na África, América Latina, no Caribe, Oriente Médio e no Sudeste Asiático, os imperialistas e neocolonialistas, com a ajuda de fantoches locais, tentam governar pelas armas. Estão unidos em sua determinação em estender e prolongar sua dominação e exploração. Então devemos lutar onde quer que o neocolonialismo, imperialismo e racismo existam. Nós também devemos combinar nossa força e coordenar nossa estratégia em uma luta armada unificada. Métodos não-violentos agora são anacrônicos na revolução. E assim eu digo às forças progressistas e revolucionárias do mundo, nas palavras do Ernesto Che Guevara: “que desenvolvamos um verdadeiro internacionalismo proletário, com exércitos proletários internacionais; a bandeira sob a qual devemos lutar deve ser a causa sagrada da humanidade redentora”.

 

Deve se compreender que os movimentos de libertação na Á­frica, a luta do Black Power nos EUA ou em qualquer outra parte do mundo, pode ser consumada apenas na unificação política da África, a casa dos homens negros e do povo de descendência africana através do mundo. Afro-americanos foram separados de suas raízes nacionais e culturais. Crianças negras no exterior não são ensinadas sobre a glória da ci­vilização africana na história da humanidade, das cidades saqueadas e tribos destruídas. Eles não sabem dos milhões de mártires negros que morreram resistindo à agressão imperialista. Os imperialistas e os neocolonialistas dentro ou fora dos EUA designam tudo de “bom” como “branco” e tudo de “mau” como “negro”. O Black Power diz: “nós iremos definir a nós mesmos”. Por séculos, afro-americanos foram vítimas do racismo. Agora pegaram em armas para aboli-lo para sempre, e para destruir sua base de reprodução, o sistema capitalista. Pois apenas com a construção da sociedade socialista que a paz e harmonia racial pode ser conquistada finalmente. Somente o socialismo mundial pode fornecer a solução dos problemas do mundo hoje.

 

Para nós na África e para o povo de ascendência africana em to­do o mundo, não pode haver vacilação, nenhuma capitulação, sem medo do fracasso e da morte. A África deve e deverá cumprir seu destino. Mesmo que a revolução em outras partes do mundo possa definhar ou se desviar, a Revolução Africana deve alcançar seu objetivo de unidade e socialismo. Nós pegamos a via correta, ainda que perigosa. Nós encaramos a morte como encaramos a vida, de cabeça erguida, com os olhos abertos, orgulhosos e com bravura. A semente morrendo faz com que a vida possa surgir. Então, nós podemos encontrar a morte, mas sabendo que não podemos ser derrotados. Para os povos oprimidos do mundo, um dia triunfaremos. Centenas e milhares de nós morreram em várias guerras imperialistas. Se morrermos na luta da emancipação negra, será como homens trazendo a este mundo o louvável, os ricos benefícios do Black Power.

 

E então, para nós o Black Power anuncia o tão esperado dia da libertação das sombras da escuridão. Nós tomamos nosso lugar entre os povos do mundo sem ódio ou desculpas, com confiança e com boa vontade para todos os homens. O espectro do Black Power tomou forma e envergadura e sua presença material luta para dar fim à exploração do homem pelo homem.

 

Conclusão

A discriminação racial é produto de um meio, um meio de uma sociedade dividida em classes, e sua solução é a transformação deste meio. Isto pressupõe o fato que somente sob o socialismo nos Estados Unidos da América que os afro-americanos podem realmente ser livres na sua terra natal.

 

do revolucionário africano Kwame Nkrumah, em 1968

 

 

 

 

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