Por ocasião das piadas que atribuem ao camarada Stalin

15/01/2018

 

Apesar da morte do camarada Stalin já completar quase 65 anos e seu nascimento ter completado no dia 18 de dezembro, 138 anos, os veículos oficiais da imprensa burguesa como Rede Globo, Record, Band na televisão aberta e jornais como O Globo e etc, realizaram uma grande campanha de difamação e veiculação de mentiras à respeito do período em que liderou a União Soviética, o Partido Comunista e o Exército Vermelho. Inclusive com a divulgação da narrativa do próprio governo russo atual, e da Igreja Católica Ortodoxa, solidários aos supostos “milhões de mortos e perseguidos”, por ocasião do aniversário de 100 anos da Grade Revolução Socialista de Outubro. Cometendo até algumas gafes, por conta da defesa intransigente de boa parte do povo da Rússia da Revolução e de Stalin, e em uma entrevista por exemplo da GloboNews realizada na Rússia, um senhor apesar da jornalista ter feito uma pergunta enviesada e já induzindo a resposta, respondeu brevemente e em inglês sobre a positividade do período de Stalin na União Soviética, para que não pudesse haver nenhuma forma de edição do que foi dito após ter citado a infalibilidade da estratégia do Líder de aniquilamento total do inimigo fascista e invasor. Mesmo com uma larga campanha, do governo, da imprensa burguesa, da Igreja (abertamente defensora da monarquia czarista), Stalin ainda figura segundo pesquisa realizada pelo “Levada Center”, com a pessoa mais marcante de todos os tempos e todas as nações.

 

E a resposta dos partidos que se auto intitulam comunistas para isso é a reiterada negação da liderança de Stalin para o proletariado do mundo todo e algumas piadinhas por parte de militantes dos partidos revisionistas sem nenhum conhecimento ou com pouco aprofundamento que mais ajudam a reação e o imperialismo do que de fato dão golpes no inimigo. O Partido Comunista do Brasil, maior agremiação revisionista e oportunista do nosso País, que a partir de 1992 em seu 8º Congresso passa a não falar mais em Marx, Engels, Lenin e Stalin, mas apenas em Marx, Engels e Lenin, além de ter assumido uma visão hostil ao Presidente Mao fruto de uma crítica supostamente “demolidora” por parte de seu antigo secretário-geral e revisionista de marca maior João Amazonas, líder do processo contrarrevolucionário que tomou o PCdoB após a Chacina da Lapa, ainda que o PCdoB revisionista da época de Amazonas seja apenas a sombra do atual oportunismo e fisiologismo burguês do atual Partido. E o Partido Comunista Brasileiro, que também não cita Stalin em nenhuma resolução de seus últimos Congressos, defende a vulgarizada e reacionária posição de “Nem Trotsky, Nem Stalin” ainda que defender isso seja o equivalente à defender Kautsky e Lenin, ou seja, um elemento completamente contrário ao marxismo-leninismo e o Socialismo Científico, totalmente incompatíveis, e que ainda tentou sabotar a construção do socialismo, assim como também seus apoiadores fizeram em países mundo afora, e a posição reacionária de “indefinição de uma linha como doutrina oficial”, sendo um posicionamento coeso em relação à adoção do kruschovismo em 1958, além de figurar entre os integrantes de seu Comitê Central figuras abertamente anti-stalinistas e portanto anti-comunistas por definição, como Antonio Carlos Mazzeo que veem como positivo a “desestalinização” do Partido após o XX Congresso do PCUS, como por exemplo em seu livro “O PCB VIVE E ATUA: DA CRISE DO STALINISMO À UM NOVO CICLO DE LUTA CLANDESTINA CONTRA A DITADURA (1956-1976)”.

 

A partir então de toda a influência do kruschovismo no ocidente (o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e seu secretário-geral Kruschov), e dos seus representantes brasileiros, muitos supostos defensores do legado do Camarada Stalin, ainda que não o defendam como um dos líderes da Revolução Mundial, pilar fundamental do marxismo-leninismo Pensamento Mao Tsé-Tung, e não defendam portanto a linha política que dele deriva, aderem ao “stalinismo” (algo inexistente pela continuidade entre Lenin e Stalin e palavra do próprio Stalin) por questão de “estética” e repetem chavões como “Stalin matou foi pouco”, ou piadinhas relacionadas à fuzilamento (algo extremamente sério) ou GULAG que era o sistema penitenciário soviético, tido pela reação e o imperialismo como campos de concentração, o que gera incontáveis confusões não apenas entre pessoas que não tem o conhecimento à respeito do marxismo-leninsmo ou da história do movimento comunista internacional, brasileiro e a história dos países socialistas, mas entre os próprios adeptos da tal “estética stalinista” (que também não possuem esse conhecimento). Muitos que fazem tais piadas tem para si que realmente Stalin matou muitas pessoas, e apesar disso foi bom por que as pessoas que matou deveriam mesmo terem sido mortas. Levando à crer que o Camarada Stalin com uma canetada levava um número alto de pessoas à morte traidores, reacionários, invasores, etc, e que esse é o significado político da defesa do Camarada Stalin.

 

O Camarada Stalin que como diria Graciliano Ramos é “O homem que a burguesia odeia com razão.” E Pedro Pomar “Artificie da vitória contra o fascismo.” Ainda tem em suas costas uma grande quantidade de lixo proveniente das propagandas da Guerra Fria, que se iniciaram exatamente pelo grande apreço e admiração por todos os povos amantes da paz e da liberdade, ocasionado pela vitória esmagadora contra o nazi-fascismo de Hitler, e a política correta traçada para a vitória dos povos que lutavam pela independência, e a consequente derrota de todos os países que compunham o Eixo fascista, além da inevitável e futura derrota de todo o imperialismo-capitalismo. Como diria o próprio Stalin:

 

''Toda minha vida enfrentei dificuldades. Nasci pobre, meu próprio pai me batia com muita violência. Toda minha vida lutei comigo mesmo e com outras pessoas. Crescendo em ambiente hostil, onde nada empurra você para frente, mas para o retrocesso. Toda minha vida fiz coisas nas quais muitos irão questionar o valor puro dessas ações, porém sei que fiz a coisa certa dentre as opções que me foram expostas. Eu sei que após a minha morte jogarão muito lixo sobre o meu túmulo, porém os ventos da história o removerão.''

 

O fato dos ensinamentos de Stalin sejam atuais, profundos e valiosos para a revolução de hoje, tanto a Revolução Brasileira, quanto toda a Revolução Proletária Mundial, faz com que as classes dominantes retrógradas, a burguesia, o latifúndio, o imperialismo e seus agentes no movimento popular se esperneiem com o objetivo de fazer a classe operária, os camponeses e o povo não saibam que Stalin era um verdadeiro democrata, um defensor intransigente da paz contra os provocadores de guerra e aventureiros, convicto internacionalista proletário, patrono da liberdade e independência de todos os povos. Querem que o povo acredite que Stalin na verdade era um “carrancudo ditador que assassinava sem dó quem o criticasse”, e que Stalin e Hitler eram quase irmãos na política, sem diferença alguma.

 

Após a promulgação da Constituição Soviética de 36, a primeira à condenar o racismo e uma das primeiras à obter o direito de sufrágio universal, secreto, direto e igual, em uma época que nos EUA por exemplo os negros não tinham direito à voto, e na maioria dos países do mundo as mulheres ainda não possuíam esse direito, o Stalin, acusado pelos contrarrevolucionários kruschovistas e trotrskistas de ser um burocrata, fez uma declaração à respeito das eleições, que além de desmentir que o Partido Bolchevique fosse um partido único com o mesmo objetivo que os partidos eleitorais e burgueses dos países capitalistas, também diz respeito ao combate de Stalin aos burocratas, que segundo ele próprio surgem da guerra de libertação, por exemplo da guerra civil e da própria posterior Grande Guerra Patriótica e o costume militar de “mandar e obedecer”, ao invés dos oficiais e soldados passarem pelas mesmas dores e privações, além de realizarem suas tarefas no espírito democrático. Stalin diz sobre as reformas eleitorais que entraram em vigor:

 

"Você está confundido com o facto de que só um partido se apresentará às eleições. E não consegue ver como pode haver eleições com opções diferentes nestas condições. Evidentemente, os candidatos serão apresentados não só pelo Partido Comunista, mas também por todo o tipo de organizações públicas, alheias ao Partido. E temos centenas delas. Não temos disputa de partidos, porque temos uma classe capitalista em luta com a classe operária, que é explorada pelos capitalistas. A nossa sociedade é composta exclusivamente de trabalhadores livres do campo e da cidade – trabalhadores, camponeses e intelectuais. Cada um destes estratos tem os seus interesses específicos e expressa-os através das numerosas organizações públicas que existem”

 

"Você pensa que não haverá diversas opções eleitorais. Mas haverá, e prevejo campanhas eleitorais muito animadas. Não são poucas as instituições no nosso país que funcionam mal. Há casos em que este ou aquele governo local deixa de satisfazer algumas das variadas e crescentes necessidades dos trabalhadores da cidade e do campo. Edificaram uma boa escola ou não? Melhoraram as condições de habitação? É ou não um burocrata? Ajudaram a tornar mais eficaz o nosso trabalho e as nossas vidas mais civilizadas? Tais serão os critérios com que milhões de eleitores irão medir a aptidão dos candidatos, rejeitar os inaptos, riscando os seus nomes das listas de candidatos, e promover e eleger os melhores. Sim, as campanhas eleitorais serão animadas, e serão centradas em numerosos e muito agudos problemas, sobretudo de natureza prática, de primeira importância para o povo. O nosso novo sistema eleitoral mexerá com todas as instituições e organizações e compeli-las-á a melhorar o seu trabalho. O sufrágio universal, igualitário, direto e secreto na URSS será um chicote nas mãos da população contra os órgãos governamentais que funcionam mal. Na minha opinião, a nossa nova Constituição soviética será a constituição mais democrática do mundo"

 

No seu discurso final, no dia 5 de março, último dia do plenário, Stalin minimizou a necessidade de procurar inimigos, inclusive trotskistas, muitos dos quais, afirmou, regressaram ao Partido. A sua questão principal era a necessidade de afastar os funcionários do Partido de dirigir todos os aspetos da economia, combater a burocracia e elevar o nível político daqueles funcionários. Por outras palavras, Stalin subiu a aposta na crítica aos Primeiros Secretários:

 

"Alguns camaradas de entre nós pensam que, se são Narkom (= Comissários do Povo), sabem tudo que há para saber. Acreditam que o cargo, em si mesmo e por si, garante muito grandes e quase infinitos conhecimentos. Ou pensam: se sou um membro do Comité Central, não o sou por acidente, logo, eu sei tudo. Isto não é assim.”

 

É também importante ressaltar, que a democracia popular e a ditadura do proletariado, não são um “Estado de Direito” burguês só que com “trabalhadores no governo”. Mas uma Nova Democracia, um novo regime fundado da derrubada da ditadura burguesa e latifundiária. Mesmo no Estado mais democrático, na república burguesa mais livre, o Estado ainda tem o mesmo fundamento, que é servir de balcão de negócios para a classe dominante, e reprimir o povo como um todo. Todo Estado é a organização armada de uma classe, sendo o Poder Judiciário, o Parlamento, apenas um biombo da dominação burguesa. E no Brasil esse Estado se reveste de uma superestrutura ainda menos democrática, pois se trata de um país semi-colonial, independente apenas de maneira formalizada, mas servil às potências estrangeiras na pratica, tendo sua economia totalmente ditada pelo imperialismo sobretudo norte-americano, até quase “oficialmente” através do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Isso fez com que ocorresse por exemplo a ditadura militar, hoje inclusive com documentos que comprovam o envolvimento direto dos Estados Unidos no golpe militar de 1964. E fez com que o Brasil adotasse o neoliberalismo e atualmente com o golpe parlamentar o neocolonialismo aberto, inclusive na jurisdição, apesar de dizer que o Brasil é um país soberano. Foi levado cada vez mais à subalternização de ser um país agroexportador e consumidor de manufaturas acabadas, o que nos torna endividados, apesar de ser lucrativo para os latifundiários feudais (herdeiros das sesmarias de Portugal).

 

A única forma portanto de alcançar a sociedade livre da exploração do homem pelo homem, um País verdadeiramente soberano, independente, onde o povo toma seu destino em suas próprias mãos, é através da Revolução Democrática ininterrupta ao Socialismo liderada pelo proletariado e seu Partido em aliança com os camponeses, que por meio da Guerra Popular Prolongada derruba o Estado reacionário e funda um novo.

 

É dessa forma que alcançamos a Paz, nos livrando da sociedade de classes onde uma explora a outra, e isso também desmistifica a mentira de que Stalin além de um “ditador” era um “genocida”, ou que “matou foi pouco”, um sujeito ávido por guerras e morte. Pois o próprio Stalin, um fiel combatente pela Paz Mundial e a liberdade dos povos dizia: "Não tememos ameaças e estamos preparados para responder aos provocadores de guerra, golpe por golpe. Aqueles que desejam a paz e buscam relações comerciais conosco, terão sempre nosso apoio. Mas aqueles que tentarem atacar nosso país receberão uma esmagadora resposta que há de ensiná-los a não meter seu focinho de porco no nosso jardim soviético".

 

E sobre a política de Paz:

 

"a política de cooperação com a URSS compromete as posições dos provocadores de guerra e torna inútil a política desses senhores", disse Stalin na entrevista ao "Pravda", em 28-10-1948

 

 Em todas as épocas e em todos os países, os homens progressistas se levantaram sempre para condenar a guerra e sugerir meios pacíficos de solucionar os conflitos entre os Estados. Mas isso não eram apenas sonhos generosos e utópicos, em contato sério com a realidade.

 

A verdadeira doutrina da paz, científica e ativa, só pôde tomar corpo com a vitória do socialismo, com a edificação de uma sociedade capaz de abolir os antagonismos de classes no seu interior e baseando suas relações exteriores sobre a fraternidade entre os povos.

 

Não foi por acaso que o organizador do primeiro partido marxista de novo tipo, o fundador do Estado Soviético, tornou-se o criador e campeão de uma verdadeira política de paz, proletária e socialista.

 

A obra genial de Lenin foi continuada por Stalin, que a enriqueceu constantemente. Enquanto os imperialistas desejam lançar o mundo numa monstruosa destruição atômica e microbiana, um dos maiores méritos de Stalin é justamente o de se manter firme no leme, à frente das inúmeras forças que se reúnem e combatem em defesa da paz.

 

Da teoria e da prática de Lenin e Stalin, nesta matéria, podem ser destacados três princípios fundamentais:

 

— A guerra é um fenômeno social inerente, em nossos dias, ao imperialismo, e em cada caso concreto, é necessário revelar suas causas profundas e o seu verdadeiro caráter.

— O socialismo constitui a principal força de paz; a natureza socialista do Estado Soviético inspira toda a política exterior da URSS, colocando-a na vanguarda do campo da paz.

— A guerra não é inevitável, a despeito da vontade agressiva das potências imperialistas, a coexistência pacífica do socialismo e do capitalismo é possível; o estabelecimento de uma paz duradoura depende da capacidade das forças populares de amordaçar os incendiários de guerra e impossibilitá-los de causar danos.

 

Baseado na exploração do homem pelo homem e na busca ávida de lucro, o capitalismo conduz necessariamente ao emprego da força bruta,às espoliações, às guerras para a conquista de novos territórios, fontes de matérias primas e mercados para a exportação dos capitais e dos produtos fabricados. Na época do imperialismo, quando as principais potências capitalistas já dividiram entre si a dominação do mundo, toda modificação da relação de forças entre elas conduz à luta por uma nova divisão do mundo.

 

"No capitalismo, um crescimento igual do desenvolvimento econômico dos ramos da economia e dos Estados é impossível. No capitalismo, não há outros meios possíveis para restabelecer, de tempos em tempos, o equilíbrio desfeito, a não ser as crises na indústria, e as guerras, na política".

 

Esta lei da desigualdade do desenvolvimento do capitalismo — desigualdade que se vai acentuando na época do imperialismo — foi descoberta por Lenin e confirmada pelos fatos. Assim como a primeira crise da economia capitalista mundial conduziu à guerra de 1914 a 1918, a segunda crise nas relações internacionais foi a origem da segunda guerra mundial. Diz Stalin, a respeito:

 

"Não foi um acidente, mas o resultado inevitável da evolução das forças econômicas e políticas mundiais na base do capitalismo monopolista contemporâneo"

 

Com a Revolução de Outubro começou a era da ruptura das cadeias do imperialismo. Ao mesmo tempo em que enfraqueceu o sistema capitalista em seu conjunto, a vitória do socialismo na União Soviética colocou, pela primeira vez, a serviço da paz, a potência de um grande Estado. De aspiração generosa, que era antes, do mundo trabalhador, a paz se transformou numa força ativa, dirigida pelo Poder dos Soviets. Tornou-se um movimento com base material sólida, um movimento que não pode deixar de ser levado em conta pelos incendiários de guerra.

 

Nada mais de classes exploradoras, por consequência, não mais a sórdida corrida aos lucros, as sórdidas lutas para se apoderar dos territórios e das matérias primas dos outros países. Sem capitalistas, não há, portanto, nenhuma necessidade de exportar capitais para o exterior, com o fim de tirar da exploração do trabalho de outrem escandalosos lucros. A União Soviética, para viver e prosperar, conta antes de tudo com o trabalho e a energia de seus povos, com a superioridade do regime socialista, mais capaz do que qualquer outro, de assegurar a valorização de todas as riquezas naturais. O que ela não possui, adquire por meio do intercâmbio econômico normal.

 

Tendo abolido em suas fronteiras a opressão nacional, o racismo e toda forma de dominação de um povo sobre outro, a União Soviética baseia suas relações exteriores na cooperação e na fraternidade entre os povos, no respeito à independência e à soberania de cada país.

 

Cada um dos atos da política exterior da URSS se coloca no plano geral da luta consequente para a salvaguarda de suas fronteiras, para a colaboração com os outros países, quaisquer que sejam seus regimes internos, para a organização da segurança coletiva, para a denúncia e o isolamento dos incendiários de guerra.

 

Até a deflagração da segunda guerra mundial, esta política compreende:

 

1. a anulação dos tratados desiguais impostos pela Rússia tzarista aos povos vizinhos, e a conclusão, entre 1919 e 1922, de novos acordos, baseados na igualdade e no respeito à soberania nacional, com o Afeganistão, o Iran, a Turquia, a Mongólia e a China;

2. o estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais com as potências capitalistas que tiveram de reconhecer, oficialmente, em 1924, a existência da União Soviética (principalmente a Inglaterra, a Itália e depois a França) e admitir assim a possibilidade de cooperação com ela;

3. a formulação, pela URSS, de propostas práticas de desarmamento, enunciadas já em princípio nas Conferências Internacionais de Gênova e Haia, em 1922, e retomadas, em termos concretos, imediatamente realizáveis, em Genebra, em 1927 e em 1932;

4. a adesão da URSS à Sociedade das Nações, em 1934, a despeito das fraquezas desta última, com o objetivo de estancar o desencadeamento de uma guerra e de isolar os provocadores fascistas que se mostravam cada vez mais agressivos;

5. a conclusão de pactos de não agressão e de assistência mútua, com o objetivo de consolidar a segurança dos países ameaçados pelas tendências agressivas da Alemanha fascista (pactos com a França e depois com a Tchecoslováquia, em 1935) ou do Japão militarista (pacto de não agressão com a China, em 1937);

6. a proposta de medidas gerais de segurança coletiva, capazes de barrar ainda os agressores no caminho da guerra, a denúncia do perigo da política muniquista de não-intervenção e de encorajamento dos fascistas provocadores de guerra, praticada então pelos dirigentes anglo-franceses com o apoio dos imperialistas americanos, de 1938 a 1939.

 

A política exterior da União Soviética, realizada de acordo com as diretivas fundamentais de Lenin e de Stalin, pesou realmente nos assuntos mundiais e pôs em movimento as novas forças da democracia e da paz que cresciam de modo ininterrupto.

 

Pode-se colocar especialmente no ativo dessa política:

 

— O fato de que os agressores fascistas, malgrado o apoio que receberam dos muniquistas, se acharam isolados, e de que uma frente única de todas as potências imperialistas contra a URSS tornou-se impossível, desde o desencadeamento da segunda guerra mundial.

 

— Uma coalizão anti-hitlerista pôde ser constituída — não obstante o retardamento ocasionado pelas potências anglo-saxônicas na abertura da segunda frente e graças ao papel decisivo jogado nesta guerra pelo Exército Soviético — que chegou a esmagar o fascismo, abrindo assim perspectivas inteiramente novas à marcha progressiva dos povos libertados.

 

— Em lugar de uma consolidação geral do capitalismo, pretendida pela reação internacional, a segunda guerra mundial, terminando com a derrota do fascismo, levou à abertura de novas brechas no sistema imperialista, do qual se destacaram os países de democracia popular. A influência da União Soviética aumentou, sua autoridade internacional agigantou-se e permitiu a união, em torno do Estado socialista, das forças progressistas do mundo inteiro, em um campo da democracia e da paz, que constitui uma poderosa barreira levantada contra os imperialistas provocadores de guerra.

 

Esta não é uma política estreitamente nacional, mas uma política leninista-stalinista internacional, intransigente ao mesmo tempo na defesa da independência dos povos e no interesse da paz mundial, e por isso a política exterior do governo soviético se apoia tanto sobre o reforço contínuo da própria URSS, em todos os terrenos, como sobre a consolidação das democracias populares em marcha para o socialismo e sobre a participação cada vez mais ativa dos povos do mundo inteiro na luta por uma paz duradoura.

 

É imperativo também desmentir brevemente algumas falácias sobre os supostos milhões de mortos na época staliniana, e com isso calar a boca da imprensa burguesa que trabalha em prol da desinformação e tem o objetivo de jogar o povo na ignorância a respeito de seus heróis. E apesar de ser uma piada, e ela não ter tantos efeitos práticos (até por que são veiculadas em sua maioria por militantes dos partidos revisionistas e oportunistas que publicamente negam Stalin), elas confundem por completo, não só entre os cidadãos comuns, mas entre os próprios autointitulados comunistas, qual é o significado da defesa do camarada Stalin como um dos pilares do socialismo científico e continuador direto de Lenin. Qual é o significado político da defesa do socialismo para os povos semi-coloniais? democracia popular, ditadura do proletariado, paz, independência e soberania nacional, internacionalismo proletário e liberdade dos povos. E quais são os posicionamentos políticos verdadeiros que derivam destes alguns significados listados. O conteúdo do que é ser de fato um marxista-leninista-maoista (ciência do proletariado nos dias atuais), não apenas na teoria mas também na prática. Ao invés de “vestir a camisa” e se autoproclamar comunista, marxista-leninista e defensor de Stalin, mas ao contrário defender posicionamentos totalmente incompatíveis, como a democracia “no geral” e sem um povo alçado em armas, a “paz” fictícia e também com um povo desarmado e uma classe operária desorganizada (através da legalização as drogas por exemplo), a negação completa do patriotismo e do anti-imperialismo (não confundir com nacionalismo chauvinista), a negação implícita da ditadura do proletariado (e da própria ditadura burguesa-latifundiária e imperialista atual) e da luta de classes através do eleitoralismo, o cosmopolitismo abstrato no lugar do internacionalismo proletário, a negação da necessidade histórica de um partido de vanguarda, a negação das etapas da revolução e da etapa atual da Revolução Brasileira e defender tudo isso sendo “carrancudo” ou algo do tipo. Essas dentre tantas outras falsificações, que passam pela não demarcação de uma linha muito clara e nítida entre os verdadeiros defensores do Camarada Stalin e aqueles que só dizem o defender por conta de “estética” para enganar incautos.

 

Ao lado de Hitler no comando da Alemanha estava o ministro da propaganda, Goebells, o máximo responsável para incutir o sonho nazi no povo alemão. Este era o sonho do povo da raça pura vivendo numa Grande Alemanha, um país com um grande "lebensraum", um grande espaço para viver. Uma parte deste "lebensraum", uma área muito maior do que a Alemanha, iria ser conquistada no Este e incorporada na nação alemã. Em 1925 no livro Mein Kampf já Hitler tinha indicado a Ucrânia como uma parte integrante do espaço alemão. A Ucrânia e outras regiões no Este da Europa iriam pertencer à nação alemã para poderem ser utilizadas de uma maneira "correta". Segundo a propaganda nazi, a espada alemã iria libertar essa terra para dar lugar ao arado alemão! Com técnica alemã e empresas alemãs a Ucrânia iria ser transformada na terra produtora de cereais da Alemanha! Mas primeiro teriam os alemães que libertar a Ucrânia do seu povo de "seres humanos inferiores", os quais, segundo a propaganda nazi, seriam utilizados como força de trabalho escrava nas casas, fábricas e agriculturas alemãs, em todos os lugares onde a economia alemã necessitasse deles.

 

A conquista da Ucrânia e de outras regiões da União Soviética implicava necessariamente guerra contra a União Soviética, o que era necessário preparar a longo termo. Para esse efeito o ministério de propaganda nazi, chefiado por Goebbels, iniciou em 1934 uma campanha sobre um suposto genocídio feito pelos bolcheviques na Ucrânia, uma terrível catástrofe de fome que teria sido provocada por Stálin para submeter e obrigar os camponeses a aceitar a política socialista. O objetivo da campanha nazi era de preparar a opinião pública mundial para a "libertação" da Ucrânia pelas tropas alemãs. Apesar de grandes esforços e embora alguns textos da propaganda alemã fossem publicados na imprensa inglesa, a campanha nazi sobre o "genocídio" na Ucrânia não teve grande sucesso a nível mundial. Era evidente que Hitler e Goebbels necessitavam de ajuda para espalhar as calúnias sobre a União Soviética. A ajuda foi encontrada nos Estados Unidos da América!

 

William Randolph HEARST é o nome do multimilionário americano que veio ajudar os nazis na guerra psicológica contra a União Soviética. Hearst é o redator americano conhecido como sendo o "pai" da chamada imprensa amarela, a imprensa sensacionalista. William Hearst começou a carreira de redator em 1885, quando o seu pai George Hearst, milionário da indústria mineira, senador e redator, lhe deu a chefia do jornal São Francisco Daily Examiner. Assim começou também o império jornalístico de Hearst que de uma maneira definitiva iria deixar marcas profundas na vida e nos conceitos dos norte-americanos. Depois da morte do pai, William Hearst vendeu todas as ações da indústria mineira que herdou e começou a investir o capital no mundo jornalístico. A primeira compra que fez foi o New York Morning Journal, um jornal de tipo tradicional que Hearst transformou totalmente num jornal sensacionalíssimo. As notícias eram compradas a qualquer preço e quando não havia crueldades ou crimes violentos para contar cabia aos jornalistas e fotógrafos "arranjar" o assunto. É justamente esta a marca da "imprensa amarela", a mentira e a crueldade arranjada e servida como verdade.

 

Os conceitos de William Hearst eram extremamente conservativos, nacionalistas e anticomunistas. A sua política era a política da extrema direita. Em 1934 fez uma viagem à Alemanha onde foi recebido por Hitler como convidado e amigo. Depois desta viagem os jornais de Hearst tornaram-se ainda mais reacionários, sempre com artigos contra o socialismo, contra a União Soviética e em especial contra Stálin. Hearst tentou também utilizar os seus jornais para fazer propaganda nazi abertamente, com uma série de artigos de Göring, a mão direita de Hitler. No entanto os protestos de muitos leitores obrigaram-no a parar a publicação e retirar os artigos.

 

Depois da visita a Hitler os jornais sensacionalistas de Hearst vinham cheios de "revelações" sobre acontecimentos terríveis na União Soviética como assassinatos, genocídios, escravidão, luxo para os governantes e fome para o povo, sendo estas as grandes "notícias" diárias. O material era dado a Hearst pela Gestapo, a polícia política da Alemanha nazi. Nas primeiras páginas dos jornais havia muitas vezes caricaturas ou imagens falsas da União Soviética onde Stálin era retratado como um assassino de faca na mão. Não esqueçamos que estes artigos eram lidos diariamente por 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos e milhões de outras em todo o mundo!

 

Uma das primeiras campanhas da imprensa de Hearst contra a União Soviética foi sobre os supostos milhões de mortos, vítimas da fome na Ucrânia. A campanha iniciou-se em 18 de fevereiro de 1935 no jornal Chicago American com um título na primeira página, "Seis milhões de mortos de fome na União Soviética". Utilizando material vindo da Alemanha nazi começou assim o simpatizante do nazismo e magnata da imprensa William Hearst a publicar histórias fantásticas sobre um genocídio provocado pelos bolcheviques com muitos milhões de mortos de fome na Ucrânia. A realidade era bem diferente. O que se tinha passado na União Soviética no princípio da década de 1930 foi uma grande luta de classes em que os camponeses pobres e sem-terra se levantaram contra os grandes agrários ricos, os kulaks, e iniciaram a luta pelos coletivos agrícolas, os kolchozes. Esta grande luta de classes que envolvia direta ou indiretamente 120 milhões de camponeses causou instabilidade na produção agrícola e em algumas regiões falta de produtos alimentares. A falta de comida enfraquecia as pessoas, o que contribuiu para um aumento de vítimas de epidemias infecciosas. Este tipo de epidemias era nessa altura um acontecimento tristemente comum no mundo. De 1918 a 1920 uma epidemia infecciosa conhecida como a gripe espanhola fez milhões de mortos nos EUA e na Europa (mais de 20 milhões), mas nunca ninguém acusou os governos desses países de matarem os seus cidadãos. O fato é que os governos nada podiam fazer contra epidemias desta espécie. Só com o aparecimento da penicilina durante a segunda guerra mundial é que as epidemias infecciosas poderão começar a serem combatidas com êxito no fim da década de 1940.

 

Os artigos na imprensa de Hearst sobre os milhões de mortos de fome na Ucrânia que tinha sido "provocada pelos comunistas" eram detalhados e terríveis. A imprensa de Hearst utilizou tudo ao seu alcance para fazer da mentira realidade, provocando a opinião pública nos países capitalistas a voltar-se fortemente contra a União Soviética. Assim se originou o primeiro grande mito dos milhões de mortos na União Soviética. Na vaga de protestos contra a fome "provocada pelos comunistas" que se seguiu na imprensa ocidental ninguém quis escutar os desmentidos da União Soviética, sendo o completo desmascaramento das mentiras da imprensa de Hearst em 1934, adiado até 1987! Durante mais de 50 anos e na base destas calunias, várias gerações de pessoas em todo o mundo foram levadas a formar uma visão negativa do socialismo e da União Soviética.

 

A campanha de desinformação dos nazis sobre a Ucrânia não morreu com a derrota da Alemanha nazi na segunda guerra mundial. As mentiras nazistas foram retomadas pela CIA e pelo MI5 britânico e tiveram sempre um lugar garantido na guerra de propaganda contra a União Soviética. As campanhas anticomunistas de McCarthy nos EUA, depois da segunda guerra mundial, também viveram à custa dos "milhões de mortos de fome da Ucrânia". Em 1953 foi publicado um livro nos EUA sobre este tema, com o titulo "Black Deeds of the Kremlin" (Os feitos negros do Kremlin). A publicação foi paga por refugiados ucranianos nos EUA, gente que tinha colaborado com os nazis na segunda guerra mundial a quem o governo americano deu asilo político apresentando-os ao mundo como democratas.

 

Quando Reagan foi eleito presidente dos EUA e iniciou a sua campanha anticomunista na década de 1980, renovou-se a propaganda dos "milhões de mortos na Ucrânia". Em 1984 um professor da Universidade de Havard editou um livro com o título de "Human life in Rússia" (Vida humana na Rússia) em que estava incluído o material falso da imprensa nazi de Hearst de 1934. Em 1984 foram assim reeditadas as mentiras e falsificações nazistas dos anos 30 mas agora com a capa respeitável de uma universidade americana. Mas a história não fica por aqui. Já em 1986 saiu mais um livro sobre o tema, com o título "The Harvest of Sorrow", escrito pelo anterior agente da polícia secreta britânica Robert Conquest que é hoje professor da Universidade de Stansfort na California. Pelo "trabalho" com o livro Conquest recebeu 80.000 dólares da Ukraina National Association. A mesma associação pagou também um filme feito em 1986, o "The Harvest of Despair", em que, entre outras coisas, se utilizou o material de Conquest. Nesta altura já os números apresentados nos EUA dos "mortos de fome na Ucrânia" iam em 15 milhões de pessoas!

 

No entanto os milhões de mortos de fome na Ucrânia apresentados na imprensa americana de Hearst e a sua utilização em livros e filmes era material completamente falso. O jornalista canadiano Douglas Tottle demonstrou rigorosamente essa falsificação no seu livro "Fraud, Famine and Fascism, The Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Havard" editado em Toronto em 1987. Entre outras coisas Tottle mostrou que o material fotográfico apresentado, fotografias horríveis de crianças esfomeadas, foi tirado de publicações do ano de 1922 numa altura em que milhões de pessoas morreram na guerra e de fome, quando oito exércitos estrangeiros invadiram a União Soviética durante a guerra civil de 1918 - 1921. Douglas Tottle apresenta também os factos sobre a reportagem da fome, feita em 1934 e demonstra a mixórdia de mentiras publicadas na imprensa de Hearst.

 

O jornalista que durante muito tempo tinha enviado reportagens e fotografias das chamadas zonas da fome, um certo Thomas Walter, nunca tinha estado na Ucrânia, mas apenas estado em Moscovo durante cinco dias. Este facto foi revelado pelo jornalista Louis Fischer, o então correspondente de Moscovo do jornal americano The Nation. Fisher revelou também que o jornalista M. Parrott, o verdadeiro correspondente em Moscovo da imprensa de Hearst, tinha enviado a Hearst reportagens que nunca foram publicadas, sobre as ceifas com muito bons resultados em 1933 na União Soviética e sobre uma Ucrânia soviética em desenvolvimento. Tottle mostra-nos também que o jornalista que fez as reportagens sobre a suposta fome para Hearst, o tal Thomas Walker, na realidade se chamava Robert Green, um condenado escapado da prisão estatal do Colorado! Este Walker, ou seja Green, foi preso no retorno aos EUA e confessou em tribunal nunca ter estado na Ucrânia. Todas estas mentiras sobre os milhões de mortos de fome na Ucrânia nos anos 30, uma fome que teria sido provocada por Stálin, só vieram a ser conhecidas e desmascaradas em 1987! O nazista Hearst, o agente da polícia Conquest e outros, têm intrujado milhões de pessoas com as suas mentiras e falsas reportagens. Ainda hoje aparecem as histórias do nazi Hearst em livros recém editados, de escritores pagos pela direita.

 

A imprensa de Hearst com uma posição monopolista em muitas cidades nos EUA e com agências de notícias em todo o mundo foi o grande megafone da Gestapo. Num universo dominado pelo capital monopolista foi possível à imprensa de Hearst transformar as mentiras da Gestapo em verdades e faze-las sair em muitos jornais, estações de rádio e mais tarde na televisão em todo o mundo. Quando a Gestapo desapareceu, continuou a guerra suja da propaganda contra o socialismo e a União Soviética, agora com a CIA como patrão. As campanhas anticomunistas na imprensa americana continuaram na mesma escala. "Business as usual" - negócio como sempre, primeiro a Gestapo, depois a CIA.

 

Este homem amplamente citado na imprensa burguesa, um verdadeiro oráculo para a burguesia, merece aqui uma apresentação muito concreta. Robert Conquest é um dos autores que mais tem escrito sobre os "milhões de mortos na União Soviética", na realidade o verdadeiro "pai" de quase todos os mitos e mentiras sobre a União Soviética difundidos depois da segunda guerra mundial. Conquest é conhecido principalmente pelos seus livros "O grande terror" de 1969 e "Harvest of Sorrow" (Colheita de amargura) de 1986. Conquest escreve sobre milhões de mortos de fome na Ucrânia, nos campos de trabalho Gulag e durante os processos de 1936 a 1938 utilizando como fontes de informação os exilados ucranianos nos EUA pertencentes aos partidos de direita que haviam colaborado com os nazistas na segunda guerra mundial. Muitos dos heróis de Conquest são conhecidos como criminosos de guerra que comandaram e participaram no genocídios dos judeus na Ucrânia. Um destes é Mykola Lebed, condenado como criminoso de guerra depois da segunda guerra mundial. Lebed era o chefe de segurança em Lvov durante a ocupação nazi e as terriveis perseguições aos judeus em 1942. Em 1949 a CIA levou Lebed para os Estados Unidos onde tem trabalhado como desinformador.

 

O estilo nos livros de Conquest é de um anticomunismo violento e fanático. No livro de 1969 diz-nos Conquest que o número de mortos na fome na União Soviética nos anos 1932-33 foi de 5 a 6 milhões de pessoas, metade delas na Ucrânia. Mas em 1983, durante a campanha anticomunista de Reagan, já Conquest aumentava os anos de fome até 1937 e os mortos até 14 milhões! Tal declaração valeu-lhe um trabalho bem pago quando em 1986 foi escolhido por Reagan para escrever o material do livro da campanha presidencial com o fim de preparar o povo americano para uma invasão soviética... O livro chama-se "Que fazer quando os russos vierem, um manual de sobrevivência"! Um trabalho estranho para um professor de história...

 

Na realidade isto não é estranho para um homem que em toda a sua vida tem vivido à custa de mentiras e histórias inventadas sobre a União Soviética e Stálin, primeiro como agente da polícia e depois como escritor e professor da Universidade de Stansfort na California. O passado de Conquest foi exposto no jornal The Gardian em 27 de Janeiro de 1978 num artigo que o apontava como um ex-agente do departamento de desinformação IRD - Information Research Departement, do serviço secreto inglês. O IRD foi uma secção iniciada em 1947 (com o nome inicial de Communist Information Departement) tendo como tarefa principal combater a influência dos comunistas em todo o mundo através de "plantar" histórias escolhidas no seio dos políticos, jornalistas e todos os que influenciavam a opinião pública.

 

As atividades do IRD eram muito amplas, tanto em Inglaterra como no exterior. Quando o IRD teve que ser formalmente extinto em 1977, por causa de contatos com a extrema direita, verificou-se que, só em Inglaterra, mais de 100 dos jornalistas mais conhecidos tinham pessoalmente um contato com um agente do IRD que regularmente dava ao "seu" jornalista material para os artigos a escrever. Isto era rutina nos grandes jornais ingleses tais como o Financial Times, Times, Observer, Sunday Times, Telegraph, Ekonomist, Daily Mail, Mirror, Express, Guardian e outros. Os factos apresentados pelo jornal The Gardian dão-nos assim uma indicação de como a polícia política dirige as notícias que chegam ao grande público.

 

Robert Conquest foi agente da IRD desde o começo desta secção da polícia secreta e até 1956. O "trabalho" de Conquest era escrever as chamadas "histórias negras" sobre a União Soviética, histórias falsas consideradas como factos, a serem distribuídas a jornalistas e outras pessoas com influência na opinião pública. Depois de ter formalmente deixado a IRD, Conquest continuou a escrever textos propostos pela IRD e com o apoio dessa polícia. O seu livro "O grande Terror", livro básico da direita sobre os "milhões de mortos" durante a luta partidária na União Soviética em 1937, é na realidade um compilado de textos que ele escreveu durante a sua vida como agente da IRD. O livro foi acabado e publicado com o apoio da IRD. Um terço dos livros impressos foram comprados pela editorial Praeger que normalmente é conhecida por publicar literatura com origem na polícia política americana, a CIA. O livro de Conquest tem sido utilizado para ser dado como presente aos chamados "idiotas úteis", a professores universitários e a gente que trabalha na imprensa, rádio e televisão, para garantir que as mentiras de Conquest e da extrema direita continuem a ser espalhadas por grandes camadas da população. Conquest é ainda hoje uma das fontes mais importantes onde os historiadores de direita vão buscar material sobre a União Soviética.

 

Comecemos com a pergunta 1 sobre o sistema correcional soviético. Depois de 1930 o sistema correcional soviético compreendia prisões, campos de trabalho e colónias de trabalho do Gulag, zonas especiais abertas e pagamento de multas. Aquele que recebesse voz de prisão era geralmente colocado numa prisão normal enquanto se faziam as investigações que poderiam demonstrar a sua inocência e dar-lhe liberdade ou levar o caso a julgamento. O acusado levado a julgamento podia ser considerado inocente e ganhar a liberdade ou caso fosse julgado culpado condenado a uma pena de multa, prisão ou em casos mais raros, pena de morte. A pena de multa podia ser uma certa percentagem do salário durante um certo tempo. Os acusados julgados a pena de prisão podiam ser postos em diferentes tipos de prisão dependendo do tipo de crime.

 

Para os campos de trabalho Gulag iam os criminosos de crimes graves (homicídio, roubo, violação, crimes económicos, etc.) e uma grande parte dos condenados por atividades contrarrevolucionárias. Outros criminosos com pena superior a três anos podiam também ser postos em campos de trabalho. Depois de um tempo num campo de trabalho o preso podia ser mudado para uma colónia de trabalho ou uma zona especial aberta. Os campos de trabalho eram zonas muito grandes onde os condenados viviam e trabalhavam debaixo de um grande controlo. Trabalhar e não ser um peso para a sociedade era coisa evidente, nenhuma pessoa saudável passava sem trabalhar. Pode ser que alguém hoje em dia pense que isto é terrível, mas esta era a realidade. O número de campos de trabalho era de 53 em 1940. As colónias de trabalho do Gulag eram 425, unidades muito mais pequenas que os campos de trabalho e com um regime mais livre e com menos controlo. Para aí iam os presos com penas de prisão mais pequenas, tanto de delito comum ou políticos, trabalhando em liberdade em fábricas e na agricultura que eram uma parte da economia da sociedade civil. Na maioria dos casos o salário desses trabalhos revertia por inteiro ao condenado, em igualdade com os outros trabalhadores. As zonas especiais abertas eram em geral zonas agrícolas para as quais eram exilados os kulakos que tinham sido expropriados durante a coletivização. Outros condenados por penas menores ou atividades contrarrevolucionárias podiam também cumprir as penas nestas zonas.

 

Segunda pergunta. Qual era o número de presos "políticos" e de delito comum? A questão inclui os presos nos campos de trabalho e nas colónias de trabalho do Gulag e nas prisões, ainda que tendo em conta que a privação da liberdade nas colónias de trabalho era na maioria dos casos reduzida. Vejamos os números do quadro abaixo do material da AHR respeitante ao período de vinte anos a começar em 1934 quando o sistema correcional foi reunido numa administração central e até 1953 quando Stálin morreu.

 

Tabela de The American Historical Review

 

 

Da tabela acima há uma série de conclusões a tirar. Para começar podemos comparar os números da tabela com os de Robert Conquest. Este diz-nos que em 1939 havia 9 milhões de presos políticos nos campos de trabalho e que 3 milhões mais tinham morrido durante o período de 1937-39. Não esqueça o leitor que os números de Conquest se referem apenas a presos políticos! Além desses, diz-nos Conquest que havia os presos de delito comum que segundo ele eram em muito maior número que os "políticos". Em 1950 havia segundo Conquest 12 milhões de presos políticos! Com os factos na mão podemos ver agora o falsificador que este Conquest na realidade é. Não há um único número que corresponda à realidade. No ano de 1939 havia em todos os campos, colónias e prisões cerca de 2 milhões de presos. Desses eram 454 mil condenados por crimes politicos e não 9 milhões como Conquest afirma. Os mortos nos campos de trabalho de 1937 a 1939 foram cerca de 160 mil e não 3 milhões como diz Conquest. No ano de 1950 havia nos campos de trabalhos 578 mil presos por crimes políticos e não 12 milhões. Não esqueça o leitor que este Robert Conquest ainda hoje é uma das fontes mais importantes da propaganda da direita contra o comunismo. Para os pseudointelectuais da direita Conquest é como um deus. No que diz respeito aos números de Alexander Solzhenitsyn, os 60 milhões de mortos nos campos de trabalho, não há necessidade de comentários, o ridículo da afirmação é evidente. Só uma mente enferma pode afirmar tais fantasias.

 

Deixemos agora os falsificadores e façamos uma análise concreta das estatísticas do Gulag. A primeira questão que se põe é o que pensar do número de pessoas no sistema correcional. Que significado tem o número mais alto de 2,5 milhões? Cada pessoa posta em prisão é um testemunho de que a sociedade ainda não se desenvolveu para poder dar a cada cidadão o necessário para uma vida positiva. Vendo as coisas desta maneira são os 2,5 milhões uma nota negativa para a sociedade.

 

Agora, segue uma parte do artigo “As Mentiras sobre a União Soviética”, escrito por Mario Souza (o link com o texto completo está no final do artigo):

 

As mentiras sobre a União Soviética

 

Uma breve discussão sobre os relatórios dos investigadores

 

As investigações dos historiadores russos revelam uma realidade totalmente diferente da que tem tem sido ensinada nas escolas e universidades do mundo capitalista durante os últimos cinquenta anos. Durante esses cinquenta anos de guerra fria têm várias gerações aprendido só mentiras sobre a União Soviética e isto tem deixado marcas profundas em muitas pessoas. Este facto constatado também se verifica nos relatórios dos investigadores franceses e americanos. Nestes relatórios são-nos dados números e tabelas de presos e mortos, discutindo-se esses números num trabalho de grande amplitude. Mas o principal e mais importante, isto é, os crimes praticados pelos presos, nunca é alvo de uma discussão séria! A propaganda política dos capitalistas tem-se referido sempre aos presos na União Soviética como sendo vítimas e os investigadores utilizam este termo sem pôr em questão a sua veracidade. Quando os investigadores passam das colunas de estatística aos comentários sobre os acontecimentos, vêm as concepções burguesas à luz e o resultado é por vezes macabro. Os condenados no sistema correcional soviético são chamados vítimas, mas o facto é que a maioria eram ladrões, assassinos, violadores, etc. Criminosos deste calibre nunca seriam tratados como "vitimas" na imprensa se os crimes fossem cometidos na Europa ou nos EUA. Mas como os crimes foram cometidos na União Soviética tudo é possível. Chamar "vítima" a um assassino ou violador que repete o crime é coisa muito suja. Uma tomada de posição pela justiça soviética no que diz respeito aos criminosos de delito comum condenados por crimes violentos deveria de ser consequente, senão no tipo de pena pelo menos na questão da condenação do crime.

 

Os koulaks e a contrarrevolução

No que diz respeito aos contrarrevolucionários é também importante discutir os crimes de que foram acusados. Discutamos dois exemplos para mostrar o fundo da questão, em primeiro lugar os koulaks condenados no começo da década de 1930 e depois os conjurados e contrarrevolucionários condenados em 1936-38. Segundo os relatórios publicados sobre os koulaks, os camponeses ricos, foram 381 mil famílias ou seja cerca de 1,8 milhões de pessoas condenadas a exílio. Uma pequena parte dessas pessoas foi condenada a penas nos campos de trabalho ou em colónias de trabalho. Mas qual foi a causa da condenação desses koulaks?

 

O camponês rico russo, o koulak, sujeitou os camponeses pobres durante centenas de anos a uma opressão sem limites e a uma exploração sem considerações. Dos 120 milhões de camponeses em 1927, viviam 10 milhões de koulaks na abundancia e os restantes 110 milhões ainda na pobreza - antes da revolução na mais completa das misérias. A riqueza dos koulaks vinha do trabalho mal pago aos camponeses pobres. Quando os camponeses pobres se começaram a juntar em coletivos agrícolas desapareceu a principal fonte de riqueza dos koulaks. Mas os koulaks não desistiram, tentando retomar a exploração através da fome. Grupos de koulaks armados atacavam os coletivos agrícolas, matavam camponeses pobres e funcionários do partido, deitavam fogo aos campos e matavam os animais de trabalho. Provocando a fome entre os camponeses pobres os koulaks tentavam garantir a continuação da pobreza e da sua posição de poder. Os acontecimentos que se sucederam não foram o que os assassinos tinham pensado. Desta vez os camponeses pobres foram apoiados pela revolução e mostraram-se mais fortes do que os koulaks, os quais foram derrotados, presos e condenados a exílio ou a penas em campos de trabalho.

 

Dos 10 milhões de koulaks foram 1,8 milhões condenados. Houve talvez injustiças nesta enorme luta de classes nos campos soviéticos que contava com 120 milhões de pessoas. Mas poderemos acusar os pobres e os oprimidos, na sua luta por uma vida que valha a pena viver, na sua luta para que os filhos não viessem a ser analfabetos com fome, de não serem civilizados ou clementes nos seus juizos? Podem-se acusar os que durante centenas de anos nunca tiveram acesso aos avanços da civilização de não serem civilizados? E digam-nos, quando foi a classe exploradora dos koulaks civilizada ou clemente para com os camponeses pobres durante anos e anos de exploração sem fim?

 

As depurações de 1937

O nosso segundo exemplo, sobre os contrarrevolucionários condenados nos julgamentos de 1936-38 depois das depurações no partido, exército e no aparelho estatal, tem raízes na história do movimento revolucionário na Rússia. Milhões de pessoas participaram na luta vitoriosa contra o Czar e a burguesia russa, vindo muitos deles a entrar para o partido comunista. Entre todas essas pessoas havia infelizmente os que tinham entrado para o partido por outras razões do que para lutar pelo poder proletário e pelo socialismo. Mas a luta de classes era tal que muitas vezes não havia tempo nem possibilidades para pôr à prova os novos militantes. Até mesmo militantes de outros partidos que se diziam socialistas e que tinham combatido o partido bolchevique foram aceites no partido comunista. A uma parte desses novos militantes foram dados postos importantes no partido bolchevique, estado e exército, tudo dependendo da sua capacidade individual para conduzir a luta de classes.

 

Eram tempos muito difíceis para o jovem estado soviético e a grande falta de quadros, ou simplesmente de pessoas que soubessem ler, obrigava o partido a não fazer grandes exigências no que diz respeito à qualidade dos novos militantes e quadros. De todos estes problemas formou-se com o tempo uma contradição que dividiu o partido em dois campos - de um lado os que queriam ir para a frente na luta pela sociedade socialista, por outro lado os que consideravam que ainda não havia condições para realizar o socialismo e que propunha uma política social democrática. A origem desta últimas ideias vinha de Trotski que tinha entrado para o partido comunista em Julho de 1917. Trotski foi com o tempo obtendo apoio de alguns dos bolcheviques mais conhecidos. Esta oposição unida contra os ideais bolcheviques originais era uma das opções na votação partidária sobre a política a seguir pelo partido, realizada em 27 de Dezembro de 1927. Antes desta votação tinha havido uma grande discussão partidária durantes vários anos e não houve dúvida quanto ao resultado. Dos 725 000 votos a oposição só obteve 6 000 - ou seja, menos de 1% dos militantes do partido apoiaram a oposição unida.

 

Em consequencia da votação e uma vez que a oposição trabalhava por uma política diferente da do partido, o comité central do partido comunista decidiu expulsar do partido os principais dirigentes da oposição unida. A pessoa central da oposição, Trotski, foi expulso da União Soviética. Mas a história da oposição não acabou aqui. Sinovjev, Kamenjev e Evdokimov fizeram pouco depois autocrítica, assim como vários dos principais trotskistas como Pjatakov, Radek, Preobrajenski e Smirnof. Todos esses foram novamente aceites como militantes do partido e retomaram os seus trabalhos no partido e no estado. Com o tempo verificou-se que as autocríticas da oposicão não eram uma expressão verdadeira, estando os principais oposicionistas unidos do lado da contrarevolução cada vez que a luta de classes endurecia na União Soviética. A maioria desses oposicionistas foi expulso e readmitido mais umas duas vezes antes de se ter formado a situação definitiva  em 1937-38.

 

Sabotagem industrial

O assassinato de Kirov em Dezembro de 1934, o presidente do partido em Leninegrado e uma das pessoas mais importantes do comité central, veio a dar origem à descoberta de uma organização secreta que preparava uma conspiração para tomar posse da direção do partido e do governo do país através de um ato violento. A luta política que tinham perdido em 1927 queriam agora ganhá-la através de violência organizada contra o estado. A organização tinha uma rede de apoios no partido, exército e aparelho estatal em todo o país, sendo as atividades mais importantes sabotagem industrial, terrorismo e corrupção. Trotski, o principal inspirador da oposição dirigia as atividades do estrangeiro. A sabotagem industrial causava uma perda terrível para o estado soviético, com um custo económico enorme como por exemplo máquinas importadas que se estragavam sem possível reparação, e uma enorme baixa na produtividade nas minas e fábricas.

 

Uma das pessoas que em 1939 descreveu o problema foi o engenheiro americano John Littlepage, um dos especialistas estrangeiros contratados para trabalhar na União Soviética. Littlepage trabalhou 10 anos na indústria mineira soviética, entre 1927 e 1937, principalmente nas minas de ouro. No seu livro "In search of Soviet gold" escreve, "Eu nunca tive interesse pela subtilidade das manobras políticas na Rússia enquanto as podia evitar; mas tive que estudar o que acontecia na indústria Soviética para poder fazer um bom trabalho. E estou firmemente convencido de que Stálin e os seus colaboradores levaram muito tempo até descobrir que os comunistas revolucionários descontentes eram os seus inimigos mais perigosos". Littlepage escreveu também que a sua própria experiência confirmava as declarações oficiais de que uma conspiração conduzida do exterior se utilizava de uma grande sabotagem industrial como uma parte de um processo para fazer cair o governo. Já em 1931 Littlepage tinha sido obrigado a constatar isso durante um trabalho nas minas de cobre e chumbo no Ural e no Cazaquistão. As minas eram uma parte do grande complexo de cobre-chumbo cujo chefe máximo era Piatakov, o vice comissário do povo para a indústria pesada. O estado das minas era catastrofal no que diz respeito à produção e ao bem estar dos trabalhadores. A conclusão de Littlepage foi de que havia uma sabotagem organizada proveniente da direção superior do complexo de cobre-chumbo.

 

O livro de John Littlepage dá-nos também a conhecer de onde a oposição trotskista recebia o dinheiro necessário para pagar a atividade contrarrevolucionária. Vários membros da oposição secreta utilizavam os seus postos na União Soviética para aprovar a compra de máquinas de certas fábricas no estrangeiro. Os produtos aprovados eram de uma qualidade muito baixa mas eram pagos pelo governo soviético ao preço mais alto. As fábricas estrangeiras davam à organização de Trotski no estrangeiro o ganho económico de tais transações, em troca do qual Trotski e os seus conjurados na União Soviética continuavam a fazer mais compras dessa fábricas.

 

Roubo e corrupção

Este procedimento foi constatado por Littlepage em Berlin na primavera de 1931 quando da compra de elevadores industriais para as minas. A delegação soviética era chefiada por Pjatakov, sendo Littlepage o especialista encarregado de verificar a qualidade dos elevadores e aprovar a compra. Littlepage descobriu a fraude com os elevadores de má qualidade, inúteis para a União Soviética, mas quando comunicou o facto a Pjatakov e aos outros membros da delegação soviética foi recebido de uma maneira fria como se quisessem fugir aos factos e continuando a exigir que ele aprovasse a compra dos elevadores. Littlepage não aprovou. Na altura pensou que o que se passava era uma questão de corrupção pessoal e que os membros da delegação recebiam subornos da fábrica de elevadores. Mas depois de Pjatakov, no julgamento de 1937, ter confessado a sua ligação à oposição trotsquista, Littlepage foi obrigado a constatar que o que ele tinha observado em Berlim era muito mais do que corrupção a nível pessoal. O dinheiro em causa era destinado ao pagamento das atividades da oposição secreta na União Soviética, atividades essa que compreendiam sabotagem, terrorismo, subornos e propaganda.

 

Zinoviev, Kaménev, Piatakov, Radek, Smirnof, Tomski, Boukharine e outros tão queridos à imprensa ocidental burguesa, utilizavam-se dos postos que o povo soviético e o partido lhes tinha dado, para roubar dinheiro ao estado, para que esse dinheiro fosse utilizado pelos inimigos do socialismo no estrangeiro na sabotagem e no combate à sociedade socialista na União Soviética.

 

Planos para golpe de estado

O tipo do crime no que diz respeito a roubo, sabotagem e corrupção é um crime sério, mas as atividade da oposição iriam muito mais longe. A conspiração contrarrevolucionária preparava-se para tomar o poder com um golpe de estado no qual toda chefia soviética seria eliminada, começando pelo assassínio das pessoas mais importantes do comité central do partido comunista. A parte militar do golpe de estado seria realizada por um grupo de generais encabeçado pelo marechal Toukhatchevski. Segundo Issak Deutsher, o trotskista que escreveu muitos livros contra Stálin e a União Soviética, o golpe de estado seria iniciado com uma operação militar contra o Kremlin e contra as tropas mais importantes nas grandes cidades como Moscovo e Leninegrado. A conspiração era, segundo Deutscher, chefiada por Toukhatchevski em conjunto com Gamarnik, chefe dos comissários políticos do exército, o general Iakir, comandante de Leninegrado, o general Ouborévitch, comandante da academia militar de Moscovo e o general Primakov um dos chefes da cavalaria.

 

O marechal Toukhatchevski era um oficial do antigo exército czarista que depois da revolução se tinha passado para o Exército Vermelho. Em 1930 cerca de 10% dos oficiais, ou seja cerca de 4500, eram antigos oficiais czaristas. Muitos deles nunca tinham deixado as suas posições burguesas e esperavam na calada um oportunidade para lutarem por elas. A oportunidade apareceu quando a oposição se preparava para dar um golpe de estado. Os bolcheviques eram fortes mas as conspirações civil e militar também trataram de arranjar amigos fortes. Segundo a confissão de Boukharine no julgamento público em 1938, existia um acordo feito entre a oposição trotskista e a Alemanha nazi, no qual grandes regiões, entre elas a Ucrânia, seriam dadas à Alemanha nazi depois do golpe de estado contrarrevolucionário na União Soviética. Este era o pagamento exigido pela Alemanha nazi pelo apoio prometido aos contrarrevolucionários. Boukharin tinha sido informado deste acordo por Radek que sobre a questão tinha recebido uma diretiva de Trotski. Todos estes conspiradores que tinham sido eleitos para altas posições, para chefiar, administrar e defender a sociedade socialista, trabalhavam na realidade para destruir o socialismo. Além do mais é preciso não esquecer que tudo isto se passou no decénio de 1930 quando o perigo nazista crescia sem parar e os exércitos nazistas punham a Europa a arder e preparavam uma invasão da União Soviética. Os conspiradores foram condenados à morte como traidores em julgamento público. Os culpados de sabotagem, terrorismo, corrupção, tentativa de assassínio e que queriam dar uma parte do país aos nazistas não podiam esperar outro fim. Chamar-lhes vítimas é um erro total.

 

Mais números mentirosos

É interessante saber como a propaganda ocidental, através de Robert Conquest, tem mentido sobre as depurações no Exército Vermelho. Conquest diz no seu livro "O grande terror" que em 1937 havia 70000 oficiais e comissários políticos no Exército Vermelho e que 50% desses, ou seja 15.000 oficiais e 20000 comissários, tinham sido presos pela polícia política e que tinham sido executados ou aprisionados para o resto da vida nos campos de trabalho. Nesta afirmação de Conquest, aliás como em todo o livro, não existe nada de verdade. O historiador Roger Reese no seu trabalho "The Red Army and the Great Purges" dá-nos factos i mostra o verdadeiro significado que as depurações de 1937-38 tiveram para o exército. O número de pessoas em posição de chefia no Exército Vermelho e na aviação, ou seja oficiais e comissários políticos, era de 144 300 em 1937 crescendo para 282 300 até 1939. Durante as depurações de 1937-38 foram despedidos 34300 oficiais e comissários por motivos políticos, mas antes de maio de 1940 já 11596 tinham sido reabilitados e reintegrados nos seus postos. Isto significa que durante as depurações de 1937-38 foram despedidos 22705 oficiais e comissários políticos (cerca de 13000 oficiais do exército, 4700 da aviação e 5000 comissários políticos) o que é 7,7% de todos os oficiais e comissários e não 50% como Conquest diz. Desses 7,7%, foi uma parte condenada como traidores, mas para a grande maioria o material histórico à disposição indica terem passado à vida civil.

 

Uma última pergunta. Os julgamentos de 1937-38 foram justos para com os acusados? Vejamos por exemplo o julgamento de Boukharine, o funcionário mais alto do partido que trabalhava para a oposição secreta. Segundo o embaixador americano em Moscovo nessa altura, um conhecido advogado de nome Joseph Davies que esteve no tribunal durante todo o julgamento, foi permitido a Boukharine falar livremente durante todo o julgamento e expor o seu caso sem qualquer impedimento. Joseph Davies escreveu para Washington que durante o julgamento se mostrou que os acusados eram culpados "dos crimes que se comprovaram" e que "A opinião geral entre os diplomatas que assistiram ao processo é de que se provou a existência de uma conspiração muito grave".

 

 

 

Fontes e referências

https://iglusubversivo.wordpress.com/2012/03/15/stalin-reforma-democratica-1/

 

https://iglusubversivo.wordpress.com/2012/03/15/stalin-reforma-democratica-2/

 

http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html

 

https://www.novacultura.info/single-post/2016/09/22/Lenin-Stalin-e-a-paz

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