A candidatura de Manuela D’Ávila representa a decadência ideológica dos revisionistas

14/12/2017

Recentemente o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) anunciou o lançamento da pré-candidatura de Manuela D’Ávila à presidência da República. A pré-candidatura, lançada oficialmente durante o 14º Congresso da organização, foi anunciada como uma “grande vitória” pela agremiação revisionista. Primeiramente é bom deixar claro que o atual PCdoB de nada tem a ver com o velho PCdoB, da reorganização de 1962 e da Guerrilha da Araguaia, organização esta que em sua época chegou a avançar na assimilação das contribuições dadas por Mao Tsé-tung ao desenvolvimento da teoria do Socialismo Científico. O PCdoB atual é um partido de caráter social-democrata burguês, revisionista, completamente integrado as estruturas do Estado burguês-latifundiário, apesar de ainda manter o nome de “comunista” e revindicar formalmente o marxismo-leninismo.

A manobra em prol do lançamento da pré-candidatura de Manuela D’Ávila pelo PCdoB revisionista, além de escancarar a falta de escrúpulos dos revisionistas, também revela a total incompreensão do momento histórico em que vive o país. Apesar de reconhecerem formalmente a existência de um golpe de Estado, os revisionistas se negam a enxergar quais são as contradições reais do momento atual, atuando na prática como se tal golpe de Estado não existisse. Assim, se recusam a entender as reais consequências do golpe perpetrado pela grande burguesia brasileira em conluio com o imperialismo. Entre aqueles que participam da luta contra o golpe de Estado, sem dúvida alguma podem ser considerados um dos setores mais direitistas.

Não é de hoje que o PCdoB revisionista defende uma versão bizarra do velho programa nacional-reformista da esquerda brasileira. Em seu programa partidário tal organização, em vez de defender os princípios básicos do marxismo-leninismo, afirma lutar por um “projeto nacional de desenvolvimento” e que este seria o “caminho brasileiro para o socialismo”. Os revisionistas, portanto, acreditam que o socialismo no Brasil será fruto da aplicação gradual de “reformas democráticas” respaldadas economicamente por um “desenvolvimento nacional” que jamais ocorreu em países dominados pelo imperialismo. Em vez de lutarem pela revolução de nova democracia, lutar para organizar as grandes massas populares em um movimento que vise a derrubada total do Estado reacionário, na verdade o que pregam é a defesa desse mesmo Estado, completamente podre e controlado pelos setores mais reacionários das classes dominantes.

É bom lembrarmos aos nossos leitores que o PCdoB foi fundado em 1922 pelos elementos mais avançados da classe operária da época. Naquela época, tais camaradas, influenciados pela experiência da Grande Revolução Socialista de Outubro, estudaram e absorveram os princípios básicos do Marxismo. Já na década de 50, influenciado pelas teses revisionistas que vinham da URSS kruschevista, o Partido Comunista do Brasil foi convertido pelos dirigentes que se influenciavam por tais teses, em uma organização social-democrata revisionista. Os marxistas-leninistas que atuavam dentro do Partido foram expulsos após denunciarem os desvios revisionistas;  em 1962 lideraram o processo de reorganização do Partido, dando origem ao PCdoB, um Partido que era a continuidade do partido de 1922 e ao mesmo tempo um partido novo.

O PCdoB atual, jogando na lama o legado daqueles que corajosamente reorganizaram o Partido em 1962, defende uma versão repaginada da mesma ladainha revisionista da chamada Declaração de Março de 1958. Ou seja, a prática e a ideologia revisionista do PCdoB atual está em completa contradição com o legado que este partido ainda diz seguir.

Como não poderia deixar de ser, a candidatura de Manuela D’Ávila defende os pontos expressos pelo programa da organização revisionista em que milita. A jovem revisionista, em entrevistas concedidas a certos meios de comunicação da burguesia, chega a admitir a possibilidade de alianças com partidos abertamente golpistas como o PSDB, o que demonstra que tal partido, apesar de falar em “golpe de estado”, já está disposto a “virar a página” do golpe. É bom lembrar que um dos principais quadros políticos do partido é o governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino, que governa em conluio com os tucanos (seu vice é membro do PSDB).

As posições aberrantes do PCdoB não param por aí. A deputada federal Jô Moraes, do PCdoB de Minas Gerais, não se cansa de lamber as botas dos militares reacionários brasileiros. É constantemente convidada para participar de celebrações dos golpistas, onde ela não perde a oportunidade de bradar a respeito do “caráter democrático” das Forças Armadas. Segundo a deputada do partido revisionista, defender o Exército seria importante pois este é responsável por garantir a “defesa nacional”. A deputada revisionista chegou mesmo a participar de eventos em homenagem as tropas brasileiras que participaram da Minustah, que massacraram durante anos o povo do Haiti. Em entrevista de 6 de novembro ao jornal Brasil de Fato, diz Jô Moraes:  “a história brasileira mostra que eles se intrometem no processo político, principalmente do nosso lado, do campo progressista” [1]

Tal posição aberrante, que não fazia sentido nem mesmo nos anos 50 e 60, época em que ainda havia certos quadros de esquerda dentro do exército, atualmente só podem ser classificadas como um completo delírio. É bom lembrar que o PCdoB se reorganizou em 1962 também demarcando campo com aquelas concepções que defendiam caráter democrático do Exército. O Exército, sendo coluna vertebral do Estado, é um instrumento de repressão das classes dominantes reacionárias. Uma arma a serviço da reação chamado a esmagar o povo. Longe de ser uma instituição responsável por garantir a “soberania nacional”, esta instituição é um dos principais organismos que garantem o domínio e a ordem semicolonial do país.

Como a prática é o critério da verdade, qualquer elemento consciente do movimento popular não pode deixar de levar em conta o caráter funesto e prejudicial da linha política e ideológica dos revisionistas. Tais elementos precisam necessariamente ser denunciados, em um processo que abra caminho para a necessária reorganização e reconstrução do Partido Comunista do Brasil, armado com a teoria científica do marxismo-leninismo.



Carlos Brandão

[1] https://www.brasildefato.com.br/2017/11/06/projeto-de-soberania-nacional-exige-dialogo-com-forcas-armadas-diz-deputada/
 

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