Uma breve introdução à filosofia marxista

28/10/2017

Para entendermos o marxismo, devemos nos ater primeiramente à sua filosofia, ao seu método de análise dos fenômenos da natureza, da sociedade e da história, o materialismo histórico-dialético. Mas antes devemos entender a grande discussão da filosofia moderna:

Idealismo X Materialismo

Essa discussão se consiste basicamente na questão entre a realidade e o pensamento, e qual vem primeiro.

 

Para os idealistas, como Hegel, o pensamento antecede a realidade material, o pensamento é  o criador do mundo, ou seja, nossas ideias determinam a realidade. Para os materialistas, como Marx, o mundo material existe independente de nosso pensamento, e nossas ideias são apenas reflexo da realidade material.

 

Para ficar mais fácil de entender essa discussão entre materialismo e idealismo, utilizarei um exemplo concreto.  Se nos pensarmos em qual vem primeiro, uma maçã, ou a ideia de existir uma maçã, a resposta obvia e correta seria, a maçã, pois sem saber da existência de tal, não poderíamos sequer imaginar o que seria uma maçã. É como se eu te pedisse pra imaginar algo que não existe! Obviamente você não conseguiria pois nossos pensamentos não criam nada ,eles são apenas reflexos de nossas experiências reais. No Maximo você imaginaria uma misturas de coisas existentes e formaria algo novo a partir disso, mas tudo baseado em conhecimentos reais já adquiridos em vida.

 

E porque entender essa diferença é importante para entender a doutrina marxista ? porque assim compreenderemos o materialismo histórico.

 

Materialismo histórico

O materialismo aplicado ao estudo da sociedade humana, como esta se desenvolve, é o materialismo histórico. E para entender certa sociedade não podemos analisa-la pelas ideias ou concepções de tais indivíduos mas sim pela realidade material, “pelo modo de produção aplicado pela sociedade em cada um de seus períodos históricos”.

 

Uma formulação do que é o materialismo histórico pode ser encontrada no prefácio de Marx à Contribuição à Crítica da economia política :

 

“Na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência.”

 

Nas palavras de Stalin: Tal modo de vida, tal tipo de pensamento.

 

Podemos concluir então que, para analisarmos como uma sociedades se estabelece, se desenvolve, devemos procurar entender como são as relações de produção e relação destas com as forças produtivas, só assim a entenderemos de fato. Simplesmente, a história do desenvolvimento da sociedade é a história do desenvolvimento da produção.

 

Agora que sabemos o que é o materialismo histórico, para darmos continuidade à filosofia marxista,  devemos conhecer as duas concepções acerca das leis do desenvolvimento do mundo, a Dialética e a Metafísica.

 

Metafísica X Dialética

A metafísica, na maioria das vezes ligada ao idealismo, considera os fenômenos de maneira isolada, separados e independentes uns dos outros, e entende que as mudanças  ocorrem apenas  de maneira quantitativa, sendo assim imutáveis , ou seja não há transformações ou mudanças  qualitativas nos fenômenos naturais e sociais. Esta concepção  de mundo é descartável ao proletariado, pois se os fenômenos são imutáveis, se não há mudanças qualitativas,  então o sistema de exploração do homem pelo homem há de existir para sempre, pois é um fenômeno imutável. E ao contrário da metafísica, a dialética enxerga os fenômenos  de maneira interligada, enxerga os fenômenos em processo de constante mudança, movimento e renovação, e tais mudanças  não ocorrem apenas de maneira quantitativa, mas  também de maneira qualitativa. Esta concepção serve ao proletariado pois mostra que por meio de uma revolução socialista se pode por fim ao sistema de exploração por um sistema livre de exploração, havendo assim uma mudança qualitativa

 

Dialética

Antes de mais nada é preciso entender que Lênin e Stalin desenvolveram o marxismo, levando-o à sua segunda etapa, o marxismo-leninismo, e Mao Tsé-tung continuou a desenvolver o marxismo-leninismo, nos deixando vários aportes teóricos e revolucionários. Mao foi o responsável por nos ensinar a lei fundamental para se entender a dialética, a lei da contradição.

 

Em que consiste esta lei ?

 

Esta lei diz que a contradição é inerente à todos os fenômenos sociais e naturais, é a lei da unidade da unidade dos contrários, ou seja em todos os fenômenos sociais e naturais, há contradições, e são essas contradições que permitem que  os fenômenos se desenvolvam, como por exemplo na sociedade capitalista, onde há a contradição entre a burguesia e o proletariado, para se resolver essa contradição o proletariado precisa derrubar a burguesia e instaurar sua ditadura revolucionária, passando do capitalismo ao socialismo, assim como vemos ouve uma mudança qualitativa  na característica dessa sociedade, um desenvolvimento. 

 

Vale ressaltar que as contradições, nunca cessam, pois como já foi dito acima, elas que permitem que os fenômenos se desenvolvam.

 

Podemos concluir então que, a lei da contradição é a lei fundamental da dialética e do desenvolvimento de todas as coisas, pois a luta dos contrários permite que o fenômenos se desenvolvam eternamente.

 

M. Braga

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