"Sobre a luta democrática pelo referendo da Catalunha"

30/09/2017

 

O que chamamos de “Processo” para nós é um movimento nacional-popular onde a luta de classes se manifesta em todos os âmbitos e momentos, dentro de si e fora dele e de diferentes maneiras. Os agentes envolvidos neste processo nos levam a dizer que é contraditório. É um processo contraditório, sim, e não nos engana, diversos setores da burguesia catalã participam. Não por isso temos que sair falando que eles são os que dirigem esse caminho para a autodeterminação de nossa nação. Devemos deixar claro: eles participam mas não o dirigem. Isso ocorre porque há uma constante disputa entre os interesses de classe que atualmente não estão resolvidos, como vimos no episódio do “Mas o março”. Portanto, se a luta pela direção política do independentismo é a luta pelo triunfo da hegemonia do mesmo: por que se separar dos caminhos que ali se abrem?

 

Do outro lado, como os independistas sabem, o inimigo mais reacionário não se encontra do nosso lado. A monarquia, o patronato, as oligarquias financeiras, as elites políticas... tem pânico da execução desse projeto nacional-popular. Os privilégios que gozam estão em risco.

 

O nosso movimento aspira à criação de um novo Estado. Como bem sabem, este Estado não pode ser neutro (como qualquer outro), e terá um caráter irreconciliável de classe. Tudo aponta que a construção do socialismo não poderá se dar imediatamente após a fundação do que deve ser a República Catalã. A desorganização e a fragmentação do comunismo catalão não permitem uma revolução socialista a curto prazo. Mas, como “o germe comunista nunca morre”, estar desorganizado não significa deixar de existir.

 

A luta pela libertação nacional de nosso povo, na excepcional etapa que vive, passa por estarmos nos espaços de massas que trabalham pelo direito à autodeterminação. A este respeito, é importante levar em conta a repressão do Estado, as imposições centralistas, as vacilações espanholistas dos pequeno-burgueses e toda intenção de recuo ou pacto econômico do Estado espanhol.

 

Sabemos que estes são os lugares onde estamos e estaremos com mais presença e insistência. Não há outros, são espaços onde temos possibilidades claras para criar um verdadeiro contrapoder popular, onde exercitaremos a autodefesa de nossa soberania maltratada e colocamos em prática nossas abordagens revolucionárias.

 

Além disso, devemos nos preparar para o Processo de Constituição da República, que será uma etapa de debate político e profundo e democrático, onde devemos colocar em questão as contradições do capitalismo (UE, OTAN, modelo educacional, etc.) aos olhos da classe operária, que abre as portas para lançar as bases para um mundo novo.

 

Os esquerdistas espanholistas perderão toda legitimidade e apoio entre as classes trabalhadoras quando usarmos a nossa força organizada, de rua a rua. Esta é a nossa oportunidade de tornar nossa a República Catalã que há de vir e combater com impulso e convicção as posições continuadoras que alguns querem instalar, como as “Estruturas de Estado”.

 

Para tornar isso possível, é essencial estar á frente de todos esses espaços de massas, seja o Esquerdas pela Independência, Comitês de Defesa da República, do Referendo ou República desde Baixo. Devemos exercer a desobediência, a organização mais ampla possível e a mobilização permanente para radicalizar o movimento e não ser assimilado pelos capitalistas. É necessário, antes de tudo, preparar a defesa das urnas no 1 de Outubro. Esta é a oportunidade histórica de superar o regime de 78 através da luta democrática pelo referendo e pela República. Não podemos perder a oportunidade. Os comunistas devemos estar lá.

 

Artigo de Jordi Benach, membro da Crida Comunista

 

Tradução de Gabriel Duccini

 

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