"Declaração da ILPS sobre a cúpula do G20"

12/07/2017

 Os líderes de Estado e de Governo do G20 se encontrarão novamente neste 7 e 8 de julho em Hamburgo, na Alemanha. Os encontros tem acontecido anualmente desde 2008 para tratarem de questões como estabilidade financeira global, crescimento econômico e comércio internacional. Nos últimos anos eles tem expandido sua agenda para incluir assuntos intimamente ligados com a econômica global, incluindo mudanças climáticas; políticas de desenvolvimento; mercado de trabalho e políticas de emprego; propagação de tecnologia digital e mesmo prevenção contra o terrorismo.

 

Após 12 encontros da cúpula, o G20 está longe de alcançar seus objetivos estipulados. À despeito de falas sobre recuperação econômica, o crescimento na maioria dos países capitalistas desenvolvidos parcamente conseguiu ultrapassar os 2% ao ano desde 2010, após a retração em 2008-2009. As políticas econômicas e monetárias ultra liberais que eles adotaram apenas conseguiram criar novas bolhas imobiliárias, bem como um aumento nos fluxos especulativos do capital e um “boom” nos mercados de crédito e de ações nas chamadas “economias emergentes”. Isso está minando a estabilidade financeira ao invés de fortalece-la.

 

Além do mais, essas políticas tem acelerado o crescimento da dívida nos países imperialistas, bem como nos países atrasados. O montante da dívida global aumentou para mais de 50 trilhões de dólares desde 2008, alcançando o recorde de 217 trilhões no primeiro bimestre de 2017. Isso é mais do que três vezes o valor do PIB de toda a economia global no ano anterior.

 

Cerca de 10% desta dívida global, cerca de 20 trilhões de dólares, é devida pelos Estados Unidos. Mas o débito chinês também cresce rapidamente, seguido do Brasil e da Índia entre as chamadas “economias emergentes”. A Reuters afirma que esses países aumentaram sua dívia de 3 para 56 trilhões de dólares nos últimos anos, um valor equivalente a 218% de seus PIBs somados. 2 trilhões deste valor foi acrescido pela China, cuja dívida chega a 260% de seu PIB. Para tornar isso ainda mais alarmante, há mais de 1,9 trilhão de dólares em títulos de países emergentes e empréstimos para sindicatos com vencimento para o final de 2017. Isso está criando as condições para uma nova convulsão financeira ainda pior do que a de 2008-09.

 

A oligarquia financeira, entretanto, continua satisfeita com o G20, pois, apesar de tudo isso, seus monopólios bancários declararam nos últimos 3 anos lucros muito maiores do que no passado. De fato, os quatro maiores bancos norte-americanos eram 30% maiores em 2013 do que eram no período anterior à crise, tornando-se ainda mais “grandes demais para quebrar” do que antes.

 

Por outro lado, a expectativa é de que os índices de desemprego excedam os 200 milhões de indivíduos este ano, de acordo com as estimativas conservadoras da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Dentre os que possuem emprego, 1.4 bilhão estão em empregos considerados precários, que crescem em ritmo alarmante, da ordem dos 11 milhões ao ano, na medida em que governos impõem flexibilizações trabalhistas para favorecer grupos monopolistas.

 

Mesmo as famílias das classes médias dos países capitalistas avançados estão enchendo os números, da ordem dos 1.6 bilhão de pessoas pelo mundo que não possuem acesso à saúde, educação pública e um padrão de vida digno. Isso se agrava na medida em que gastos sociais são cortados enquanto expedições militares são forjadas para atender aos interesses do complexo industrial bélico, bem como quando os impostos são reduzidos para a oligarquia financeira.

 

Como nos últimos encontros da cúpula, essas duras realidades foram negadas ou ignoradas pelos líderes do G20 em suas declarações oficiais. Mais do que isso, eles tem a intenção de utilizar da repressão fascista contra as pessoas que se concentram as dezenas de milhares em Hamburgo para expor essas verdades e se opor às políticas anti-povo do G20.

 

O encontro também é notável porque acontece em meio ao aumento das tensões entre as lideranças imperialistas dos membros do G20. Todo grande encontro de cúpula este ano demonstrou um racha cada vez maior entre os EUA e seus aliados tradicionais pelo Atlântico. Após o encontro do G7 em maio, a Chanceler alemã Angela Merkel foi citada ao dizer que “os tempos em que podíamos confiar inteiramente uns nos outros estão, em alguma medida, acabados. Nós europeus devemos realmente tomar nossos destinos em nossas mãos”.

 

Isso é em resposta ao crescente unilateralismo e atitude beligerante dos Estados Unidos, à revelia de seus aliados, sob a administração Trump. No encontro do G7, Trump se recusou a assinar um acordo climático comum pelo fato disso poder impor restrições para a expansão das industriais monopolistas norte americanas. No encontro da OTAN, também realizada em maio, Trump se recusou a renovar um compromisso do Artigo 5 do estatuto da OTAN, que obriga os Estados membro a prover assistência uns aos outros quando atacados.

 

Ao invés disso, ele constrangeu outros membros da OTAN a aumentar sua parcela de contribuição para a segurança do capitalismo global. Antes disso, Trump também arquivou o TTP (Trans Pacific Partnership) e comprometeu-se a renegociar tratados existentes para proteger os interesses dos “americanos” (leia-se: dos monopólios norte-americanos).

 

Isso esta levando a Alemanha e outros países da Europa a se aproximar cada vez mais da China. Eles estão especialmente interessados em navegar na Nova Rota da Seda, iniciativa da China que planeja construir seis corredores econômicos, abrangendo todo o continente euroasiático por mar e terra.

 

Daí que o G20 será outro espaço onde as crescentes tensões inter-imperialistas e os realinhamentos serão encenados. Por baixo disso, há a intensificação geral da crise do capitalismo monopolista e o crescente desespero do imperialismo norte-americano em conservar sua hegemonia e ordem mundial imposta após o fim da Guerra Fria.

 

Forças democráticas e anti-imperialistas de todo o mundo devem expor as verdadeiras raízes da crise do sistema capitalista global e o papel da oligarquia financeira e das instituições quer servem aos seus interesses, inclusive o G20. É apenas através da luta de massas que o povo pode efetivamente resistir ao imperialismo, contra-atacar a reação e libertar-se verdadeiramente.

 

6 de Julho de 2017

 

Emitido pelo Gabinete do Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos

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