"Porque a reação irá perder a guerra contra o Partido Comunista e o NEP?"

26/06/2017

Primeiramente, por que o PCF-NEP-FDNF (Partido Comunista das Filipinas, Novo Exército Popular, Frente Democrática Nacional das Filipinas, respectivamente) está lutando uma guerra revolucionária justa? Porque está lutando pelo interesse da maioria pobre, para que os camponeses tenham uma terra para cultivar. Está lutando pelo interesse de todos filipinos extremamente pobres, especialmente os agricultores, os trabalhadores e os profissionais, os povos religiosos e indígenas, e não por alguns poucos interesses de posse de terra. Está lutando pelo filipino pobre que não é dono de nada senão de sua força de trabalho, sua capacidade e habilidade de prover serviços para a elite dominante. Está lutando pela mudança; mudança das nossas condições miseráveis para melhores condições.

 

O método não é outro senão o desmantelamento ou uma completa reviravolta de todo sistema através da força. Há uma base natural e dialética para isso. Nenhuma mudança qualitativa poderia ter efeito sem força, nem violência. Pegue por exemplo um ovo. O rompimento, i.e. a força, da casca sinaliza a mudança quantitativa de um ovo para uma mudança qualitativa, em um pintinho; o salto do estado de vapor da água é afetado pela ebulição, i.e. a força, através do fogo; o nascimento de uma criança vem através da força exercida pela mãe no parto.

 

Meios pacíficos por eleições reacionárias e métodos parlamentaristas não podem causar mudanças efetivas, porque seja lá quem detém o ouro, armas e capangas, é quem certamente irá vencer através da compra de votos e trapaça. Os resultados também são fraudados e fabricados. Portanto os resultados em eleições reacionárias não refletem o verdadeiro sentimento do povo. Além disso, o Congresso é dominado por grandes latifundiários e burgueses compradores os quais os interesses eles atenderiam em primeiro lugar em seus mandatos. Como diz o ditado: “o que é comida para a galinha não é mantimento para o coiote”.

 

Uma revolução é progressista e construtiva. É criativa e não destrutiva. No entanto, no início é necessário destruir o velho para que seja possível criar um novo arranjo. A história nos mostrou que quase todos os países que agora tem alcançado altos níveis de desenvolvimento industrial passaram por revoluções em sua sociedade, destruindo o velho arranjo das coisas antes de aspirar ao que são hoje.

 

Os Estados Unidos passaram por duas revoluções: uma contra a Inglaterra colonial e uma contra os proprietários de escravos no Sul. Na primeira, eles destruíram o colonialismo e criaram uma América independente. Depois disso, na segunda (anos de 1860) eles destruíram a escravidão e criaram uma sociedade livre de escravos. A Grã-Bretanha passou por revoluções também, como a amplamente conhecida Revolução Puritana ou Revolução Inglesa de 1640 a 1660. Similarmente, a França em 1789 e a Alemanha em 1525, tem suas próprias guerras como as revoltas dos camponeses e no fim da Guerra de Trinta Anos (1618-1648). O mesmo com o Japão, seguindo séculos de guerra civil, no período Edo (o lugar onde Bakufu ou o governo militar fortificou seus quarteis conhecidos como Shogunato) trouxe mais de 250 anos de paz, prosperidade e progresso em seu país.

 

A Rússia, depois da vitória da Revolução de Outubro de 1917, subiu a condição de superpotência. A China também, depois da vitória da Revolução Chinesa, agora é industrializada e está até fornecendo ajuda e investimentos ao Governo da República das Filipinas (GRF). A Coreia do Norte, como testemunhado pelo Discovery Channel em sua cobertura dos Jogos Esportivos da Coreia do Norte em 2005 e em 2017, no aniversário de morte de Kim Il Sung, está muito próspera e altamente disciplinada contrariando as notícias alimentadas pela CIA e outras mídias de massa dos EUA. Mas o sucesso do Sistema de Saúde cubano, do preparo para desastres e da educação não podem ser ultrapassados nem mesmo pelos Estados Unidos. Cuba está no topo do mundo inteiro nesses campos. E esta é a Cuba socialista!

 

O mesmo para o nosso país. A menos que o governo filipino acabe com seu caráter de marionete dos ditames dos EUA, o país não pode se livrar dessa areia movediça na economia. Devemos executar a industrialização nacional e a agricultura como sua base, apesar das vacilações a princípio quando encontramos dificuldades e adversidades, a sua natureza é apenas temporária. Na longa corrida, se perseveramos e insistimos, iremos finalmente alcançar prosperidade e não iremos engatinhar mais. Assim poderemos nos firmar totalmente por nós mesmos sem interferência externa. Olhe para a Venezuela, Bolívia e outros países latino-americanos que escolheram se afastar do estrangulamento do imperialismo. Agora, Venezuela e Bolívia nacionalizaram todas as companhias exploradoras pertencentes a estrangeiros. Os clamores tumultuosos que estão acontecendo nos países mencionados são instigados pela CIA para efetivar uma mudança de regime (similar ao que aconteceu no Chile e Indonésia nos anos 70) que possa estar a reboque dos EUA.

 

Na batalha pelos corações e mentes do povo, o NEP junto com as massas rurais está trabalhando com suas próprias mãos para mitigar a pobreza, dando a eles orientação, os encorajando e, se as condições permitem, mesmo participar em times de ajuda mútua – uma forma simples de cooperação. O NEP também organiza para eles salários e assim sua produção rural pode ser aumentada. Eles não “dão o peixe”, porque mesmo o NEP não tem nenhum, mas os ensina a pescar, liderando-os e guiando-os na construção de viveiros para que eles possam comer todos os peixes possíveis. Eles os ensinam a ler e escrever. Portanto um organizador do NEP pode ser um engenheiro, um professor, um médico, um enfermeiro, um advogado, um técnico de rádio, tudo em um. Eles não o consideram como um alienígena, mas como parte da comunidade dispostos a ajuda-los quando os problemas surgem, variando de pequenas brigas de família até roubos, apostas, problemas com drogas e muitos outros.

 

Do outro lado o FAF-PNF-UGFAC (Forças Armadas das Filipinas, Polícia Nacional das Filipinas e Unidade Geográfica das Forças Armadas Cidadãs, respectivamente) está lutando uma injusta guerra contrarrevolucionária com seu plano de campanha apelidado de Oplan Bayanihan e agora Oplah Kapayapaan (Plano de segurança e apoio ao desenvolvimento) caracterizado por matanças amplas de líderes progressistas, jornalistas e oposição política e também Tokhang ou Tokbang (execução extrajudicial) para suspeitos de usuários de drogas ou traficantes. Ela é contrarrevolucionária porque se opõe à mudança. E é injusta porque defende e preserva o status quo dominado por grandes latifundiários e burgueses compradores – os super-ricos na nossa sociedade. É destrutiva porque cria a cultura do medo e destrói qualquer que seja o que as massas e os revolucionários têm construído ao longo dos anos pelo meticuloso trabalho árduo nas zonas rurais. A FAF está, portanto, defendendo os interesses da elite dominante – suas enormes plantations, fazendas e empreendimentos capitalistas. Portanto, essas forças estão muito longe dos corações e mentes do povo. Pior ainda, essas tropas da FAF-PNF são as que estão promovendo apostas, uso de drogas e tráfico, roubos e furtos, cobiçando esposas de seus homens e muito mais vícios nos lugares onde se situam as forças armadas.

 

Mas as massas não acreditam neles. Se há aqueles que podem ser fisgados, há também aqueles que estão inclinados a fazer o mal e o errado e odeiam a presença do NEP. Essas pessoas que são facilmente recrutadas como informantes e ativos das tropas reacionárias em troca de alguns privilégios e amenidades. Outros com medo estão apenas os aceitando em silêncio e mansamente seguem qualquer ordem que os militares impõem.

 

Para enganar e iludir as massas, os nossos inimigos de classe e sua máquina armada, a FAF-PNF, lançaram mão de propaganda denegrindo a Corte Popular do Governo Democrático Popular Revolucionário como “Corte do Canguru”. Mas se há algo como “Corte do Canguru” não são nenhuma outra senão as cortes reacionárias. Muitos inocentes foram aprisionados por serem pobres e não possuem meios de recorrerem em seus casos enquanto seus adversários têm dinheiro e influência para contornar a verdade. Hukumang Bayan ou Corte Popular é o oposto exato das cortes reacionárias. Ela não exige que sejam pagas taxas para que o caso seja ouvido. Não há algo como “testemunhas que podem ou não podem estar falando a verdade”. Não há lugar para contornar a verdade em um governo popular revolucionário e com cem cabeças na organização de massas, o Pambansang Katipunan ng mga Magbubukid ou PKM como testemunhas ou juízes não podem estar errados em alcançar a verdade.

 

Portanto, nas incontáveis “pulongs-pulongs” (reuniões) na zona rural, muitos deles declararam que “se renderam e retornaram aos abrigos da lei”. Mas no fundo dos seus corações e mentes estão os anseios de que essas fronteiras militares desaparecessem. Isso é uma explicação fácil do porquê os destacamentos militares e estações municipais policiais serem tão facilmente assaltadas pelo NEP sem que sequer um tiro seja disparado. É porque o NEP ainda estão ancorando apoio popular.

 

No geral, as massas detestam e tem medo da presença das tropas do exército por sentirem que não é o seu exército. Eles sentem que as FAF é o exército da classe dominante, dos ricos e milionários que estão nas zonas rurais para impor sua vontade sobre eles constantemente vitimando civis inocentes em suas operações de contra-insurgência. A sujeição de civis para a população e o controle de recursos apenas reforça seu sofrimento também. Imaginem, eles limitam o trajeto dos residentes dos bairros para seu local de trabalho e para sua ração; caminhando longas distâncias logo cedo para suas fazendas desde sua localização de aldeias nos bairros centrais, retornando para o bairro às 4 horas da tarde. Estas, mais as imoralidades mencionadas acima, perpetradas pelos seus supostos “protetores” são as razões porque a batalha da FAF pelos corações e mentes do povo irá certamente falhar. Outras razões são a história e a experiência. Isso já foi posto em prática pelo exército dos EUA e pelo Exército da República do Vietnã, no Vietnã. E apenas resultou em sua ulterior falha e derrota.

 

7 de maio de 2017

 

Por Pedro “Ka Gonyong” Codaste, consultante de paz da Frente Democrática Nacional das Filipinas

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