O massacre diário do povo curdo de Koroköy por militares turcos

19/06/2017

 Já escutaram antes sobre Koroköy? É uma pequena cidade da região de Nusaybin, localizada na província turca de Mardin ao sul da fronteira com a Síria. É o lar da população do território do Curdistão, que foi forçada a deixar suas vilas após a sistemática onda de repressão do governo turco ao movimento curdo separatista em 1995, contudo, lentamente essas pessoas começaram a retornar aos seus lugares de origem quando o contexto se estabilizou.

 

Hoje, os povos curdos estão sendo assassinados pelo exército e pela polícia. As casas de dezenas de pessoas foram queimadas propositalmente – crianças, mulheres e homens são assassinados em público, há também casos de desaparecimento.

 

Uma operação policial foi anunciada em 11 de fevereiro de 2017. O sistemático massacre que o Estado tem implementado em diferentes regiões do Curdistão, especialmente em Suruc e Cizre, começou em Koroköy muito brutalmente. Nesse momento – enquanto escreve-se este artigo – soldados derrubam casas.

 

Tantos foram sequestrados e torturados que não sabe o número exato de pessoas que estão internadas por ferimentos nos hospitais, que estão sob custódia militar ou que estão desaparecidos. Várias pessoas relatam que a tortura é assustadora e que a situação dentro desses lugares – casas de tortura, quartéis da polícia e do exército em regiões inóspitas e isoladas – deve ser entendida de uma forma séria.

 

Desde essa data, sabe-se que três pessoas foram assassinadas à luz do dia, mas de 40 foram capturados e estão sob custódia do Estado, no entanto, não se tem ideia do número total de vítimas. O exército também assassina os animais dessa população, cortam o seu pescoço e espalham seus corpos pelas ruas, um camponês encontrou uma de suas vacas em um estábulo, afogada com produtos químicos. É impossível entrar ou sair do povoado, veículos blindados e máquinas de trabalho (tradução literal) patrulham as vilas dia e noite.

 

Uma fotografia de um idoso torturado por soldados viralizou na internet. Um dos agentes do Estado turco se pronunciou e disse: “essa pessoa apoia o terrorismo”.

 

Como sabemos, a conjuntura atual é de dor e violência. O fato de os distintos setores sociais permanecerem em silêncio sobre esta situação, representa um dos fatores que impede a resolução desse problema.

 

Há algo que está por trás destes debates, os partidos políticos e as várias frações do poder e a grande mídia, disseminando desinformações na cidade e no campo, e apesar disso, tudo segue engendrado em um conchavo eleitoral.

 

No entanto, o que acontece não é algo que possamos resolver de uma só vez: há um massacre e torturas diárias no povoado de Koroköy!

 

Mercan Doğan

 

Traduzido por F. Fernandes

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