Cumpriu-se com êxito a primeira greve contra a política de Macri

08/04/2017

Em 6 de abril os trabalhadores cumpriram em mais de 90% a greve nacional decretada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho). Fora acompanhada de manifestações com atos e bloqueios de rodovias, na Cidade de Buenos Aires e em vários de seus acessos, e em muitas cidades e povoados do interior. Se somaram os movimentos sociais e setores do comércio e da pequena e média indústria. Apesar da campanha do governo e seu exército de “trolls” que invadiram as redes sociais, a raiva acumulada contra a política de Macri se fez notar contundentemente. A exigência de acabar com as expulsões e suspensões, de conjuntos de desabrigados, de atender às demandas dos docentes, de um salário real de acordo com a “canasta familiar” [1], de frear as importações indiscriminadas que atentam contra as pequenas e médias empresas e de dar cumprimento efetivo à Emergência Social para paliar a fome de milhões de argentinos, tudo isto se manifestou em cada canto da Argentina.

 

O acatamento a greve foi muito grande na maioria das grandes empresas de todo o país. Um exemplo disto se deu na fábrica Mondelez (ex Kraft), na qual a greve foi total e desde muito cedo a Comissão Interna da empresa junto a seus trabalhadores, realizaram uma vigília. A este respeito declarava Jorge Penayo, da Comissão Interna, que “a unidade e protagonismo dos 2000 companheiros(as), nos dá forças para a luta de paritária na alimentação. O fundamental é que conseguimos para a produção que é o que mais afetas os patrões e a este governo que o único que lhe interessa é aumentar os lucros extraordinários dos monopólios a custa de uma feroz exploração dos trabalhadores.” E acrescentou que “a contundência da greve mostra a raiva que acumulou-se contra a política de Macri. Espero que aprenda uma lição e mude o rumo de sua política que ataca os trabalhadores e o povo”.

 

Em Santa Fé, Córdoba, Salta, Chaco, Tucumán, Mendoza, Rio Negro, Neuquén, Misiones, na província de Buenos Aires: Mar del Plata, Campana-Zarate, La Plata, La Matanza, Florencio Varela, Ezpeleta, Lomas de Zamora, Presidente Perón, San Vicente, entre outras localidades, e na cidade de Buenos Aires, nas Avenidas General Paz e Constituyentes, no Hospital Ramos Mejía e Retiro, entre outras, a CCC (Corrente Classista e Combativa), o PTP (Partido do Trabalho e do Povo) e o PCR (Partido Comunista Revolucionário) participaram em conjunto com numerosas organizações sindicais e sociais, dando-lhes um caráter ativo e multisetorial à greve geral realizada em todo o país.

 

O único episódio de violência ocorrido em Panamericana y 197, com feridos e presos, foi provocado pela gendarmaria, que liberou as pistas ocupadas pelos manifestantes, seguindo as instruções da Ministra da Segurança Patrícia Bullrich, que na noite anterior declarou que “vamos dar início ao protocolo de ação contra os piquetes”. Isto expressa a decisão do governo de avançar com repressão sobre qualquer protesto popular.

 

É necessário que esta extraordinária jornada seja o começo de um plano de luta multisetorial que torça o braço da política de fome, ajuste, entrega e repressão do governo de Macri.

 

Notas:

[1] “Canasta familiar” é a quantidade de alimentos e produtos básicos que uma família necessita para viver de forma saudável ou, pelo menos, com mínima qualidade (nota de tradução).

 

 

Partido Comunista Revolucionario (Argentina)

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