"Um Apologista do Imperialismo: Slavoj Žižek e a Guerra na Iugoslávia"

30/03/2017

 

Ele é tido por muitos como um dos filósofos vivos mais importantes. Slavoj Žižek, o filósofo psicoanalítico que se apresenta como um marxista hegeliano é a encarnação da intelectualidade pseudo-esquerdista. Há alguns meses atrás Žižek endossou o bilionário Donald Trump para as eleições presidenciais estadunidenses. Há alguns anos atrás, o mesmo charlatão intelectual estava defendendo publicamente e promovendo a retórica oportunista de Alexis Tsipras do Syriza sendo assim um tipo de “mentor intelectual” para o então partido de oposição grego.

 

Em 2015, Žižek sugeriu que o antidoto para o impasse do capitalismo global era... a militarização da sociedade. Mais especificamente ele escreveu: “Movimentos de base democraticamente motivados aparentemente estão condenados ao fracasso, então talvez é melhor quebrar o ciclo vicioso do capitalismo global através da ‘militarização,’ que significa suspender o poder das economias auto-reguladoras.” (Slavoj Zizek: In the Wake of Paris Attacks the Left Must Embrace Its Radical Western Roots, 16 nov., 2015.)

 

Poderiamos mencionar numerosos casos onde Žižek mostra sua face política real como um intelectual pseudomarxista. Contudo, na ocasião dos 18 anos do início do horrível crime da OTAN na Iugoslávia, apresentamos as visões que o próprio Slavoj Žižek compartilhou publicamente. Enquanto as bombas dos imperialistas matavam centenas de civis em Belgrado, Novi Sad, Pristina e pela Sérvia, o “filósofo” esloveno estava promovendo a missão da OTAN.

 

Em seu artigo “NATO, the Left Hand of God” (1999), Žižek mencionava entre outras coisas:

 

“Hoje podemos ver que o paradoxo do bombardeio na Iugoslávia não é o que os pacifistas ocidentais vêm reclamando – que a OTAN desencadeou a mesma limpeza étnica que deveria estar prevenindo. Não, a ideologia da vitimização é o problema real: é perfeitamente possível ajudar os albaneses indefesos contra os monstros sérvios, mas sob nenhuma circunstância devem lhes permitir lançar mão desse desamparo, para se manterem como um sujeito político soberano e independente [...] Mas não é só a OTAN que despolitizou o conflito. Seus oponentes na pseudo-esquerda também. Para eles, o bombardeio da Iugoslávia representou o último ato do desmembramento da Iugoslávia de Tito. Representou o fim de uma promessa, o colapso de uma Utopia multiétnica e do socialismo autêntico na confusão de uma guerra étnica. Mesmo um filósofo político tão perspicaz quanto Alain Badiou ainda mantém que todos os lados são igualmente culpados. Haviam puristas étnicos de todos os lados, ele diz, dentre os sérvios, os eslovenos e os bósnios. [...] Me parece que isso representa um anseio esquerdista pela Iugoslávia perdida. A ironia é que essa nostalgia considera a Sérvia de Slobovan Milosevic como o sucessor daquele Estado dos sonhos – i.e., exatamente a mesma força que tão efetivamente matou a velha Iugoslávia. [...]”

 

Mais a frente Žižek também apontava: “Ameaçados pelo nacionalismo sérvio, até memso os nacionalistas eslovenos e croatas preservavam um respeito pela Iugoslávia de Tito, em todos os casos para seu princípio fundamental, a federação de estados constituintes iguais com total soberania, incluindo o direito à secessão. Qualquer um que negligencie isso, qualquer um que reduz a guerra na Bósnia a uma guerra civil entre vários “grupos étnicos,” já está do lado dos sérvios [...] Foi a agressão sérvia sozinha, e não o conflito étnico, que causou a guerra.”

 

A posição pró-imperialista de Žižek no caso do bombardeio da Iugoslávia foi provocadora e nojenta. Isso é o que ele estava escrevendo em outro artigo, sob o título “Against the Double Blackmail” (1999):

 

“Então, por outro lado, temos as obscenidades da propaganda de Estado sérvia: eles regularmente se referem à Clinton não como “o presidente americano,” mas como “o führer americano”; duas claras demonstrações anti-OTAN organizadas estatalmente foram “Clinton, venha cá ser nossa Monica!” (i.e. chupa nosso...), e “Monica, você também chupou o cérebro dele?”. A atmosfera em Belgrado, é no mínimo por agora, carnavalesca de uma maneira falsa – quando eles não estão nos abrigos, as pessoas dançam rock ou música étnica nas ruas, sob o lema “Com poesia e música contra as bombas!”, cumprindo o papel dos heróis desafiantes (já que eles sabem que a OTAN não bombardeia alvos civis de fato e que, consequentemente, estão a salvo!). Aí é que os planejadores da OTAN se equivocam, presos em seus esquemas de raciocínio estratégico, incapazes de prever qua a reação sérvia ao bombardeio seria recorrer à uma carnavalização bakhtiniana da vida social... Este espetáculo pseudo-autêntico, mesmo que fascine alguns esquerdistas confusos, é efetivamente a outra face pública da limpeza étnica: em Belgrado as pessoas estão dançando desafiadoramente nas ruas enquanto, trezentos quilômetros ao sul, um genocídio de proporções africanas está acontecendo...”.

 

O charlatão Žižek não foi somente um apologista patético dos crimes horrendos da OTAN contra o povo da Iugoslávia, ele não estava satisfeito o suficiente com a barbaridade do exército imperialista. Ele queria mais bombas!

 

“Então precisamente como um esquerdista, minha resposta para o dilema ‘Bomba ou não?’ é: não tem bombas o SUFICIENTE, e elas estão MUITO ATRASADAS”.

 

Quatro anos após a guerra da OTAN na Iugoslávia, o “filósofo” esloveno diria em uma entrevista: “Para o horror de muitos esquerdistas, até eu mostrei algum entendimento sobre o bombardeio da OTAN na antiga Iugoslávia. Perdão, mas esse bombardeio impediu um terrível conflito.”

 

Essa é a face real do notório Slavoj Žižek. Ele tem sido exaltado por muitas pessoas de várias maneiras – Terry Eagleton, o crítico literário de esquerda, o chamou de o “o mais formidavelmente brilhante” filósofo na Europa. A realidade, no entanto, é que Žižek não passa de um intelectual charlatão flamboyant  que - sob a máscara do pseudomarxismo - se tornou um dos melhores apologistas do imperialismo e um anticomunista disfarçado.

 

 

Pelo blog In Defense of Communism

24 de março de 2017

 

Traduzido por Henrique Monteiro

 

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