Zhou Enlai: "O povo chinês não tolerará agressão"

21/02/2017

Um ano se passou desde a fundação da República Popular da China em 1º de outubro de 1949. Este tem sido um ano de grandes vitórias e rápido avanço para o povo chinês.

 

Nós atravessamos o último ano sob condições de vitórias contínuas na guerra de libertação popular. A guerra de libertação popular chinesa, que começou em julho de 1946, já alcançou sua vitória fundamental na véspera da fundação da República Popular da China em 1949. Mas, naquele tempo, os bandidos remanescentes do Kuomintang ainda ocupavam o sul da China, com Cantão em seu centro, o sudoeste, com Chungking como seu centro, e algumas ilhas.

 

Ao longo do último ano, o Exército Popular de Libertação libertou todo o sul da China e a província de Fukien. Mais tarde libertou todo o sudoeste – com exceção do Tibet, Ilhas Choushan, as Ilhas Tungshan e outras ilhas. Nosso exército destruiu 203 divisões inimigas inteiras, consistindo em torno de 2.180.000 homens.

 

O povo chinês aniquilou os exércitos bandidos do Kuomintang equipados pelos estadunidenses na China continental e ganhou essa enorme vitória. Que lição podemos tirar disso? A mais importante lição é: uma vitória tão grande nunca pode ser um fenômeno acidental da história, mas o resultado necessário de muitas lutas revolucionárias do povo chinês ao longo do último século. Uma enorme, rápida e completa vitória não pode ser concebida separada do apoio abnegado de milhões de pessoas.

 

China Unida

A vitória do povo chinês é completamente diferente de todas as “unificações” na história da China. Anteriormente, haviam este e aquele tipo de “unificação”, mas os unificadores ou eram os opressores do povo desde o início ou se tornaram depois. Portanto, não poderiam alcançar a unificação real, e tais unificações se colapsavam depois de pouco tempo.

 

Atualmente emergiu a primeira unificação do povo chinês. O próprio povo se tornou o mestre do solo chinês, e o domínio dos reacionários na China foi irrevogavelmente derrubado.

Desde que o inimigo, aniquilado pelo povo chinês, foi armado pelo governo dos EUA, podemos afirmar inteiramente que o povo chinês não só vençeu o inimigo em casa mas também o inimigo no exterior – isto é, os intervencionistas imperialistas dos Estados Unidos. Se os imperialistas estadunidenses ainda quiserem intervir e invadir a China seja com quaisquer motivos e em quaisquer novas formas, encontrarão então a mesma derrota que caiu sob o Kuomintang.

 

A luta entre o povo chinês e o remanescente dos reacionários do Kuomintang ainda não chegou ao fim. Isso porque Taiwan, que está ocupada pelos reacionários remanescentes, está agora sobe controle direto da Força Aérea e Marinha Estadunidense.

 

O Exército Popular de Libertação está determinado a libertar Taiwan das garras dos agressores estadunidenses, e limpar os covis dos bandidos reacionários da China de uma vez por todas. Observa-se que na guerra para a libertação de Taiwan, nossa posição estratégica é muito melhor do que a de qualquer inimigo. De nosso lado está a justiça inspirada; Nossa retaguarda é próxima, vasta e consolidada e agora estamos redobrando nossos esforços para a vitória final. O Exército Popular de Libertação também está determinado a marchar à oeste para libertar o povo tibetano e defender as fronteiras da China. Estamos dispostos a empreender negociações pacíficas para realizar esse passo, que é necessário para a segurança de nossa pátria. Os patriotas no Tibet acolheram isso expressamente, e esperamos que as autoridades locais no Tibet não hesitem em trazer uma solução pacífica para a questão.

 

Política Externa da China Popular

A política externa da República Popular da China foi claramente estabelecida no Programa Comum aprovado pela Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O Programa Comum estipula: “O princípio da política externa da República Popular da China é a proteção da independência, liberdade, integridade e soberania do país, a manutenção da paz internacional duradoura e a cooperação amigável entre os povos de todos os países, e oposição à política de agressão e guerra imperialista.”

 

Quanto ao estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais com países estrangeiros, o Programa Comum estipula: “O Governo Popular Central da República Popular da China pode, com base na igualdade, benefício e respeito mútuos por território e soberania, negociar com governos estrangeiros que romperam as relações com a camarilha reacionária do Kuomintang e adotarem uma atitude amigável em relação aos povos da China, e pode estabelecer relações diplomáticas com eles. “A República Popular da China pode restaurar e desenvolver relações comerciais com os governos e povos estrangeiros com base na igualdade e benefício mútuo.” Os assuntos externos do Governo Popular Central no passado ano foram conduzidos de acordo com estes princípios básicos.

 

Desde a fundação da República Popular da China, dezessete países estabeleceram relações diplomáticas formais com nosso país. A União Soviética, Bulgária, Romênia, Hungria, Coréia, Tchecoslováquia, Polônia, Mongólia, Alemanha, Albânia, Birmânia, Índia, Vietnam, Dinamarca, Suécia, Suíça e Indonésia. Outros oito países – Paquistão, Grã-Bretanha, Ceilão, Noruega, Israel, Afeganistão, Finlândia e Países Baixos – também expressaram vontade de estabelecer relações diplomáticas com nosso país. Dentre eles, quatro países – Grã-Bretanha, Noruega, os Países Baixos e Finlândia – ainda estão conduzindo conversas pelo estabelecimento de relações diplomáticas com nosso país.

 

Amizade com a U.R.S.S.

A República Popular da China se posiciona resolutamente ao lado do campo mundial da paz e democracia liderado pela União Soviética e estabeleceu as mais próximas relações fraternais com a União Soviética. Durante a visita do Presidente Mao Tsé-tung à União Soviética, a China e a União Soviética assinaram o Tratado Sino-Soviético de Amizade, Aliança e Assistência Mútua, o que é de grande significância histórica mundial. Por causa desse tratado, grandiosos povos dos continentes europeu e asiático ao número de quase 700 milhões se uniram em estreita aliança militar, econômica e culturalmente, e têm assim reforçado enormemente o poder dos dois países para se protegerem contra a agressão do ocidente.

 

Simultaneamente com a assinatura deste tratado, ou pouco depois, a China e a União Soviética também assinaram os acordos sobre a Ferrovia Chinesa Chanhchun, Porto Arthur e Dairen, o acordo sobre a garantia de crédito para o Governo Popular Central da República Popular da China, e outros cinco acordos econômicos e comerciais.

 

Nestes acordos, nossa grande vizinha estende uma assistência demasiada generosa para a China no período em que se recupera de suas feridas de guerra. Todo o povo chinês está muito entusiasmado com a assinatura e implementação dos tratados e acordos entre a China e a União Soviética e expressam sua gratidão sem limites pela amizade oferecida pelo líder da União Soviética, o Generalíssimo Stalin, e o Governo e povo da União Soviética.

A China também assinou contratos comerciais com Polônia, Tchecoslováquia e Coréia. Negociações comerciais com a Alemanha e Hungria estão sendo encaminhadas.

As relações comerciais também se desenvolveram entre a China e alguns países capitalistas. O montante total do comércio exterior da China é estimado não só para alcançar, mas superar os planos originais.

 

Relações com os Estados Capitalistas

O problema do estabelecimento de relações diplomáticas com países capitalistas é mais complicado do que o de estabelecer relações comerciais. Aqui devo mencionar, especialmente, nossas prolongadas negociações com a Grã-Bretanha, as quais ainda não tem nada de conclusivo. A razão para as negociações infrutíferas é que o Governo Britânico tornou conhecida seu reconhecimento da República Popular da China por um lado, mas por outro concorda em permitir que os ditos “representantes” do resto da camarilha do Kuomintang chinês continuar sua ocupação ilegal do assento da China nas Nações Unidas. Isto torna difícil iniciar relações diplomáticas formais entre a China e a Grã-Bretanha. E a atitude extremamente injustificável e hostil para com os residentes chineses em Hong Kong e outros lugares não falha em chamar sériamente a atenção do Governo Popular Central.

 

Ao longo da guerra de libertação popular chinesa, o Governo dos EUA tomou partido do inimigo do povo chinês, apoiando os reacionários do Kuomintang com toda sua força nos seus ataques contra o povo chinês. A hostilidade que o Governo dos EUA nutre contra o povo chinês aumentou desde a fundação da República Popular da China.

 

Apesar das críticas da União Soviética, Índia e outros países, os EUA obstruem teimosamente os representantes da República Popular da China a comparecerem às Nações Unidas e seus vários órgãos, e desavergonhadamente protege o assento dos ditos “representantes” do resto reacionário do Kuomintang. Similarmente, os EUA impedem os representantes chineses de comparecer no Conselho Aliado para o Japão e trama impedir a China e a União Soviética em concluir um tratado de paz com o Japão, para rearmá-los e manter tropas de ocupação americanas e bases militares no Japão.

 

Os EUA deliberadamente planejou o ataque da gangue de Syngman Rhee contra a República Popular Democrática da Coréia para expandir sua agressão ao oriente e então, sob o pretexto da situação na Coréia, despachou suas forças naval e aérea para invadir Taiwan, uma província da China, e anunciou que o dito problema da situação de Taiwan deveria ser resolvido pelas Nações Unidas controlada pelos estadunidenses. Além disso, de tempos em tempos, mandou sua força aérea, que está invadindo a Coréia, penetrar-se pelo ar sobre a província de Liaotung na China, metralhando e bombardeando, e enviou sua força naval que está invadindo a Coréia para bombardear navios mercantes chineses em alto mar.

 

Por meio dessas frenéticas e violentas  agressões imperialistas, o Governo dos EUA se mostraram como o mais perigoso inimigo da República Popular da China. As forças agressivas dos EUA invadiram as fronteiras da China e podem a qualquer tempo expandir sua agressão. MacArthur, Comandante em chefe da agressão americana contra Taiwan e Coréia, há muito tempo revelou o projeto agressivo do Governo dos EUA, e continua a inventar novas desculpas para estender sua agressão.

 

Contra a Agressão Americana

O povo chinês se opõe firmemente às brutalidades dos Estados Unidos e está determinado para libertar Taiwan e outros territórios chineses das garras dos agressores dos EUA.

 

O povo chinês tem acompanhado de perto a situação na Coréia desde que ela foi invadida pelos EUA. O povo coreano e seu Exército Popular são resolutos e valentes. Liderado pelo Premier Kim Il Sung, eles conseguiram notáveis feitos em resistir aos invasores estadunidenses e ganharam a simpatia e o apoio do povo pelo mundo. O povo coreano com certeza pode superar suas muitas dificuldades e obter a vitória definitiva sob o princípio da resistência persistente e prolongada.

 

Os chineses são um povo pacífico e amoroso. Cento e vinte milhões de chineses já assinaram seus nomes no solene Apelo de Estocolmo e este movimento de assinaturas continua a desenvolver-se entre o povo chinês. É evidente que o povo chinês, após libertar todo o território de seu país, quer reabilitar e desenvolver sua produção agrícola e industrial e o trabalho cultural e educacional em um ambiente pacífico, livre de ameaças. Mas se os agressores estadunidenses tomam isso como um sinal de fraqueza do povo chinês, cometerão o mesmo engano fatal que os reacionários do Kuomintang.

 

O povo chinês ama entusiasticamente a paz, mas para se defender a paz ele nunca teve medo de se opor a agressão. O povo chinês não irá tolerar absolutamente nenhuma agressão estrangeira, nem vão tolerar assistir indiferentemente seus vizinhos sendo selvagemente invadidos pelos imperialistas. Seja quem tentar excluir os quase 500 milhões de chineses da ONU e quem quer que não faça nada e viole os interesses deste um quarto da humanidade no mundo e pensa que pode simplesmente resolver arbitrariamente qualquer problema oriental diretamente relacionado com a China, certamente quebrará a cara.

 

 

Escrito por Zhou Enlai

Outubro de 1950

 

Traduzido por Henrique Monteiro

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