"Síria: A Libertação de Aleppo"

13/01/2017

A ofensiva final do Exército Árabe Sírio para libertar o setor leste de Aleppo das garras dos jihadis apoiados pelos EUA, começou em meados de novembro, até a segunda semana de dezembro libertou a vasta maioria do território anteriormente ocupado pelos jihadis. Ao longo dessa ofensiva, 78.000 civis foram evacuados e 1.324 terroristas se entregaram. Transmitindo essa alegre notícia o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, anunciou que, como a fração de território ainda ocupado por gangues armadas é agora tão pequena, o Exército Árabe Sírio está capacitado no momento a priorizar a evacuação de civis sob um maior avanço.

 

Ao passo que a propaganda de guerra contra a Rússia e a Síria cresciam freneticamente dia após dia, as forças patrióticas continuaram a pressionar independentemente com a ofensiva por novembro e dezembro, sem se perturbar pelas desinformações caluniosas da mídia imperialista. Em 29 de novembro foi noticiado que 50% de Aleppo oriental estava sob controle da Síria. A cada avanço se libertava populações cativas da escravidão terrorista, campos de ajuda e cozinhas de campo foram armadas pelo aliado fraterno da Síria, a Rússia, para prover tratamento médico, comida e saneamento. Os jihadis aproveitaram cada oportunidade para prejudicar estes esforços humanitários, bombardeando um campo de ajuda e sujeitando a tiroteio cada um que tentasse fugir via os corredores humanitários. Apesar de todos estes obstáculos, em 7 de dezembro o Centro de Reconciliação Russo na Síria relatou que a área liberada agora era de 70% do território antes ocupado por estrangeiros, e uma semana mais tarde o chefe de operações da Estado-Maior da Rússia, Tenente-general Sergey Rudskoy, anunciou que as forças do governo Sírio controlavam 93% de Aleppo oriental.

 

Que tipo de ‘trégua’?

Enquanto o imperialismo assistia seus sonhos de conquista via procuração se desfazerem a cada novo avanço, o ocidente de repente se tornou muito afim de negociar uma trégua – mas somente uma na qual se permitiria que os jihadis permaneceriam nas vizinhanças que eles aterrorizavam e dar a eles uma chance para se reagrupar, afiar as facas e tomar fôlego. Em 2 de dezembro, Washington apresentou uma proposta que incluía passagem segura para fora de Aleppo para os terroristas, abruptamente retirando tal proposta dias depois, não querendo ver suas forças representantes abandonar o campo de batalha e deixar o caminho aberto para a libertação completa da cidade. A frente al-Nursa, afiliada da al-Qaeda e outras quatro gangues armadas, ao mesmo tempo que implorava por uma trégua de cinco dias, cuspia na oferta da Síria de passagem segura para fora de Aleppo, demandando no lugar que o destino de Aleppo fosse decidido depois da “resolução da crise humanitária”. Os mesmos bandidos que comandaram o corte nas ajudas e a fome dos infelizes civis sob sua opressão, os mesmos bandidos que mataram e mutilaram aqueles que tentavam fugir das áreas ocupadas, os mesmos bandidos que lançaram bombas caseiras e mísseis nas áreas de Aleppo ocupadas pelo governo e declararam guerra contra os campos de ajuda humanitária, agora tem a cara de pau de demandar que a prioridade deve ser “resolver a crise humanitária”!

 

Washington teve tempo o suficiente para inventar a falsa promessa de separar e neutralizar a então chamada oposição armada ‘moderada’ das gangues definitivamente terroristas. A sua falha em fazê-lo confirmou o que cada cidadão sírio comum já sabe de uma amarga experiência: que não existe essa coisa de gangue armada ‘moderada’, e a única cura para a tentativa de subversão terrorista da Síria é a mais vigorosa resistência nacional contra os jihadis, seus armeiros e patrocinadores imperialistas. Fares Shehabi, membro do parlamento de Aleppo, respondendo à súplica por uma trégua de onze horas, declarou “Nós não aceitaremos nenhuma trégua. Se eles não saírem nós continuaremos nosso ataque” (‘Syrian army retakes 70% of E. Aleppo’, RT, 7 December 2016).

 

Palmira: como o ocidente “luta contra o terror”

Os verdadeiros motivos daqueles que imploram por tréguas e ajuda aérea numa última tentativa de adiar a libertação de Aleppo são resolutamente revelados, não pelas suas palavras, mas pelas suas ações. A falha dos EUA em levantar um dedo sequer para prevenir o êxodo de terroristas do Daesh de Mosul, contentados no lugar em assistir do lado de fora como milhares desses terroristas, apoiados por tanques, renovaram seu assalto sobre a cidade histórica de Palmira, anteriormente liberada ao custo de tanto sangue, levou Sergey Lavrov a falar a escala completa da traição do ocidente. O fato de que os terroristas do Daesh lançaram sua ofensiva do Iraque, ele disse, e “aparentemente de Mossul”, marchando sob os “territórios patrulhados pela coalizão aérea liderada pelos EUA nos faz pensar que... foi orquestrada e coordenada para dar folga àqueles bandidos, que estão entrincheirados em Aleppo oriental” (‘ISIS offensive on Palmyra could be orchestrated to give respite to militants in Aleppo’, RT, 12 de dezembro de 2016).

 

Enquanto escrevemos o destino imediato de Palmira continua incerto, mas nem o conluio com o Daesh em Palmira nem o conluio com a al-Nursa no seu último buraco em Aleppo oriental salvará o imperialismo da derrota humilhante de todos seus planos de ‘mudança de regime’. Aleppo liberada é uma pedra na qual o imperialismo vai quebrar suas costas.

 

Significância da libertação de Aleppo

A libertação de Aleppo é de enorme significancia. Embora a movimentada capital da Síria seja Damasco, cada vez mais pessoas moram em Aleppo, que é um centro tanto industrial quanto cultural. Antes da invasão, representava 60% da receita de exportação para o orçamento nacional. A libertação de Aleppo atinge um golpe certeiro nos sonhos dos terroristas de usar a cidade como um centro de comando para planejar novas afrontas na fronteira noroeste com a Turquia, e é um marco importante no caminho para a libertação de todo o território nacional. Enquanto distrito após distrito escorrega das mãos dos chefes do crime organizado, o Ministro da Reconciliação da Síria, Dr. Ali Haidar chamou o avanço do Exército Árabe Sírio de uma “vitória estratégica” que iria prevenir intervenção estrangeira, acrescentando que “Aqueles que acreditavam no triunfo sírio sabem que a moral [dos terroristas] está no nível mais baixo e que esses colapsos que começaram são como peças de dominó” (‘Syrian army retakes 70% of E. Aleppo’, op.cit.).

 

A significância da libertação de Aleppo não falhou em ser registrada até mesmo pelo New York Times. Admitindo de má vontade que “parecia cada vez mais que o Presidente Bashar al-Assad eventualmente conseguiria tomar de volta toda Aleppo”, o jornal relatou: “Isto daria ao governo sírio controle das cinco maiores cidades do país e da maioria das mais populosas do oeste, deixando os grupos rebeldes que estão mais focados em lutar contra o Sr. Assad com apenas a província setentorial de Idlib e algumas áreas isoladas nas províncias de Aleppo e Homs e em torno da capital, Damasco”. (Vale a pena notar que, no que diz respeito à província de Idlib, a razão que os terroristas em Aleppo deram para recusar a oferta de passagem segura para Idlib era que eles não podiam mais se sentir seguros ali também!) O jornal continua citando um “ativista antigoverno em Aleppo oriental” que resume precisamente as perspectivas futuras da subversão da guerra via procuração, contando ao jornalista que “É como o apocalipse.”

 

O que para tais farsantes imperialistas com certeza se parece com “o apocalipse” para Aleppo é um novo começo, enquanto os cidadãos começam a juntar as peças e reconstruir sua amada cidade. Coisas básicas como acesso à agua e eletricidade, por tanto tempo negadas, podem começar a ser restauradas. Já no fim de novembro o Exército Árabe Sírio expulsou os terroristas ocupando a estação de bombeamento de água Suleiman Al-Halabi que fornece água para milhões de cidadãos. Os jihadis costumavam desligar as bombas como uma maneira de punir os civis por não os apoiarem, obrigando os habitantes a contar com poços improvisados. Agora que as bombas estão em mãos seguras os cidadãos podem contar com um fornecimento ininterrupto.

 

A estrada para Raqqa

O imperialismo assistiu com grande repulsa enquanto suas forças via procuração encaravam derrota após derrota, temendo que uma vez que a libertação de Aleppo fosse alcançada as forças patrióticas sírias poderiam concentrar seus esforços na liquidação da última fortaleza do Daesh no país, Raqqa. O imperialismo respondeu fabricando mais e mais mentiras cabeludas sobre o suposto “extermínio” e “execuções em massa” de civis pelas forças de libertação. Esperando então empurrar a crédula opinião pública para apoiar novas violações da soberania Síria sob o pretexto de ‘Responsabilidade para Proteger’ (uma recente invenção da ONU, dado o acrônimo piegas de R2P [Responsibility to Protect], que tem a intenção de dar uma justificativa ‘humanitária’ para as violações da soberania nacional). No caso da Síria, a ‘comunidade internacional’ (leia-se: bando de bandidos capitalistas monopolistas) passou os últimos seis anos exercitando sua responsabilidade para ‘proteger’ o povo sírio (sob um auto custo para suas vidas e propriedades) de serem liderados pela liderança que eles mesmos escolheram. A ONU está contente em dar credibilidade para estas mentiras, só que nada dessas histórias de terror podem ser independentemente confirmados.

 

Enquanto isso, por baixo dessa avalanche de mentiras, as Forças Especiais de Washington estão de prontidão numa campanha desesperada para conseguir Raqqa antes que as forças do governo possam recuperar a cidade eles mesmos. As botas dos EUA estão no chão, documentadas em diversas ocasiões, presumidamente estão lá para ajudar a manter a ordem dentre as forças selvagemente heterogêneas sob as quais Washington está se apoiando para tomar Raqqa do Daesh antes que o Exército Árabe Sírio esteja pronto para fazer o trabalho à sua maneira. No entanto, a falta de coesão ou propósito comum está se tornando dolorosamente óbvio nas brigas acontecendo em torno da cidade de al-Bab, vista como um trampolim para Raqqa. O The Independent fez um esforço valioso para resumir os jogadores:

 

“Três forças que estão engajadas numa luta amarga umas contra as outras na guerra civil na Síria estão se enfrentando numa cidade que é um prêmio estratégico para uma ofensiva em Raqqa, a capital do califado proclamado pelo Isis.

 

Soldados Rebeldes Árabes Suni do ELS (Exército Livre da Síria) com o apoio militar turco; Uma aliança liderada pelos curdos [a SDF] com conselheiros e suporte aéreo americanos e o exército do regime com apoio russo estão se enfrentando em al-Bab na província de Aleppo, lutando uns contra os outros bem como com o Isis no caminho” (Kim Sengupta Kilis, ‘Syria civil war: All eyes on strategic town of al-Bab’, The Independent, 28 de novembro de 2016).

 

Ankara é completamente hostil à SDF liderada pelos curdos, que suspeita de alimentar aspirações secessionistas em solo turco, ainda assim Washington não pode dispensar uma força de luta curda tão experiente. Quando se trata de Raqqa, o plano do Pentágono é de cercar e isolar Raqqa com a SDF enquanto os jihadis do FSA suplanta o Daesh na cidade. No entanto, se al-Bab é vista como um ensaio geral para Raqqa, as chances de tudo ir por água à baixo para o imperialismo dos EUA parecem grandes.

 

Na última semana de novembro foi relatado que os bandidos do ELS, apoiados por armamento e aeronaves turcas, capturaram três vilarejos na vizinhança de al-Bab ao mesmo tempo em que lançavam ataques contra as forças SDF. Enquanto isso o Exército Árabe Sírio tomou a oportunidade para tomar quatro vilarejos próximos à al-Bab, assistidos por soldados do Hezbollah e a Resistência Nacional Síria (RNS). Este último grupo, formado em setembro deste ano [2016], é relatadamente formado por curdos sírios leais e dizem que tem facilitado melhores relações entre a SDF e as forças do governo. O quanto isso é verdadeiro é um ponto à ser discutido, mas o fato de que alguns farsantes do ELS do Ankara estão convencidos que a SDF deu cobertura para os avanços do Exército Árabe Sírio em torno de al-Bab não é um bom presságio para os grandes planos de Washington para Raqqa, bem como Noah Bonsey, o analista senior do International Crisis Group, observou, nada que “tanto Ankara quanto a SDF são muito importantes para lutar contra o Estado Islâmico para se abandonar completamente. Ao mesmo tempo, no entanto, a decisão de Washington de pesar para seja qual lado estiver melhor posicionado a qualquer momento para se apoderar do território do grupo extremista, levou Ankara e as forças curdas a avançarem o mais rapidamente possível – mesmo com o risco de atiçar um conflito entre os dois. Tais circunstâncias incentivaram cada partido a criar situações favoráveis em campo o mais rápido possível. Eles também aumentam o risco de excesso de alcance e, portanto, de um ciclo de escalada mútua potencialmente abrangendo ambos os lados da fronteira Síria-Turquia” (David Kenner, ‘Raqqa will put Trump’s deal-making to the test’, Foreign Policy, 27 de novembro de 2016).

 

Enquanto isso, embora o Pentagono cole bandeiras em vão no mapa e tenta organizar suas forças intratáveis e mutuamente hostis, o Exército Árabe Sírio, tem sua moral altíssima após a libertação de Aleppo levando todos aqueles que sinceramente desejam ver o país livre de todos os terroristas e seus apoiadores, avança passo a passo para a vitória.

 

Vitória para o governo Sírio, o exército e o povo!

Morte ao imperialismo!

 

P.S.: Nos dias que seguiram à redação deste artigo a libertação completa de Aleppo foi alcançada e os doentes e feridos evacuados com sucesso. Esta gloriosa realização, ao contrário dos lamentos da mídia imperialista, é enormemente creditada ao Exército Árabe Sírio e será comemorada por toda a humanidade progressista.

 

 

Fonte: LALKAR, edição de janeiro/fevereiro de 2017

 

Traduzido por Henrique Monteiro

 

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