"O feminismo proletário e o caminho para a libertação da mulher"

03/12/2016

Atualmente, a violência contra as mulheres de nosso povo tem sido um tema que não há deixado ninguém indiferente. O caso da lamngen Lorenza Cayuhan, prisioneira política mapuche que deu à luz a sua filha prematura, algemada e com três gendarmes presentes no momento do parto; Nábila Riffo, golpeada até perder seus olhos e de Lúcia Perez, uma jovem de 16 anos, violada, torturada e assassinada, são alguns dos nomes que vem estremecendo as massas por ser um reflexo de uma podre ideologia de opressão social, feudal e patriarcal.

 

A ideia de mulher, reflexo da política e da economia

Em toda sociedade, as ideias predominantes são reflexo da base econômica e política desta e se transmite, principalmente, através da educação e dos meios de comunicação. Portanto, a concepção acerca da mulher a essa base e como em nosso país o capitalismo é atrasado e tem alicerces semifeudais, a ideologia e a concepção do papel da mulher é atrasada e feudal. Quer dizer, historicamente retrógrada e patriarcal.

 

A partir daí entendemos que a ideia de que a mulher é inferior ao homem não caiu do céu, mas sim que nasceu como um produto do surgimento da sociedade de classes e da propriedade privada há séculos atrás.

 

Ainda que nos queiram mostram um país “moderno”, as mulheres são subvalorizadas política, econômica e culturalmente. E em nosso caso, as condições de vida miseráveis que impõe o capitalismo burocrático (atrasado e submetido ao capital estrangeiro), faz cair seu peso de forma mais dura sobre as mulheres populares.

 

As mulheres não combatem juntas a mesma batalha

O feminismo proletário explica que a mulher popular é explorada e oprimida, em primeiro lugar, por ser parte do povo e, em segundo lugar, por ser mulher. Quer dizer, sofre a opressão de classe e de sexo. Por isso, nem todas as mulheres encontram-se na mesma trincheira, pois também existem mulheres que exploram o povo, pertencentes as classes monopolistas e usurárias de nosso país.

 

E, por outro lado, existem as mulheres populares, que constituem a imensa maioria: operárias, camponesas, trabalhadoras temporárias, empregadas domésticas, pequenas comerciantes, estudantes, intelectuais e profissionais, etc. Todas elas, além de trabalhar nas áreas de produção remuneradas, trabalham em seus lares, criando seus filhos e levando a família a diante sem qualquer remuneração. São também estas mulheres populares, as que com mais força enfrentam a adversidade quando se trata de lutar pela moradia, por salário em greves e, como se há demonstrado, as jovens estudantes têm estado na ponta da lança na luta pelo direito à educação. O mais alto exemplo de valentia e coragem são as mulheres mapuches em sua luta pela terra e seu povo.

 

As ideias não-proletárias sobre a mulher dividem o povo

O feminismo burguês e pequeno-burguês foca o problema principalmente partindo de um ponto de vista cultural, desligando-o de sua base econômica e política. Dentro desta visão, as mais recalcitrantes afirmam que o problema é que os homens “são maus” e outras que a libertação da mulher estaria associada quase exclusivamente a uma liberdade sexual em conjunto com a ascensão social, centrando em competir com os homens. Pelo mesmo, ao não compreender a base material e de classe, o feminismo pequeno-burguês busca a solução ao problema da dupla opressão em uma libertação individual: “eu decido sobre meu corpo”, “eu me liberto”, e não na luta coletiva contra a opressão de classe e sexo das mulheres populares junto a seus companheiros.

 

A ideia de que através da libertação individual podemos varrer com o machismo é uma ilusão, já que a raiz do problema se encontra na base econômica e política de nossa sociedade. Somente transformando esta poderemos varrer com o machismo próprio do patriarcado. Pelo mesmo, todas as medidas para incluir a mulher na luta e combater o machismo ao mesmo tempo são um avanço nesse sentido. Por sua vez, são os homens do povo que se somam ativamente à luta os que vão combatendo as ideias machistas nas quais tem sido educados, avançando junto a suas companheiras.

 

#nemumamenos, a consigna que serve a Bachelet

O velho Estado em total descrédito buscou lavar seu rosto, colocando na presidência uma mulher. Hoje, Bachelet tenta encobrir-se das demandas justa do povo, choramingando hipocritamente por “#nemumamenos”, enquanto que no dia a dia reprime mulheres mapuche, colonas, operárias e estudantes.

 

Embora seja justo opor-se à violência contra a mulher somente pelo fato de ser mulher, este chamado geral para o combate à tal violência é constituído pela ideia de negar o direito do povo a rebelar-se com violência contra seus opressores, sejam estes homens ou mulheres. Sendo mulher, Bachelet legitima e dirige a violência reacionária contra o povo e o faz com toda consciência, como integrante dos setores dirigentes do Partido Socialista e parte da “família militar”. Ela é uma fiel representante das classes exploradoras e opressoras de nosso país, como muitas outras mulheres que são parte do “Partido Único” (Nova Maioria e Chile Vamos) e suas forças auxiliares, que se apresentam como independentes e/ou progressistas.

 

Saudamos as mulheres populares que se organizam, as que se atrevem a marchar, debater e buscar o caminho da libertação. Saudamos seu vigoroso ímpeto, demonstrado nas últimas jornadas de mobilização e nas lutas que se dão no dia a dia. Valiosas mulheres populares que fazem crescer sua posição de classe, opondo-se a toda forma de opressão e exploração, levantando a cabeça para lutar diante dos abusos e da violência exercida sobre elas, ao mesmo tempo que um crescente número de companheiros.

 

Despertar a fúria revolucionária da mulher!

 

Artigo publicado na 53ª edição impressa do jornal chileno “O Povo”.

 

Traduzido por Igor Dias

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