Argentina: fissura entre ricos e pobres aumentou com Macri

21/11/2016

A lacuna entre ricos e pobres se alargou mais em 2016 que nos 12 anos anteriores. Este dado é o central de um informe realizado pelo Centro de economia Política (CEPA) e pelo Índice de Economia Popular (INDEP), baseado nos números publicados recentemente pelo INDEC. A verdadeira “fissura” é a diferença que há entre quem tem mais e menos tem. Depois de 12 anos de redução, hoje essa fissura volta a crescer. Há distintas maneiras de medir estes valores: por indivíduo, por família, por renda per capita familiar ou pelo coeficiente de Gini. O resultado conceitual é o mesmo: mais para quem tem muito e menos para quem tem pouco.

 

O informe “Desigualdade, Um mudança com ganhadores e perdedores” explica que com a queda do poder aquisitivo dos setores médios e baixos- produto da inflação, dos sindicatos em baixa, das demissões e os tarifaços, entre outros fatores –somada à transferência de recursos para os setores concentrados- deságio da retenção à agricultura e à mineração, deságio de impostos aos bens pessoais- deram como resultado o alargamento da fissura entre ricos e pobres. O presidente da CEPA Hernán Letcher contou à “Tempo” que os números “surpreendem porque de alguma maneira esgotam a discussão sobre pobreza. Quando se fala de ‘Pobreza Zero’ não se contempla a desigualdade, que é em definitivo o fator principal, e os números que forneceu o próprio INDEC são muito eloquentes”. Para o conselheiro do FPV[1], com as políticas econômicas de “Cambiemos”[2] “o 1% mais rico tem levado todo esse dinheiro. E não perderam somente os mais pobres, mas todo o resto. Estritamente, todos os setores transferiram recursos ao 1% mais rico. O deságio de retenções beneficiou somente a esse setor e o Estado compensou esse dinheiro que deixou de obter com o deságio dos subsídios às tarifas, as quais pagamos todos. O movimento é muito claro.”

 

No caso por indivíduo, a fissura entre os que mais têm e os que menos têm menos havia caído de 2003 a 2015 de 33 vezes (a renda média mais rica é 33 vezes maior que a renda média mais pobre) a 18,7 vezes. Em 2016, esse número ascendeu a 23,2. No período 2008-2009, o número havia crescido em 3 pontos, sendo o momento mais crítico em 12 anos. No primeiro ano de “Cambiemos”, essa cifra cresceu em quase 5 pontos.

 

Quando se avalia por família, o salto foi de 12,3 a 13,8. Se se tem em conta a renda per capita familiar, o número passou de 16,3 a 19. O coeficiente de Gini (utilizado a nível mundial) é um número entre 0 e 1, aonde o zero a perfeita igualdade e o ‘1’ implica a perfeita desigualdade. Entre 2015 e 2016, a escala individual, passou 0,3856 a 0,4168; por rendas médias de famílias, cresceu de 0,3650 a 0,3822, enquanto que a nível per capita familiar, saltou de 0,4005 a 0,4174.

 

A desigualdade é uma das problemáticas mais profundas que há na Argentina (e na América Latina) a nível histórico. As políticas neoliberais dos anos 90 e a crise de 2001 haviam alargado essa fissura a valores muito altos que se reduziram continuamente entre 2003 e 2015, até chegar a valores relativamente baixos. Em 2016, o crescimento foi o maior desde os princípios da década passada e a verdadeira fissura volta a estender-se.

 

 

Notas do tradutor:

[1] FPV (El Frente para la Victoria) é uma coalizão política argentina de orientação kircherista fundada em 2003.

[2] O “Cambiemos” trata-se de uma plataforma de coalização política argentina formada em 2015 entre Elisa Carrió (Coalición Cívica ARI), Mauricio Macri (PRO) e Ernesto Sanz (da Unión Cívica Radical).

 

Do Ódio de Clase

 

Tradutor: Glauco Lobo

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