Filipinas: "Os dois aspectos da amizade com a China"

18/11/2016

O Presidente Duterte está atualmente na China para forjar acordos econômicos e de segurança. Ele foi recebido pela China como um firme aliado e amigo. A visita é esperada para pavimentar o caminho do grande afluxo de investimentos do monopólio capitalista da China.

 

O Partido e movimento revolucionário tem uma visão crítica da política do regime de Duterte de cordialidade e amizade com a China. Por um lado, o movimento revolucionário está ciente de que a China tem seus próprios interesses imperialistas ao forjar amizade com as Filipinas. Por outro lado, eles também enxergam oportunidades de mudanças positivas no modo de vida do povo e na economia a qual foi, por muito tempo, fechada pela dominação estadunidense e seu apoio.

 

A China é um dos maiores países capitalistas e um poder imperialista florescente. Ela foi um país socialista moderno (1949-1976) antes da nova burguesia que emergiu da burocracia ao perverter o poder estatal e destruir o Partido Comunista da China e o sistema socialista.

 

A China está confrontando atualmente uma crise capitalista financeira e de superprodução. Seus inventários de excedente de bens (aço, telefones celulares e outros produtos eletrônicos e componentes) estão crescendo assim como o excedente de capital não passível de investimento. Este procura por áreas para despejar seus bens excedentes e maiores fontes de força de trabalho baratas e matérias primas para colocar em funcionamento a sua assim chamada Ásia Fabril -a rede de fábricas estreitamente ligadas em diferente países empregadas em semi-processamento.

 

A China tem ambições imperialistas. Juntamente com a expansão do império econômico da China, há também a distribuição de forças militares estratégicas em várias partes da Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África. Os interesses geopolíticos da China estão aumentando e seu desafio à hegemonia dos EUA está crescendo.

 

 A amizade de Duterte com a China pode ajudar o povo filipino em sua luta para se libertar do controle e dominação dos EUA e o apoio ao imperialismo estadunidense. Mas isso acontecerá somente se a luta nacional democrática do povo filipino continuar a avançar e se o regime de Duterte vir a forjar com eles uma aliança patriótica.

 

Vários bilhões de dólares em investimentos e empréstimos da China estão destinados a construir fábricas e usinas que são articuladas para suprir as fábricas e o mercado da China. Em nome da unidade do povo filipino contra o imperialismo estadunidense, a China deve ser exortada a distribuir um substancial montante de investimentos para apoiar a industrialização nacional e genuína reforma agrária para que a economia local se mantenha com as próprias pernas. A proteção do bem-estar de milhões de pessoas deve ser assegurada em todo projeto de infraestrutura.

 

A luta pela genuína reforma agrária deve avançar vigorosamente. O povo filipino deve incitar Duterte a esmagar o poder econômico dos grandes proprietários que por muito tempo serviram de base do poder do imperialismo estadunidense nas Filipinas e estão entre os principais fatores do atraso econômico.

 

É plano da China estabelecer grandes plantações para exportar a produção. Isso viola os direitos das massas camponesas e povos minoritários e é destrutivo para o meio ambiente. Não pode ser permitido que este se torne um aspecto dominante na economia rural.

 

Duterte deve dirigir a atenção principal para a distribuição de terras para os camponeses lavradores como meio de corrigir uma injustiça histórica, e pavimentar o caminho para a modernização da agricultura local articulada à produção de alimentos e outras necessidades para o processamento local. 

 

Em sua declaração anterior, Duterte se ocupou em atrair investimentos estrangeiros, em particular, investimentos oriundos de firmas estatais-privadas da China. Isso está em concordância com o plano da China de construir infraestrutura de produção e transporte e em conformidade com seu plano de alcançar os cantos mais distantes do mundo para envolver centenas de milhares de pessoas em seu vasto oceano de força de trabalho.

 

O povo filipino deve insistir que o estabelecimento do aço e outras indústrias de base devem ter prioridade. Duterte deve insistir com a China que seus investimentos em produção destinada à exportação devem ter uma contrapartida em investimento ou assistência para mais indústrias de base necessárias ao país.

 

Para garantir que o povo não está completamente desfavorecido, Duterte deve assegurar que tais políticas terão uma correspondente política de proteção aos interesses nacionais. É imperativo insistir que uma parcela de investimentos seja distribuída para as indústrias de base e deve haver transferência de tecnologia. Também deve haver uma política bem definida para a proteção do meio ambiente e do patrimônio nacional.

 

O povo deve desafiar Duterte a proteger os interesses da classe operária contra os salários muito baixos e repudiar a política de privatização e comercialização dos serviços públicos. O regime de Duterte deve dar passos imediatos para controlar os preços de alimentos, medicamentos, combustível e outras commodities básicas.

 

Se Duterte não vier a apoiar os interesses democráticos do povo, os laços das Filipinas com a China levarão apenas à substituição do gigante que domina e saqueia o país e a perpetuação do monopólio capitalista estrangeiro saqueador do país. 

 

Se os interesses do povo não são priorizados, as prometidas novas estradas, pontes, ferrovias e portos serão por nada. A economia será resplandecente por fora, mas subdesenvolvida por dentro. Haverá fábricas, mas nenhuma industrialização; haverá plantações, mas o povo carecerá de alimentos e será condenado à fome.

 

Está no interesse geopolítico da China tornar as Filipinas em um bastião do anti-imperialismo estadunidense. Isso é compatível com as aspirações do povo filipino. Para forjar cooperação, a China deve reconhecer e respeitar a soberania nacional e a integridade das Filipinas.

 

Como uma oferta amigável, a China deve parar com sua reivindicação de exclusividade sobre a área de pesca próxima a Bajo de Masinloc. Isto pode ajudar o clamor pela desmilitarização do Mar do Sul da China e evitar dar passos que violem outras reivindicações de outros países.

 

A China pode construir amizade duradoura com o povo filipino se apoiar genuinamente a reforma agrária e o estabelecimento de várias indústrias de base. Isso é comparável ao esforço dos EUA e Japão para apoiar a reforma agrária e construção de indústrias de base em Taiwan (dos anos 1950) e a Coreia do Sul (dos anos 1960) com o objetivo de torná-las em bases capitalistas na luta então contra a promoção do anti-imperialismo e o socialismo na China e Coreia do Norte.

 

O imperialismo estadunidense está observando de perto o forjamento da amizade China-Filipinas sob Duterte. Seus agentes na AFP (Forças Armadas das Filipinas) e outras agências estatais estão preparando-se para tomar medidas a prevenir o enfraquecimento do controle estadunidense e sua influência sobre nas Filipinas.

 

Na promoção da amizade com a China, Duterte deve também buscar enfraquecer a influência imperialista estadunidense e seu controle sobre a AFP a qual tem sido dependente da ajuda militar estadunidense e opor-se à política de supressão contra as forças anti-imperialistas, progressistas e revolucionárias.

 

Artigo publicado na edição de 21 de outubro de 2016 de “Ang Bayan”

 

Tradução: Glauco Lobo

 

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