"Sobre a capitulação das FARC-EP"

11/10/2016

 

Os esforços de paz entre o governo de Santos da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foram frustrados após o acordo de paz final ter sido rejeitado em um referendo a 2 outubro com os votos de 50,2% contra 49,7%.

 

O referido acordo foi assinado em 26 de setembro deste ano em Cuba antes de ser submetido a um plebiscito. Ele foi negociado durante quatro anos em Cuba com a ajuda da Noruega. Ele procurou acabar com os 52 anos de resistência armada das FARC.

 

O acordo final, em essência, é um documento de capitulação ou rendição das FARC. É fornecido para o processo de desarmamento e desmobilização das FARC e sua transformação em um partido legal. Faz todas as FARC empreender um processo que está sendo dirigido pelo governo reacionário da Colômbia.

 

Sob o acordo, todas as áreas das Farc serão convertidas em 23 aldeias temporárias ou zonas de "normalização" sob a supervisão das Nações Unidas.

 

Tal acordo também especificou que armas de fogo e outros tipos de armas serão registradas e recolhidas pelas Nações Unidas no prazo de seis meses. Todas as armas recolhidas serão destruídas e transformadas num monumento.

 

Os combatentes registrados serão submetidos a uma investigação para determinar se eles têm alguma culpabilidade penal sobre violações dos direitos humanos.

 

Enquanto isso, a própria FARC será transformada em um partido político legal. Para ela, serão alocados três assentos sem direito a voto cada nas câmaras superiores e inferiores do parlamento colombiano. Eles receberão cinco lugares em 2018 e 2022, mas serão obrigados a concorrer para as eleições nos próximos termos.

 

O acordo assinado por líderes das FARC está sendo criticado porque ele não contém alterações substanciais no sistema social. A questão da reforma agrária ou da quebra de monopólios, o que provocou as revoltas de 1964 que deram origem às FARC, não foram solucionadas no acordo. O acordo só continha promessas de projetos de infraestruturas rurais para serem administrados por líderes das FARC.

 

As FARC entraram no acordo depois de vários anos de ofensivas implacáveis ​​pelo governo colombiano auxiliados militarmente pelos EUA, este que usa a “guerra contra as drogas” como pretexto. É relatado que existem atualmente cerca de 8.000 combatentes das FARC.

 

Apesar de ser gravemente prejudicial para as FARC, o acordo foi rejeitado pelos reacionários de oposição ao governo de Santos.

 

O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi o principal ativista contra o acordo.

 

Há pelo menos dois outros grupos guerrilheiros armados na Colômbia. Isso escancara a profunda crise e a acirrada luta de classes no país.

 

Do Ang Bayan

10 de outubro de 2016

 

Traduzido por Igor Dias

 

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