PTD: "Brasil, acossado pelo imperialismo"

22/03/2016

Após cobrar seus respectivos prêmios na Argentina, Venezuela e Bolívia, o imperialismo norte-americano põe em marcha seu mais recente plano: derrotar o governo brasileiro, para submeter o conjunto do país aos interesses das grandes empresas transnacionais.

 

O governo de Dilma Rousseff se encontra assediado mediante mobilizações de corte reacionário e isolado internacionalmente devido ao retrocesso dos seus aliados na região. Aproveitando-se dos erros do reformismo progressista brasileiro, os imperialistas veem uma oportunidade excelente para impor outro governo leal aos interesses de Washington e desmantelar todo a estrutura de empresas públicas que permitiram ao país latino-americano recuperar alguns espaços de soberania durante estes últimos anos.

 

A União Reconstrução Comunista (URC) qualificou a situação como prelúdio de um golpe de Estado e a submissão definitiva do país a um regime neocolonial . Acertam os comunistas brasileiros, pois a vitória dos imperialistas vizinhos vem acompanhada de uma gestão econômica nefasta, que aprofundou as desigualdades e desmantelou as principais instituições que possibilitavam alguma margem de soberania nestes países. A tática dos reacionários consistiu em acossar mediante a guerra econômica, midiática e a fragmentação social para, seja por via armada ou via impedimento eleitoral em situação de anormalidade, desalojar as forças patrióticas dos governos.

 

O certo é que a ofensiva reacionária dos últimos anos é uma amostra da debilidade das classes sociais que dirigiram estes processos (burguesia nacional e pequena burguesia) que, ainda que tenham conseguido importantes melhorias econômicas e sociais, foram incapazes de modificar a relação de dependência destes países com o imperialismo.

 

Neste sentido, os ataques se concentram sobre a figura do ex-presidente Lula, tanto pelo caráter simbólico de sua figura como pela possibilidade de encabeçar uma futura candidatura que ampliaria outro mandato o controle do PT sobre o governo do país. A corrupção é a arma com que tentam crucificar o ex-presidente, sem apresentar a verdade destas acusações nem as razões que podem motivar estes atos. A reação do governo na tentativa de nomear o ex-presidente como ministro somente contribuiu para agravar o enfrentamento entre as forças patrióticas e as reacionárias, que medem seus apoios nas ruas com diferentes atos para mostrar suas respectivas influências.

 

O retrocesso geral que se dá na América Latina somente pode ser solucionado pela classe operária. É tarefa dos comunistas, sua parte mais avançada, organizar o conjunto da classe e erguer a bandeira da soberania nacional, do progresso e da democracia. Levantar esta bandeira bem alto, consumando a obra que a burguesia nacional foi incapaz de concluir. O socialismo segue sendo hoje a esperança dos povos.

 

 

por David Comás Rodriguez, portavoz do Partido Del Trabajo Democrático (Espanha)

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