Lutas camponesas contra a mineração avançam no Pará

25/02/2016

Os movimentos camponeses da região sudeste do estado do Pará passaram, recentemente, por duros golpes. Em São Domingos do Araguaia, o dirigente do PCdoB, Luiz Bonfim, foi assassinado à luz do dia por dirigir um processo de ocupação de terras em Brejo Grande do Araguaia. Em Marabá, uma manifestação camponesa realizada em conjunto pelo MST e por lavradores da Gleba Ampulheta no último dia 03, em favor da desapropriação da Fazenda Santa Clara com fins de reforma agrária, terminou com 120 camponeses detidos, 35 feridos, 7 presos e 3 permanecem desaparecidos até hoje, após uma ação realizada pela Polícia Militar do estado. Vários outros atos de violência foram cometidos contra os camponeses não apenas por parte da pistolagem como, também, por parte dos braços armados do Estado reacionário brasileiro.


A enorme violência exercida contra o campesinato trabalhador se deve ao fato de a região sudeste do Pará estar sob a mira das grandes mineradoras internacionais, principalmente da Vale S.A., que se utiliza de seus bate-paus para grilar terras, saquear as riquezas naturais brasileiras de forma predatória e gerar enormes problemas ambientais na região.


Somente no município de Canaã do Carajás, segundo informações de grupos ambientais (ver aqui), a Vale possui como área de interesse mais de 160 mil hectares de terras. Aqui, cerca de 1500 famílias de camponeses posseiros e trabalhadores sem teto foram despejados das terras latifundiárias e/ou voltadas para a especulação imobiliária por pistoleiros, grupos paramilitares e pela polícia desde o início de 2016. Nas fazendas que tais famílias ocupavam, cerca de 400 hectares de lavouras como arroz, feijão, milho, mandioca e hortigranjeiros foram semeadas pelos camponeses. Durante os despejos, porém, mais de 100 hectares destas foram perdidas e incendiadas.


Desde o ano passado, o campesinato trabalhador da região vem ensaiando lutas de resistência. Em julho de 2015, milhares de lavradores organizados pelo STTR (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais) de Canaã dos Carajás e pela Comissão Pastoral da Terra do Pará realizaram uma manifestação contra o despejo de moradores de acampamentos que trabalhavam e viviam em terras griladas pela Vale. Em resposta aos despejos ocorridos neste ano, cerca de 3 mil camponeses dos acampamentos rurais Grotão do Mutum, Planalto da Serra Dourada, União do Axixá, Açaizal, Rio do Sossego, Alto da Terra, Marajaí e do STTR de Canaã dos Carajás ocuparam a estrada que dá acesso ao projeto minerador S11D da Vale, zona rural do município.


Os camponeses se manifestam contra a onda de despejos em interesse das grandes transnacionais mineradoras (e, em especial, da Vale), e reivindicam a desapropriação de milhares de hectares para o assentamento de famílias camponesas.

 

por Alexandre Rosendo

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