A entrega da Petrobras avança a passos largos

13/02/2016

Mal começou o ano de 2016 e a atual administração da Petrobras já se apressa em por em movimento seu plano de entrega da empresa à iniciativa privada, o qual chama dissimuladamente de ''Programa de Desinvestimentos'' e que pretende rifar para o mercado ativos estratégicos no valor de US$ 15,1 bilhões somente no biênio de 2015/16.

 

Ainda em janeiro foi anunciado a intenção da Petrobras em vender sua parte da Braskem – um total de 36,1% da empresa. A Braskem é a maior empresa petroquímica da América Latina, e inclusive a maior produtora de biopolímeros do mundo. A já insuficiente participação estatal nessa empresa que controla os três maiores polos petroquímicos do país e boa parte dessa indústria estratégica, está prestes a ser reduzida a zero.

 

Nesta sexta (12) diversos jornais anunciam os planos da Petrobras de colocar a venda 21 usinas térmicas e dois terminais de re-gaseificação de GNL (gás natural liquefeito), o de Pacém no Ceará e o do Rio de Janeiro. Além disso, colocará a venda também a Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG), subsidiária da Gaspetro que controla a sua rede de gasodutos. Uma malha de mais de 6,4 mil quilômetros de extensão, que atende as regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. Segundo texto publicado pela AEPET (http://www.aepet.org.br/noticias/pagina/13247/Malha-de-gasodutos-continua-muito-rentvel), os gasodutos continuam sendo altamente rentáveis, principalmente a malha do Sudeste que há muito tempo desperta a cobiça de monopólios internacionais.

 

O atual Conselho Administrativo também está à procura de ''parceiros'' para a venda de 49% da BR Distribuidora - comumente referida como uma das joias da coroa do Sistema Petrobras - e de ativos na área de fertilizantes, uma das mais rentáveis na cadeia produtiva do Petróleo.

 

Para qual direção apontam os desinvestimentos?

A escolha dos ativos que estão sendo ofertados ao mercado fornece fortes indícios sobre quais os rumos que a atual direção pretende tomar para a principal estatal brasileira. Ao invés de fortalecê-la enquanto empresa integrada de energia, presente em todos os estágios da cadeia produtiva, como se diz, do poço ao posto, pretende-se fazê-la retroceder ao status de simples produtora. Para agravar a situação, com os atuais desinvestimentos, a perspectiva da autossuficiência em refino simplesmente desapareceu do horizonte.

 

Tal retrocesso está em convergência com a situação do próprio país, que vive um aprofundamento de sua condição colonial em todos os âmbitos de sua economia. Os grandes interessados em enfraquecer a Petrobras e limitar sua atuação somente à extração e exportação de óleo cru, são os mesmos que se beneficiam com a nossa desindustrialização e o avanço do agronegócio baseado no latifúndio e voltado também à exportação. Tal situação pode ser facilmente descrita como regresso neocolonial ou giro neocolonial e atende diretamente aos interesses de grandes monopólios de países imperialistas.

 

O que fazer?

Os trabalhadores da Petrobras, que em 2015 realizaram greve histórica, que só não atingiu seus objetivos finais por ter sido sabotada e abortada pela direção sindical pelega em negociações espúrias com o Conselho Administrativo da empresa, deverão organizar novas resistências nos anos que virão. Por mais que a desmobilização seja grande devido à derrota recente, os grandes males da onda privatista em voga ainda não atingiram os trabalhadores com toda a sua força. Na prática, as vendas deverão ser efetuadas nos próximos anos e, por conseguinte, seus efeitos, como ainda mais e maiores demissões em massa, estão por acontecer.  É improvável que uma categoria com tão rica e vasta história de luta como os petroleiros vá atravessar esses ataques sem opor feroz resistência. A organização classista desta categoria é, sem dúvida alguma, a maior força disponível nessa importante luta.

 

Diante de tamanho assédio contra nossa principal estatal e nossa soberania, é urgente que todas as forças democráticas e patrióticas se levantem em defesa da Petrobras e de seu caráter estatal. Contra as vendas de ativos (eufemismo para privatizações), as demissões em massa de terceirizados, pela defesa do Pré-sal e da Petrobras como operadora única e sócia obrigatória desses campos! Assim como o seu fortalecimento como empresa integrada de energia, moderna e de excelência, como sempre foi.

 

por Guilherme Nogueira

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