Sobre a brutal execução de Nimr al-Nimr e dos 46 civis pela Monarquia saudita

03/01/2016

Neste sábado, a Arábia Saudita decapitou 47 pessoas em público, sob acusação de "Terrorismo". O grosso dos executados eram adeptos do xiismo e do sunismo. Entre os executados estava o clérigo Nimr al-Nimr, porta-voz das minorias xiitas em luta contra o regime por sua auto-afirmação política, que ganhou destaque nos protestos contra a família Saudi, em 2011. Esse crime gerou revolta no mundo todo, principalmente no Irã, de maioria xiita, onde a embaixada saudita foi invadida em manifestação de protesto. No próprio território do país, as massas árabes se levantaram em revolta (as massas rebeladas daquele país são árabes, sendo saudita somente o nome da tirania que as governa, que decidiu nomear o país com o nome da família real). Nós, por meio deste, buscamos somar a essas manifestações de indignação nosso repúdio aos atos bárbaros perpetrados pela monarquia Saudi e desnudar o carácter ultrarreacionário deste regime.

Na Arábia Saudita impera a mais brutal reação política, um regime de terror feudal e monárquico-religioso, baseado na doutrina da Wahabi, um segmento ultraconservador da Suna islâmica, que acredita que o Islã é a leitura literal dos textos sagrados. Esse regime impõe uma moral asfixiante ao seu povo, pesando particularmente sobre as mulheres a maior carga da moral patriarcal-feudal que as exclui de toda a vida pública, vetando-lhes mesmo a exposição do rosto em público e o direito de dirigir automóveis, enquanto os seus mandatários vivem ao pior estilo da decadência moral e sexual do mundo burguês, transformando mulheres em escravas sexuais. A monarquia saudita também é conhecida pela aplicação constante da execução, por diversos motivos, inclusive políticos, através da decapitação em praça pública. Esse é o mesmo método aplicado pelo Daesh, que lhe tem custado a justificada e taxativa posição de inimigo número um de toda a comunidade internacional, esse grupo compartilha, por sinal, da mesma matiz místico-religiosa da monarquia Saudi, a Wahabi. É essa comunidade de paranoia religiosa uma das responsáveis pela atual profusão de terrorismo na região, não podendo se excluir desse quadro, a ação do imperialismo na região.

Apesar da retórica anti-terrorismo dos países imperialistas, o fato é que o regime saudita deve sua longevidade em grande medida ao apoio desses países. Primeiro o apoio britânico e depois norte-americano, interessados em sustentar bases militares na região e em se apropriar dos recursos petrolíferos. Esse primeiro fato, o da presença militar, ajuda a intensificar a revolta árabe e leva fermento ao bolo do terrorismo Wahabi, a medida em que as bases militares ocidentais em territórios muçulmanos são vistas como ofensas aos locais sagrados do Islã. Dessa maneira os países ocidentais estimulam o terrorismo wahabita ao conceder apoio a monarquia saudita e ao mesmo tempo ferir, com suas diversas formas de agressão, os sentimentos religiosos das massas populares, tolhidas pela repressão monárquica na sua tentativa de dar uma expressão mais moderna e democrática a esses sentimentos e crenças. A França também joga papel importante em tudo isso, após os atentados de Paris (novembro último) o país embarcou de vez na guinada antiterror fascistizante, não obstante, em outubro, havia anunciado a firma de contratos de 10 bilhões de euros entre sauditas e as empresas e governo francês.

Esse episódio liga-se ao apartehid que a população xiita é destinada a sofrer no país e à agressão saudita aos houthis do Iêmen, bem como a dinâmica das agressões do Imperialismo contra os povos do terceiro mundo e, particularmente, os do Oriente Médio. Nesse sentido, é necessária total solidariedade aos houthis no Iêmen, e aos xiitas, as perseguições promovidas contra esses não são outra coisa senão opressão étnico-religiosa promovida pela degenerada monarquia-feudal saudita contra as massas operárias e camponesas árabes a favor do grande capital financeiro internacional imperialista. Portanto é de primeira ordem que os xiitas se somem às massas populares árabes do país para dar um salto qualitativo na luta contra a monarquia Saudi e sua ideologia Wahabi que faz parte da luta mais global contra o Imperialismo e neocolonialismo e pelo direito dos povos à autodeterminação.

 

por Ícaro Leal Alves e Gabriel Duccini

 

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