Petrobras: Presidente diz que privatizações continuarão no próximo ano

17/12/2015

O atual presidente da Petrobras e promotor da política entreguista em curso na empresa, Aldemir Bendine, declarou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (15) que os desinvestimentos (eufemismo para privatização) não só continuarão como serão aprofundados em 2016. O atual Plano de Negócios e Gestão (PNG) prevê para o biênio de 2015/2016 desinvestimentos da ordem de US$ 15,1 bilhões.


Mesmo com demissões em massa, cortes em formação e capacitação dos trabalhadores; em pagamento de hora extra, além do abandono de projetos estratégicos e a venda de ativos (como 49% da Gaspetro), a empresa não conseguiu nem se aproximar de sua meta, tendo conseguido gerar pouco mais de US$ 2 bilhões nessas operações. Sendo assim e levando em consideração as declarações de Bendine, podemos esperar que o ano de 2016 será extremamente penoso para os petroleiros, que terão de enfrentar o aprofundamento de todos os ataques que já vêm sofrendo, assim como a anunciada privatização de partes estratégicas e essenciais do Sistema Petrobras.  

Venda da Gaspetro
Ainda que se tenha deixado o grosso das vendas para o ano que vem, já neste ano de 2015 houve pelo menos uma operação de privatização relevante: A venda de 49% da Gaspetro para o monopólio japonês Mitsui, pelo valor irrisório de R$ 1,9 bilhão. Mesmo sendo a Gaspetro empresa estratégica que detém espaço privilegiado no mercado cativo de distribuição de gás por todo o país, a venda de metade de seus ativos não gerará nem um décimo da meta de desinvestimentos para o biênio.


A Mitsui já tem presença no mercado de distribuição de gás no Brasil, tendo parte em 8 das 19 subsidiarias (atualmente, todas públicas) controladas pela Gaspetro. Se a venda se concretizar, passará a ter parte de todas as subsidiarias assim como aumentará sua fatia daquelas onde já estava presente.  Entrega-se dessa forma, para um monopólio estrangeiro, grande parte de um setor extremamente sensível para a soberania de qualquer país, a distribuição de energia.


Tudo fica mais escandaloso quando se constata que a Mitsui é investigada pela operação Lava-Jato, por denúncias de pagar propinas para o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Legado da greve
Tendo em vista os ataques anunciados pelo novo PNG, que nada mais é que um plano de privatização e ataque aos direitos trabalhistas, os trabalhadores do sistema Petrobras construíram uma greve que se estendeu por quase todo o mês de novembro com massiva adesão e fortes impactos na produção.


O caráter político da greve se destacava na medida em que os petroleiros diziam que se recusariam a tratar de questões salariais sem antes discutir os planos de privatização da empresa, demonstrando elevado nível de consciência alcançado pelos trabalhadores.


Entretanto as direções sindicais não fizeram jus ao nível de conscientização de suas bases e traíram a mobilização dos trabalhadores. Na terceira reunião de negociação com a diretoria, com a greve no auge de sua força, as lideranças da FUP (Federação Única dos Petroleiros) aceitaram proposta rebaixada de 9,5% de reajuste salarial sem ter conseguido garantia alguma sobre o processo de privatização em curso e em vista na empresa. Dessa forma a FUP, em flagrante mudança de discurso, entregou a principal pauta política da greve.


Evidencia-se, portanto, a necessidade urgente de uma liderança classista para defender os interesses gerais dos petroleiros que, na realidade, são também os interesses de todas as classes populares de nosso país.

 

por Guilherme Nogueira

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