Lavradores posseiros no MS são expulsos de fazenda após meses de resistência

07/12/2015

O mês de agosto desde ano testemunhou um importante acontecimento para as forças populares do interior do país, quando cerca de 1200 famílias camponesas do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocuparam a Fazenda Saco do Céu, um enorme latifúndio improdutivo (improdutividade, inclusive, comprovada pelo INCRA no ano de 2014) de 5200 hectares, distrito Nova Casa Verde, no município de Nova Andradina.

 

A região onde a ação foi realizada, na fronteira com o Pontal do Paranapanema e norte do estado do Paraná, configura-se como estratégica para o movimento camponês, por ser uma das regiões de estrutura agrária mais latifundiária do Centro-Sul brasileiro e, também, por ali se situarem grandes e históricos conflitos pela posse da terra. Durante meses, as 1200 famílias ergueram um enorme acampamento, deram início à produção agrícola, resistiram às inúmeras tentativas de expulsão e às ameaças por parte da polícia e de grupos paramilitares. Estes últimos, no dia 21 de agosto, rondaram o acampamento e realizaram disparos contra as famílias camponesas. Ainda que tenha sido atestada a improdutividade dos 5,2 mil hectares da Fazenda Saco do Céu por parte do INCRA, a aquisição da fazenda não foi efetuada para a reforma agrária. Utilizando diversos mecanismos legais e jurídicos para evitar o despejo e apresentando documentos que comprovavam a improdutividade da Fazenda Saco do Céu, nada disto foi suficiente para impedir a liminar de reintegração de posse, que terminou com uma megaoperação militar realizada pela polícia de Nova Andradina e pela Tropa de Choque da PM de Campo Grande despejando os milhares de lavradores da fazenda. A morosidade na desapropriação das terras improdutivas, também no caso presente, relaciona-se com os cortes de mais de 50% nas verbas repassadas para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o INCRA. Com os cortes e a precariedade dos órgãos destinados à "reforma agrária" de mercado, onde as aquisições de terras são totalmente burocratizadas, a consequência direta não é senão o aumento da violência, da miséria e do estancamento do desenvolvimento social e econômico nas regiões rurais.

 

 Em abril deste ano, também no estado do Mato Grosso do Sul, o MST realizou outra formidável ação no município de Japorã, fronteira com o Paraguai. Organizando os brasiguaios - isto é, brasileiros do Centro-Sul que foram tentar a vida como camponeses no Paraguai e terminaram como posseiros expulsos pelo agribusiness da soja - regressos do Paraguai, foi erguido com cerca de 300 famílias de camponeses brasiguaios o Acampamento José Márcio Zoia. No final do mesmo mês de abril, o acampamento já contava mais de 1500 famílias de brasiguaios.

 

Apesar do recente golpe sofrido pelo movimento camponês sul matogrossense com a expulsão das famílias da Fazenda Saco do Céu, novas ações de ocupações estão sendo preparadas pelos lavradores, demandando que os revolucionários permaneçam atentos diante das movimentações dos movimentos de massa no interior do estado.

 

por Alexandre Rosendo

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