"Quem se beneficia?"

25/11/2015

Existe uma expressão do latim que é cui bono, que significa “quem se beneficia?” ou “quem ganha”. Quando não é imediatamente perceptível quais grupos políticos ou sociais, forças ou alinhamentos políticos que defendem determinadas propostas, medidas e afins, devemos sempre nos perguntar: “Quem se beneficia?”

 

Não é importante quem defende diretamente uma política em particular, já que sob o atual sistema capitalista, qualquer bolsa de dinheiro sempre pode “contratar”, comprar ou mobilizar um número x de advogados, escritores e mesmo deputados, professores, padres e demais para defender quaisquer visões. Vivemos em um período de mercados, onde a burguesia não tem escrúpulos em negociar sua honra e consciência. Também existem aqueles ingênuos que por estupidez ou força do hábito defendem pontos de vista comuns a certos círculos da burguesia.

 

Sim, de fato! Na política, não importa quem defende diretamente visões particulares. O que importa é quem se beneficia destas visões, propostas, medidas.

 

Por exemplo, a “Europa”, os estados que se chamam de “civilizados”, agora estão engajados em uma corrida armamentista insana. Sob diversas formas, em milhares de jornais, através de milhares de porta-vozes, eles esbravejam e bradam sobre patriotismo, cultura, terra nativa, paz e progresso—e tudo a fim de justificar novos gastos de dezenas e centenas de milhões de rublos para todo tipo de armas de destruição — armas, encouraçados.

 

Alguém que necessite dizer algo sobre todas essas frases ditas por assim chamados, patriotas, “Senhoras e senhores”. “Não acreditem nessa fraseologia, é melhor ver quem ganha com isso!”

 

Pouco tempo atrás, a renomada empresa britânica Armstrong, Whitworth & Co. publicou o seu balanço anual. A empresa é responsável principalmente por fabricar armamentos de vários tipos. Foi mostrado lucro de 877.00 Libras, cerca de 8 milhões de rublos, um dividendo de 12,5% foi declarado! Cerca de 900.000 rublos eram reservados como reserva de capital, e assim por diante.

 

É aí que os milhões e bilhões extraídos do trabalho dos operários e camponeses para armamentos vão. Dividendos de 12,5% significa que o capital é dobrado em 8 anos. E isso junto a todo tipo de comissões para gerentes, e etc. A Armstrong na Inglaterra, Krupp na Alemanha, Creusot na França, Cockerill na Bélgica — quantos delas existem em todos os países “civilizados”? E o número incontável de contratantes?

 

São estes os únicos a se beneficiarem com o açoitamento do chauvinismo, de todo o discurso sobre “patriotismo” (patriotismo da bala), de defesa da cultura (com armas que destroem cultura) e por aí vai!

 

Artigo de Lenin, publicado no Pravda, em 11 de Abril de 1913

 

Tradução: Gabriel Duccini

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