Direção sindical propõe fim da greve dos petroleiros mesmo sem avanços

14/11/2015

Mesmo com os trabalhadores de todo o Sistema Petrobras tendo construído uma mobilização histórica, que paralisou plataformas, refinarias, fábricas, terminais e termelétricas por todo o país, não impediu a direção da FUP (Federação Única dos Petroleiros) de propor que se aceite as propostas da empresa e o fim da greve, que vinha registrando crescente adesão.

 

Durante o prosseguimento das negociações, que foram retomadas no dia 11, a Petrobras enviou para as federações sindicais uma nova proposta de Acordo de Trabalho Coletivo (ACT), contendo um reajuste de 9,53% e somente a manutenção de direitos já conquistados. O acordo também prevê o desconto de metade dos dias parados e não garante que grevistas não serão punidos. Em nota, a própria FUP diz: ''A empresa também se compromete a discutir com a FUP e com os sindicatos eventuais sanções a excessos, nos mesmos moldes do que ocorreu na greve de 2013''.

 

Sobre os planos de Desinvestimentos (eufemismo para privatizações), que a FUP vinha pautando como central e prioritário para a greve, através da Pauta pelo Brasil, a diretoria ofereceu como proposta apenas a criação de Grupos de Trabalho (GT's) paritários, que não tem poder deliberativo algum e absolutamente nada garante sobre os desinvestimentos em curso e em vista na Petrobras. De fato, repetidamente os diretores da empresa vêm declarando na imprensa que os desinvestimentos, incluindo a venda de ativos (privatização), serão mantidos para os próximos anos, como se pode ver aqui. De fato, nem mesmo o dirigente da FUP, Davyd Bacelar, parece crer na eficácia dos GTs, como fica claro aqui.

 

Serão realizadas assembleias em todos as bases ligadas ao Sistema Petrobras onde o indicativo da FUP será votado. As bases da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) são pela continuidade da greve. Entre os trabalhadores e trabalhadoras que de fato vêm construindo a greve, em todo o país, o sentimento de rejeição ao acordo é grande.  Em assembleia no Espírito Santo, já encerrada, foi votado pela continuidade da greve. Em outras unidades assembleias devem ser realizadas ainda hoje. Nas bases de Caxias, do Norte Fluminense e Minas Gerais, as votações acontecerão amanhã.

 

por Guilherme Nogueira

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