Policiais e Pistoleiros atacam comunidade da Gleba Tauá em TO

13/11/2015

A Gleba Tauá localiza-se na zona rural do município tocantinense de Barra do Ouro, exatamente na fronteira com o estado do Maranhão. Trata-se de uma área de cerca de 13 mil hectares pertencente à União, que desde a década de 1940 vem sendo povoada por famílias posseiras oriundas do próprio Tocantins e, também, do Maranhão. Ainda que estivessem vivendo e produzindo naquelas terras, suas posses nunca foram regularizadas pelo governo federal, atitude esta que sempre foi postergada pelas autoridades do Estado brasileiro fortemente ligadas aos grandes proprietários de terra.

Desde 2003, os centenas de posseiros que habitam a Gleba Tauá vêm sofrendo ameaças do grileiro catarinense Emílio Binotto, que, apesar de nunca haver sequer morado na região, passou a se autoentitular arbitrariamente como dono daquelas terras, buscando na verdade todo tipo de mecanismos para grilar terras públicas ocupadas por camponeses. A partir de então, os lavradores da região passaram a buscar a Comissão Pastoral da Terra - CPT local para denunciar o sem número de atos de violências cometidos pelos pistoleiros pagos por Binotto. Dezenas de camponeses foram agredidos e torturados, receberam ameaças de morte, tiveram suas casas e lavouras incendiadas, suas cabeças de gado mortas, etc. os pistoleiros de Binotto vinham aplicando agrotóxicos nas nascentes de rios próximos à Gleba Tauá, dificultando ainda mais o acesso não apenas à terra como à água por parte dos camponeses. Além disso, os tratores de Emílio Binotto desmataram mais de 11 mil hectares de mata nativa do Cerrado dentro e fora da Gleba Tauá, caracterizando grave ambiental. Não apenas a Gleba Tauá, mas também diversas comunidades rurais da região vêm sofrendo as mesmas ameaças.

Foi Dona Raimunda, de 73 anos, histórica liderança da comunidade rural, uma das moradoras que mais sofreu com as ameaças do grileiro. A família de Ieda Rocha dos Santos, também, sofreu de ameaças e despejos em outras ocasiões: Em abril deste ano, ela, seu marido e seus oito filhos tiveram suas lavouras de arroz, feijão, milho, mandioca, abóbora, bem como todas as suas criações de animais destruídas pela Polícia Militar. Ela e sua família, então, reestabeleceram-se em outra área da gleba Tauá, sem titulação de nenhum proprietário - área da União Federal e, portanto, sem nenhum dono particular. Ainda assim, absurdamente, o juiz da Comarca de Goiatins do Tocantins, Luatom Bezerra, ordenou um novo despejo contra ela e sua família sob alegação de que não haviam deixado a área das quais foram despejadas.

Na manhã dessa quinta (12), uma operação feita pela Polícia Militar iniciou o despejo de Dona Raimunda e das famílias da Gleba Tauá da área que habitam há mais de três gerações. A filha de Dona Raimunda foi arrastada por policiais e passou mal. Na ocasião em que a família de Raimunda estava sendo retirada à força da casa, quatro agentes da CPT - Araguaia Tocantins (frei Xavier Plassat, Rafael Oliveira, Evandro Anjos e Pedro Antônio Ribeiro), um agente da CPT Pará (Antônio Filho) e dois posseiros da Gleba Tauá foram detidos.

Quando saíam da casa de Raimunda para despejarem outras famílias da Gleba, os policiais notaram que haviam esquecido um rádio. Ao retornarem para a casa de Raimunda para buscá-lo, flagraram os pistoleiro de Binotto derrubando com um trator a casa de líder comunitária. Ao flagrarem a ação, a Polícia Militar suspendeu o despejo da área, que será postergado para dias seguintes.

Este crime brutal a serviço da grilagem e do atraso ocorre com a total conivência do governo federal dominado por grandes latifundiários e sequazes.

 

por Alexandre Rosendo

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