Benayon: "Cuidado com a moralidade Fascista"

12/09/2015

1. Não convém crer no combate à corrupção teleguiado por potências cujas políticas se caracterizam por perversidade inacreditável, mas real: no mínimo, efeito colateral de seus jogos de poder.


2. A escravização pode ser realizada tanto através da imposição das armas de destruição em massa econômico-financeiras, como as imediatamente letais.


3. Por enquanto estão sendo empregadas no Brasil as primeiras, com as taxas dos títulos públicos chegando a 18 % aa., e com os golpes finais na indústria nacional.


4. Esse processo tem sido dirigido, desde, pelo menos, o final da 2ª Guerra Mundial, pelas potências imperiais angloamericanas, cuja hegemonia se iniciou, há mais de 300 anos, com práticas destrutivas e mesmo genocidas.


5. As disputantes derrotadas associaram-se, na ordem cronológica, Holanda, França e Alemanha. Esta aparece, hoje, como a principal, dando, na Europa a falsa impressão de ter luz própria, ao aparecer como o grande opressor direto dos países relegados à condição de periferia da União Europeia.


6. A vocação tecnológica e industrial da Alemanha, semelhante à da França e ainda maior, tornou-se, para o império angloamericano, um sério risco, do ponto de vista de sua pretensão de hegemonia absoluta.


7. Essa é a origem das duas guerras mundiais que marcaram o Século XX. A França já caíra a segundo plano, após as guerras napoleônicas, e a Holanda fora batida na segunda metade do Século XVII.


8. A Alemanha desenvolveu-se, desde o Século XVIII, impulsionada por clarividentes políticas de Estado, que culminaram, na segunda metade do Século XIX, com o primeiro-ministro Otto von Bismarck. Pouco após sua morte, em 1890 a Alemanha ultrapassou a Inglaterra em poder industrial.


9. Pouco antes disso, intrigas da diplomacia e dos serviços secretos britânicos fizeram com que Bismark fosse demitido pelo novo Imperador, Guilherme II.


10. O objetivo fora desmontar o edifício de alianças construído por Bismarck, que assegurou evitar a eclosão da Grande Guerra já no século XIX.


11. Não que Bismarck fosse pacifista. Nada disso: o mestre maior do realismo político ficara contente com o statu quo, após ter liderado a Alemanha em várias guerras e vitórias que a colocaram em posição de destaque no cenário do poder internacional.


12. Mas a Grã-Bretanha (Inglaterra) logrou envolver o Imperador alemão em suas provocações, após o ter afastado da Rússia e o levado a desencadear a guerra, em 1914, da qual participaram dezenas de países de cada lado.


13. O objetivo foi debilitar Alemanha e França ao mesmo tempo, eliminar a Alemanha como concorrente na hegemonia mundial e consolidar a condição de potência de segundo plano da França.


14. Londres conseguiu. Entre outros resultados, morreram seis milhões de franceses e cinco e meio milhões de alemães, sem falar em milhões de mortos de outros países.


15. A Alemanha foi condenada, em função da “Paz” de Versalhes (1919), a pesadas reparações de guerra, que teve de pagar principalmente à França e também à Grã-Bretanha. Estas as repassavam aos EUA para servir a dívida decorrente dos financiamentos que haviam recebido para custear a guerra.


16. Seguiu-se a enganosa euforia dos anos 1920 e a depressão econômica e social dos anos 1930, entre cujas manifestações avultou o fascismo, inclusive nazismo.


17. Com a atual depressão, especialmente na Europa, está muito atual a discussão sobre a natureza desse regime. Segundo o historiador italiano Renzo de Felice, o fascismo teria, na maioria dos casos, ascendido ao poder através de golpes de audácia, favorecidos pela covardia das classes dominantes e médias.
18. No meio desse debate apareceu a asserção, equivocada, mas não contestada, de que a Alemanha foi o único caso em que o fascismo chegou ao poder por eleições diretas.


19. De fato, foi uma conspiração, envolvendo chantagem junto ao presidente, Marechal Hindenburg, conduzida por banqueiros alemães associados à oligarquia financeira angloamericana.


20. Ora, no regime parlamentarista da Constituição de Weimar nem sequer existiam eleições diretas. Mas o importante é que os nazistas, nas eleições para o Reichstag, nunca tiveram votos suficientes para escolher o chefe do governo.


21. Nas últimas eleições, de novembro de 1932, eles tiveram declínio na votação, para 32%. Nunca havia maioria parlamentar, e o presidente sempre escolhia o Kanzler, conforme um artigo de exceção, que o previa, em caso de não haver maioria no Reichstag.


22. Hindeburg decidira após aquela eleição nomear o chefe do Estado-maior do Exército, o competente General Kurt von Schleicher, o qual reverteria a depressão e o descalabro financeiro, com economistas, como Lautenbach e Woytinski, de confiança de Federações patronais e de sindicatos de trabalhadores, cujas políticas tinham condições de debelar corretamente a depressão (Keynes e de Schaacht, o czar da economia de Hitler, só fizeram através da política da guerra).


23. Schleicher não agradava à oligarquia financeira angloamericana, e esta jogou a carta de Hitler, com a intenção, convertida em realidade, de causar a 2ª Guerra Mundial. Ao contrário da difundida e falsa imagem do ditador nazista, não era ele nacionalista, mas sim racista e fanático admirador do imperialismo britânico.


24. Antes de galgar o poder e torná -lo absoluto, com o golpe de incendiar o Reichtag, cassar os mandatos dos deputados comunistas, para obter a maioria absoluta que lhe permitiu fazer votar os plenos poderes, Hitler prometera invadir a Rússia, o que cumpriu em junho de 1941.


25. Foi notório e conspícuo o apoio a Hitler de líderes da indústria e das finanças angloamericanas, bem como de figuras de proa da família real britânica.


26. A simpatia de Hitler pelos britânicos teve, entre outras confirmações, a determinação do Führer aos chefes militares de darem ordem de alto à Wehrmacht, cujos panzers, sem isso, teriam esmagado ou feito prisioneira, na Flandres (França e Bélgica), a força expedicionária do Reino Unido, em maio de 1940, quando mais de 300 mil combatentes foram evacuados na retirada de Dunquerque.


27. A 2ª Guerra Mundial começou, para valer, na Europa, no verão seguinte, quando Hitler ordenou a operação Barbarossa (invasão da Rússia), engajando nela a quase totalidade do poderio armado alemão.


28. Então ocorreram as grandes batalhas da 2ª Guerra Mundial, por quatro anos, até o final de maio de 1945, a maior parte dos quais em território da União Soviética, que teve 20 milhões de mortos, afora enorme devastação material.


29. Novamente, o objetivo era destruir duas potências rivais. No caso da Alemanha completar o debilitamento encetado com a 1ª Guerra Mundial. No da Rússia, aniquilar a economia e o poder de um enorme país que apresentava potencial de surgir como potência de primeiro plano.


30. As forças angloamericanas — notadamente a aviação, em que tinham superioridade —  concluíram a destruição da infraestrutura da Alemanha, na fase final da guerra, quando a Rússia já havia feito o essencial do serviço. Além disso, os angloamericanos assassinaram centenas de milhares de civis, mulheres e crianças, com os bombardeios genocidas a várias cidades, como Dresden e Berlim, a fim intimidar a Rússia.


31. Fizeram algo semelhante na Guerra com o Japão, quando este já estava derrotado e pronto a assinar a rendição, através dos bombardeios nucleares sobre Hiroshima (06 de agosto de 1945) e Nagasaki.


32. Como confiar em tais potências, capazes de cometer a implosão das Torres Gêmeas, com dezenas de toneladas de nanoexplosivos para fazer derreter, a 3.000 graus centígrados, as estruturas de aços especiais, atribuindo o incêndio a aviões que jamais poderiam ter acesso aos prédios nem tinham como causar a implosão?


33. Pior, que o fizeram para promover o terrorismo de Estado, desde então intensificado, e para “justificar” seguidas intervenções e guerras genocidas a países de cujo petróleo o império quis apoderar-se.



por Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo

e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento

 

artigo publica no jornal A Nova Democracia nº 156

 

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