Chu Teh: "Sobre o problema relativo aos Quadros"

01/09/2015

Atualmente, entre nossos quadros veteranos existem indivíduos semelhantes a Gorlov que fazem um verdadeiro alarde de sua grande experiência e se sentem orgulhosos, e o presumem pelo simples fato de que possuem um histórico revolucionário de mais de vinte anos, de que libertaram inúmeras regiões e de que fortaleceram as fileiras do Partido e do exército. Mas se esqueceram de que os marxistas nunca devem se dar por satisfeitos na aprendizagem, que enquanto viverem devem continuar a aprender. A sociedade progride sem parar e, portanto, devemos ter sempre presente os ensinamentos do Presidente Mao Tsé-Tung sobre a necessidade de ‘’ nos prevenir contra a presunção e a precipitação’’, e atuar com modéstia e precaução.

Não são muitos os nossos quadros veteranos. Dos que participaram na Grande Revolução (1911) não passam de algumas centenas, e dos que participaram da Grande Marcha (1934-1936), são apenas alguns milhares. Estes camaradas são muito valiosos; a sociedade e o Partido lhes respeitam muito, mas seria perigoso se começassem a vangloriar-se de sua rica experiência, pois fechar-se-iam em si mesmos e não terão mais vontade de progredir. Se se comportam desta maneira, ficarão no atraso e sua tão merecida glória irá para debaixo da terra.

Alguns dirigentes de nossas organizações se equivocam ao considerar ainda como novos quadros os elementos que se juntaram a revolução durante a Guerra de Resistência contra o Japão (1937-1945) e que já possuem pelo menos uns dez anos de militância no Partido. Estes camaradas constituem precisamente a parte principal do nosso contingente de quadros. É necessário capacita-los como são para que tomem para si a missão de libertar toda a China. Eles, entretanto, devem estar moralmente preparados para tal missão.

Os quadros que trabalham nas zonas de vocês são dezenas de milhares, sendo algumas vezes menos outras vezes mais. As reclamações de vocês acerca da carência de quadros, apesar da presença de vocês em grande número, se deve que mentalmente vocês não sabem lidar como deveriam com o problema relativo aos quadros. Como não se promovem quadros desde a base, muitos homens de talento vegetam no anonimato. É próprio da mentalidade daqueles que ‘’ dividem tudo em partes’’ não permitir por nada deste mundo que os quadros de grande mérito passem a trabalhar em outros lugares e esperar que tais estejam mortos para exaltá-los com elogios póstumos. Os quadros devem ser treinados desde a base e não se deve esperar que sejam designados desde cima. Não devemos temer que os subalternos se rebelem para ‘’ usurpar o poder’’. Cada um de nós deve preparar substitutos, a fim de que o trabalho possa ser realizado como deve ser: o mesmo trabalho em sua ausência deve ser feito da mesma maneira que em sua presença.

Se logo após sua transferência estragar o seu trabalho, pode se afirmar que possui grande capacidade de trabalho? Basta com que cada nível de direção conte com substitutos que preencham as respectivas vagas para que não tenhamos motivos para nos preocuparmos com ausência de quadros.

Na reforma agrária, as massas, quando se levantaram, levaram ao chão certos quadros nocivos, o que é positivo, já que servirá de advertência para outros quadros. Se trata justamente da supervisão das massas. Dirigimos as massas e estas, por sua vez, exercem uma supervisão sobre nós, e só semelhante aprendizagem mútua e crítica recíproca nos permitirão progredir.

Temos que preparar um grande número de quadros. As entidades oficiais devem se simplificar ao mesmo tempo que a direção das escolas devem ser fortalecidas. É preciso conservar e capacitar em forma planificada um bom número de quadros para emprega-los no futuro quando avançarmos sobre outras regiões. Esta é uma tarefa de suma importância.

 

por Chu Teh, em 10 de junho de 1947

do blog Socialismo na Ásia

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