Novos acontecimentos na luta camponesa em nosso país

24/08/2015

Ocupação de terra no sul-matrogrossense, ampliação dos conflitos no norte baiano e armação jurídica na Paraíba. O movimento camponês brasileiro segue em luta.

 

Bahia: Lavradores do semi-árido deflagram lutas contra megaprojetos

O extremo norte baiano tem passado, nos últimos meses, por um recrudescimento da luta de resistência dos camponeses devido ao avanço dos megaprojetos na região. Relatos feitos por agricultores locais confirmam grandes empresas ligadas à construção de parques eólicos têm aumentado a grilagem de terras, visando alçarem fabulosos lucros às custas da miséria do povo. A luta de resistência por parte dos sertanejos tem se traduzido no aumento de conflitos agrários: Segundo dados disponibilizados por companheiros da Comissão Pastoral da Terra - CPT, somente o município de Casa Nova, no norte baiano, já registrou 21 conflitos pela posse da terra de janeiro a agosto de 2015. Em termos comparativos, todo o estado da Bahia registrou, durante todo o ano de 2014, 76 conflitos agrários, conflitos estes que se concentravam fundamentalmente na zona da mata e no litoral sul do estado. No ano de 2015, porém, o epicentro da luta anti-feudal na Bahia tem sido compartilhado, também, com as vastas regiões do sertão.

 

No sertão norte baiano, onde a pecuária de subsistência cumpre o papel de atividade econômica predominante, parte expressiva das terras utilizadas como pasto para cabeças de gado, caprinos, etc. são ainda de uso comum das comunidades rurais sertanejas. São sobre tais terras utilizadas de forma comunitária por camponeses e vaqueiros que as empresas ligadas a projetos eólicos têm usado um sem número de artimanhas jurídicas para delas se apropriarem, utilizando-se para isso de seus exércitos particulares de pistoleiros e bandidos.

 

Novas informações serão publicadas a respeito dos conflitos na região.

 

Paraíba: Ofensiva da repressão fascista contra o movimento camponês do sertão

A ofensiva dos setores mais reacionários da grande burguesia compradora contra o movimento democrático-popular, bem como o estabelecimento de leis fascistas anti-povo, vem causando golpes contra a luta popular no estado da Paraíba.  No dia 27 de agosto (próxima quinta feira), será realizado, em João Pessoa, um "Júri Popular" fabricado por burocratas e latifundiários que julgará a pena de sete camponeses por crimes que estes não cometeram.

 

Os trabalhadores rurais têm sido falsamente acusados de haverem assassinado o vaqueiro José Carlos e de haverem tentado assassinar o então policial civil Sérgio Azevedo em maio de 2002. Todos estes lavradores permaneceram presos durante quase dois anos mesmo sem haverem sido apresentadas quaisquer provas de que haviam de fato cometido tais crimes. No processo da prisão dos camponeses (colocados pelos fazendeiros, políticos e pela grande imprensa como "criminosos"), grupos de direitos humanos, associações religiosas e democráticas denunciaram um sem número de violações contra seus direitos, como torturas físicas e psicológicas contra eles, falta de acesso a advogados, bem como perseguições e humilhações contra seus familiares.

 

O "assassinato" supostamente feito por tais trabalhadores rurais não passa de uma manobra de políticos e fazendeiros em conluio para criminalizarem a luta camponesa que se desenvolve em Mogeiro, no sertão paraibano, onde milhares de posseiros lutam pela posse de suas terras nas Fazendas Salgadinho, Paraíso e Fazendinha - posseiros estes que ocupam estas fazendas há quase cinquenta anos e possuem, portanto, o direito garantido pela Constituição de nestas terras permanecerem e produzirem. Estes sete companheiros cumpriram durante anos um papel de destaque na organização dos camponeses da região, e por isso são agora criminalizados pelo Estado reacionário brasileiro como parte da estratégia de aniquilar e silenciar lideranças camponesas para impedir o prosseguimento da luta anti-feudal.

 

Mato Grosso do Sul: Cerca de mil famílias ocupam fazenda na divisa com São Paulo

Cerca de mil famílias camponesas organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST ocuparam uma fazenda de 5,8 mil hectares no povoado Nova Casa Verde, em Nova Andradina, na divisa do estado do Mato Grosso do Sul com São Paulo. A importante ação, realizada na última sexta feira (21) pelo movimento camponês, envolveu milhares de lavradores que há décadas já estavam mobilizados no processo de luta pela terra em diversos acampamentos do estado.

 

As lideranças camponesas da ocupação denunciam o sucateamento dos órgãos responsáveis pela "reforma agrária de mercado", como INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) através do corte de verbas promovido pela gerência Dilma-Levy, dificultando e burocratizando a aquisição de novas áreas para o assentamento de famílias de lavradores sem terra. Como maneira de dificultar a luta camponesa, a classe latifundiária vem aumentando a repressão sobre os movimentos agrários, utilizando-se para isso do completo indispensável do braço armado do velho Estado reacionário, bem como utilizando este também para a imposição de leis fascistas anti-povo.

 

A ação, que mobilizou milhares de camponeses, é a segunda maior realizada pelo MST no estado neste ano de 2015, junto com a construção do acampamento José Marcio Zóia na divisa entre o Brasil e o Paraguai, em abril deste ano, que foi iniciado com cerca de 300 famílias e, nos dias de hoje, ultrapassa 1500 famílias, mobilizando para a luta agrária principalmente os "brasiguaios" - brasileiros sem terra que imigraram para o Paraguai na esperança de lá conseguirem a posse da terra e, lá vivendo durante muitos anos, tiveram suas posses griladas por grandes fazendeiros e foram obrigados a retornar para o Brasil, continuando no país de origem a luta pela terra.

 

por Alexandre Rosendo

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