Novas movimentações na luta agrária brasileira

18/08/2015

Enquanto a grande mídia burguesa destaca manifestações reacionárias nas grandes cidades, a luta concreta do povo brasileiro segue avançando no campo em todo o Brasil, ações da luta camponesa foram realizadas no interior do Maranhão, de São Paulo e do Paraná:

 

MARANHÃO: LAVRADORES SEM TERRA OCUPAM FAZENDA GRILADA NO VALE DO PINDARÉ

Cerca de 150 famílias de lavradores sem terra, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra - MST, ocuparam no último sábado (15) a Fazenda São Francisco, na região rural de Amarante do Maranhão, oeste do estado. Segundo lideranças do movimento camponês local, a Fazenda São Francisco é um imenso latifúndio improdutivo de quase 10 mil hectares conformados a partir da grilagem de terras públicas por parte de um grande fazendeiro da região.

 

Segundo nota divulgada pelas lideranças da nova ocupação, a fazenda é mais uma das "incalculáveis áreas da União sequestradas por grileiros na conhecida região do Vale do Pindaré", e que "embora a maioria da população do Maranhão viva no campo, permanece sem o direito de uso da terra por causa das grilagens e os intermináveis latifúndios, que se concentram cada vez mais". A nova ocupação da Fazenda somar-se-á às mais de 2 mil famílias camponesas organizadas em acampamentos rurais no estado, à espera de serem assentadas por um programa de reforma agrária.

 

O estado do Maranhão, junto com o Pará e Bahia, permanece na vanguarda da luta de classes dos campos brasileiros. No ano de 2013, segundo dados disponibilizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Maranhão foi palco de cerca de 155 conflitos agrários, com uma média mensal de cerca de 13 conflitos pela terra. Somente de início a fim de janeiro deste ano, verificaram-se mais de 40 conflitos agrários no estado, mais que o triplo da média mensal de 2013. Observar com atenção as movimentações nas zonas rurais do estado se configura atualmente como uma das tarefas cruciais dos revolucionários brasileiros.

 

PARANÁ: MILHARES DE CAMPONESES OCUPAM FAZENDA NO NORTE DO ESTADO

Entre 500 e 1200 famílias de camponeses organizados pelo MST ocuparam, ontem (17), a Fazenda Figueira, localizada no povoado Paiquerê, em Londrina. Com mais de 3 mil hectares, a fazenda foi supostamente doada por um barão local para a Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2000, com supostos fins de desenvolvimento de pesquisas agrícolas. Porém, informações concedidas por populares da região atestavam que há muito não eram realizadas pesquisas agrícolas na fazenda. Ao contrário do desenvolvimento de pesquisas agropecuárias, a área permanecia sendo utilizada com fins de arrendamento. Esta recente ação do movimento camponês no povoado Paiquerê de Londrina se configura também como uma nova grande ocupação no estado do Paraná, junto com o acampamento rural Herdeiros da Luta, de cerca de 2500 famílias, erguido no ano passado no município de Quedas do Iguaçu.

 

SÃO PAULO: AGRICULTORES ACAMPADOS REALIZAM MANIFESTAÇÃO PELA DESAPROPRIAÇÃO DA FAZENDA MARTINÓPOLIS NO INTERIOR DO ESTADO

Centenas de camponeses se manifestaram em marcha pela rodovia Abraão Assed, de Serrana rumo a Ribeirão Preto, para reivindicar a desapropriação da Fazenda Martinópolis com fins de reforma agrária, ocupada desde 2008 por cerca de 400 famílias camponesas sem terra. A partir do ano de 2009, na Fazenda Martinópolis ocupada, foi declarado erguido o Acampamento Alexandra Kollontai. Durante anos resistindo aos ataques da pistolagem e da polícia, as 400 famílias que ocupavam a fazenda sofreram um despejo (sob forma de "reintegração de posse") no ano de 2014. Durante a Jornada de Lutas do MST, a Fazenda Martinópolis foi retomada em abril deste ano e o acampamento foi reerguido pelos camponeses.

 

A Fazenda Martinópolis pertence à Usina Martinópolis, cujas dívidas não pagas em ICMS acumulam R$300 milhões. A propriedade está agora arrendada para a Usina Nova União, também falida e com um acúmulo de mais de R$380 milhões com o Banco do Brasil. Ainda que mantida de forma totalmente irregular, seus proprietários, em conluio com o governo federal, criam todo tipo de artimanhas e manobras para impedir sua desapropriação para a reforma agrária. Tal fato particular encontra total ressonância com o sucateamento dos órgãos de reforma agrária promovido pelo Governo Dilma-Levy. Enquanto isso, os camponeses acampados permanecem vivendo sob miseráveis condições, semi-desempregados (diante da situação onde as lavouras que cultivam na fazenda não conseguem ir além do regime de subsistência) e sob constantes ameaças de pistoleiro sob mando dos proprietários da fazenda.

 

por Alexandre Rosendo

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