Seminário em solidariedade à Revolução Filipina realizado em Curitiba

14/07/2015

Na última sexta-feira, 10, foi realizado o II Seminário de Solidariedade à Luta dos Povos, organizado pelo Comitê de Solidariedade à Luta dos Povos, no Sindicato dos Engenheiros, em Curitiba, Paraná. O estudante de Geografia da USP e militante da União Reconstrução Comunista, Alexandre Rosendo fez uma apresentação com o tema “Revolução nas Filipinas: a história em andamento”. Estiveram presentes cerca de 60 pessoas, entre estudantes, trabalhadores e militantes de organizações e movimentos sociais.

 

O camarada Jose Maria Sison, enviou uma mensagem em vídeo (assista aqui) com uma saudação a iniciativa: “a solidariedade de vocês é bem-vinda pelo povo filipino e seus companheiros revolucionários. Muito obrigado pela camaradagem militante e pela solidariedade revolucionária. Por favor, aceitem minha mensagem de gratidão e solidariedade com a Revolução brasileira”. “Eu espero que vocês consigam elevar o nível de sua consciência revolucionária em seu encontro de solidariedade, tentando comparar a revolução filipina com a revolução brasileira. É bom para vocês conhecerem os fatores semelhantes e diferentes das duas revoluções e se tornarem mais determinados para travar uma luta unida pela libertação nacional e social contra o inimigo comum, que é o imperialismo norte-americano junto com seus aliados e fantoches”, completou.

 

Rosendo contextualizou a história das Filipinas, a partir do processo de colonização espanhola que se estendeu de 1541 a 1896. As características deste período eram o elevado desenvolvimento das sociedades pré-coloniais filipinas: coexistências dos sistemas comunal, escravista e feudal no mesmo território, a imposição do feudalismo-escravismo colonial, plantations de cana de açúcar voltadas para a exportação e a corveia pública.

 

Com a crise da economia capitalista espanhola no final do século XIX e o consequente recrudescimento da opressão colonial sobre o povo filipino, se criaram as condições para a revolução democrática burguesa de 1896, com destaque para as insurreições camponesas contra o aumento das rendas e pela conquista da terra. Na sequência, se iniciou o domínio colonial dos Estados Unidos, a partir do início do século XX.

 

Inspirado pelas teses para os países coloniais e semicoloniais da Terceira Internacional, o Partido Comunista das Filipinas foi fundado em 7 de novembro de 1930 em Manila. Posto na ilegalidade dois anos depois, a trajetória do partido foi longa e complicada. Rosendo destacou que erros foram cometidos até chegar a capitulação diante da retomada do domínio estadunidense em 1946.

 

Com a destacada participação do camarada Jose Maria Sison, o Partido Comunista das Filipinas foi reorganização do Partido em fins de 1968, e já em 1969 foi formado o Novo Exército Popular e assim se iniciou o processo da Guerra Popular apoiando-se na luta armada como forma principal de luta revolucionária. O Partido ainda passaria por um segundo movimento de retificação, para combater desvios esquerdistas no seio do Partido e as ilusões acerca da possibilidade de uma tomada rápida do poder a partir da insurreição urbana. Segundo Rosendo, desta forma puderam lograr avanços das lutas revolucionárias do povo filipino contra a ditadura de Ferdinand Marcos.

 

Um ponto fundamental apontado no seminário foi a caracterização da sociedade filipina atual. As Filipinas, é um país semicolonial e semifeudal, com uma população economicamente ativa nos seguintes setores: indústria, 16%; agricultura, 36%; serviços, 48%. Sua composição demográfica é de população urbana com 59% e a população rural somando 41%. Rosendo destacou a contribuição do camarada Sison neste debate, notadamente com a obra “A Sociedade Filipina e a Revolução”, publicada sob o pseudônimo de Amado Guerrero.

 

Atualmente a Guerra Popular levada a cabo pelo Partido Comunista das Filipinas se encontra na etapa na etapa da defensiva estratégica. O Partido conta com 100 mil militantes (com meta para alcançar 250 mil militantes) e o Novo Exército Popular tem 10 mil combatentes a nível integral, além de centenas de milhares integrados nas milícias populares, grupos de autodefesa, etc. Cerca de 2 milhões de pessoas vivem em suas bases de apoio rurais (cerca de 2% da população filipinas) e as operações do NEP se expandem por cerca de 100 mil km², o que representa 1/3 do território.

 

No final, Rosendo ainda respondeu questões variadas sobre a Revolução Filipina: sobre qual o papel das mulheres no Partido e no Exército Popular, a participação LGBT no processo revolucionário, o funcionamento das áreas libertadas, o trabalho de comunicação do PCF, as relações com outros partidos, como o Partido do Trabalho da Coreia, entre outros temas.

 

por Lucas Medina

 

 

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"Os ataques contra os direitos democráticos e as liberdades na crise capitalista mundial: estratégias e ações de resposta"

 

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Notas da Guerra Popular

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