CIMI confirma crescente miséria dos povos indígenas

25/06/2015

O relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil, publicado anualmente pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), confirmou a persistência do abandono e o agravamento do pauperismo dos povos tradicionais de nossa terra durante o ano de 2014, em comparação com o registro feito pelo mesmo relatório publicado pelo CIMI no ano de 2013. Neste ano de 2015, quando contra os povos originários já se registraram deploráveis atos de violência, como a execução de lideranças indígenas na Bahia, Maranhão e Mato Grosso do Sul, cabe realizarmos, aqui, uma breve comparação entre os anos de 2013 e 2014, de acordo com alguns critérios:

 

1) Assassinatos

Em 2013, o relatório do CIMI sobre a violências contra os povos originários registrou o assassinato de pelo menos 53 indígenas pela pistolagem ou em demais conflitos contra fazendeiros. Como sempre, o estado do Mato Grosso Sul ficou no topo do ranking do assassinato de índios, concentrando 33 dos 53 casos de assassinatos registrados (ou 62% dos casos), entre indígenas dos povos Guarani Kaiowá e Terena. O ano de 2014 testemunhou um aumento absurdo e deplorável no assassinato de indígenas, tendo o relatório do CIMI registrado ao menos 138 indígenas executados, um aumento de 160% em comparação com o último ano! O Mato Grosso do Sul concentrou 29,7% dos assassinatos, indicando que as chacinas contra os povos originários passaram a se distribuir mais por outros estados do país. Em 2014, estados como a Bahia, Amazonas, Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina registraram matanças de povos originários, ao contrário do ano de 2013.

 

2) Tentativas de assassinatos

Registrou-se, no ano de 2013, 29 casos de tentativas de assassinatos contra 328, ao passo que, em 2014, foram registrados 31 casos - contudo, contra 295 indígenas. O número de tentativas de assassinatos foi um dos dois únicos critérios do relatório que diminuiu de 2013 para 2014. No ano de 2013, o estado do Mato Grosso do Sul concentrou 16 dos 29 casos (55% dos casos). Em 2014, 12 dos 31 casos de tentativas de assassinatos contra indígenas (aproximadamente 39% dos casos) ocorreram no Mato Grosso do Sul, verificando-se novamente uma expansão a nível nacional do massacre e da violência contra os povos originários, deixando de ocorrerem de forma quase que inteiramente predominante neste estado.

 

3) Suicídios

Entre os anos de 2000 e 2014, somente no estado do Mato Grosso do Sul foram registrados o suicídio de 707 indígenas. Verifica-se que 63% dos suicídios se dão na faixa etária de entre 15 e 29 anos, atestando a deplorável situação de que a falta de perspectivas de vida entre a juventude dos povos originários, diante de uma situação onde seus territórios estão grilados pelo capital monopolista estrangeiro e a condição de vida de fome e miséria, onde não se criam quais oportunidades de emprego ou de acesso à terra, é a condição de vida geral dos jovens indígenas. De 2013 para 2014, disparou o número de indígenas que cometeram suicídio em todo o país, constatando o óbvio fato de que a expansão da dominação imperialista estrangeira sobre o Brasil, através da imposição do agrarismo, necessariamente se reflete em aumento da penúria dos povos indígenas e lavradores das regiões rurais.

 

O ano de 2013 registrou 56 indígenas que cometeram suicídios, dos quais 50 no Mato Grosso do Sul (89% dos casos) - número este que disparou para 135 suicídios no ano de 2014, dos quais 48 (35,5% dos casos) no estado do Mato Grosso do Sul. 55 suicídios foram registrados nas regiões do Alto Rio Solimões, Alto Rio Negro, Vale do Javari e Médio Rio Solimões, no estado do Amazonas, e outros 8 no estado do Maranhão. Ao contrário dos anos anteriores, foi no ano de 2014 que no Amazonas se concentraram de forma predominante os suicídios de indígenas.

 

4) Mortes por desnutrição e doenças

A imposição súbita da vida sedentária sobre os povos originários por conta da grilagem de suas terras ancestrais por parte de fazendeiros e companhias estrangeiras do agribusiness, bem como o consequente contato destes povos com uma série de doenças contra as quais não possuíam nenhuma imunidade, com uma dieta alimentar estranha a seu modo de vida e sem acesso a alimentos por conta do desemprego causado pela predominância da agroexportação, tem tornado a morte pela fome e por doenças de fácil tratamento fato corrente entre estes povos.

 

São as crianças e jovens dos povos indígenas os que mais sofrem com o ônus da precariedade das condições de existência: A mortalidade infantil entre crianças indígenas é de 46 por mil nascidas vivas, enquanto que a média nacional é de 20 por mil nascidas vivas. Há certos casos, como o povo originário Xavante, do Mato Grosso, onde a mortalidade infantil atinge absurdos 141 crianças por mil nascidas vivas, superando neste quesito até mesmo os países mais pobres do mundo, como Níger e Serra Leoa.

 

No ano de 2013, o relatório do CIMI registrou 693 crianças indígenas aniquiladas pela desnutrição. Os povos indígenas do Alto Rio Solimões (Amazonas), Maranhão e o povo Xavante concentraram, respectivamente, 85, 44 e 67 dos casos. Neste mesmo ano de 2013, se registraram apenas 7 indígenas mortos por doenças. O ano de 2014 registrou a morte de 785 crianças indígenas pela desnutrição (92 a mais que no anterior), com os estados do Mato Grosso do Sul, Maranhão, e o povo Xavante do Mato Grosso concentrando, respectivamente, 55, 71 e 116 dos casos. De 7 mortos por doenças em 2013, 2014 registrou 82 mortos, com o estado do Maranhão concentrando a maior parte das vítimas (46).

 

por Alexandre Rosendo

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