"Carta aberta aos Trabalhadores e ao Povo Brasileiro"

21/05/2015

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, anistiados, aposentados e pensionistas, militantes dos movimentos sociais, reafirmamos os princípios do Estado democrático de Direito. Como lutadores e lutadoras por uma nação livre e independente, defendemos o pão sagrado que conquistamos, a democracia, melhoramos a estabilidade política, estamos aperfeiçoando as leis e avançando na luta contra a desigualdade social. A luta por direitos custou caro ao povo brasileiro, centenas de vida de lutadores democratas, nacionalistas e revolucionários foram ceifadas e milhares de lutadores foram perseguidos pelo estado de exceção de 1964 a 1985.

 

Podemos afirmar que a luta de classes, criou um avanço por uma vida melhor e contribuiu com a resistência de milhões de trabalhadores, dos movimentos de oposição sindical, pela liberdade e autonomia sindical, dos sindicatos combativos, dos intelectuais, artistas e o Judiciário combativo, estudantes idealistas, imprensa alternativa, religiosos progressistas e movimentos populares, possibilitou a união para derrotar a ditadura cívico-militar e seus aliados exploradores e entreguistas.

 

Na retomada das greves a partir de 1978 e das ruas a partir de 1983, conseguimos a volta das eleições diretas para presidente, melhoramos o poder judiciário, conquistamos o direito de escrever uma nova Constituinte; isto se deu pela unificação das organizações de base, numa plataforma mínima, que propiciou estas conquistas.


A partir da constituinte conseguimos avanços econômicos e políticos, mudamos a consciência dos trabalhadores e parte significativa dos intelectuais e do povo pobre, e na crise econômica de 2002 conseguimos eleger um operário presidente da República.


Agora em 2015 nos defrontamos com a continuidade da crise econômica internacional, de 2008, que avança para uma crise política e econômica no Brasil. As ferramentas usadas pelos patrões, são o aumento da exploração com demissões, retiradas de direitos, e avanço do conservadorismo, com a diminuição da maioridade penal e a terceirização dos setores principais.

 

Com a vitória de Dilma no segundo turno, a oposição não aceitou o resultado, se aliou com as forças mais reacionárias e conservadores estimuladas pelo PSDB, e a central Força Sindical, que comandadas pela imprensa chama o Impeachment, “Fora Dilma” e a volta da ditadura militar, aliada ao Congresso de maioria conservadora. Um ataque ao Estado Democrático de Direito.

 

 O PT perdeu iniciativa política, fez um ministério que favorece a introdução do plano econômico neoliberal, que implanta um ajuste fiscal e tira direito dos trabalhadores. Esta situação altera a correlação de forças na sociedade, dividindo e desarmando os trabalhadores, fortalecendo a direita e os golpistas.

 

Precisamos aumentar nossas forças para enfrentar o próximo período de luta. A mídia já elegeu seu ataque principal: a corrupção da Petrobras e o PT. Mesmo que a corrupção seja ampla e esteja no Metrô e na CPTM em São Paulo (que é governado pelo PSDB), nas grandes empreiteiras, nos bancos (HSBC e Bradesco, que enviaram dinheiro para Suíça e paraísos fiscais, sem pagar impostos). Esta aliança das forças conservadoras com o capital financeiro é para enfraquecer o governo e retirar conquistas progressistas.


Neste momento delicado é necessário encontrar mecanismos de mediação e nos unirmos como no dia 15 de abril com greves e mobilizações de rua, como vamos estar juntos no dia 29 de maio na paralização, contra a terceirização, em defesa da democracia, contra a retirada de direitos e contra a direita.


Assinam

Fórum dos ex-presos políticos (SP)

ANAP - Associação dos Anistiados Políticos, Aposentados e Pensionistas (SP)

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