"A Responsabilidade Social da Indústria do Tabaco"

12/05/2015

A responsabilidade única desta tragédia social que se avizinha é da indústria do tabaco. A indústria tabagista pagou muito mal o fumo aos produtores este ano. Em média, de R$ 30 a R$ 50 por arroba em relação ao preço médio contratado com os agricultores (R$ 120 por arroba). Mesmo com o dólar em alta e sem contar que o dólar subiu depois dos acertos gerais de preços entre as empresas e agricultores.

Além do baixíssimo preço, muito fumo foi deixado nos galpões sem sequer ser adquirido, mesmo com o eterno discurso das vantagens do sistema integrado de “comprar toda a produção”.

Não esqueçamos que é de décadas a imposição da indústria fumageira com suas redes de instrutores de casa em casa: “plante fumo, compre a comida, não crie animais”. Por isto são responsáveis pela dependência e insegurança alimentar das famílias que plantam fumo. Os Movimentos Sociais vem há mais de vinte anos estimulando a diversificação para que tal não viesse a acontecer.

Para a maioria das famílias fumicultoras, este ano de 2015, a renda da produção de fumo foi insuficiente para pagar as dívidas com insumos junto à indústria. Pelo baixo preço pago e pela sobra da produção nos galpões.
A indústria debita a conta no excesso de produção e na queda das exportações.

Mas quem planeja a produção é exclusivamente a indústria, que tem controle “ ponta a ponta”. E agora, para não diminuir suas taxas de lucros, sempre enormes, faz a corda rebentar no lombo dos agricultores. A indústria não sofre crise, a dor é de quem produz.

A produção de fumo já é uma superexploração do trabalho. O uso de venenos traz problemas enormes de saúde aos agricultores. O cigarro é um drama de saúde pública.

Um dos poucos argumentos que sustentam este cultivo é que traz renda aos que produzem. Sem este, o que resta?


É hora da indústria do tabaco assumir sua responsabilidade social. O mínimo do mínimo é evitar a fome entre seus integrados, garantindo um cartão alimentação por 9 meses e renegociar suas dívidas deste ano em 10 anos de prazo.

Caso a insensibilidade predomine, teremos que falar em mais uma consequência social do cultivo do tabaco: deixar passando fome os que engordam suas contas bancárias.
 

por Miqueli Sturbelle Schiavon e Frei Sérgio Antônio Görgen,

dirigentes Nacionais do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA.

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