70 anos da vitória soviética sobre o nazifascismo

09/05/2015

 

Toda a humanidade trabalhadora comemora, hoje, o aniversário de 70 anos da vitória dos povos soviéticos e de toda a classe operária mundial sobre a ameaça da escravização por parte do nazi-fascismo hitlerista. Não caberiam sequer em livros inteiros todas as palavras que precisaríamos para descrever todos os sentimentos de tamanho orgulho e honra que todos os comunistas, democratas e pessoas honestas do mundo estão sentindo diante desta data tão heróica e de tão grande significado. A heróica data do 2 de maio de 1945, quando sobre o Reichstag alemão tremulou a bandeira vermelha da Revolução Proletária, tendo como símbolo a foice e martelo da aliança entre operários e camponeses, colocando por terra a máquina de guerra do nazifascismo alemão, é a data em que devemos todos lembrar, de todo coração, os 27 de milhões dos melhores da Pátria soviética que verteram seu generoso sangue pela libertação da humanidade trabalhadora; é a data em que devemos honrar a memória dos centenas de milhares de bolcheviques de aço que estiveram na linha de frente da resistência antifascista - derramando desinteressada e generosamente cada gota de suor e sangue, por cada palmo de terra, por cada fábrica, por cada kolkhoz da sagrada Pátria socialista soviética - através de um trabalho ainda mais tenaz e abnegado pelo avanço da Revolução Brasileira e da reconstrução do Partido Comunista do Brasil; é a data em que devemos nos lembrar, acima de tudo, do herói que foi a figura suprema deste sagrado legado libertador da luta anti-fascista, a grande inspiração de toda a humanidade trabalhadora na luta contra o fascismo, o Generalíssimo camarada Stálin.

 

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E A GRANDE GUERRA PATRIÓTICA

A crise econômica do sistema imperialista mundial estalada de forma particularmente brutal a partir do ano de 1929 foi um importantíssimo catalisador do estopim da nova guerra mundial do século XX entre as potências imperialistas pela repartição do mundo. A vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia, que seguia em seu ascendente progresso e desenvolvimento sócio-econômicos, garantidos pelo seu sistema socialista e pela sua saída do bloco imperialista mundial a partir do ano de 1917, animavam as massas trabalhadoras de todo o mundo na luta pela derrubada do capitalismo e pela conquista da sociedade livre da exploração do homem pelo homem, e faziam escancarar a decadência e putrefação do capitalismo diante do contraste entre o sistema capitalista mundial em declínio e o sistema socialista na União Soviética em ascensão. A Primeira Guerra Mundial, concluída com a paz imperialista em 1918 por meio do dito Sistema de Versalhes, onde os países da Entente (Inglaterra, Bélgica e França) impuseram sobre a Alemanha derrotada uma série de obrigações de guerra, através do estabelecimento de pesadas dívidas externas (para termos uma ideia da proporção das dívidas impostas sobre os países da Entente sobre a Alemanha, somente no ano de 2010 este país terminou de pagar a dívida do Tratado de Versalhes), redução de seu efetivo militar a níveis irrisórios e incapazes de garantir a soberania da nação alemã, anexação de vastos territórios seus à França e a demais países da Entente, bem como o desmantelamento e desnacionalização de sua indústria. A submissão e redução da Alemanha à condição de tributária e quase-colônia dos países europeus vitoriosos na Primeira Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que se mantiveram intactas as velhas estruturas militarista-burguesa-feudais alemãs, o sistema imperialista mundial e as disputas interimperialistas inerentes a este sistema, criaram condições para o renascimento e recrudescimento do imperialismo militar-feudal alemão sob suas piores formas, na forma do fascismo, isto é, na ditadura terrorista mais reacionária dos elementos mais reacionários do capital financeiro e da casta feudal-junker contra a classe operária e todo o povo, através das mais bárbaras conquistas coloniais contra os povos oprimidos e na destruição até mesmo das mais residuais liberdades democrático-burguesas.

 

O Partido Nacional-Socialista, estabelecido por Hitler no ano de 1919, expressava os interesses da camada mais reacionária da grande burguesia militarista-feudal alemã, dirigindo seus ataques contra os dirigentes da social-democracia pequeno-burguesa e os comunistas do Partido Comunista Alemão, que seriam supostamente responsáveis pela "ruína da pátria alemã". Além disso, proclamavam a superioridade da raça alemã ante outros povos - eslavos e judeus, principalmente -, expressando os interesses expansionistas da grande burguesia alemã que havia sido posta em segundo plano após o Tratado de Versalhes. O estabelecimento da ditadura nazifascista a partir de 1933, com a nomeação de Hitler como chanceler alemão e Von Papen como vice-chanceler, significou na prática o recrudescimento das mais brutais formas de repressão sobre os comunistas e todo o movimento popular alemão, sem excluir inclusive a social-democracia e o social-reformismo. O famoso incêndio do edifício do Reichstag em fevereiro de 1933 serviu para que Hitler e sua camarilha incitassem ainda mais seu discurso anticomunista, acusando os comunistas de haverem incendiado o Reichstag, quando na realidade os próprios nazistas o fizeram. A abertura do Processo de Leipzig levou o grande dirigente comunista búlgaro Giorg Dmitrov aos tribunais, acusado como suposto mandante do incêndio do Reichstag. Hitler, que esperava através de tal processo fortalecer o ódio anticomunista entre o povo alemão, saiu completamente derrotado diante do fato de o grande dirigente Dmitrov haver transformado sua defesa num histórico discurso que se transformou num libelo contra o fascismo a nível internacional, desmascarando as reais intenções do fascismo e suas calúnias contra os comunistas e os democratas. Sob pressão do movimento de massas na Alemanha e no mundo, o Processo de Leipzig foi obrigado a absolver Dimitrov, que foi recebido de braços abertos como cidadão da União Soviética.

 

Além do aumento do ódio e verborragia anticomunistas, a ascensão do fascismo ao poder significou ao mesmo tempo o renascimento do imperialismo militarista-expansionista-feudal alemão, supostamente enterrado após o fim da Primeira Guerra Mundial. O imperialismo alemão iniciou seu processo de nova ascensão jogando por terra o Tratado de Versalhes: cancelou unilateralmente todas as dívidas que possuía com os países da Entente; retomou territórios antes ocupados pelo exército francês; rearmou seu exército aumentando ao mesmo tempo seu efetivo militar, colocando jovens em sua maioria desempregados para se lançarem às novas guerras de agressão do imperialismo germânico; industrializou ainda mais sua economia anteriormente entravada pela opressão do capitalismo anglo-francês. Já anteriormente à nova ascensão do imperialismo alemão, haviam divergências no seio do campo imperialista vitorioso da Primeira Guerra Mundial acerca da maneira como tratar a questão alemã. O campo imperialismo anglo-estadunidense, na prática, não se posicionava totalmente a favor de um completo enfraquecimento do imperialismo alemão, sob risco de o enfraquecimento alemão levar ao fortalecimento das posições do imperialismo francês (que, a tal altura, já se configurava como a principal potência imperialista européia a nível econômico e militar) e impedir o expansionismo anglo-estadunidense. A França, ao contrário, interessava-se pela cada vez maior decadência econômica alemã. Tais divergências aguçavam os conflitos interimperialistas.

 

Apesar da total violação do Tratado de Versalhes por parte do hitlerismo, tal atitude não foi recebida com grandes repúdios por parte do bloco imperialista rival. No início de 1936, a Alemanha avançou com seu exército sobre a zona renana desmilitarizada pelo Tratado de Versalhes, exigindo ao mesmo tempo a anexação de Gdansk, da Áustria e de regiões limítrofes da Tchecoslováquia, sob pretexto de que tais regiões constituíram território alemão. Tais atitudes igualmente não geraram grandes reações nos círculos imperialistas da França, Inglaterra e Estados Unidos. O motivo disto está no fato de, apesar do caráter escancaradamente interimperialista da nova guerra que estava por eclodir, esta possuía uma particularidade até então desconhecida: a presença, no cenário internacional, de um enorme e poderoso país socialista, a União Soviética, onde a classe operária e o povo haviam conquistado o poder político e estabelecido a ditadura do proletariado. Rendendo, por conta disto, o mais fervoroso ódio por conta das oligarquias burguesas internacionais. O grupo imperialista da antiga Entente não reagiu ao renascimento do imperialismo alemão na esperança de colocá-lo contra a União Soviética, para destruir a pátria do socialismo. Sob orientação de tal política de não-resistência ao fascismo com o fim de se destruir a União Soviética caíram sob ocupação alemã e italiana (a Itália era também, junto com o Japão, um país que compunha o Eixo imperialista-fascista encabeçado pela Alemanha) a Áustria, Espanha e, também, a Etiópia. A partir de fins de 1938, a Alemanha nazista iniciou sua guerra de agressão contra a Tchecoslováquia, aproveitando-se do grande poderio industrial que possuía esse país para alimentar seu desenvolvimento bélico. Somente no final de 1939, a partir da agressão contra a Polônia pela Alemanha fascista e sob grande pressão da União Soviética, a França e Inglaterra declararam guerra contra a Alemanha. Os Estados Unidos mantiveram uma posição neutra, até então. A conjuntura mostrava claramente que, longe de quererem derrotar o fascismo, as potências imperialistas França e Inglaterra mantinham ainda a política de "resistência passiva" ao fascismo para destruírem a União Soviética - a Alemanha fascista seria um mal menor em relação à primeira. Faziam o cálculo recíproco de enfraquecimento de ambas as partes como forma de aumentarem ainda mais os lucros dos monopolistas da indústria bélica. Quanto a tal política, declarou Harry Truman, dias após a invasão da URSS pela Alemanha: "Quando virmos que a Alemanha está vencendo, deveremos ajudar a Rússia, e quando a vencedora for a Rússia, deveremos ajudar a Alemanha; dessa maneira, matando-se mutuamente, perderão a maior quantidade possível de material humano."

 

A orientação política dos países imperialistas rivais resultou num enorme fortalecimento do imperialismo alemão, fazendo com que o "feitiço voltasse contra o feiticeiro" e ameaçando a integridade territorial até mesmo da Inglaterra e da França. Em maio de 1940, a Alemanha fascista ocupou a Holanda e a Bélgica, sem que tais governos demonstrassem o menor sinal sequer de resistência à agressão imperialista germânica. No mês seguinte deste mesmo ano, caia sob ocupação fascista a própria França, igualmente sem qualquer resistência por parte dos círculos dirigentes deste país à agressão estrangeira. 

 

Apesar dos esforços de manutenção da paz por parte da pátria do socialismo, com a assinatura do Tratado de Não-Agressão teuto-soviético no ano de 1939, a União Soviética, em meados de 1941, foi vítima da invasão fascista alemã, que colocou por terra os acordos recém-assinados. Iniciava-se a Grande Guerra Patriótica, a heroica luta do povo soviético contra a agressão fascista sob a absoluta direção do Partido Comunista (bolchevique) da União Soviética e do grande camarada Stálin.

 

O POVO SOVIÉTICO SE LEVANTA NA SAGRADA GUERRA LIBERTADORA ANTI-FASCISTA

Em julho de 1941, referindo-se à invasão fascista em discurso difundido por rádio, o camarada Stálin disse: "O inimigo é cruel, inexorável. Ele assumiu por objetivo apoderar-se dos arrozais de nosso suor, apoderar-se de nosso trigo, de nosso petróleo, frutos de nosso trabalho. Ele assumiu por objetivo restabelecer o poder dos grandes latifundiários, restaurar o czarismo, aniquilar a cultura e a independência nacionais dos russos, ucranianos, bielorussos, lituanos, letonianos, estonianos, uzbequistanos, tatarianos, moldavianos, georgianos, armênios, azerbaidjanianos e outros povos livres da União Soviética; germanizá-los, fazê-los escravos das princesas e barões alemães. Trata-se assim da vida e da morte do Estado soviético; trata-se da liberdade ou da servidão dos povos da União Soviética. [...] Que nossos homens estejam isentos de medo na luta e marchem com abnegação em nossa guerra libertadora para a salvação da Pátria, contra os dominadores fascistas. [...] Avante, até a vitória!"

 

Tal foi o discurso que estimulou milhões de comunistas e patriotas soviéticos a se levantarem como um só para destruírem os agressores alemães, salvaguardarem a independência da Pátria e as conquistas da Revolução de Outubro. Tarefa hercúlea cumpria o povo soviético sob direção bolchevique ao transformar um país outrora de enorme atraso econômico em comparação com o restante da Europa em uma superpotência capaz de resistir à máquina de guerra fascista-imperialista que já detinha em suas mãos parte considerável da Europa, incluindo o território de outrora poderosíssimos países imperialistas como Bélgica, Holanda e França. A luta de resistência dos povos da União Soviética gerou episódios que não sairão jamais da memória dos comunistas e dos povos de todo o mundo.

 

AS GRANDES BATALHAS DE MOSCOU E STALINGRADO

Entre as metas de guerra irreais por parte dos círculos militaróides alemães, estava a ocupação de Moscou, Leningrado, do Donbass, o Volga e os Urais, concluindo a guerra antes da chegada do inverno de 1941. Ainda que irreais, os nazistas se aproveitavam do fato de parte substancial dos efetivos do Exército Vermelho estarem concentrados nos fronts do Extremo Oriente por conta da ameaça de invasão por parte do Japão, que nas beiras das fronteiras soviéticas mantinha um poderosíssimo e bem-equipado exército, aproveitando-se este também do poderio econômico recém adquirido após haver convertido em colônias suas o nordeste da China (Manchúria, que se tornou Manchukuo) e a Coreia.

 

Quando, a partir de outubro de 1941, as hordas fascistas se aproximavam da capital soviética, o Partido Comunista da União Soviética conclamou todos os povos do país a se levantarem para destruírem a agressão dos invasores germânicos. Atendendo ao apelo do Partido Comunista, o povo soviético rechaçou vigorosamente a ofensiva alemã. Os soviéticos colocaram por terra os alardes dos círculos dirigentes nazistas que alegavam que, dado que em alguns lugares os tanques alemães estivessem a cerca de apenas 20 ou 30 km da capital soviética, a derrota da URSS já era inevitável e iminente. Sob a direção do Partido Comunista da União Soviética, foi quebrado de vez o mito da invencibilidade da Blitzkrieg (guerra relâmpago) alemã. A partir de 5 para 6 de dezembro de 1941, o Exército Vermelho passou à contra-ofensiva contra os agressores fascistas, colocando a partir de janeiro de 1942 os alemães a posições que iam de 120 a 400 km a oeste de Moscou, isto é, para trás. Os planos expansionistas do imperialismo alemão começavam a ser gradualmente destruídos.

 

De importância decisiva para a vitória dos povos do mundo na guerra contra o nazi fascismo foi a grande batalha de Stalingrado. A partir de meados de 1942, o exército alemão iniciou uma nova ofensiva no front germano-soviético, ocupando todo o Donbass, todo o leste ucraniano e abrindo a ofensiva para a invasão do Cáucaso do Norte. A cidade de Stalingrado, situada por entre a região, foi praticamente ocupada pelos nazistas alemães, contra os quais a população, durante meses, sob calorosos gritos de "Pela Pátria e por Stálin!", despendeu resistência titânica, combatendo os nazistas fortemente armados até mesmo com paus e pedras quando na ausência de armamentos modernos e até mesmo de alimentos. Resistindo heroicamente, o Exército Vermelho e a população passaram à ofensiva a partir de novembro de 1942. A batalha de Stalingrado causou golpes mortais contra o imperialismo fascista alemão, golpes dos quais este não mais pôde se recuperar durante todo o curso da guerra. A partir de fevereiro de 1943, quando se concluiu a operação de Stalingrado, o saldo foi de cerca de 330 mil soldados e oficiais nazistas aniquilados, bem como mais de 90 mil rendidos, somando cerca de 420 mil baixas totais sobre o exército alemão. A derrota alemã em Stalingrado criou condições favoráveis para o avanço da luta libertadora dos povos dos países que permaneciam sob a ocupação nazista, criou condições para o avanço dos aliados da União Soviética (principalmente Inglaterra e Estados Unidos) em outros fronts, e criou enorme confusão entre as estratégias de guerra que seriam levadas a cabo pelo imperialismo japonês, que esperava a queda de Stalingrado para invadir a URSS.

 

O AVANÇO DA LUTA ANTIFASCISTA MUNDIAL E O LEGADO DA VITÓRIA FINAL CONTRA O FASCISMO

A vitória soviética na batalha de Stalingrado e o consequente início da contraofensiva geral por parte do Exército Vermelho levou a um enorme estímulo no avanço da luta antifascista por parte dos povos dos países ocupados pelo fascismo. Em muitos países do Leste Europeu sob ocupação nazista, na Bulgária, Romênia, Iugoslávia, etc., cresciam movimentos armados que levavam a cabo a guerra de guerrilhas contra o agressor nazifascista. Na Albânia, sob a direção do Partido Comunista Albanês e seu líder Enver Hoxha, foi derrubada em 1944 a ocupação fascista italiana e seu Rei Zog I, títere do fascismo italiano. Neste mesmo ano se estabeleceu, na Albânia, o governo popular provisório, levando a cabo no país sob a direção do Partido Comunista (mais tarde renomeado Partido do Trabalho da Albânia) as tarefas da revolução democrática anti imperialista e antifeudal sob a perspectiva da construção do socialismo. Também nos países da Europa Ocidental, como no caso da França, cresciam os Partidos Comunistas e as Frente Populares antifascistas dirigidas por estes, que se opunham à agressão nazifascista estrangeira. Na França, em seu auge, a Frente Popular dirigida pelo PCF chegou a ter mais de 800 mil filiados. Também neste país, se levava a cabo por todo o território a luta armada e a guerra de guerrilhas, levando a cabo ações de sabotagem, como a explosão de pontes que levavam a precipício os comboios militares do exército fascista, bem como ações de execução seletiva, aniquilando nomes chave do fascismo, e também militares fascistas. Ao longo da guerra de resistência patriótica antifascista na França, deram sua vida pela luta cerca de 15 mil membros do Partido Comunista Francês.

 

Nos países do Extremo Oriente ocupados pelo fascismo japonês, crescia também os movimentos de orientação antifascista, anti imperialista e antifeudal. Na China, o Partido Comunista da China sob a direção de seu presidente Mao Tsé-tung, atestava contundentes golpes contra o fascismo japonês, obtendo grandes êxitos na formação da Frente Única Anti-Japonesa e na tarefa de levar a cabo a aliança da classe operária e do campesinato com a burguesia nacional e pequenos senhores de terras progressistas sob objetivos anti-japoneses. O crescente prestígio dos comunistas chineses, que se mostraram efetivamente como a força mais consequente para a libertação da China do fascismo japonês, fez o efetivo do Exército Popular de Libertação, dirigido pelo PCCh, subir de apenas 40 mil combatentes, em 1937, para 500 mil em 1940. Semelhantes êxitos eram visíveis em países como a Coreia e o Vietnã, que também resistiam à opressão do agressor fascista japonês (no caso de Vietnã, este país era uma colônia do imperialismo francês que foi posteriormente invadido pelos imperialistas japoneses). Em todo o mundo, o avanço da luta antifascista inspirado pelas vitórias da URSS criava condições recíprocas para o avanço do Exército Vermelho soviético em sua luta para libertar os países europeus que estavam ocupados pelo fascismo.

 

O ano de 1943 testemunhou uma reviravolta completa no curso da Grande Guerra Patriótica, para o lado das forças antifascistas. O Exército Vermelho da URSS libertou 2/3 do território que permaneceu temporariamente sob a ocupação do exército alemão. Já em 1944, o Exército Vermelho havia expulsado por completo os algozes fascistas do território soviético - passava-se agora à etapa da completa libertação da Europa Oriental do jugo do fascismo pelo Exército Vermelho soviético. Visando a unidade de todas as forças antifascistas para liquidar por completo o nazi fascismo, a Conferência de Teerã realizada em 1943 estabeleceu a criação de um segundo front da guerra, na Europa Ocidental, no máximo até a data de 1 de maio de 1944, front que este sequer chegou perto de ser criado. Este fato mostra que, ainda que depois de todos os acontecimentos que ameaçaram concretamente a integridade territorial da França e da Inglaterra, ainda assim estes países nutriam esperanças na destruição da União Soviética. Somente à altura da situação em que já se tornava inevitável a libertação da Europa pelo Exército Vermelho soviético, que em meados de 1944 os exércitos inglês e norte-americano desembarcaram no norte da França e iniciaram a marcha para o leste com fins de se chegar à Alemanha. Em 18 agosto de 1944, o PCF dirigiu uma sublevação armada contra a ocupação nazifascista, derrotando-a e levando à entrada dos exércitos aliados na capital francesa no dia 25 deste mesmo ano. Entre abril e agosto de 1944, o Exército Vermelho libertou a Romênia, derrubando o regime fascista de Antonescu. Até o final do ano de 1944, libertou também a Bulgária e a Hungria. Em fins de 1944, a Finlândia, aliada do fascismo alemão, anunciou sua capitulação.

 

Somente no dia de 2 de maio de 1945, após a entrada do Exército Vermelho em Berlim, capital alemã, se levantou a bandeira vermelha sobre o Reichstag, anunciando a libertação da Europa do jugo fascista. Entre 8 e 9 de maio, a Alemanha anunciou sua rendição efetiva.

 

A Grande Guerra Patriótica foi um golpe estrutural sobre o sistema imperialista no mundo, ainda mais contundente do que a Primeira Guerra Mundial, que separou a imensa Rússia do sistema capitalista. Como resultado desta, a partir de 1945 se levou a cabo, efetivamente, pela primeira vez na história, a formação de um bloco de novos países socialistas - Bulgária, Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Iugoslávia, Albânia -, que passaram a compor o recém criado sistema socialista mundial em conjunto com a União Soviética e a Mongólia socialista. Em agosto de 1945, também o norte da Coreia era libertado do jugo do fascismo japonês e passou a compor, também, o bloco de países socialistas. Em fins de 1949, o imperialismo passou por um de seus principais golpes, após a vitória da Guerra Popular na China, que levou a cabo no país as tarefas da revolução anti-imperialista e antifeudal, e separou este imenso país asiático do sistema capitalista, colocando-o como parte dos países que compunham o bloco socialista. Os próximos anos testemunhariam o avanço da luta dos países do Terceiro Mundo contra o jugo da pilhagem imperialista, desagregando o sistema colonial interno e, muitos destes, abraçando o caminho da construção socialista. Poucos anos após a vitória na guerra contra o fascismo, o sistema socialista mundial passou a englobar 26% do território terrestre mundial, 35% da população mundial e mais de 30% da produção industrial do mundo. Cresceu de maneira exponencial o prestígio da grande pátria do socialismo, do grande líder do povo soviético, Josef Stálin, e dos partidos comunistas no restante do mundo.

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