Transnacionais do fumo exploram lavradores no Sul

08/05/2015

Nas regiões fumageiras do sul do Brasil, uma crise desta cadeia produtiva encontra-se estalada, o que poderá resultar em futuros conflitos entre os camponeses que trabalham no plantio do fumo e as transnacionais estrangeiras ligadas à produção e comercialização da cultura. Segundo Rosiéle Ludtke, coordenadora gaúcha do Movimento dos Pequenos Agricultores, que organiza os lavradores gaúchos em sindicatos rurais, a fome virá para as regiões fumageiras caso a situação econômica atual dos camponeses não melhore. As transnacionais, ainda segundo a liderança, estão pagando irrisórios preços pelo fumo dos lavradores, preço este que sequer está conseguindo cobrir os custos de produção - com a aquisição de pesticidas, fertilizantes, agrotóxicos, adubação, etc. por parte destas mesmas empresas transnacionais - e fazendo aumentar a inadimplência e o endividamento dos camponeses. Além de pagarem baixos preços pela folha do fumo, as empresas transnacionais, neste ano, deixaram de adquirir parte considerável da produção, levando à estocagem desta nas estufas por não conseguirem mercado para a venda. Como o pacote tecnológico imposto pelas transnacionais sobre os produtores de fumo não estimula a produção de alimentos, os lavradores que não produzem a própria comida e não estão conseguindo escoar a produção do fumo não terão dinheiro para adquirir alimentos. A liderança Rosiéle atestou quanto a isto que "para os mais pobres, faltará comida na mesa".

 

A crise que virá a se estalar nas regiões fumageiras sulinas é um importante fato a ser observado pelos revolucionários, dado a enorme importância produtiva que possui a região para a cultura (96% da produção nacional de fumo é feita nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e os 4% restante nas regiões do agreste da Bahia e de Alagoas); pelo fato de esta empregar, no sul, cerca de 180 mil famílias (900 mil pessoas) camponesas com o potencial de serem organizadas; e pelo grande sentido anti imperialista que possui a luta ali desenvolvida, dada a enorme opressão que sofrem lá os camponeses pelas transnacionais estrangeiras e pelo fato de ser uma produção orientada principalmente para a exportação (o Brasil exporta cerca de 60% a 70% de sua produção de fumo, sendo nos dias de hoje o maior exportador mundial de fumo).

 

No dia 22 de abril, cerca de 400 camponeses realizaram uma assembléia na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, que aprovou uma pauta de reivindicações de sentido anti usurário e antifeudal, contendo os seguintes pontos:

  • Compra de todo o fumo produzido pelos lavradores por parte das empresas, mediante preços justos previamente negociados;

  • Renegociação da dívida dos produtores de fumo com as transnacionais e os bancos, com um prazo de dez anos para pagar a juros de 1% ao ano;

  • Pagamento de R$ 500 por família, durante 9 meses, para terem comida na mesa;

  • Implantação de um Programa Camponês para a diversificação da produção e garantir melhores condições para a comercialização de alimentos nas regiões plantadoras de fumo;

  • Liberdade para os camponeses venderem a produção caseira, bem como o afrouxamento da rigidez sanitária na venda do fumo para as transnacionais;

  • Aumento da produtividade por hectare, com a plantação de fumo em menor área e maior preço;

  • Desapropriação dos vastos latifúndios improdutivos (cujos proprietários são, em parte considerável, as próprias transnacionais do fumo) nas regiões do Vale do Rio Pardo, Vale do Jacuí e sul do Rio Grande do Sul para serem gratuitamente distribuídos para os lavradores sem terra ou com pouca terra, diante de uma situação onde cerca de 25% das famílias plantadoras de fumo não possuem nenhuma terra e são obrigadas a tomá-la em arrendamento, dando para seus proprietários, sob forma de renda, parte considerável da colheita.

por Alexandre Rosendo

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