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Fidel: "A Revolução significou muito para as mulheres cubanas"



Em primeiro lugar, quero fazer constar — e já disse isso a algumas das companheiras da presidência do congresso — que se este ato começou um pouquinho tarde, não foi pela minha culpa (EXCLAMAÇÕES), porque como este ano é o “Ano da Organização” (EXCLAMAÇÕES), eu estava no teatro faltando três minutos para as vinte e uma horas (EXCLAMAÇÕES E APLAUSOS). E nós temos o propósito, neste “Ano da Organização” de sermos pontuais; o que aconteceu foi que as companheiras discutiram muito, as companheiras do congresso, e então creio que estiveram discutindo até as 19 horas, ou às 20 horas e mais, dizem (RISOS). E por isso começou um pouquinho tarde este ato. Eu, simplesmente, quero fazer constar que não foi minha culpa.


Para nós, tem sido uma honra muito alta, para nosso país, que Cuba tenha sido a sede deste congresso. Entendemos que tenha sido um evento muito positivo. E que tenha sido um evento sério.


Nós temos tentado informar-nos, de ler os materiais dos diversos relatórios que foram apresentados no seio do congresso e, realmente, a nossa impressão é que todos têm um grande valor por sua seriedade, pela focalização correta dos problemas, pelo enorme volume de dados que oferecem acerca das realidades de nosso continente.


Naturalmente que os temas do congresso estavam circunscritos àquelas questões relativas aos interesses das mulheres. Mas, realmente, o que é o que não interessa hoje à mulher na sociedade moderna? O que é o que não interessa à mulher latino-americana e à mulher americana acerca dos nossos problemas atuais?


Quando se discute acerca dos direitos das mulheres, das aspirações das mulheres, vemos que não pode haver direito de mulher na nossa América, nem direito de crianças, nem direito de mães, nem de esposas, se não há Revolução (APLAUSOS) Acontece que dentro do mundo em que vive a mulher americana, a mulher necessariamente tem que ser revolucionária! (APLAUSOS).


Por que tem que ser revolucionária? Porque a mulher, que constitui parte essencial de cada povo, está em primeiro lugar como trabalhadora explorada e como mulher discriminada. E quem são os revolucionários na sociedade humana? O que foram ao longo da história? Simplesmente, os explorados e os discriminados. Porque não somente é explorada a mulher como operária quando trabalha para um monopólio explorador, para uma sociedade de classes exploradora, mas que ainda dentro de sua condição de operária é a operária mais explorada, com mais baixos salários, com piores condições, com uma série de contradições entre suas funções sociais, sua condição de mulher e a exploração de que é alvo. Por isso as mulheres, logicamente, são revolucionárias. E num continente como este têm que ser revolucionárias. E por isso no nosso país as mulheres são revolucionárias! (APLAUSOS). Porque no nosso país um bom número de mulheres eram operárias exploradas, exploradas como operárias que trabalhavam para enriquecer uma classe; mas, ainda, discriminadas dentro dos operários. E muitas mulheres não tinham sequer acesso ao trabalho, à oportunidade de trabalhar.


No relatório da companheira Vilma aparece um reconto das atividades que a mulher cubana tem desenvolvido dentro da Revolução e dos benefícios que a mulher cubana tem recebido dentro da Revolução. O reconto era longo e ainda assim é possível que haja omissões dentro desse reconto, pois a Revolução fez ainda mais pela mulher. Não considera que fez tudo nem muito menos, mas se propõe continuar lutando pela mulher.

E já a mulher no nosso país não é discriminada, como não é o negro. E realmente, a Revolução tem significado muito para a mulher cubana.

E dentro da Revolução, a direção revolucionária se esforça por abrir mais e mais oportunidades para a mulher. Como exemplo, podemos citar o caso, o fato de que ao serem nacionalizadas as empresas médias e grandes, dedicadas à venda de sapatos, de roupas e de ferragens, orientou-se ao Ministério do Comércio Interior escolher mulheres como administradoras dessas empresas (APLAUSOS). Foram designados uns 4 mil administradores e 90% ou mais desses administradores, isto é, administradores para uns 4 mil centros e 90% ou mais são administrados atualmente por mulheres (APLAUSOS).


Há outro dado, por exemplo, que não aparecia no relatório da companheira presidenta da Federação, e é um dado muito ilustrativo, acerca do aumento da participação da mulher em atividades que praticamente estavam vedadas para ela. E é o fato de que, por exemplo, nalgumas profissões como a da medicina, não chegava a 10% possivelmente o número de mulheres que ingressavam nessa faculdade universitária. E neste momento, no Instituto das Ciências Básicas de Medicina, quer dizer, o primeiro curso da Escola de Medicina, há aproximadamente 50% de mulheres (APLAUSOS).

Estes fatos são simples evidência da forma em que realmente se tem ido incorporando — em quatro anos de Revolução — a mulher à vida social, a mulher à vida da sociedade, à vida do seu país, à vida do meio onde mora e onde se desenvolve.


As mulheres também, por exemplo, desfilaram junto dos nossos soldados no dia 2 de janeiro, contingentes de batalhões militares de mulheres. E no nosso exército existe uma série de funções onde trabalham e prestam serviços as mulheres.


O conceito burguês da mulher tem ido sumindo do nosso país. Os conceitos estigmatizadores, discriminadores, têm ido desaparecendo no nosso país e as massas de mulheres têm compreendido essa realidade. E o preconceito é substituído por um conceito novo, onde são valorizadas as qualidades da mulher para uma série de atividades sociais, nalgumas das quais demonstram virtudes excepcionais. Um amplo campo de ação, de atividade, tem se aberto para elas.


Se vocês comparam o relatório da delegação cubana com os relatórios das delegações da América Latina, poderão perceber as grandes diferenças. Já aqui os problemas que foram expostos são como, por exemplo, liberar a mulher da escravidão doméstica, como criar condições que lhes permitam incorporar-se o mais amplamente possível à produção, com o qual ganha a mulher e ganha a Revolução.


Porque dentro de uma sociedade como a capitalista, de desemprego, de milhões de homens sem trabalho, resulta lógico que a tendência seja relegar as mulheres, muitas vezes, a atividades econômicas limitadas, dentro de uma sociedade como a nossa, na qual pelo desenvolvimento pleno de todos os recursos da nação e a economia planejada, se precisa cada vez de mais e mais braços para a produção, é lógico que a Revolução se preocupe de criar essas condições. E assim, hoje é preocupação da Revolução o estabelecimento do maior número possível de creches, de refeitórios escolares e de criar aquelas circunstâncias que permitam à mulher não ser uma escrava da cozinha (APLAUSOS); o estabelecimento de lavanderias (APLAUSOS).


É claro que o auge dalgumas dessas instituições, como as creches, sob certas circunstâncias, é limitado pelos recursos com que possamos contar. E assim como neste ano se está pondo ênfase no estabelecimento de refeitórios operários nas principais usinas do país, no próximo ano se porá ênfase no estabelecimento de refeitórios escolares (APLAUSOS).


O desenvolvimento destas instituições permitirá que a mulher se incorpore cada vez mais ao trabalho, à produção e à vida do seu país; não só às atividades econômicas, mas também às atividades políticas e sociais (APLAUSOS)


Hoje essas são nossas preocupações, por quanto as mulheres no nosso país estão em condições de poder preocupar-se por essas soluções.


Falou-se também por parte da delegação cubana do gigantesco esforço que no front da educação fez a Revolução. Disso apenas é necessário falar, basta só ver. Porque esse movimento se apalpa, se percebe, movimento que está forjando um grande porvir a este país, movimento que demonstra o empenho da Revolução, projetado, sobretudo, para o futuro e que tem permitido a duplicação do numero de crianças nas escolas, a duplicação do número de estudantes de escolas de ensino secundário e superiores, a erradicação do analfabetismo, e que permitirá a este país avançar com a forja de uma juventude magnífica, chamada a herdar as condições que para essa juventude a Revolução está criando.


Nossos problemas agora não são como ganharmos o direito de fazer isso, mas sim como o fazemos o melhor e mais perfeitamente possível.


Há uma diferença entre a situação das mulheres da América representadas neste congresso e a representação das mulheres cubanas. E é que as mulheres cubanas têm a oportunidade de fazer tudo isso, e as mulheres americanas estão precisando dessa oportunidade.


Nossos problemas são diferentes, no sentido de que agora se trata da forma em que o fazemos e quão bem podemos fazê-lo. Já para nós não se trata da oportunidade de ter, digamos, perto de 100 mil jovens estudantes, com uma bolsa oferecida pelo Estado, mas sim como organizá-los, como fazer com que as escolas onde estudam sejam cada vez mais eficientes, como nós preparamos grupos de professores e como realizamos bem essa tarefa. Não significa que nós não tenhamos muito trabalho; ao contrário, na Revolução há cada vez mais e mais trabalho.


Mas a Revolução vai criando recursos e mais recursos na medida em que avança. Um exemplo da forma em que estes recursos são criados é o fato de que em dias recentes foi necessário receber, na nossa capital, perto de 10 mil jovens camponesas vindas da província de Oriente (APLAUSOS). A quem encomendar essa tarefa? A Federação das Mulheres tinha estado liderando esse trabalho, mas a Federação das Mulheres tinha sobre ela o trabalho de atender a todos os albergues dos bolsistas, não dispunha de suficientes líderes; mas, contudo, havia uma escola de professores organizada com uma seleção das meninas brigadistas, daquelas que participaram, no ano 1961, da grande campanha de alfabetização, uma escola de 1.100 jovens, que estavam estudando para professoras, e que é uma boa escola, com a companheira que está dirigindo essa escola e que é uma grande pedagoga, porque sabe formar, a companheira Elena Gil (APLAUSOS). Ela tinha começado com um grupo de 300 instrutoras revolucionárias (APLAUSOS), isto é, 300 professoras formadas entre grupos de jovens que se ofereceram para ensinar nas montanhas. Começou a fazer um trabalho com 300 instrutoras, a formar 300 instrutoras revolucionárias para as escolas noturnas de meninas que trabalham no serviço doméstico (APLAUSOS).


Essa foi a primeira escola; primeiro 300. Com essas 300 meninas foram organizadas as escolas noturnas; depois foram outras 300. Seu número chegou a 600. Com a ajuda dessas jovens foi organizado o Instituto Pedagógico Makarenko (APLAUSOS), que já foram 1.100. Das 1.100 foram escolhidas 300 delas para cursos especiais e com essas 300 e o restante das meninas foram organizadas as escolas para as 10 mil jovens camponesas que chegaram (APLAUSOS).


Já tínhamos líderes, meninas que alfabetizaram, meninas que já estudaram um ano, jovens que já têm uma disciplina, um sentido da responsabilidade. E era algo verdadeiramente impressionante cruzar por uma dessas avenidas onde antes moravam os milionários e deparar-nos com um grupo de meninas com seus uniformes, meninas camponesas, que se deslocavam de um lugar para o outro, possivelmente para comer ou para alguma aula; e com elas ia, com seu uniforme de bolsista, outra menina, em alguns casos mais jovens que as próprias camponesas, mas eram as chefas, estavam na frente do grupo, dirigindo a casa onde moram e são, ainda, as professoras delas. Trabalham e estudam. Considerem como se irão formando essas meninas, que já recebem essa responsabilidade, que já lhe são atribuídas tarefas tão sérias, que as cumprem, que já têm um método de trabalho, e que vão combinando o estudo com o trabalho. Isso indica que o número de pessoas capacitadas será cada vez maior.


Agora temos que organizar uma escola, outra escola de professores, mais a escola superior, pois a Revolução mudou os métodos de formar os professores, que antigamente os professores se formavam exclusivamente entre pessoas da cidade. A Revolução mudou esse procedimento, estabeleceu um sistema de seleção e de oportunidades para todas as meninas e os rapazes que desejassem converter-se em professores, e a coisa começa pelas montanhas (APLAUSOS).


E assim, nós temos na montanha, neste momento, 5 mil jovens que começam a fazer seu primeiro ano de estudo para professores. Depois vão para uma escola onde permanecem dois anos, e depois se reúnem num instituto superior, onde estarão mais dois anos, e muitas dessas professoras serão de origem camponesa, meninas familiarizadas com as montanhas, com o campo.


Nós estamos preparando simultaneamente cursos de aperfeiçoamento de jovens camponesas que estão na quarta e na quinta séries e que querem começar a estudar para professoras. Dessas mesmas 10 mil camponesas, escolheremos aquelas que tenham mais vocação e as aperfeiçoamos para que possam ingressar nessas escolas.


Daqui a um tempo já teremos nosso Instituto Superior de Professores, com 6 mil estudantes, 6 mil estudantes que poderemos mobilizar para que ao mesmo tempo ensinem, combinando o estudo com o trabalho (APLAUSOS).


Isto se realiza com o esforço constante de um número determinado de pessoas que trabalham nesse front. São muitas as pessoas perfeitamente competentes para essa tarefa? Não, infelizmente não são muitas. Mas quando há uma pessoa competente na chefia de qualquer dessas atividades, vai criando o que poderíamos dizer uma escola, quer dizer, um estilo de trabalho.


Nós não temos muitas Elena; mas, contudo, futuramente teremos centenas de Elena, porque são as meninas formadas por ela (APLAUSOS). Cada dia será maior o número de escolas, de escolas superiores, e nós precisamos de muitos dirigentes na educação para organizar e dirigir essas escolas.


Assim avança a Revolução com sua juventude. Pode fazê-lo. Nós temos conseguido a chance de começar a fazer tudo isso. As companheiras da América Latina apresentam um quadro real da situação do continente. É verdadeiramente estarrecedor. Nós pensamos que esses relatórios todos devem ser publicados num folheto e serem distribuídos aqui e fora daqui (APLAUSOS); serem distribuídos aqui e fora daqui, na América Latina.

São números verdadeiramente chocantes, os dados acerca do número de crianças sem escolas, sem professores, pouco alimentadas; as estatísticas penosas do número de crianças, da porcentagem que mal consegue chegar à sexta série, da porcentagem que pode chegar a realizar estudos superiores, secundários, e da porcentagem que pode chegar a realizar estudos universitários.


Os números relativos à mortalidade infantil, consequência das condições insalubres em que moram, da desnutrição, da falta de programas médicos; situações que não são hoje nossa situação. Porque hoje nós podemos dizer que nem uma só criança fica inválida, por causa da poliomielite (APLAUSOS); podemos dizer que dezenas de milhares de crianças são salvas, em consequência do atendimento médico. E continuam desenvolvendo-se mais e mais programas nacionais de saúde pública. O número de leitos nos nossos hospitais praticamente se tem triplicado, os recursos destinados à saúde pública quintuplicaram.


Hoje esses não são nossos problemas, mas são os problemas do continente todo. Hoje nosso problema é como criarmos tudo aquilo de que precisamos para satisfazer tantas e tantas necessidades, para superar a pobreza que nos deixou a exploração imperialista. Esse é que é nosso problema.


Grande é nosso trabalho, árduo, duro, difícil. E não é nada fácil ter que realizar essa obra com as garras ameaçadoras do imperialismo sobre nós, com a hostilidade incessante da nação imperialista mais poderosa e agressiva do mundo. Como levar adiante esta obra é nosso problema, como defender a Revolução e a soberania deste país e, ao mesmo tempo, continuar avançando, esse é que é nosso problema; mas não o problema de vocês, mulheres americanas. O problema de vocês e dos povos que vocês representam é como conquistar a oportunidade de fazer isto que nós estamos fazendo (APLAUSOS). Nós estamos certos de que continuaremos avançando, anos mais, anos menos: estamos certos de que venceremos nossas dificuldades, com mais sacrifícios, com menos sacrifícios; estamos certos de que o imperialismo não poderá derrotar-nos (APLAUSOS), porque neste país jamais haverá vencidos (APLAUSOS). Poderá haver tombados, mortos, mas não vencidos (APLAUSOS PROLONGADOS).


Se um dia os imperialistas ianques, lançando mão de todas suas forças e recursos, resolvessem destruir este país, o mais que poderiam dizer é: Temo-lo destruído, mas não o temos derrotado! (APLAUSOS).


E nós sabemos que esse perigo paira sobre nós, mas também sabemos que resta um continente todo e que resta um mundo todo, e nós não somente somos cubanos, somos latino-americanos! (APLAUSOS PROLONGADOS E EXCLAMAÇÕES). Somos ainda mais, porque nós não só somos latino-americanos, somos seres humanos que habitamos no planeta Terra (APLAUSOS), e o importante é a vitória da humanidade (APLAUSOS).


É mesmo assim como pensamos os cubanos. E o problema — repito — para nós hoje é trabalhar e lutar, e o problema de vocês é lutar para trabalhar depois (APLAUSOS). Porque eis as estatísticas, essas estatísticas frias, terríveis. Essas estatísticas que quando a Unesco, ou a FAO, ou qualquer organização das Nações Unidas faz estatísticas, encontra, e o que é que dizem: Tantos milhões de isto e tantos milhões do outro; e o que é que dizem: Tantos milhões de mortos por causa da fome, ou por doença curável, ou tantos milhões de crianças sem escolas, ou tantos milhões de famílias sem lar, ou tantos bilhões de desnutridos; tanto o índice de vida, e que resulta ser metade da expectativa de vida dos países altamente industrializados e dos países exploradores. Eis as estatísticas, inclusive o número de mortos, que são mais do que há em qualquer revolução. O número dos que morrem cada ano, na América Latina, dos que morrem em um ano por causa da fome e de doenças, sem atendimento, são mais dos que morreriam se os povos da América Latina se liberassem (APLAUSOS). Porque aqui a luta custou 20 mil vidas, mas já conseguimos salvar muitas vezes, mais de 20 mil vidas (APLAUSOS).


Podemos esperar, e continuarão amontoando-se os números dos milhões de desditados, de desgraçados, de explorados, de agonizantes — e eis os números — como resultado da exploração feudal, da exploração imperialista. E o problema das estatísticas não se deve concretizar em manejá-las, em escrevê-las num quadro ou num folheto, mas em pensar como mudar essa situação (APLAUSOS).


Há pessoas conhecedoras de estatísticas, mas o que é preciso é sermos especialistas em mudar a situação, especialistas em conduzir os povos rumo às revoluções (APLAUSOS). E eis a arte dos revolucionários, a arte que é preciso aprender e que é preciso desenvolver: Como levar as massas à luta! Porque são as massas as que fazem a história, mas para que façam história é preciso levar as massas à luta (APLAUSOS).


E esse é o dever dos líderes e das organizações revolucionárias: pôr a andar as massas, lançar as massas ao combate (APLAUSOS). E isso foi o que fizeram na Argélia (APLAUSOS), e é o que estão fazendo os patriotas no Vietnã do Sul (APLAUSOS). Conseguiram lançar as massas à luta com métodos corretos, com a tática correta. E conseguiram arrastar o maior número possível de pessoas à luta. Isso foi o que nós fizemos. Porque não conquistaram o poder os quatro, os cinco, os seis ou sete que um dia ficamos dispersos, mas sim o movimento de massas que a luta contra a tirania desatou e que culminou na vitória do povo.


Acerca destas questões há um conceito que gostaríamos de esclarecer. Porque houve algum do que outro teórico tresnoitado, que afirmou que em Cuba tem havido um trânsito pacífico do capitalismo para o socialismo. É como negar que neste país morreram milhares e milhares de combatentes; é como negar que neste país um exército, saído das entranhas do povo, derrotou um exército moderno, armado e instruído pelo imperialismo ianque (APLAUSOS); é como negar que sobre nossos camponeses, sobre nossas cidades e povoados caíram bombas explosivas e incendiárias que levavam a marca “Made in USA”; é como negar a formidável luta de nosso povo; é como negar Playa Girón (Baía dos Porcos) e os que lá morreram (APLAUSOS). Não foi nenhum trânsito pacífico, foi um trânsito de combate, sem o qual não teria havido trânsito no nosso país. Sem essa luta heróica, sem essa luta armada do povo cubano ainda, talvez, teríamos aqui o senhor Batista, “made in USA” (EXCLAMAÇÕES).

E essas são as verdades históricas, e nós pensamos que, pelo menos, temos direito de falar acerca de nossas verdades históricas. E não de que certos teóricos à distância nos digam que foi o que aconteceu aqui, sem terem vindo nunca aqui (APLAUSOS).


Não é preciso corar para dizer essas coisas, nem é preciso dizê-las em voz baixa, é preciso dizê-las em voz alta, de maneira tal que se escute, e que se escute de verdade! (APLAUSOS) e que as escutem os povos, porque essas falsas interpretações da história tendem a criar esse conformismo que ao imperialismo lhe convém, levam a criar essa resignação e levam a criar esse reformismo e essa política de esperar pelas “calendas gregas”, para fazer revoluções.


Essas falsas interpretações da história não encaixam com a situação da imensa maioria dos países latino-americanos, onde existem condições objetivas — e bem que o têm visto os imperialistas com bastante clareza: que as condições objetivas existem —, mas onde têm faltado as condições subjetivas. E é preciso criar essas condições subjetivas, e são criadas com a verdade histórica e não tentando falsear a história. Essas condições subjetivas não se podem criar dizendo que em Cuba houve um beatífico trânsito pacífico (DO PÚBLICO LHE DIZEM ALGO).


Não se trata de covardes, mais sim de confundidos, de pontos de vista errados. Nós não negamos a possibilidade do trânsito pacífico, embora ainda estejamos esperando o primeiro caso. Mas não o negamos, porque não somos dogmáticos.


Compreendemos a mudança incessante das condições históricas e das circunstâncias históricas. Não negamos isso, mas sim dizemos que aqui não houve trânsito pacífico, e pelo que protestamos é que se tente lançar mão do caso de Cuba para confundir os revolucionários de outros países, onde existem condições objetivas para a Revolução e onde podem fazer o mesmo que em Cuba (APLAUSOS).


Que os teóricos do imperialismo se preocupem de que não haja revoluções, é lógico; e os teóricos do imperialismo se esforçam em caluniar a Revolução Cubana, espalhar a falsidade e a mentira, dizer os piores horrores, criar nos povos o medo às revoluções. Mas que ninguém, a partir de uma posição revolucionária, pretenda criar o conformismo ou o medo às revoluções; isso é absurdo. Os teóricos do imperialismo, que apregoem o conformismo; os teóricos das revoluções, que apregoem sem temor as revoluções (APLAUSOS).


Isso é o que nós pensamos; isso foi o que nós dissemos na Declaração de Havana, Declaração que nalguns países irmãos recebeu as honras, por parte de algumas organizações revolucionárias, “as honras da gaveta”, quando devia ter recebido a justa divulgação que merecia. É como se agora guardássemos numa gaveta tudo aquilo que vocês discutiram aqui; e, naturalmente, se não queremos que as massas acabem sabendo disto, então o guardamos numa gaveta. Mas se dizemos às massas que essa é a situação, é preciso dizer também às massas qual é o caminho, e é preciso levá-las à luta, porque esse caminho é muito mais fácil, em muitos povos da América Latina, do que foi em Cuba.


Quero esclarecer, para que os teóricos não estejam incômodos, que nós não estamos fazendo uma generalização irresponsável; quero esclarecer que nós sabemos que cada país tem suas condições específicas, e por isso não generalizamos. Mas sim dizemos: a maioria. Sabemos que há exceções, sabemos que há países onde não existem essas condições objetivas, mas existem na maioria dos países da América Latina.


E essa é nossa opinião. Dizê-lo aqui é um dever, porque temos esperanças de que daqui a 40 anos nos voltemos a reunir como hoje, as netas das nossas ‘federadas’ (mulheres afilhadas à Federação das Mulheres Cubanas. N. do. Trad.) com as netas de vocês, para tratarem dos mesmos problemas (APLAUSOS).


Nosso país tem pela frente circunstâncias difíceis, grandes riscos. Não é preciso introduzir a cabeça num buraco, como o avestruz, mas é preciso ver as coisas como são. Nosso país atravessa uma etapa de riscos, de grandes perigos. Nós temos, por um lado, o imperialismo ianque, a potência mais agressora, mais agressiva, mais poderosa do imperialismo, que se traçou como propósito fundamental destruir esta Revolução. E, por outro lado, circunstâncias que são adversas e desfavoráveis para o movimento revolucionário mundial.


Quero dizer, em primeiro lugar, que para nós a Crise do Caribe não está resolvida. Quero dizer que, segundo nossa opinião, segundo a opinião da direção revolucionária do nosso país, evitou-se uma guerra, mas não se ganhou a paz, que não é a mesma coisa.


É que acaso não persistem exatamente as mesmas circunstâncias que nos obrigaram a adotar as medidas que adotamos, e nos obrigaram a dar os passos que demos? É que acaso não persiste a política declarada de hostilidade e agressão ao nosso país por parte dos imperialistas ianques? Nós não acreditamos nas palavras de Kennedy, porque é que Kennedy não deu nenhuma palavra, além disso. E se a deu, já a retirou.


E por isso, nós dizemos que para nós não havia garantias satisfatórias sem os Cinco Pontos que expusemos na altura daquela crise (APLAUSOS).

Acerca dessas coisas, um pouco controversas, um bocado sutis, é preciso estar muito claros, é preciso estar muito claros. Se alguém diz que nós estamos aqui, quer dizer, que não temos podido ser destruídos devido à solidariedade do bloco socialista, diz-se uma verdade (APLAUSOS). Mas se alguém diz que estamos aqui por causa das palavras de Kennedy, não diz uma verdade.


Nós temos resistido durante quatro anos graças a essa solidariedade. Ora bem, qual é a paz para nós? Que paz há para nós? Desde que Kennedy falou em Orange Bowl, os agentes do imperialismo têm cometido quatro assassinatos. E assassinaram um camponês que estava estudando como bolsista, quando foi de férias a Trinidad. E assassinaram — queimando-o ainda vivo — um operário da província de Las Villas, um operário que trabalhava no repovoamento florestal. E assassinaram uma criança de 11 anos em San Antonio de las Vegas. E assassinaram dois companheiros da COR na província de Matanzas, agentes ianques, com armas ianques, cumprindo ordens ianques, a política de subversão declarada dos imperialistas.


O que é que nós dizíamos? Que como é que poderia haver solução se os imperialistas assumiam o direito de tentar estrangular pela fome nosso país, de isolar nosso país, pressionar todas as linhas aéreas e navais para privar-nos das matérias-primas essenciais e provocar a fome no nosso país, enquanto os imperialistas se sentiam com todo o direito de manter essa política de bloqueio contra nós e criar-nos todos os obstáculos impossíveis de imaginar à margem da lei internacional, à margem dos princípios que regem a Organização das Nações Unidas, se os imperialistas se sentiam com total direito de subverter a ordem social, introduzir amas, agentes sabotadores, treiná-los, organizar mercenários; se os imperialistas se sentiam com todo o direito de violar nossos mares e nosso espaço aéreo; se os imperialistas sentiam que tinham todo o direito de organizar bandos de piratas; se os imperialistas sentiam que tinham todo o direito de reter um pedaço de nosso território que aponta contra o coração do país.


E que direito podem ter os imperialistas de exigir que se retirem armas amigas, enquanto mantêm cravadas no território da pátria cubana armas inimigas, armas para a agressão? Que direito têm de fazer isso os imperialistas?


E em três declarações, feitas depois da crise, o senhor Kennedy falou uma linguagem reticente, ameaçadora, mantendo sua política de lançar contra Cuba pressões econômicas, políticas e de outros tipos, e que garantiria que não invadiria se nós não promovíamos a subversão. Mas para Kennedy isto é subversão: estamos “ferrados”. Há um congresso de mulheres que fala da fome, da miséria espantosa da América Latina, e isso é subversão.


Quando falou aos mercenários, no Orange Bowl, falou de que ele lhes entregaria a bandeira mercenária em Havana. E o senhor Rusk, ao falar recentemente, disse — o secretário do Estado ianque — que os Estados Unidos não estavam comprometidos a não invadir Cuba; e se se tivessem comprometido, o teriam feito somente no relativo à situação imediata e independentemente de seus compromissos com os demais países da América Latina. Dessa forma falaram.


Onde está o compromisso de não invadir Cuba? Mas é que, além do mais, resulta insolente que o secretário do Estado ianque diga que não se têm comprometido a invadir Cuba. Como se as leis internacionais, a Carta das Nações Unidas e todas as normas que regem as relações entre as nações, não os comprometessem a invadir nosso país, já que naturalmente não têm nenhum direito de invadi-lo.


E ao falarem assim, mais do que comprometer-se a não invadir, recusam-se a reconhecer a obrigação que têm, de acordo ao direito internacional, de não fazê-lo. E demonstram, ainda, a alma de gângsteres e de piratas que têm os governantes ianques (APLAUSOS). Eu creio que são precisos muitos argumentos. Eis as palavras e eis os fatos. E é por isso que nós dizemos que se tem evitado uma guerra, bem, mas não se ganhou a paz, mal. Essa é a situação.


Os imperialistas andam meio otimistas; reflete-se nas suas apreciações. Não penso que esse otimismo tenha nenhuma razão de ser, mas sim a subestimação das realidades do mundo e a subestimação da força dos povos.


É claro, eles desejam que não se mexa um dedo na América Latina; eles desejam que os povos não lutem. O exemplo — por exemplo — do heróico povo venezuelano (APLAUSOS) é para eles um horrível pesadelo. Eles desejam que lhes permitam estabelecer as bases de um longo império, à base de uma exploração ainda mais desumana; porque esses programas todos sempre são baseados numa suposta austeridade, que quer dizer mais privações para os trabalhadores, mais sacrifícios para as massas.


A Aliança para o Progresso — que ninguém tenha dúvidas disso — não prosperará, porque é, simplesmente, uma política de exploração, de domínio e de recuo, pois os parceiros dessa “aliança” são sujeitos como Stroessner, como Guido, como Rómulo Betancourt, como os Somoza, como a junta de gorilas do Peru. Esses é que são os “progressistas”. E como esses “progressistas” é a “aliança” do império ianque, com o mais retrógrado, o mais reacionário e o mais antediluviano da América Latina.


Isso não funcionará, isso está chamado a fracassar. É uma tentativa desesperada do imperialismo de enganar, de confundir.


Em um dos seus discursos, o senhor Kennedy disse que “comparemos Cuba com a Aliança para o Progresso”. Caso compararmos, está perdido o senhor Kennedy. Porque aqui, apesar de toda a propaganda imperialista, há a realidade de que cada criança tem garantido o litro de leite diário (APLAUSOS). Temos tido que racionar, simplesmente, porque o emprego aumentou extraordinariamente; cerca de meio milhão de pessoas começou a trabalhar, a possuir receitas; os camponeses deixaram de pagar rendas; os alugueres foram rebaixados 50%; o ensino todo se tornou gratuito; o serviço dos hospitais se quintuplicou; o povo teve incomparavelmente mais recursos. E era lógico que nessas condições tivéssemos que adotar medidas que garantiriam a todas as famílias, por um preço justo, os artigos que precisavam. Porque ainda existia aí um número suficiente de ricos como para estabelecer todo tipo de especulação. E se fosse uma questão de preços, como acontece nos países capitalistas — que eles o resolvem com o preço — aumentam o preço do litro de leite para dois pesos e só podem comprar aqueles que tenham os dois pesos; aumentam o preço do arroz e, então, só pode comprar quem tiver; a carne a cinco pesos, e dá para aqueles que tiverem os cinco pesos. Não há racionamento, é algo muito pior: dá para todo aquele que tiver, e não dá para quem tiver menos. Por isso, eles tentam confundir com todas essas coisas.


Dizia que nosso país enfrenta uma situação difícil, derivada de duas circunstâncias. De sermos, em primeiro lugar, o alvo fundamental imediato do imperialismo ianque, e, segundo, as divisões ou discrepâncias, ou como as queiram chamar, de maneira mais ou menos otimista, dentro do bloco socialista.


Nós temos dito qual é a nossa posição; nós não vamos deitar lenha na fogueira dessas discrepâncias. Creio que quem deitar lenha na fogueira dessas discrepâncias, atenta contra os interesses do movimento revolucionário mundial (APLAUSOS).


Perante o imperialismo essa realidade é amarga, dura. Nós temos dito qual é nossa posição, qual é, segundo entendemos, nosso dever: não deitar lenha na fogueira dessas discrepâncias, mas sim lutar em prol da unidade do bloco socialista (APLAUSOS), a unidade dentro dos princípios — a unidade dentro dos princípios! — e lutar por ela com métodos marxista-leninistas (APLAUSOS).


O marxismo-leninismo é suficiente rico em caudal ideológico e em experiências para achar as formas adequadas para superar essa dificuldade, para superar esse obstáculo. É questão de propor-se isso. E acho que devemos lutar por isso, devemos lutar por essa unidade, e nos propomos isso com nosso critério muito próprio, Chauvinistas? Não! Marxistas-leninistas! (APLAUSOS). Porque o imperialismo existe, o imperialismo existe e está aí, perigoso e agressivo; o mundo subdesenvolvido existe e está aí; o movimento libertador dos povos submetidos pelo colonialismo e o imperialismo está aí, lutando, em Angola, no Vietnã, na América Latina, em todos os recantos do mundo. E essa luta precisa de todas as forças unidas do bloco socialista (APLAUSOS).


É lamentável, muito lamentável que tenham surgido essas diferenças. E em face disso é preciso lutar, porque o primeiro é unir. E o que Karl Marx disse, foi: “Proletários de todos os países, uni-vos!” (APLAUSOS).


Marx e Engels lutaram por essa união, incansavelmente, infatigavelmente, durante sua vida toda. E isso é o que dizemos nós, nossa direção política, nosso Partido e nosso povo: “Proletários de todos os países, uni-vos!” (APLAUSOS), uni-vos frente aos inimigos de classe, frente aos inimigos imperialistas, gente aos agressores, frente aos que favorecem a guerra.


Essa é a posição de nosso Partido e de nosso povo, o critério da nossa Direção Nacional e nosso povo, que marchou unido em difíceis momentos, em difíceis circunstâncias. Porque nosso povo esteve submetido a grandes provas nestes dias: prova de valor perante a ameaça de Kennedy, perante sua ameaça de converter-nos em alvo atômico. Tenho certeza de que os nervos deste povo se alteraram menos que os nervos dos generais do Pentágono ianque!


Não faltaram vozes isoladas de crítica; não faltou, como era lógico, algum do que outro confundido de boa fé, que fizesse críticas à Direção Nacional das Organizações Revolucionárias Integradas, quanto à atitude de Cuba na altura da crise, acerca da inspeção e dos vôos piratas. Para esses, ao que parece, nós devíamos deixar-nos inspecionar, como para consagrar o direito dos imperialistas a dizerem que armas podemos ou não podemos ter, e retrotrair este país à época da Emenda Platt na qual o governo dos Estados Unidos determinava por nós.


Aceitar a inspeção ianque teria sido aceitar estar de acordo com ter que prestar contas aos imperialistas ianques quanto às armas que podíamos ter ou não ter dentro do nosso território. E isso representava para nós uma questão de princípios, isso equivalia a abrir mão da nossa soberania, isso equivalia a aceitar a ‘inferiorização’ deste país entre todos os demais Estados do mundo. E nós nem aceitamos nem aceitaremos isso! (APLAUSOS).


Aqueles que pensem que isso é aceitável, pensam que também é aceitável que desembarquem e que não lhes disparem nem um tiro, porque por esse caminho se chega a isso. E por esses caminhos não chegou a Revolução ao poder, e por esses caminhos a Revolução não se defendeu na Baía dos Porcos, mas sim por outros caminhos de firmeza e de decisão de luta perante os imperialistas.


Ao que parece, esses indivíduos pensavam que devíamos deixar que seus aviões voassem, passassem em voo rasante sobre nossas antiaéreas, sem nós darmos a voz de fogo. E isso jamais se podia esperar de nós, porque o que o inimigo há de esperar sempre, cada vez que nos agrida, será o combate e não a claudicação! (APLAUSOS e EXCLAMAÇÕES de: “Fidel, certo, aos ianques dá-lhes forte!”).


Não faltará quem diga, não faltarão aqueles que possam tentar insinuar que fossemos contrários a uma política de paz. A resposta é essa mesma: Queremos paz com direito, com soberania e com dignidade!; queremos paz sem renunciar a ser revolucionários, sem abrir mão da Revolução! (APLAUSOS).


Quando nós combatemos os invasores na Baía dos Porcos, os que nos bombardearam, os que nos atacaram, ninguém duvidará de que estávamos defendendo a paz; quando este povo se organizou e resolveu lutar até o último homem e mulher perante os imperialistas, caso eles nos atacassem, ninguém poderá negar que estávamos defendendo a paz, porque a resistência à agressão é a luta pela paz. A rendição perante os agressores é o caminho da guerra ou a submissão dos povos. Nós, defendendo nossa soberania e nossos direitos, defendemos a paz.


E quando nós falamos aos latino-americanos, e lhes dizemos que existem condições objetivas para a Revolução, defendemos a paz, porque enquanto mais fraco for o imperialismo, menos perigoso será; quanto mais fraco seja o imperialismo, menos agressor será. E a liberação, o movimento libertador dos povos, enfraquece os imperialistas e os torna menos agressores, os torna menos perigosos. A luta dos povos pela sua soberania e sua independência, é a luta pela paz.


Consideramos que a paz é o objetivo fundamental da humanidade. Lutemos por ela seguindo o caminho da soberania nacional, da libertação perante os exploradores e perante os imperialistas; lutando perante a exploração imperialista, lutamos pela paz (APLAUSOS).


Somos inimigos da guerra, e são os imperialistas os que impõem à humanidade as guerras. E enquanto mais fortes se sentirem, mais perigosos serão. E por isso, cada povo que luta pela sua soberania e por sua independência, defende a paz.


Assim pensamos nós, os revolucionários cubanos, estreitamente unidos. Aqueles que acreditem que vão se aproveitar da confusão, estão enganados; os que pensem que perante essa vontade de união e de firmeza e de dignidade de nosso povo, podem de forma oportunista tentar criar a confusão, põem em dúvida a retidão da direção revolucionária cubana, se enganam lamentavelmente, porque seria um sinal de que não conhecem este povo, não conhecem as qualidade de nosso povo. Os que aproveitando-se das circunstâncias difíceis pelas quais tivemos que atravessar e que tem que atravessar a pátria, fomentam a divisão, cometem uma lamentável falta, uma traição contra a Revolução. E as massas sairão na frente aos intrigantes, aos que fomentam a divisão, e continuarão a linha de nosso Partido e a linha que lhes traçar a direção revolucionária!, porque dirão: Essa é nossa linha, essa é a linha dos nossos líderes e temos fé nela! (APLAUSOS).


Essa será a conduta de nosso povo, a conduta dos nossos militantes revolucionários, que não se desalentam, que não têm medo da luta, que não têm medo das circunstâncias difíceis, sejam quais forem. E aqui não haverá divisão: aqui haverá união, porque precisamos dela, porque temos o inimigo imperialista diante, querendo-nos destruir, e precisamos da unidade para resistir, precisamos da unidade para vencer, precisamos da unidade, mais do que nunca, para avançar. E com nossa unidade, nossa firmeza e nossa linha, continuaremos avançando, defrontando as dificuldades, defrontando os inconvenientes, sejam quais forem; exerceremos o direito de pensar pela nossa própria cabeça e seremos consequentes (APLAUSOS), seremos consequentes com nosso pensamento revolucionário. E esse pensamento, acima de tudo, tem uma divisa: Resistir ao inimigo imperialista, combater o inimigo imperialista, continuar avançando, não recuar um passo na história da pátria, nem uma vacilação nas fileiras revolucionarias! Continuar avançando perante os imperialistas! Esses são e serão sempre nossos inimigos; são e serão os inimigos da América.


Continuaremos avançando pelo caminho da Revolução, pelo caminho do socialismo, pelo caminho do marxismo-leninismo!


Pátria ou Morte!


Venceremos!


(OVAÇÃO)


RESOLUÇÃO GERAL DO CONGRESSO DAS MULHERES DA AMÉRICA TODA


Pela segunda ocasião no nosso continente, as mulheres nos temos reunido em um grande congresso de unidade.


Em 1959, mulheres vindas de todos os países da América Latina nos reunimos em Santiago do Chile para discutir os graves problemas que afetam nossos lares e nossos povos.


Hoje nos reunimos de novo não só as latino-americanas, mas também temos a alegria de poder cumprimentar a presença entre nós de nossas irmãs da América do Norte e do Canadá (APLAUSOS).


A América se uniu em nós. Mães do norte, do centro e do sul, mulheres de muitos diversos costumes e pensamentos, temos podido discutir em um ambiente fraternal presidido por um alto espírito de unidade, por um desejo de superarmos todas as diferenças, pelo propósito de acharmos juntas um objetivo comum de luta.


Este congresso tem servido, ainda, para verificar o apreciável avanço das organizações femininas da América, que vêm crescendo em vigor desde que no congresso do Chile descobrimos que a política feroz do imperialismo é a causa do atraso, da miséria, da ignorância e do abandono em que vivem milhões de filhos de nosso rico continente (APLAUSOS).


O fato de que a sede deste congresso tenha sido Cuba, Território Livre da América, permitiu-nos ver tornado realidade perante nossos olhos, nossos sonhos de um mundo onde a saúde, a educação, a moradia e a alimentação adequada estejam garantidas para nossos filhos.


As mulheres da América e do mundo ansiamos simplesmente isso: uma vida de segurança, de bem-estar e de progresso para nossos filhos. Essas são as reivindicações essenciais que existem no coração de todas as mães.


Desejamos viver em um mundo liberado da garra da fome e da incultura, livre para sempre da ameaça da guerra atômica.


Nossos filhos vêm à vida para serem felizes e cabe a nós — a geração presente — ganhar para eles as garantias dessa felicidade.


Milhões de mulheres já se incorporaram a esse nobre empenho; mas ainda restam milhões delas por aderirem à luta pelas suas reivindicações, à luta pela libertação dos seus povos, à luta pela paz.


O Congresso das Mulheres da América toda faz um apelo ardente às mães americanas para cimentarem a mais estreita unidade dentro dos seus respectivos países, e a se unirem com todas as mães do mundo na luta contra a miséria, o atraso, a incultura e a exploração imperialista.


O Congresso das Mulheres da América toda exorta a lutar pela libertação dos nossos povos, pelo respeito à autodeterminação e soberania dos Estados, pelo desarmamento geral e total, e por atingir um mundo de paz onde floresça o bem-estar, o progresso, o poder criador da humanidade.

Viva a unidade das mulheres do mundo! (EXCLAMAÇÕES DE: “Viva!”).


Viva o Congresso das Mulheres da América toda! (EXCLAMAÇÕES DE: “Viva!”).


Viva a paz! (EXCLAMAÇÕES DE: “Viva!” E APLAUSOS).

Versões Estenográficas – Conselho de Estado



DISCURSO PRONUNCIADO PELO COMANDANTE-EM-CHEFE FIDEL CASTRO RUZ NO ENCERRAMENTO DO CONGRESSO DAS MULHERES DA AMÉRICA TODA, EM 15 DE JANEIRO DE 1963

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