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"Curar os enfermos para a Revolução"


Este texto foi escrito a partir de anotações feitas durante uma visita ao hospital psiquiátrico de Xangai; de um encontro com os psiquiatras de Xian, realizado em 1971; do texto do “Diario del Pueblo” [“Diário do Povo”], de 10 de agosto de 1971: “Partindo do pensamento de Mao Tse-tung para curar doenças mentais”; e do texto publicado em “La Chine”, em novembro de 1971: “Nova terapia para doenças mentais” (ambos sobre o hospital Zheng Zhou). Foi publicado na “Cinétique”, em 3 de maio de 1972, da qual foi traduzido.

A luta pelo poder do Estado, pelo estabelecimento de um poder do Estado proletário, foi o principal desafio enfrentado pela Revolução Cultural. Essa luta ganhou sentido no movimento de massas desencadeado em todos os aparatos da sociedade chinesa, especialmente nos planos político ou ideológico; foi um movimento de proletarização dos aparatos que se opunham à gentrificação defendida pela linha política revisionista de Liu Shaoqi.


LEVAR A REVOLUÇÃO PARA O HOSPITAL

A violenta transformação das relações burguesas – relações que poderiam servir à restauração da burguesia – adquiriu uma forma específica dentro de cada aparelho onde esta luta ocorreu. Assim foi, por exemplo, na psiquiatria.


Para trazer a revolução ao campo da psiquiatria, para colocar o aparelho psiquiátrico a serviço das massas operárias e camponesas às quais pertence a grande maioria dos pacientes, foi necessário criar as condições que permitissem a eles participarem da revolução desde o hospital. Foi então necessário levar a Revolução Cultural para o hospital.


Mas, para a revolução passar pelo hospital, era preciso quebrar a barreira constituída pelos médicos burgueses, lutar pela sua transformação para que adquirissem uma nova ideologia (a proletária) e se tornassem em médicos proletários, para que os doentes passassem a ser o principal aspecto da contradição médico-paciente, ou seja: para que os médicos se colocassem a serviço dos trabalhadores e camponeses doentes e da revolução, era necessário, como passo preliminar, considerar os médicos como o principal aspecto da contradição. Sua transformação seria o resultado da luta entre duas classes e duas linhas políticas. Só temos testemunhos indiretos desta luta, mas que, sem dúvidas, foi dura, já que a linha proletária teve que ser levada do exterior para alguns hospitais, como indica o “Diario del Pueblo(1), quando uma equipe médica da A.P.L. entrou no Hospital Zheng Zhou, em abril de 1969.


Antes da Revolução Cultural, os médicos eram muitas vezes formados no exterior e a linha revisionista de Liu Shaoqi apoiava, no campo da saúde, o florescimento de uma ideologia individualista, baseada no conhecimento preservado como privilégio. Assim, os especialistas foram, desde a sua fase inicial de formação, separados das massas e de seus problemas reais, mais preocupados com sua “carreira” pessoal e com as necessidades corporativas do que com as necessidades das massas e o imperativo de se colocarem a seu serviço.

As terapias imitavam servilmente as normas burguesas. Enfatizavam as técnicas de forma unilateral, não levavam em consideração as contradições internas de cada paciente e se preocupavam apenas com as aplicações externas: eletrochoques e insulina(2). Isso, obviamente, não permitiu que as contradições fossem resolvidas, mas as silenciou. Por outro lado, foram causados danos graves ​​aos pacientes: problemas de memória, estados de sonolência causados ​​por medicamentos etc. O aparelho psiquiátrico conservou as características com que fora marcado pela burguesia, tornando-se, de fato, parte integrante do aparelho repressivo do Estado burguês: coletes de força, quartos acolchoados, grades – “remédios” totalmente desaparecidos da China hoje, que foram derrotados pela Revolução Cultural.


REEDUCAÇÃO DE MÉDICOS E ENFERMEIROS

O movimento de massas da Revolução Cultural, o surgimento de uma nova geração de jovens médicos – política e ideologicamente formados no curso desse movimento –, a “ascensão da classe trabalhadora à direção dos hospitais”, a entrada dos trabalhadores que dirigiam a fase de luta-crítica-transformação, tudo possibilitou o desenvolvimento de um processo ininterrupto de educação e reeducação proletária dos médicos: hoje o estudo político e filosófico (materialismo dialético) ocorre em conjunto com o trabalho e a pesquisa entre as massas, na fábrica e o campo.


Os psiquiatras organizam equipes médicas itinerantes que passam períodos no campo, durante os quais tratam doenças orgânicas comuns e doenças mentais. Durante esses períodos, eles treinam “médicos descalços”, ensinando-lhes conhecimentos simples sobre todas as doenças, incluindo as mentais.


A participação dos médicos no trabalho de produção contribui para uni-los às massas e, também, para adotarem uma postura de classe proletária; atitude que possibilitou a transformação das relações entre médicos e pacientes no hospital: estes últimos são, hoje, considerados como “irmãos de classe” (não como estranhos a serem silenciados) a quem é necessário se unir na luta contra a doença.


Além disso, como veremos, a nova orientação da pesquisa que resultou desse processo, bem como as relações entre médicos e enfermeiros, também mudou.

Contra a concepção burguesa de estrita ordem e subordinação, baseada em uma divisão técnica para reproduzir uma divisão social, que ergue várias barreiras entre as diferentes categorias para isolar perfeitamente cada uma delas, contra a concepção ultra esquerdista dessas relações, que faz o comunismo no papel, que nega toda a especificidade e defende um igualitarismo não correspondente nem à fase nem às lutas que são travadas neste momento, nem à fase atual do conhecimento, a concepção proletária define as relações atuais dos médicos e enfermeiros na China como uma “divisão igualitária do trabalho”: médicos e enfermeiros são colegas de trabalho que se ajudam reciprocamente. Os jovens médicos devem aprender com enfermeiros experientes, aprender com sua rica experiência prática; enfermeiros podem continuar seus estudos e se tornarem médicos.


Dessa forma, no decorrer da Revolução Cultural, uma nova unidade de luta contra as doenças e contra a burguesia surgiu, uma luta politicamente dirigida para colocar a psiquiatria a serviço das massas e para responder às suas necessidades.


COMBINAR A LUTA IDEOLÓGICA E O TRATAMENTO MÉDICO

Se, para os chineses, “a doença mental difere de uma ‘doença ideológica’ comum” na necessidade de tratamento médico, o processo de luta ideológica contra a doença mental não difere fundamentalmente do processo geral de educação e reeducação proletária. Seu propósito é o mesmo: resolver as contradições ideológicas armando “sujeitos” com a concepção proletária do mundo para que, assim, todos possam participar da revolução.


As contradições ideológicas (mentais) não podem ser reguladas pelas leis da luta ideológica. Nesta luta, a ideologia proletária se constitui a partir do marxismo-leninismo, do pensamento de Mao Tse-tung, da causa revolucionária do proletariado. Não esconde que está em luta aberta contra a ideologia burguesa para conseguir sua destruição. Essa luta, é claro, só pode ser realizada de forma ativa e consciente.


O tratamento médico visa – na psiquiatria chinesa, após a Revolução Cultural – criar condições para que o paciente possa realizar essa luta: “aliviar” o paciente, dividi-lo em dois para criar uma “base de apoio” ideológica a partir da qual possa lutar ativamente contra a doença.


Hoje, os médicos abandonam as investigações livrescas e abstratas para se dedicarem à descoberta das leis práticas da cura. A aplicação dos princípios maoístas, tais como “a medicina tradicional e a farmacologia são um rico tesouro, é necessário fazer um esforço para explorá-lo e levá-lo a um nível superior” e “combinar a medicina tradicional chinesa com a medicina ocidental”, permitiu o funcionamento de novos práticas. Foi o caso da acupuntura, que os médicos começaram a experimentar no hospital psiquiátrico de Xangai desde 1958, mas cujo desenvolvimento foi reprimido pela linha Liu e que hoje ocupa um papel decisivo no tratamento de doenças mentais.


Os médicos fazem experiências neles próprios antes de fazê-las nos pacientes. Essa experimentação possibilitou, ao longo dos últimos anos, redesenhar o gráfico dos pontos de acupuntura, limitar seu número e afundar as agulhas mais profundamente em alguns pontos. Tudo isso resultou em melhores resultados. Por outro lado, a excitação manual está cada vez mais sendo substituída pela excitação elétrica. Mas, embora a eficácia da acupuntura esteja sob um controle cada vez maior, todas as explicações teóricas de seu funcionamento ainda não puderam ser fornecidas.


O método é simples, dizem os médicos, barato e, em sua maioria, não apresenta efeitos colaterais (3). Juntamente com os tranquilizantes administrados em doses muito fracas ou com os tradicionais chás de ervas, a acupuntura “liberta” o paciente e permite-lhe realizar atividades físicas e intelectuais.


ORGANIZAR A VIDA COLETIVA DOS PACIENTES

A ginástica (especialmente a tradicional ginástica chinesa em grupo) e os esportes são combinados com atividades ideológicas no teatro e na dança. Os pacientes realizam pequenas atividades produtivas – o trabalho manual simples é o mais frequente – no hospital ou, às vezes, fora dele, além de estarem envolvidos também em sua manutenção.


No entanto, a ênfase é colocada na luta ideológica. A luta coletiva pela educação e reeducação proletária é, também, uma luta contra o isolamento de cada um dos pacientes.


Os pacientes são educados ideologicamente. A leitura dos jornais permite que eles não fiquem separados das lutas que ocorrem nem na China e nem no mundo. A crítica à burguesia e ao revisionismo, a “memória dos sofrimentos do passado”, o estudo do marxismo-leninismo e do pensamento de Mao Tse-tung, tudo isso se constitui como base da luta para destruir as velhas ideologias burguesas e o individualismo e desenvolver a concepção proletária do mundo. A organização dos pacientes para o estudo político e ideológico não difere, em sua essência, da organização dos alunos para este estudo, nem da discussão nos bairros. No entanto, os debates ou as discussões sobre as experiências às quais o pensamento de Mao foi aplicado são realizados a partir de tópicos (4) escolhidos especialmente para os pacientes. O trabalho ideológico, com eles, é mais difícil e leva mais tempo para obter resultados.


O combate ao individualismo e o “servir ao povo” também é praticado no desenvolvimento de atividades de ajuda mútua, na responsabilidade adquirida pelos mesmos doentes que devem cuidar dos demais membros do grupo e apoiar os enfermeiros.


Uma organização desse tipo possibilita a formação do que um médico chamou de “comunidade de combate coletivo” – contra a doença, contra a burguesia –, na qual os pacientes se unem em “um ambiente cheio de vigor que favorece a cura”.


O tratamento médico, as atividades físicas e a luta ideológica coletiva não são suficientes em todos os casos para resolver as contradições ideológicas individuais, ou seja, para curar os pacientes. Entrevistas diretas com médicos completam o dispositivo. Nos casos graves, forma-se um casal médico-paciente(5), onde há uma convivência mútua e constante entre eles.


A participação dos médicos na vida coletiva – fazem as refeições com os pacientes, por exemplo –, sua consagração à comuna dos pacientes, o esquecimento que expressam diante deles favorece o esquecimento de suas próprias condições.


O INDIVÍDUO NA LUTA DE CLASSES

O aprofundamento do marxismo-leninismo e do pensamento de Mao Tse-tung dentro do hospital, a partir da Revolução Cultural, possibilitou a transformação das relações e das análises práticas estabelecidas entre os médicos e os pacientes. “Segundo o pensamento de Mao Tse-tung, afirmam os médicos, a causa externa só pode atuar por meio da causa interna; o importante (durante as entrevistas ou nas atividades) é valorizar a iniciativa dos pacientes”. E ainda: “é preciso que o paciente se investigue, analise suas próprias contradições”.


A intensa luta ideológica pela qual o paciente está passando só pode ser resolvida por ele, mas ele não pode resolvê-la sozinho. “Um se divide em dois: mesmo durante uma crise apenas uma parte dos 'nervos' (6) está doente, a outra permanece lúcida e é possível educá-la”. O tratamento médico visa permitir esta divisão. é secundário ao trabalho ideológico. Assim, as doses dos medicamentos diminuem à medida que a luta ideológica avança.

As contradições ideológicas são o reflexo das contradições sociais: “as doenças mentais são um reflexo da luta entre as duas concepções de mundo (proletária e burguesa) e uma consequência inevitável da luta de classes”. A causa da doença mental deve ser buscada “quando uma luta aguda se desenvolve no espírito entre o interesse coletivo e o interesse privado e a esfera do interesse privado prevalece”, dizem os médicos chineses.


Yy Xian diz: “nossa sociedade chinesa foi submetida a uma evolução muito rápida. Há apenas 22 anos, ainda éramos dominados pelo feudalismo e pelo capitalismo. Nosso socialismo atual é apenas uma fase de transição para a sociedade comunista. Essa progressão em direção a uma organização social mais justa só pode ser realizada por meio de um processo de constante luta-crítica-transformação, cuja frente principal está na transformação da mentalidade dos indivíduos. Portanto, é normal que a maioria dos desequilíbrios mentais no sistema socialista ocorram em indivíduos que ainda não adquiriram a concepção coletiva da sociedade, ou que não aceitam a liderança do proletariado. Na origem de sua neurose estão as contradições entre o subjetivo e o objetivo, entre o indivíduo e a nova sociedade, que não foram devidamente resolvidas. Outros, acorrentados pela estreiteza ou mesquinhez de seu espírito, não conseguiram superar as duras condições de vida que nos foram impostas pela luta, pela produção e pela construção da nação. As principais causas de neurose e psicose que devemos enfrentar residem nas relações do indivíduo com o trabalho e com a sociedade”.


ADQUIRIR UMA POSIÇÃO DE CLASSE PROLETÁRIA

O desafio enfrentado pela psiquiatria socialista é a transformação da concepção de mundo e da posição de classe do paciente. No entanto, esta transformação não pode ser realizada de forma abstrata, com base na repetição de alguns slogans, mas requer, pelo contrário, uma análise individual concreta da situação individual concreta de cada paciente, uma “investigação social” realizada pelos médicos, mas que só os pacientes podem regular. Os médicos realizam, no caso de cada paciente, um levantamento na sua família, no seu local de trabalho ou na sua vizinhança, a fim de conhecer “as relações que tinha com a sociedade, sua forma de agir, seu posicionamento em relação ao esforço coletivo”.


Na medida em que essas relações refletem e se refletem em sua posição de classe, também é importante que o paciente as transforme. É necessário, então, transferir essas relações sociais para o hospital; mas, da mesma forma, para preparar a “reinserção social” dos pacientes, é necessário transformar a contradição hospital-sociedade, fazendo com que a psiquiatria saia do hospital.


Dessa forma, quem está ao redor do paciente é mobilizado na luta ideológica: os companheiros da unidade onde ele trabalha são convidados a visitá-lo e seus familiares colaboram no tratamento. Durante o período de “convalescença” (antes da saída dos pacientes do hospital), eles recebem cursos de estudos nos quais são fornecidos conhecimentos psiquiátricos simples para que possam tratar sua própria doença, continuam a pesquisar sobre si mesmos a fim de descobrir, por exemplo, os causa que desencadeia o seu delírio. Eles também podem discutir com seu médico sobre o tratamento que lhes é fornecido. Os pacientes curados voltam ao hospital para fazer com que outros participem dessa experiência, para conscientizá-los de sua luta, de tudo que colocaram em prática para triunfar sobre a doença.


Os médicos, por sua vez, visitam os pacientes que receberam alta ou continuam a contatá-los por carta.


Durante os passeios pelo campo ou pela cidade, os médicos dão continuidade à sua formação, treinando agentes da saúde (médicos descalços ou médicos vermelhos) capazes de detectar e prevenir doenças “mentais”, bem como ajudar os doentes que acabam de receber alta. Pequenos postos de tratamento e consulta são instalados e favorecem a “consolidação” dos pacientes que recebem alta.


Mas o essencial é que o paciente, em uma sociedade onde não existe desemprego, tenha a certeza de reencontrar um lugar na produção, junto dos companheiros que o ajudaram na luta contra a doença(7), cuja fraternidade e consciência política permitem realizar a ininterrupta luta-crítica-transformação(8) que mudou totalmente a superestrutura ideológica chinesa, arrastando a psiquiatria chinesa para o seu movimento, que se tornou “uma ciência médica e uma ciência social ao mesmo tempo”, destruindo o velho aparato psiquiátrico burguês, elemento indissociável do aparato repressivo do Estado, e a construção de um aparato psiquiátrico de novo tipo a serviço das massas operárias e camponesas, um ideológico proletário.


NOTAS

(1) Que reflete uma prática exemplar (reflexão exemplar de uma prática): não um modelo estereotipado, mas a experiência concreta de vanguarda na resolução de contradições específicas de acordo com a linha proletária; experiência que, por sua vez, deve se refletir de forma concreta nos demais hospitais, levando em consideração suas diferentes condições.

(2) A insulina e os eletrochoques foram totalmente eliminados na China após a Revolução Cultural, assim como o uso de sedativos em doses elevadas.

(3) Disseram-nos que era particularmente eficaz em casos catatônicos e melancólicos.

(4) Seria importante conhecer esses tópicos e sua utilização de acordo com os pacientes e as doenças.

(5) Essa organização é possível por causa da abnegação dos médicos, mas também por causa dos baixos índices de doenças mentais na China: um único hospital de 916 leitos em Xangai atende uma cidade de dez milhões de habitantes. Como há mais de 400 trabalhadores médicos no hospital, se tomarmos como índice as visitas diárias de 400 pessoas aos serviços de consulta, a proporção é de cerca de um médico para cada três pacientes. A mesma proporção em Xian: 100 médicos para 250 leitos de dispensário.

(6) Nervo: estamos traduzindo de declarações orais. Esclarecemos isso para apontar que seria errado concluir, diante desse termo, que a psiquiatria chinesa atual é fundamentalmente neurológica. As terapias utilizadas não nos permitem afirmar nada a esse respeito. Resta saber, entretanto, que papel os psiquiatras chineses atribuem à estrutura nervosa e cerebral no dispositivo da doença mental.

(7) Em 1966, houve, no hospital de Xangai, 40% de recaídas em pacientes que receberam alta daquele hospital; em 1970, esse percentual havia diminuído para 14%.

(8) A generalização da luta-crítica-transformação, a prática desde a infância da crítica e da autocrítica coletiva permitem evitar a cristalização de muitas contradições individuais e sua resolução antes que seja tarde demais. Esta tensão ideológica constante à luz do marxismo-leninismo e da ideologia proletária é a melhor prevenção da doença mental.


Extraído da revista “Los Libros”, nº35, Edição Especial, maio-junho de 1974.

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